A Maldição
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Notas iniciais
Uma semana... Uma semana e cinco dias...
Duas semanas... Duas semanas e três dias...
Draco Malfoy contava os dias. Ele não tinha praticamente nada mais a fazer, o que era uma droga, afinal significava que ele tinha bastante tempo para pensar. E pensar era a última coisa que ele queria fazer no momento.
— Oh! Você não devia ter acordado.
Ela parecia um anjo. Não! Ela D E F I N I T I V A M E N T E é um anjo. E eu um demônio, obviamente. Pensava ele, se afundando mais em um poço de auto depreciação. Esse sentimento crescia há um bom tempo no peito do jovem, mas ele só começara a questionar realmente seus pré-conceitos e atitudes depois que a famigerada Hermione Granger entrara em sua vida.
Ela era forte e destemida. Nada do que ele falava ou fazia parecia atingi-la de alguma forma. Ele tentou humilha-la e deprecia-la, mas ela se erguia das cinzas como uma Fênix! Exuberante e determinada a coloca-lo em seu devido lugar. Mal sabia ela que o lugar dele era no lixo, mas ele sabia muito bem disso.
Até mesmo seus amigos mais próximos perceberam as mudanças no garoto, mas não sabiam o porquê de tudo isso. O humor dele estava cada vez mais instável e explosivo. Ele agredia mais ainda as pessoas que ele considerava inferior, mas de uma forma muito diferente do que fazia antigamente. Ele estava tão volátil que tinha mandado um dos companheiros de Casa para a enfermaria, só porque o ouviu falar sobre a americana.
Malfoy havia resolvido estudar um pouco no Salão Comunal, pois precisava adiantar um pouco o conteúdo e já havia batido o horário do toque de recolher. Ele estava concentrado em seu conteúdo de neurologia quando ouviu falarem de Hermione.
— E vocês viram os peitos daquela sangue-ruim Ianque? – Ria Gregory Goyle.
Havia um grupo de garotos sentados em frente a lareira. Eles estavam bebendo e falando muito alto. Falavam sobre as garotas de Hogwarts e davam para cada uma. “Reviam” as notas das que haviam retornado das férias e incluíam em seu Caderno da Fama. Era uma tradição entre os garotos.
— Ela é muito gostosa. – respondeu um. – Pena que é tão sujinha!
— Ser sujinha nem é o maior problema da Ianque. O negócio é aquela boca esperta de sabe-tudo. – disse outro, fazendo o grupo explodir em risadas. – Ah... O que eu não faria com aquela boquinha pra ensina-la o lugar dela!
Nessa hora Draco se virou para saber quem era o imbecil que tinha falado aquilo. Ele não sabia porque as palavras ditas por Vincent Crabbe, mas o garoto respirava fundo para controlar seu gênio.
— E o que você faria, Crabbe? – Disse o loiro, se levantando devagar e indo em direção ao grupo. Como todos estavam muito bêbados, não perceberam que o perigo se aproximava como um tigre que brinca com a comida antes de dar o golpe final. – Digamos que, por um milagre, você consiga algo com a americana, o que exatamente você faria?
Além de Malfoy e o grupinho próximo à lareira, Blásio Zabini estava entrando escondido no Salão, quando viu o amigo e, na mesma hora, percebeu o que estava para acontecer.
— Primeiramente, com certeza iria amordaçar aquela boquinha, só pelo prazer de ver aquela cadela calada. – Crabbe riu e trocou soquinhos com uns amigos, enquanto Draco se aproximava ainda mais dele e Zabini ficava cada vez mais alerta. – Também aproveitaria pra rasgar aquela roupa ianque ridícula que ela usa! Depois a faria engasgar com meu pau. Quero vê-la dar uma resposta malcriada com ele até na garganta.
— Mais alguma coisa? – Draco já estava vendo vermelho e estralava os dedos. Nessa hora, os amigos de Crabbe que estavam na porta perceberam o que iria acontecer, mas já era tarde demais para o matraca.
