A Maldição Hettel
3 Capítulo III - Desentendimentos
Notas iniciais
—Eu acho que o que aconteceu naquela sala não tem nada a ver com o que passamos hoje. -começou Lisa.
—Eu concordo — disse Eric — A Wendy imaginou tudo aquilo no banheiro! E aquilo com a caneca... Qualquer ventinho pode ter derrubado ela..
—Ventinho? Tá falando sério? — falou Rafael, me defendendo- E também tem aquele grito que ouvimos vindo do colégio... E olha pra Wendy! Acha mesmo que ela imaginou tudo? Cara que ridículo. E por que diabos alguém em estado normal iria imaginar tal coisa?
—E você? Acredita mesmo que ''alguém'' pediu ajuda pra ela? Isso sim é ridículo! Ela ficou assustada pelo o que aconteceu ontem, Deus sabe lá por quê e agora fica vendo coisa.
— Ah cala a boca!
—Parem com isso gente! Talvez o que aconteceu na sala não tenha mesmo nada a ver com o que eu vi no banheiro. Mas eu sei que o que eu vi foi real, e tenho mesmo uma sensação de que tem alguém realmente precisando da minha... da nossa ajuda.
—Pode contar comigo Wendy — falou Rafael.
—Vocês estão ficando loucos? hein? Já pararam pra escutar o que estão falando? Acreditam mesmo nisso tudo?
—É amiga, desculpa mas isso é mesmo loucura... E se fosse mesmo verdade, o que vocês poderiam fazer?
—Eu não sei... Mas tenho que fazer alguma coisa. Acho que vou ir à escola hoje a noite.
—Agora você está passando dos limites! — exclamou Lisa — Não vou deixar você fazer isso. Vou avisar seus pais!
—Ah, obrigada 'amiga', além de não acreditar em mim, você vai ficar contra mim? Beleza! Avisa lá os meus pais, mas vai ter que esperar até amanhã, porque eles viajaram à trabalho. É por isso que tenho que ir hoje. E vou.
— Wendy, não estou contra você! Só não quero que você faça alguma besteira!
—Não, eu já entendi... Então quem tá comigo?
— Eu tô! Ao contrário dos seus outros amigos, eu acredito em você. E também... não perderia uma invasão noturna no colégio por nada!- disse Rafael rindo.
—Para Rafael, isso é sério! E você Eric?
—Acho que deveria escutar melhor sua amiga e parar com essa loucura!
—Olha, eu tenho certeza que alguém precisa de ajuda lá!
—Isso não justifica invadir o colégio! E além do mais o que vocês iam procurar lá? Alguém no reflexo de um espelho? Sério?
—A única coisa que eu sei é que preciso ir lá hoje! E desculpa Lisa, eu entendo que vocês não queiram ir, mas eu preciso...
—Tudo bem Wendy, só tomem cuidado, ok?.
—Está bem — respondeu Rafael — mas se alguma coisa acontecer com a gente, quero que se sintam bem culpados por não irem junto!
Ele riu, mas ninguém ali compartilhava seu senso de humor fora de hora.
Rafael decidiu ficar por ali até a hora da invasão, então nos despedimos de Lisa e Eric que ainda insistiam em nos alertar para que não fossemos. Depois, ele disse:
—Você tem lanternas? Porquê vamos precisar.
—Tenho sim, devem estar lá no sótão, vou pegar.
—Ok.
Fui para o sótão, as lanternas deviam estar dentro de alguma caixa dali.
Depois de um tempo as achei. Estava quase pegando quando ouvi um barulho que parecia vir da pequena janela do sótão. Olhei para ela assustada, mas não havia nada, fiquei olhando para lá. O silêncio invadiu o lugar. De repente ouvi passos, o medo se espalhou em mim mais uma vez.
—Wendy?
—Ai meu Deus! Tinha até me esquecido que você tava aqui Rafa!
—Ui desculpa assustadinha, mas é que você tava demorando, então vim ver se precisava de ajuda... Achou as lanternas?
—Lanternas? Ah! Claro tenho duas aqui.
—Bom, acho que só precisamos de duas mesmo.
Antes de passarmos pela porta ouvi, o que parecia ser uma caixa caindo, me distraí, de novo, até que fui interrompida por Rafael:
— Vamos?
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