A Mais Vitoriosa
10 Capítulo IX.
Notas iniciais
... Me encontro sem dinheiro, sem crédito, sem exército, sem experiência e conhecimento próprio e, finalmente, também sem conselho, porque cada um de meus conselheiros a princípio querem esperar e ver como as coisas irão se desenvolver. Sou realmente a mais infeliz das mulheres da terra, a mais poderosa, mas ainda assim infeliz. Sendo assim estamos na mesma posição minha prima, mas espero que você tenha encontrado melhores condições...
... sem a Boêmia, não sei o que vai acontecer. Irei colocar tudo em jogo para salvar a Boêmia, minha Boêmia e meu povo.
Sua prima
Maria Theresa
Os dois irmãos e o pai, essas foram as pessoas mais importantes na sua vida que Anne viu serem enterradas. E foi um sofrimento sem igual, não um sofrimento que apenas ela estava sentindo, mas que sua mãe, Catherine e Alice, também estavam, talvez mais sua mãe.
Os sentimentos que Anne sentiu quando seu pai foi colocado em seu túmulo no recentemente finalizado mausoléu dos Tudor-Habsburg foram de mais profunda tristeza.
E esses foram somados por ver seus irmãos serem sepultados novamente, de Westminster para o mausoléu em Bristol.
As lágrimas que Anne derramou nesse dia foram incontáveis, era uma graça seu véu ser escuro o suficiente para esconder. Foi uma horrível tortura, assim como os meses que se seguiram.
O resto de junho foi luto e tristeza. Julho foi o momento de Anne e se mostrar como marquesa e comecar a fazer suas funções. Agosto foi de ser realmente a marquesa, significando que Anne teve que escolher novas damas para si. Nada de Lady Calyroy, nem de Blanche, que se casou e virou baronesa Parker.
Assim Harriet Pelham-Holles, a duquesa de Newcastle foi então escolhida como a Primeira Dama da Marquesa; Lady Susan Noel, a condessa de Shaftesbury seria a Dama da Vestes; A honorável Sarah Platage, a viscondessa Richmond, seria a Camareira-mor; Lady Blanche Beaumont, a viscondessa Beaumont, a honorável Mary Ponters, a baronesa Avon, e a honorável Jane Neville, a baronesa Latymer seriam damas do quarto da marquesa, simples damas de companhia.
Logo depois veio setembro, que foi horrível, não especificamente para os Tudor-Habsburg, mas para a Áustria. Os franceses e bávaros capturaram Linz uma importante cidade austriaca, eles também estavam muito perto de Viena, e Praga estava prestes a cair nas mãos do inimigo.
Por fim chegou outubro, um mês muito que pacífico. O momento perfeito para Anne começar a resolver o que estava pendente.
A primeira: escrever para Maria Theresa mostrando seu apoio a ela. Anne já havia feito isso antes, mas ela era somente a príncesa Frederik de Orange-Nassau. Agora Anne era uma marquesa, a mulher mais influente de toda a Grã-Bretanha. Talvez ao lado de Maria Theresa, a mais influente do mundo.
– E para quem seria a mensagem?
– É de meu desejo que a rainha da Hungria receba essa carta. A duquesa sabe como é importante.
– Muito bem. Thomas irá garantir que chegue sem problemas.
A duquesa pegou a carta fez uma leve mesura e saiu. O duque de Newcastle era muito bem conhecido, como o homem que controlava a diplomacia britânica, a carta certamente chegaria a Maria Teresa sem problemas, como a própria duquesa disse, e Anne sabia.
– Lady Latymer onde está o príncipe? Desejo falar algo muito importante com ele.
E esse era o segundo assunto pendente.
– Eu não sei responder minha senhora. Eu o vi mais cedo quando ele voltou do passeio com suas irmãs.- Anne também tinha visto, uma informação inútil a dela.
– Acho que ele está na biblioteca minha senhora.- A informação de Lady Beaumont era sim útil.– Acho que o príncipe está fazendo uma maquete.
Com essa informação Anne se dirigiu a biblioteca, não muito longe. E sim, Frederik estava na biblioteca como Lady Beaumont havia dito, assim como ele estava sim fazendo uma maquete. Mas Frederik não estava sozinho.
