A Maldição Dos Deuses

19 Capítulo 19 - Vencer ou morrer


“É aqui que sua irmã vai cair. E veja só, você não poderá fazer nada para impedi-la.”

Consegui ver quem estava falando comigo. Era uma mulher de meia idade, muito bonita até perceber quem ela era. Aracne, deusa das aranhas. Ao invés de braços e pernas, ela tinha quatro tentáculos do lado direito e outros quatro do lado esquerdo. Eu sempre odiei insetos e aranhas, e tive uma imensa vontade de jogar a mulher do precipício.

“Você vai ter a experiência de sua irmã, também. Em pouco tempo, você estará caindo na escuridão.”

- Você não pode fazer nada – respondi encarando-a.

Entre outra piscada de olhos, tudo mudou novamente. Dessa vez, estava em uma biblioteca que continha todos os livros que eu já havia lido ou gostaria de ler. Ela era enorme, com estantes que iam até o teto. Havia uma poltrona de couro em um canto do cômodo.

- Você está linda! Quer se olhar no espelho? – Lucy perguntou.

Antes que eu pudesse responder, um espelho enorme apareceu na minha frente, e pude ver meu reflexo. Eu estava realmente perfeita, do jeito que sempre sonhara: olhos verdes como os de minha avó paterna, cabelo liso na raiz mas ondulado a partir das orelhas, meu rosto estava simetricamente perfeito, sem a perda óssea que tinha desde pequena, meu nariz estava pequeno e fino e estava vestindo um vestido branco de cetim que tinha o comprimento que eu sempre gostei, um pouco acima dos joelhos; calçava sandálias de salto alto e vi o reflexo de Lucy e de meu pai, atrás de mim, felizes, abraçados.

- Venha, Susan, a motorista está te esperando na sala de estar.

Segui Lucy até a sala de estar, onde uma mulher loira me esperava. De repente, eu estava dentro de uma limusine, ao lado de uma mulher que me lembrou a Scarlett Johansson. Estava olhando pela janela e percebi que estava em Los Angeles. Nunca estive lá, mas tinha certeza de onde estava por causa das altas palmeiras.

-... E lembre-se, a premiação do Oscar vai até dez horas da noite, se você vencer, já sabe seu discurso. Quero você as dez e cinco no camarim para trocar de vestido para a festa pós-Oscar. Depois disso, queridinha, você tem até uma e meia da manhã para se divertir com seus amigos.

- Que amigos? – perguntei, esperando como resposta: “Samuel e Vanessa, claro.”

- Ora, primeiramente seu encontro com o Logan. Segundamente, você se esqueceu da festa que a Emma te convidou? Você prometeu que levaria a Jennifer também!

- Espera, sobre quem você está falando?

- Ora, tragam um remédio, ela está com amnésia. Estou falando de seu namorado, Logan Lerman, sua melhor amiga, Emma Watson e sua vizinha, Jennifer Lawrence.

Eu ri.

- Até parece que isso aconteceria – falei.

Entre outra piscada de olhos, estava de volta à caverna. O dragão rugiu para mim, e rapidamente lembrei-me de minha adaga, que milagrosamente estava embaixo de meu pé direito. Não deu muito tempo para que pudesse acertar o monstro em um órgão vital (se é que ele tinha um, com exceção do coração), então acertei a adaga profundamente na perna dele. Ele grunhiu de dor, e no breve momento que me afastei dele, precisando de ajuda, percebi que Vanessa e Samuel estavam paralisados, como se o feitiço petrificus totales de Harry Potter tivesse os atingido. Gostaria de ter tido tempo para pensar em um modo de reverter a paralisia, mas o dragão estava a poucos metros de mim, jogando sua calda grande e espinhosa na minha direção. Desviei rapidamente, mas um espinho me arranhou, fazendo meu braço sangrar.

Tentei retomar as forças, mas minha adaga ainda estava encravada da perna do dragão; não tinha como escala-lo, eu iria morrer, meus amigos ficariam congelados para sempre, não resgataria nada para ninguém e não honraria minha mãe. O pior de tudo: não teria chance de dizer adeus a meu pai. Fechei os meus olhos, esperando o pior acontecer. Sentia meu sangue pingando no chão e os passos pesados do dragão vindo em minha direção. De repente, a caverna ficou silenciosa. Espiei com os olhos semiabertos o que havia acontecido. No chão havia um monte de cinzas e um pequeno colar com um topázio azul no meio, uma joia magnífica, tenho que admitir. Um amuleto.