Minha querida prima Anne, apesar de ter conhecimento de que chegará atrasado, desejo-lhe felicitar pela sua união com o príncipe Frederik de Orange-Nassau, ouvi muito dizer que...

Certamente não preciso lhe dizer que o casamento não é uma união fácil, e que haverão problemas, mesmo eu e Francis temos nossos muitos problemas, alguns conjugais, outros em relação a minha falta de filhos homens, um problema que dessa vez desejo eu acabar. Mas saiba que com paciência, candura e gentileza, tudo poderá se resolver...

Outras notícias não são tão importantes assim, apenas minha querida Maria Elisabeth foi levada para o Senhor, fora isso tudo se passa muito bem, papai...

De sua prima

Maria Theresa

A viagem para Norfolk foi a pior que Anne já teve em toda a sua vida, não foi a mais triste, nem a mais desconfortável, mas foi a pior.

No dia seguinte a chegada em Baltimore Abbey, uma grande propriedade rural em estilo jacobino que foi alugada para Frederik e Anne passaram sua estadia, Anne acordou se sentindo muito mal, um médico foi chamado e era apenas um resfriado comum, nada a se preocupar.

Mas Anne ficou uma semana deitada repousando. Porém Anne não ficou sozinha, no dia seguinte Frederik caiu durante um passeio a cavalo. O médico foi novamente chamado, e disse novamente que não havia nada grave, mas Frederik também deveria ficar de repouso.

A estadia em Baltimore Abbey se resumiu então a ler, conversar e jogar, e Anne perdeu dez libras no jogo para seu marido.

– Eu não acredito que venci a muito talentosa, inteligente e honrosa Anne. Isso é comum?‐ Talentosa, inteligente e honrosa, era assim então que Anne era chamada no continente? Era bom saber disso, embora fosse mentira.

– Dizem que com uma boa lábia se pode ganhar tudo. Acredito que meu príncipe tem então.- Frederik apenas sorriu com esse comentário é voltou a mexer nas cartas.– Mas não é algo raro. Estou sempre perdendo para minhas irmãs. Mas não era para os mais velhos vencerem os mais novos?

Pelo menos Ernest sempre vencia. Mas era melhor pensar em outra coisa, não era o momento para tristeza.

– Não acho que é verdade. Eu sempre vencia minhas irmãs. Ficou muito melhor quando começamos a apostar.- Anne não pode resistir e começou a rir, era tão bom conversar direito, a timidez já não era tão grande.

– Estou casada com um jogador.‐ Houve novamente mais risos.– Você sempre comenta algo sobre suas irmãs. Me diga mais sobre elas. Quando formos para o continente eu desejo que sejamos amigas.

Frederik começou então a descrever cada uma delas, e como ele amava a cada uma. Era bom ter essas conversas. Anne aprendeu a mais sobre elas, sobre ele. E estranhamente fazia Anne se sentir mais próxima de Frederik.

Essa viagem pode ter sido então a pior da vida de Anne. Mas mesmo assim ela cumpriu em parte seu objetivo. Aproximar Anne e Frederik. Embora o principal objetivo da viagem não tenha sido alçando, ele poderia ser depois facilmente. Mas deveria ser logo, Anne sabia muito bem que muitos homens começavam muito bem com suas esposas, mas logo se cansavam e as deixavam, e embora Anne soubesse que Frederik não faria isso, era melhor prevenir e ter logo o herdeiro que ela precisava.

Logo a viagem acabou e era a hora de voltar para Londres, e depois viajar novamente, agora para Haia. E Anne esperava nunca mais ouvir falar de Baltimore Abbey.

A viagem de volta foi muito mais agradável que a de antes, embora quando a carruagem chegou a Londres por volta das duas da tarde, estava chovendo bastante. E não parecia que logo iria acabar.

Para Anne foi uma grande alegria ver Hampton Court surgir ao passo que a carruagem andava, era sempre bom estar em casa, mesmo que a ausência só havia sido por oito dias, o que fazia Anne pensar na saudade que sentiria quando fossem para a Holanda.

Anne e Frederik foram recebidos por Lady Dover que os levou para seus aposentos para esperarem a hora do almoço. Que não tardou a chegar.

Logo Anne e Frederik também estavam na mesa de refeições dos Tudor-Habsburg. Que estava muito diferente e farta, isso não era sempre assim. Anne estava até surpreendida.