– Sim esse é um tenente Alfred. Papai já foi um, não era um bom posto, mas ele...- Se fosse em outra ocasião Anne acharia uma visão muito bela de amor paternal. Não era comum um homem tratar um bebê assim, mesmo se fosse seu herdeiro. Mas não era esse o caso.
– Frederik eu não lhe disse que nosso Alfred ficaria bem longe de exércitos? O que você está fazendo?- Primeiro Frederik se assustou, mas logo ele se acalmou, como se isso fosse algo normal.
– Anne isso são brinquedos, uma simples maquete. Alfred está gostando muito de aprender sobre a batalha de Blenheim.- Pelo menos era uma batalha de uma guerra que a Áustria e a Inglaterra estavam do mesmo lado.
– Lady Vernon como a milady pode deixar isso acontecer?- Lady Jane Vernon, a esposa do barão Vernon de Arlington, o herdeiro do conde de Penryn, a nova dama do berçário, logo falou a sua versão.
– Minha senhora eu estava para levar o conde de Rivers ao jardim. Mas o príncipe apareceu e disse que desejava ficar com o conde. Eu apenas obedeci.‐ Rápido, claro e sem culpa.
– Está certo então. Lady Vernon leve o conde de Rivers para os jardins.- A baronesa pegou o pequeno bebê e saiu rapidamente. Anne estava sozinha agora com Frederik, que tinha voltado toda a sua atenção para Blenheim.
– Você parece diferente Anne?- Não toda a atenção certamente.
– Como assim diferente? Estou como sempre estive, a questão é que agora não sou uma simples princesa.- Frederik pareceu concordar.
– Mas seus olhos... Não importa. Mas você deseja algo Anne? Você não veio apenas para me repreender. O modo como você me olha mostra que deseja algo.‐ Muito bem. Anne sempre se imaginava se a percepção de Frederik era natural ou foi conseguida no exército.
– Você está certo Frederik. Mas antes disso eu gostaria de saber o porquê de você desejar passar tanto tempo assim como Alfred?‐ Anne percebeu que pelo modo como ela falava, parecia até que ela não gostava disso.– As horas a noite que brincamos com ele não são o suficiente.
Agora realmente Frederik tirou sua atenção da maquete.
– Anne eu não tenho nada a fazer. Não estou na Holanda onde tenho um lugar com alguma importância. Nem tenho propriedades para administrar. Apenas me resta então recriar batalhas.- Nem a vida de uma dama parecia ser tão horrível.
– Existem clubes para cavalheiros, e eu acho que você é um cavalheiro.- Frederik parou, e olhou para Anne por alguns segundos, em seu olhar Anne poderia ver bem que Frederik não gostava dos cavalheiros ingleses.– Está certo então. Mas se você deseja tanto algo para fazer, eu posso lhe dar uma função.
– Eu sou estrangeiro Anne.- Anne não havia pensado em colocar Frederik em um lugar de importância para a Grã-Bretanha.– Eu também não vou construir, reformar e decorar como sua mãe fazia.
– Frederik meu marido, você merece algo que esteja a seu nível. Por isso vou dar a você o comando da guarda pessoal dos marquêses de Bristol, a Guarda Germânica.
Silêncio. Isso foi o que se seguiu. Anne poderia ver que Frederik não sabia o que responder, mas não parecia que era algo bom.
– Por que você está fazendo isso?
– Eu sou uma mulher, não posso comandar uma guarda. Você viu como Lord James me olha quando eu desejo falar sobre minha guarda? Ele parece pensar que sou tão inexperiente que nem entendo o que ele fala.- Não que isso fosse uma mentira. Mas Anne sabia o básico de um regimento.
– Então você deseja que eu faça o que você comandar?- Frederik agora estava agindo muito desconfiado.
– Não! Faça como desejar, estou lhe dando poder para fazer o que desejar com minha guarda. Você apenas irá precisar de meu consentimento.- Frederik pensou, e pensou. Depois ele sorriu em concordância, embora não tenha sido um amplo sorriso.
– Muito bem Anne, farei assim como você pediu. Será muito bom, a sua guarda é horrívelmente despreparada a fraca. Uma brisa iria os vencer.- Anne não ficaria com raiva, era uma verdade.
