A Maldição Dos Deuses

12 Capítulo 12 - Mudança de Planos


Saímos do Acampamento às dez da manhã. Pegamos um ônibus para Manhattan, aonde iríamos partir de avião para a Flórida (o lugar em que concluímos que seria o sul a qual a profecia se referia). No ônibus, sentei do lado de Vanessa, que ficava conversando através de arco-íris com uma garotinha. Samuel ficou na nossa frente, olhando para a paisagem.

Chegamos no aeroporto John F. Kennedy por volta das duas horas da tarde. Tivemos sorte de que era sábado e muitos nova-iorquinos preferiam ficar em casa, então o trânsito estava tranquilo. Compramos nossas passagens para o voo das dezessete horas. Vanessa convenceu um atendente do Starbucks de que três dracmas (as moedas usadas para o mundo Olimpiano) valiam seis dólares cada; não me pergunte como, mas ele acreditou. Bebemos chocolate quente e passeamos pelas lojas até a hora do embarque. Fomos para o portão trinta, e embarcamos por último pois iríamos viajar de terceira classe, no fundo do avião. Ficamos alertas, porque Samuel me contou que monstros podiam tomar formas humanas. Por fim, entramos no avião, com segurança. O voo durou quase três horas; que eu aproveitei muito bem, olhando as nuvens e assistindo um filme que estava passando na televisãosinha do avião. O pior foi Vanessa, dormindo do meu lado direito, que toda hora batia a mão em minha cara e babava no meu braço.

Chegamos no aeroporto de Miami às oito e quinze da noite. Assim que pisamos fora do avião, demos de cara com um arco-íris; mensagem de Íris, como o pessoal chamava. Era Quíron.

-Sinto muito interromper-lhes, mas tenho que lhe dar o aviso antes de vocês irem para qualquer lugar. Tem uma pessoa que deseja falar com vocês na Ilha de Poseidon, no parque Ilha da Aventura.

A mensagem se dissipou. O parque era em Orlando, cinco horas de distância de Miami, de carro. Como queríamos gastar o mínimo de dinheiro possível, compramos três passagens de ônibus e embarcamos rapidamente. Vanessa, Samuel e eu revezamos o turno de vigia, caso algum monstro quisesse nos atrapalhar. Por sorte, não havia nenhum por ali. A viagem foi cansativa. Sorte a minha que consegui comprar um livro na estação de ônibus. Li o livro inteiro durante o percurso. Chegamos em Orlando às duas da manhã; estávamos morrendo de sono. Achamos uma pousada para passarmos a noite, e partiríamos logo cedo para o parque. Nós três ficamos no mesmo quarto, o que era bom, pois eu tenho muito medo de ficar sozinha em um lugar desconhecido. O quarto era simples, com uma cama de casal, um espelho e um banheiro. Fui a primeira a usar o banheiro, pois eu odeio banheiros de ônibus. Aproveitei e tomei banho, também. Percebi que a última vez que eu havia tomado banho foi no dia em que Lucy e eu fomos atacadas pelos monstros. Tive que vestir as mesmas roupas que usara há dois dias, a blusa laranja do Acampamento e a calça jeans. Fiquei descalça, o que não foi muito inteligente quando vi uma barata subindo pelo ralo.

-Ahhh! – gritei, o mais alto que pude

Vanessa abriu a porta rapidamente.

- O que foi? – ela perguntou

- Uma barata! – gritei apavorada. No instante que Vanessa viu a barata, ela também gritou.

- O que está acontecendo? – Samuel perguntou, calmamente.

Nós duas apontamos para a barata.

- Eu mato, pode deixar – ele disse.

Vanessa e eu saímos correndo do banheiro enquanto ouvíamos Samuel gritar “vá para o Tártaro!”.

- Pronto, meninas. Era só uma baratinha.

Eu corri até ele e lhe abracei, como se ele fosse um herói por ter matado uma barata.

- Muito obrigada – agradeci – espero que você sempre esteja por perto para nos ajudar.

Parece que “nos”, não se destacou direito na frase.