– Eu espero que meu príncipe goste da refeição, pedi ao Sr. Otes que fossem feitosos melhores pratos de nossas três nações.- Não havia muito da Inglaterra na mesa como a marquesa estava dizendo, mas era sempre assim.

– Três nações? Não eram só duas?- Frederik não era a primeira pessoa que tinha essa dúvida.

– Áustria, Inglaterra e Holanda.- Foi então o marquês que respondeu, uma resposta que deixou Frederik confuso.– Não conseguimos deixar a Áustria para traz.

– Não deixaram a Áustria para traz, por isso não consigo ver a Inglaterra.- Toda a mesa olhou para Catherine com esse comentário, ela não poderia falar assim na frente de outros.– Eu quis dizer que não há muito da Inglaterra.

– As carnes, verduras e frutas são da Inglaterra.- Com a palavra da marquesa esse assunto não seria mais tocado.– Eu pedi para o chef preparar o melhor do nordeste holandês, está como meu príncipe está acostumado?

Era então por isso que havia uma quantidade exorbitante de carnes. Todos sabiam que no nordeste holandês era um costume comer grandes quantidades de carne.

– Está muito bom. Me sinto em casa, minha querida Anne já pode então ver o que a espera. Se bem que mamãe nunca se esqueceu da Alemanha.- Era bom saber disso, Anne não gostaria de comer carne para sempre.

– Meu príncipe planeja voltar logo para a Holanda?- Anne sabia muito bem a resposta para a pergunta de seu pai.

– Sim eu desejo. Assim que pudermos. Há algum problema?- O marquês olhou para a marquesa, e não eram um sorriso. Anne conhecia isso, eles não tinham boas notícias.

– Existe um pequeno problema. Não é aconselhável no momento fazer viagens para o continente, há uma terrível tempestade sobre o mar do Norte.- Não era algo tão ruim assim. Mas olhando para Frederik ele não parecia feliz.

– Tenho certeza que podemos esperar. Você concorda Frederik?- Anne acordou Frederik com essa pergunta, e em resposta ele apenas assentiu.

Pelo que parecia a Holanda teria que esperar, não era uma notícia tão ruim assim.

*****

Três semanas, já fazia agora três semanas que Frederik estava preso nessa ilha, fazia três semanas que Frederik não via o brilho continental, que não provava alimentos continentais, que não via sua família continental.

A tempestade no oceano já havia passado, era possível agora viajar. Mas a marquesa Catherine ficou doente, e Anne se recusou a sair da Grã-Bretanha até que sua mãe estivesse melhor.

Não seria ruim para Frederik, se a família de Anne fosse um pouco menos formal e regrada. Frederik as vezes se sentia como na corte de seu primo, e até lá não era assim. As vezes Frederik apenas se trancava em seus aposentos com Anne e lá eles ficavam por horas, conversando.

Também era assustador o fato de não acontecer nada nesses momentos, haviam beijos, abraços e muito desejo. Mas Anne sempre falava que não se sentia confortável em fazer algo na casa de seus pais.

O que dava a Frederik mais pressa ainda para voltar a Holanda.

– Meu príncipe o senhor está olhando para o lado errado.- Outra das coisas que irritaram Frederik era o grande amor dos Tudor-Habsburg por pinturas, ou melhor, em estar em pinturas.– Não olhe para a príncesa, nem para mim, mas para as roseiras.

As roseiras estavam bem ao lado de Lord Gerald Nondell, o pintor. Frederik estava em pé ao lado de Anne, que lia um livro para a pintura, já fazia um bom tempo. Já estava cansando, e ele não estava acostumado.

– Lord Gerald, o milorde não acha que já está bom por hoje, nossos modelos já estão cansados.‐ E era impossível aquecer a presença da família de Anne. Todos confortávelmente distraídos. O marquês e a marquesa lendo, Alice bordando, e Catherine estava passeando pelo jardim.

– Ainda não minha senhora. O sol nesse momento fica muito mais belo no jardim pessoal.- Isso estava sendo cansativo, Lord Gerald pelo que parecia nunca foi retratado.

– Se acalme Frederik. Pense que você não está nos jardins de Hampton Court, mas nos jardins de Het Loo.‐ Anne parece ter percebido que Frederik estava irritado. Mas Frederik decidiu obedecer e pensar nos belos jardins que Het Loo tinha, todos clássicos que demonstravam a grandeza da Holanda.

