A Maldição Dos Deuses
7 Capítulo 7 - Derrotamos um cão infernal
Eu queria muito voltar para a minha casa. Ninguém me avisara que havia ataque de monstros naquele jogo. Já eram monstros suficientes na minha vida. Vanessa gritou de susto, e criou um arco-íris para se proteger do monstro, como se fosse um escudo.
Eu não sei o que me deu na cabeça, corri até ela, que estaria parecendo uma personagem de algum desenho infantil se aquele monstro fosse de mentira. Eu a puxei para trás, e ela caiu em cima de mim. O garoto gritou para a besta, e acho que entendi o que ele quis fazer: dar um tempo para nos levantarmos. Ao recuperar o equilíbrio, Vanessa voltou a atirar arco-íris no monstro. O garoto estava tentando furar o monstro com uma espada. O que eu podia fazer? Aquela era a minha primeira vez.
“Coloque a mão no bolso”
A voz era feminina, e familiar. Olhei para os lados, mas não havia ninguém ali. Coloquei as minhas mãos nos bolsos da minha calça. O marca-páginas preferido estava ali. Não sei como ele coube ali, e não estava amassado de jeito nenhum.
“Agora fale Owls”
- Owls – eu falei
No mesmo instante, meu marca páginas se transformou em uma adaga. A lâmina era feita de bronze, e tinha uma cor entre bronze e ouro. O punhal era feito de couro preto, com o que lembrava um cinto enrolado. Embaixo do pequeno detalhe, havia algo escrito. Αστεροειδείς.
“Se chama Asteroidis. O pequeno cinto vira um chicote quando você o desenrola. Agora ajude seus amigos.”
-Mas... – eu estava confusa; nem tinha chegado naquele lugar direito e já era forçada a lutar contra monstros. Mas eu faria o possível para proteger aqueles dois; afinal, a união faz a força.
Com a adaga na mão, chamei a enorme besta, ofendendo ela com nomes como “cocô de cavalo e cãozinho malvado”; o monstro parecia mesmo um cachorro do tamanho de um cavalo. Tive que gritar mais alto até chamar a atenção da coisa, e quando ela se virou para mim, eu gelei. Seus olhos eram vermelhos como rubis, e seus dentes eram mais afiados que a adaga. O monstro também era bem rápido, e, felizmente, eu não morri porque Vanessa criou um arco-íris enorme, chamando a atenção do monstro de novo. Eu tinha que bolar um plano para matar aquilo.
Corri até o garoto, que estava tentando tirar uma flecha da mochila. Falei para ele ir um pouco mais longe e atirar em qualquer parte do corpo do monstro, e enquanto ele estivesse distraído com a dor, eu amarrava suas patas com o chicote e depois o mataria com a adaga.
-Mas eu não sei atirar... – o menino falou
- Não precisa atirar no coração ou no peito, atire em qualquer lugar do corpo do monstro!
- Mas...
- Escuta, você acha que eu queria estar aqui? Não. Se você quiser sair daqui, vai ter que acertar no monstro, não importa quantas flechas você tenha que gastar.
- Vou tentar, mas não te prometo nada.
Me virei e gritei para Vanessa continuar a distração; acho que ela ouviu o que eu a disse. O garoto atirou uma flecha no pescoço do monstro. Se aquilo não era ser bom em arco e flecha, queria ver o que era ser ótimo. Enquanto o monstro rugia de dor, corri até suas patas traseiras e as amarrei com o chicote, que segurou bem firme até que eu pudesse matá-lo com minha adaga. Ele se tornou pó, como os outros monstros que enfrentei no museu. O chicote continuou no chão, então eu o peguei e o enrolei de volta na adaga, voltando a sua forma original de cinto.
- Obrigada por me salvarem – disse Vanessa – odeio ser fraca. É por isso que odeio ser filha de uma deusa menor.
- Pelo menos – o garoto interrompeu – você tem um poder.
- Nossa! Que bom que você considera uma garota criadora de arco íris uma heroína!
- Vanessa – eu interrompi – existe um herói dentro de todos nós. Basta acreditar.
Ela estava chorando, mas mesmo assim continuou falando:
- Tudo bem pessoal, vamos voltar aos nossos postos, se alguém passar por aqui, Annabeth nos deixa sem sobremesa.
- É mesmo – o garoto disse, posicionando uma flecha na direção de uma árvore.
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