Perdidos nessa troca de beijos e suaves carinhos nem ao menos se deram conta de que estavam sendo observados. Não muito longe dali um outro cavaleiro esperava apenas o melhor momento para poder ir conversar com os dois, mas imaginando que estavam tão entretidos no seu próprio mundinho que não haviam percebido a presença dele ou se quer seu cosmo. Ele tentou pigarrear na esperança que pelo menos um dos dois ouvissem, mas foi em vão.

Juro que não queria ter de tomar medidas mais drásticas, mas se eu não entregar esse recado mais de uma pessoa vai sair magoada pensou o frances.

Cerrou um punho e formou uma esfera de gelo. Ponderou um tempo se atrapalhava mesmo ou se esperava mais alguns minutos. Vendo que eles não iriam parar tão cedo, atirou.

Antes que a esfera de gelo chegasse mais perto, Máscara da Morte estendeu o braço em direção à esfera e a segurou entre os dedos. Camus ficou surpreso ao ver que ele finalmente reagira.

O canceriano abraçou forte a cintura da musa dando um ultimo selinho e um beijo na testa dela. Quando finalmente recuperados, Giovanni olhou para Camus como se fosse fazer da cabeça dele o próximo troféu em sua coleção na casa de Cancer. O aquariano apenas continha o riso virando o rosto para o outro lado.

–- Algum problema Cami? – Nefertiti virava o corpo em direção ao amigo

–- Tenho um recado para você, Titi. – ele ia se aproximar, mas sabia que ia acabar provocando ainda mais o canceriano. – Ah, me desculpe pela intromissão.

–- Não te problema, Cami – Nefertiti sorriu para o antigo mestre

O italiano olhou para ela como se pedisse para que ela não saísse dali. Ela segurou o rosto dele entre suas mãos e beijou ternamente sua bochecha.

–- Eu te amo, você sempre pode contar comigo. Espero que nunca se esqueça disso. – Lutou contra sua vontade e por fim se soltou dos braços de Giovanni e seguiu até Camus.

Os dois amigos começavam a se distanciar, quando Máscara chamou o frances. Camus estancou o passo e virou apenas o rosto em direção ao amigo.

–- Hey iceberg, eu nunca interrompi seus casinhos. Lembre-se disso, vai ter troco – tentava soar ameaçador, mas o aquariano sabia bem que ele não faria mais do que lhe perseguir pelo Santuário ou fazer traquinagens com suas estátuas ou seus livros.

–- Ah, relaxe casquinha de siri. Até parece que essa foi a primeira vez. – o frances saiu gargalhando não se intimidando com o aviso do italiano.

Nefertiti arqueou uma das sobrancelhas com os comentários, mas resolveu ignorar. Sabia que esses dois tinham uma amizade um tanto peculiar. Estavam conversando sobre o tempo em que passaram longe um do outro e seguindo até um local que trazia lembranças nostálgicas para a amazona. Camus era para Nefertiti mais que um mestre, mais que um amigo. Podia considerá-lo um irmão mais velho super protetor e atencioso. Não importava o que lhe acontecia, ela podia contar-lhe tudo e ele prontamente lhe aconselhava. No tempo em que treinara no Santuário de Athena, não havia pensamento ou acontecimento da musa que Camus não soubesse.

Eles estavam se aproximando cada vez mais do destino. Então por fim ela resolveu perguntar

–- Qual era mesmo o recado que tinha para me dar, Cami? – disse ela reconhecendo melhor onde o caminho levava

–- Na verdade, eu tinha a missão de te trazer até aqui. Foi pedido de um amigo. Ele tem algumas coisas para conversar com você. – disse o cavaleiro coçando a bochecha. Tentava parecer normal, mas sabia que ela iria suspeitar.

Ela o mirou pelo canto do olhou e os estreitou. Suspirou em derrota. Sabia o que seguiria. Sabia quem estaria esperando por ela ali.

–- Eu vou ficar por aqui. Você já conhece o caminho. É só ir direto entre as oliveiras. – cessou os passos e fitou a musa com um singelo sorriso.

Soltando mais um suspiro envolveu os ombros do aquariano em um abraço. Quase como se pedisse por forças. Ele beijou o topo de sua cabeça envolvendo a cintura dela erguendo-a levemente do chão e logo depois se separando dela.

–- Vá logo antes que ele. Não o deixe esperando ainda mais. – disse fazendo bagunçando o cabelo da amazona e então partindo para longe dali.

Ela esperou ele desaparecer pelo caminho de volta e então seguiu por entre as oliveiras que beiravam a cachoeira. Pode sentir o aroma doce das flores que se agarravam ao tronco das arvores ao passar por elas. Era um tanto nostálgico voltar aquele lugar.

A clareira era uma visão estonteante. O som do vento nas arvores, o burburinho da queda d’água, o canto das aves. Era quase como se aquele lugar transportasse os visitantes para uma era distante, séculos antes. Despertando até no mais incrédulo o poder mágico dos tempos dos heróis e deuses.

Competindo com todo esse cenário hipnotizante, um brilho dourado resplandecia, em uma pedra, bem próximo da água. Ele estava sentado ali, apenas deixando que a nevoa refrescante da cachoeira lhe deixasse mais calmo. Mal sabia ele que esse era o efeito contrário que causava nela ali.

A guerreira deu alguns passos mais próximos da piscina natural que se formava ao pé da cachoeira e sentou-se em uma pedra ali mesmo. Tentava não ficar encarando demais o loiro e por vezes mirava as orquídeas que desabrochavam dentre as rochas mais próximas da água.

Se fosse me qualquer outro lugar, o silencio estaria com certeza sendo incomodo. Entretanto, ali, a quietude deixava o cenário ainda mais bonito.

Por fim ele tomou coragem e, se levantando, saltou para o outro lado da cachoeira, onde ela estava. Ficando em pé ao lado dela e lutando para manter os olhos fechados.

–- Vocês... vão mesmo ficar no templo das musas? – perguntou tentando manter a voz firme

–- Acho que sim. Se for o que as meninas quiserem então sim. – ela procurava pelo motivo da pergunta, mas não saberia até que ele dissesse.

–- Você não pode. Deveria voltar para o templo de Árthemis – sem que se desse conta ele havia aberto os olhos por ter se exaltado um pouco

Assustada pela reação do virginiano, Nefertiti levantou os olhos para ele. Não era a primeira vez que via os olhos do loiro, mas sempre se surpreendia com o tom de azul que pertencia a ele.