Pensar assim foi muito bom. Logo o pintor declarou que já estava bom por hora, e se preparou para ir embora. Mas um comentário dele chamou a atenção de Frederik. Ele disse que Anne estava muito pálida, teria que passar mais ruge. Isso era preocupante, Anne sempre parecia muito pálida, e Frederik não queria mais atrasos.

– Você está se sentindo bem Anne? Você parece cansada e frágil.- Parecia doente, mas não se devia fazer pânico.

– Estou bem. Eu comi queijo mais cedo, e tudo que tem leite me faz mal desde os seis anos.- Era interessante saber disso, nunca mais Anne comeria queijo então.– Vou ficar bem, logo irá passar.

Frederik esperava que sim, ele não queria Anne doente. Sempre era bom chamar um médico, mas se Anne dizia que era o queijo, cabia a Frederik apenas aceitar.

Ele então voltou para o palácio, não sem antes ouvir Anne chamar uma das damas de companhia da marquesa, a condessa de Clasterberg, para perguntar algo.

Frederik decidiu fazer companhia a marquesa enquanto ela recebia uma amiga, a condessa viúva Everton, e sua filha Lady Caroline Everton.

Depois de alguns minutos Anne também se juntou a eles. Ela estava ainda mais pálida e um pouco distraída. Mas quando Anne viu Frederik conversando com Lady Caroline sua distração evaporou, e ela se juntou a ele para conversar.

– Anne eu estou muito feliz de conhecer pessoalmente seu marido, a miniatura que você me mostrou não dizia que ele era tão belo e forte.‐ Não era possível saber se Lady Caroline estava sendo apenas gentil ou sincera.– Você tem muita sorte

– Sim tenho muita sorte. E quanto ao conde de Burford?- Frederik não tinha ideia de quem era esse conde.– Ele já a pediu em casamento?

– Ainda não. Mas tenho certeza que logo irá fazer isso, e então algum dia eu serei duquesa de St. Albans, esposa de um bisneto de Charles II.- As vezes Frederik achava os britânicos pessoas muito estranhas, Lady Caroline desejava se casar com o neto de um bastardo apenas para ser duquesa, apesar de os britânicos, e todo o continente terem muito amor pela legitimidade.

Não demorou muito e a condessa viúva junto com sua filha foram embora. Era bom conhecer pessoas agradáveis e gentis, fazia Frederik se lembrar que a nobreza não era feita apenas de pessoas rudes.

– Eu gostei muito de Lady Caroline. Ela parece ter muitas virtudes.- Anne sorriu em consentimento, parecia na verdade ser bastante forçado.– Ela é sua amiga?

– Sim ela é.- Ela não parecia muito satisfeita em dizer isso.– Nossas mães são amigas então nós somos também. E ela realmente tem muitas virtudes... infelizmente a beleza é uma delas.

– O que você disse?

– Papai para quem são esses papéis?- Anne conseguiu se afastar da resposta com a chegada do marquês.

– É uma carta, vinda de Haia e enviada pelo lríncipe e pela príncesa Hendrik de Orange.- Frederik rapidamente pegou a carta e começou ler.

Nela seus pais diziam que ele deveria voltar para a Holanda imediatamente junto com sua esposa, a própria príncesa consorte havia ordenado isso. Isso era bom, era o motivo perfeito para voltar a Holanda, uma ordem superior.

– Anne, devemos partir para Haia imediatamente.- O marquês, a marquesa e Anne pararam de conversar quando ouviram. Eles pareciam assustados.

– Não acho que seja bom voltar agora.- Anne parecia bem calma e decidida.

– Pelo contrário é sim. Mamãe e papai escreveram dizendo para pegarmos o primeiro navio para Haia e partirmos.- Frederik deveria ser firme, ele não desejava ficar mais tempo na ilha.– Digam algo por favor.

– Anne o lugar de uma príncesa de Orange-Nassau é na Holanda, acho que já está na hora de partirem.‐ A marquesa com seu modo firme e gentil foi a primeira a falar.

– Catherine está certa Anne. Será difícil se despedir, mas deve ser assim.- Anne não parecia nada afetada com isso, ela estava estranhamente seria.– É seu dever como uma princesa.

– Não podemos ir.- Anne parecia ainda mais decidida.– Não podemos ir Frederik. Eu estou grávida, vamos ter um bebê.

Grávida. Um bebê. Anne estava grávida. Por Cristo, isso então mudava tudo.