– Faça como desejar.- E Anne saiu, suas amigas logo viriam para conversar.
*****
20|10|1741 Pressburg, Reino da Hungria
Em uma das salas do Castelo de Pressburg, localizado na cidade de Pressburg, a capital do Reino da Hungria, estava uma mulher com suas damas. Ela com seu rosto levemente rechonchudo, e nos primeiros estágios de sua quinta gravidez, não era considerada a mais bela das mulheres, nem talvez a mais inteligente ou doce. Mas essa mulher tinha algo que a fazia ser maior do que as outras.
Ela tinha poder. Ela era o Rei da Hungria, da Croácia, e da Boêmia, era Arquiduquesa da Áustria e ela também tinha outros vários títulos que não eram necessários ser ditos. Em suma ela era poderosa, não havia mulher com mais poder que ela. E os papéis que tinha com sigo era símbolos desse grande poder.
Eram cartas de aliados, de familiares, relatórios diplomáticos, militares e econômicos, os dois últimos que eram no momento uma tristeza e vergonha, era como uma herança que seu pai e outros ancestrais deixaram para ela.
Mas Maria Theresa, estava achando bem interessante o que havia em uma dessas cartas. Não era particularmente a do enviado austriaco em Londres, que havia enviado notícias do apoio britânico, nem eram as notícias do Alto Chanceler da Boêmia, o conde Kinsky, em relação a invasão a Boêmia, embora esse fosse muito importante.
Na verdade uma carta de sua prima a príncesa Frederik de Orange-Nassau. Maria Theresa sempre teve conhecimento dela. Anne era conhecida em todos os países de língua alemã como bela, honrosa, inteligente, e submissa, apesar de ser fria como o pai. Pelo menos era isso que se ouvia. Mas Maria Theresa estava disposta a discordar, ela via nessa carta uma pessoa forte, que estava disposta a defender seus pensamentos e fazer valer seus desejos, alguém que não estava nunca disposta ceder. Maria Theresa gostava disso.
A carta simplesmente dizia que a príncesa, agora como marquesa, estava decidida e disposta a ser a maior aliada de Maria Theresa na Inglaterra. Ela iria fazer seus melhor para fazer a Grã-Bretanha ajudar Maria Theresa na guerra, seja como fosse em financiamento ou em exército.
Isso era interessante, uma grande oportunidade. Ter uma aliada poderosa sem ser o rei George, seria útil para a Áustria, e principalmente para Maria Theresa. E ela não tinha no momento o luxo de escolher seus aliados, todos seriam bem vindos.
– Minhas senhoras, será que uma amizade verdadeira pode ser baseada em interesses? Eu digo que sim.- Pelo menos Maria Theresa faria isso possível.
— Será como a nossa senhora desejar.
Maria Theresa estava determinada a aceitar a ajuda da marquesa, seria útil também levando em consideração que a marquesa viúva é irmã de Maria Josepha e Maria Amália, suas primas que desejavam a sua herança. Primas, mas uma pedra em seu caminho.
Mas Maria Theresa também estava determinada a manter essa nova e crescente amizade. E um bom modo de fazer isso era com a promessa de uma recompensa. E Maria Theresa bem sabia qual seria.
Homens eram muito ambiciosos, seu Francis claro era uma exceção. Ele não tinha tantas ambições como Maria Theresa. Mas esse tal príncipe Frederik deveria ter, ele era um Orange afinal. E isso seria bom. Uma recompensa para o marido seria para a esposa. Presentes faziam bem para uma amizade.
Aliados poderosos, lealdade dos seus súditos, um marido e agora um herdeiro. Maria Theresa sabia que tinha todas condições de vencer. Seria difícil, doloroso e cheio de perdas, mas ela iria vencer, não importa o necessário.
– Minhas queridas. Eu vejo um futuro glorioso e cheio de ganhos para a Áustria.- Suas damas permanecam caladas, e Maria Theresa voltou ao relatório do conde Kinsky, eles eram importantes.
Maria Theresa não iria perder a Boêmia, ela não poderia perder a Boêmia, mesmo que para isso ela tivesse que fazer o impossível.
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