-- Beba – ordenou o guerreiro

-- Foi o medalhão – as palavras saíram de sua boca enquanto fitava o copo

-- Imaginei. Como o medalhão foi parar com ele? – sua expressão se tornou mais séria

-- Durante uma de suas caçadas. Ele saiu animado e confiante como sempre. Mas...

-- Mas o que? -- Máscara colocou uma mão no joelho dela

-- Ele demorou muito dessa vez. Ele sempre voltava de noite, mas não aquela vez. Árthemis ficou cada vez mais preocupada. Eu, Lena e Perséfone saímos a procura dele. Seguimos pelas trilhas que ele sempre vai. Havia algo errado. – Nefertiti fez uma pausa, tragou um gole de água e voltou a fitar o copo – As marcas de sua carruagem haviam desaparecido em um ponto do trajeto. Só conseguimos encontrá-las de novo quinze quilômetros adiante. E há pouco metros estava a carruagem. Quebrada.

Giovanni se levantou pensativo e deu a volta na mesinha de centro. Parou em frente a uma longa estante de livros antigos.

-- E havia alguma pista? Alguém lá? – perguntou concentrado em busca de um livro.

-- Dois dos platinas que o acompanhavam estavam la. Suas armaduras estavam em perfeito estado, mas eles pareciam múmias sem as ataduras. Como se suas energias tivessem sido sugadas. Lembro de Lena passando mal com o cheiro pútrido ali. Andamos mais um pouco temendo pelo pior ao mestre Apollo. – suas mão apertaram o copo no meio delas. – Encontramos um velho baú aberto. Ele tinha algumas inscrições em hieróglifos.

-- A fechadura era um escaravelho? – disse ele folheando um livro grande com pressa.

-- Sim. Um escaravelho vermelho com preto e dourado – ela se forçou a tomar mais um gole de água por seus nervos.

-- Era como esse? – Máscara estendeu o livro aberto para ela. Apontando para a gravura de um pequeno baú.

Seu controle se perdeu por um breve instante. O suficiente para estilhaçar o copo entre seus dedos. O canceriano não precisava de palavras. Já tinha certeza de que era o mesmo baú que a amazona vira aquele dia.

-- Quanto tempo temos para trazer mestre Apollo de volta? – Nefertiti perguntou enquanto limpava cuidadosamente os pequenos cacos de sua mão.

-- Não muito, receio – Giovanni fechou o livro com força ao sentir uma áurea adentrando na casa de Câncer. – Aconteceu algo Shaka?

Um arrepio percorreu a espinha da amazona ao som do nome dele. Suas mãos suaram frio. O aroma suave de incenso e lótus invadiram seu nariz. O som dos passos se aproximaram e então pararam.

-- Tive uma revelação, precisamos ir todos à sala do Grande Mestre. Agora! – sua voz era dura e urgente.

A musa mordeu o lábio com força ao ouvir essa voz. Seu auto controle se perdeu por um instante ao sentir que seu cosmo a envolvia. Só percebeu o quão forte mordia o lábio ao sentir um liquido quente e meio doce se empoçando em sua boca.

-- Vou chamar os outros. – deixou o livro cair sobre o colo da musa e se dirigiu à porta – Nefertiti, suba com Shaka à sala e mostre o livro para Athena.

Antes que a amazona pudesse pensar em uma resposta o cosmo do canceriano já estava longe. O virginiano se virou e começou a se distanciar também. Ao longe podia ouvir sua voz

-- Venha!

Nefertiti se levantou e apressou-se para alcançar o budista.

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-- Meu senhor, estamos próximos ao Santuário já. Devemos estacionar as carruagens e seguir a pé para garantir a surpresa? – perguntou um dos platinas

-- Ainda não. Iremos estacionar na vila próxima do Santuário. Destruam tudo. Quero que Athena sinta com quem esta lidando. – Apollo coordenava com um meio sorriso sarcástico no rosto

-- Sim, meu senhor. – o guerreiro agitou as rédeas incentivando os cavalos a acelerarem.

O outro platina repassava as ordens de seu mestre aos companheiros. Ele voltou-se a Apollo para avisar de sua posição, mas não o encontrou.

-----X-----

-- Sei que ele esta vindo. Sinto isso – Árthemis preocupada alertava Athena

-- Estaremos preparados. Faremos o possível para trazê-lo de volta, não se preocupe Árthemis. – Athena tocou o ombro de sua irmã

-- Me trazer de volta? De volta de onde? Sempre estive aqui irmãzinha, você quem fugiu.

As duas deusas se voltaram assustadas para a direção da voz. Ele estava ali, deitado no trono do Grande Mestre. Brincando com uma de suas flechas douradas nos dedos e o mesmo sorriso sarcástico nos lábios.

-- De volta a sanidade, querido irmão. – Athena se endireitou e exibiu seu cetro como a própria estátua do Santuário

-- Faz-me rir, querida irmã. Insana é você. Voltando-se contra a própria família. A própria linhagem por causa de meros humanos. – a flecha se quebrou entre os dedos devido a afronta.

-- Nós dependemos deles, irmão. Precisamos de cada um deles. Ao menos paz quero devolver a eles. Nem que para isso tenha de enfrentar à meus irmãos – Athena manifestou seu cosmo

-- EU NÃO DEPENDO DE NINGUÉM! – sua fúria fez do trono em pedaços – Tola! Sua afronta em breve terá um fim! Colocarei esse lugar no chão em pedaços. E começarei pela vila que você tanto protege. É bom que estejam prontas para a guerra! Sua deslealdade e traição serão castigadas também Árthemis! Suas musas serão minhas novamente.

Athena deu um passo em direção à Apollo, mas o deus desapareceu em um brilho dourado.

-- Temos de avisar o povo do vilarejo – Athena se apressava para a porta.

-- Não adianta. Eles já estão aqui! – Árthemis se voltou para a janela. Ao longe se via pontos de ouro no céu. Que droga ele trouxe todos os seus platinas