— Ia meter nela até gozar! Ia bater nela e usa-las de todas as formas que eu conseguisse e pudesse imaginar. Só pra ela saber o lixo que ela é!
Crabbe mal havia fechado a boca quando o punho do Malfoy acertou um soco no nariz dele.
O que se seguiu foi um combo de socos e chutes que destruíam o garoto que já estava no chão, sangrando. Todos conheciam muito bem o agressor para saber que ele era letal e que era melhor não se meter, a não ser que se quisesse morrer. Somente depois que ele diminuiu o ritmo dos golpes é que Zabini interviu e tirou o amigo de cima do outro.
— NINGUÉM TOCA NA AMERICANA! N I N G U É M! – Gritou ele. – Ela é minha e quem chegar perto dela vai se entender comigo.
Zabini saiu arrastando o amigo, que ainda queria sangue.
— Que porra foi aquela, Draco? – Questionou Zabini, enquanto tentava levar o outro para o dormitório, mas não conseguiu porque Malfoy tirou o braço.
— Me deixa em paz. – Essa foi a ultima coisa que o loiro disse antes de se esgueirar para fora da Casa.
Já se passara 03 semanas desde que Draco sofrera “o acidente”. Todos chamavam assim porque ninguém conseguia explicar o que aconteceu com ele, se alguém havia batido nele ou se ao cair, ele havia se machucado. Desde esse dia, ele estava preso à cama por causa de um gesso que ia do tornozelo ao quadril. Mas naquele dia, enquanto pensava no que acontecera, sentia-se sufocado.
— Dennis, — ele resolveu chamar o enfermeiro que havia sido contratado para cuidar dele – me traz a cadeira. Quero dar o fora desse quarto!
O enfermeiro sabia que o garoto não deveria sair da cama, mas sabia ainda melhor que não era nada bom dizer não para o filho de Lord Malfoy.
Depois de muita luta para conseguir acomodar corretamente o garoto, ele o levou para os jardins. E, com o aceno de mão, o enfermeiro foi dispensado.
Assim que se viu sozinho, ele conseguiu respirar fundo. O ar livre era tudo que ele precisava no momento. Foi ali, sozinho em meio às árvores e pertinho do Lago Negro, que ele a viu.
Ela não era estranha. Ele havia visto varias vezes aquela menininha de relance, mas nunca havia ido atrás. A menina loira foi saindo devagar da floresta e, depois de olhar varias vezes para os lados, começou a se aproximar dele. Estava suja, mas algo dizia a ele para não tentar sair nem chamar ninguém.
— Oi. – disse ela.
— Oi garota. – Respondeu ele, de uma forma doce que ele raramente falava. – O que você está fazendo aqui?
— Esperando você, ué. – Ela riu como se a pergunta dele fosse uma coisa idiota.
— E por que você estava me esperando?
— Porque já tem um bom tempo que eu não te via andando por aqui. Sempre vejo a mamãe lendo ou estudando aqui. Às vezes vejo a titia e o titio com ela. – De repente ela percebeu o gesso. – O que é isso?
— Isso é um gesso. – Ele riu da cara que ela fez quando tocou nele.
— E por que você está usando isso?
— Porque eu quebrei a minha perna, bebê.
Ela começou a rir de uma forma que era incrivelmente contagiante. O jeito de ela rir o lembrava muito a forma que a Granger ria. Ele viu isso apenas uma vez, a Weasley havia falado algo no ouvido dela.
— Que coisa besta! Por que ficar com isso se você pode se divertir e correr por aí?
— Não é uma escolha. Quando se quebra um osso, temos que esperar consertar.
— Ah! Se for só isso, eu posso te ajudar. – Do nada, ela se aproximou muito dele e colocou as duas mãos encima do gesso dele. – Brackium Emendo!
Nessa hora, ele sentiu uma dor percorrer a perna dele como um raio. Um pequeno grito saiu de seus lábios.
— Espero muito que você possa correr comigo e com a mamãe logo, papai.
Foi aí que ela se virou e saiu correndo.
Papai?
QUÊ?!
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