A Maldição Dos Deuses
15 Capítulo 15 - Isabella
Notas iniciais
Partimos em rumo ao aeroporto assim que colocamos as cinzas do monstro. Samuel carregava o enorme copo de Coca-Cola na mão, fingindo estar bebendo algo quando alguém desconfiava de nós. Eu, quando não estava de alerta, lia algum trecho de um livro ou conversava com meus amigos. Uma dessas conversas foi sobre como a tal névoa funcionava. Eu ainda não entendia como lutávamos contra monstros e ninguém parecia notar.
- É simples – Vanessa me respondeu, no saguão do aeroporto. – Mortais são manipulados pela névoa. Nós, meio-sangues, somos diferentes, temos sangue mortal e sangue divino ao mesmo tempo. Portanto, quem só tem sangue mortal consegue ser manipulado pela névoa, o que os faz não ver as coisas como são, ou de um jeito diferente. Por exemplo, a sua adaga pode ser vista como um pirulito, para eles. E os monstros, podem ser simples animais, como pombos ou cães.
- Ah – respondi, entendendo tudo o que Vanessa dissera, mas achando aquilo simples demais para algo que parecia tão complicado. Na fila de embarque pediram nossas passagens, e enquanto esperávamos, Samuel me cutucou nas costas.
- É verdade que seu sobrenome é realmente Weasley? Tipo, Weasley?
- Sim
- Mas você não é ruiva.
-Não
Ouvi Vanessa dar um tapa no braço dele. Bem merecido. Entramos no avião e sentamos em nossos lugares. Logo depois, ouvimos uma aeromoça falar com alguém:
-Moça, não podemos deixá-la entrar com um arco e uma flecha.
Ouço uma voz familiar responder, gritando grosseiramente.
- Eu faço o que eu quiser! A vida é minha!
As duas começam uma discussão, e ninguém parece notar. Deduzi então o que estava por vir. A aeromoça, que estava apenas algumas fileiras a nossa frente se transformou em uma espécie de touro com pescoço de girafa. Ah, suspirei era tudo o que queríamos: outros semideuses no avião e um monstro como aeromoça. Vanessa e Samuel pareceram pensar a mesma coisa que eu, e resolvemos ficar em silêncio, fingindo-nos de mortais. Para nosso azar, o monstro levanta o pescoço de girafa através da passagem entre os bancos.
- Sinto cheiro de meio-sangues – o monstro sibila e Samuel se levanta rapidamente de seu assento.
O monstro o encara, e uma voz vinda na parte da frente do avião grita: “Sou eu, idiota!” E Samuel hesita; claro, se alguém estiver em questão de vida ou morte ou morte atrasada, escolheremos a morte atrasada. De repente, reconheço quem é o dono da voz que chamou o monstro de idiota. Era Monroe, namorado de Isabella.
Por saber que Isabella e Monroe estavam em perigo, quase dei um pulo do assento; por sorte, Vanessa me segurou. A luta foi rápida, graças aos deuses; Isabella e Monroe trabalhavam muito bem juntos. Deviam conhecer as táticas do outro em todas as lutas. Samuel, que estava sentado de volta em seu assento, estava me encarando, com aqueles seus olhos marrom-esverdeados. Quando olhei de volta, ele se virou. Estavam avisando que o voo decolaria em um minuto.
O voo demorou quase sete horas, o que me deu bastante tempo para Isabella e Monroe esclarecerem o que eles estavam fazendo no mesmo avião que nós.
-Algum mortal se interessou por os morangos que plantamos no Acampamento.
- É para isso que existe a internet. Celulares também contam. – Lembrei. Na verdade, eu sabia que aquele não era o motivo deles estarem ali.
- Lembrando você, queridinha, que nós não podemos usar celulares, a não ser que seja bem rápido. Outra coisa, chamadas internacionais custam caro.
- Passagens aéreas também – Vanessa acrescentou, olhando ameaçadoramente para Isabella e Monroe.
- Quer saber, não é da sua conta! – Isabella gritou, fazendo algumas pessoas olharem para nós, e Monroe a segurou antes que ela se levantasse.
Samuel e eu demos um passo discreto para trás e caminhamos de costas até nossos assentos para fugir da confusão. Quando Vanessa notou, saiu correndo de Isabella.
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