A Mais Vitoriosa
3 Capítulo II.
Para Frederik de Orange-Nassau, o pior de sua viagem não foi ter que viajar da província de Guelders até a província da Holanda, não foi ter que estar em uma carruagem, passar por rios, canais e diques. Também o pior não foi ter que em Haia, se despedir de seu pai, sua mãe e suas irmãs mais velhas. Isso não foi o ruim, ainda considerando que ele iria voltar logo.
O ruim na verdade foi ter que navegar por quase dois dias até Londres. Isso poderia ser algo fácil e cumum, mas não para Frederik que descobriu que ficava enjoado em viagens marítimas.
Isso fez com que esses dias fossem resumidos em Frederik colocar para fora todo alimento que ele consumise, e que ele ficasse trancado a maior parte de seu tempo na sua cabine.
– Meu príncipe, o marquês de Bristol e sua família já chegaram e estão esperando no pavilhão.- Frederik assentiu para o embaixador holandês, logo ele também estaria pronto para deixar o navio que o fez tão mal. Mas havia algo que o incomodava nessa história.
– Eu ainda acho tão estranho eu estar indo ao encontro dela e não o contrario.- Esse não era um detalhe importante no arranjo do casamento de Frederik com a príncesa Anne, mas isso ainda gerou muitas risadas de suas irmãs.
– Meu príncipe esse é o menor detalhe sobre o seu casamento. Mas meu senhor deve se lembrar que seu primo Willem III de Orange também foi ao encontro de sua esposa Mary.- Isso era uma verdade, o casamento de Frederik tinha tantos pontos interessantes e estranhos que o fazia pensar se ele não estava se casando com uma rainha.– Mas eu espero que o senhor saiba com quem está se casando.
– Me foi deixado bem claro que estou me casando com a herdeira de um grande legado sanguíneo.- Certamente Frederik poderia dizer que se casou muito melhor que suas irmãs, elas se casaram com primos de sua mãe e pai, mas Frederik estava se casando com com a neta e bisneta de imperadores.
– Mas o senhor a conhece? Não a conhecer de maneira íntima, mas quem ela é, além de neta e bisneta de imperadores.- Um ótimo modo de responder Frederik, mas sua mãe fez questão de ele aprender toda a linhagem de sua futura esposa.
– Ela descender dos Tudors por via masculina. Diretamente ela descende do imperador Maximilian I, por meio de Anne da Áustria, que era esposa de William, o 2° duque de Avon, ela também tem sangue real dinamarquês por meio de Anna da Dinamarca, esposa de George, 3° duque de Avon, também ela tem sangue real sueco por meio de Anna Vasa a esposa do último duque de Avon.- Falando isso em voz alta Frederik pode notar que Anna e William eram os nomes mais populares dessa família.
–... O senhor realmente conhece essa linhagem confusa e grande.- Frederik apenas concordou. Logo seus assistentes o acabaram de vestir e logo ele estava pronto.
Quando Frederik saiu de sua cabine, o pensamento que ele guardava em sua mente logo tomou conta. Ele iria se casar, e sua esposa estava logo a frente.
Frederik sempre pensou que nunca iria se casar, para ele foi planejado uma vida militar, e até sete meses atrás era assim. Durante vinte anos ele cresceu sabendo disso. Mas hoje, no dia em que ele completava seu vigésimo primeiro ano de vida, todo o propósito de sua vida mudava.
Mas não era o momento para pensar isso. Era o momento para pensar no futuro. Mas havia um pequeno detalhe que Frederik percebeu assim que entrou no pavilhão:
– Desculpe a pergunta. Mas qual delas vai ser a minha esposa?- Frederik não conseguiu ver a expressão do embaixador, mas ele tinha a perquena impressão de que não foi algo belo.
Mas era uma pergunta inocente. Haviam três garotas na sua frente, elas de longe pareciam exatamente iguais, apenas a mais pequena que poderia ser excluída.
– Meu príncipe saiba que a mais bela não é ela.- Isso não ajudou em nada, para Frederik todas pareciam muito belas.– Creio meu senhor que é a de laranja.
Fazia sentido, como ele se esqueceu? Mas Frederik não teve muito tempo para se repreender, logo ele ficou ficou frente a frente com o marquês e a marquesa de Bristol. E nesse momento Frederik percebeu que o marquês era mais grande do que se falava e a marquesa o seguia, sendo alta pelos padrões.
– Sua Alteza o príncipe Frederik de Orange-Nassau.- Frederik então seguiu o embaixador fazendo uma bela mesura.– Na sua frente está Sua Alteza Real o marquês de Bristol e Sua Alteza Real a marquesa de Bristol.
Logo então o marquês e a marquesa fizeram uma mesura, não tão grande quanto a de Frederik.
– Espero que sua viagem tenha sido agradável Alteza.- Frederik pode notar que a marquesa era muito gentil. Mesmo não parecendo muito no momento.
– Todos esperamos.‐ O marquês então com um movimento na mão chamou duas jovens muito belas para perto.– Essas são as príncesas Catherine e Alice de Bristol, as mais novas.
As príncesas também fizeram uma mesura, o que fez Frederik repetir isso. Ambas as princesas eram muito belas, e também parecidas com a marquesa, mas a mais velha irradiava uma grande beleza, e a mais nova uma doçura e bondade que Frederik nunca viu.
– Creio que o senhor também deseja conhecer sua esposa.‐ Com mais um movimento na mão, uma jovem chegou mais perto de grupo. Era essa Anne Tudor-Habsburg, e ela não era igual ao retrato, era muito mais bela. Frederik antes se viu encantado, atraído até pela garota do retrato, mas agora ele agora estava atraído pela garota de verdade.– A príncesa Anne de Bristol.
Eles então fizeram a necessária mesura, mesmo assim Frederik não conseguia tirar seus olhos da príncesa. Ele a estava encarando e a príncesa logo percebeu e corou, o que também fez Frederik corar de vergonha.
– É um grande prazer para mim lhe conhecer Alteza.- Frederik sabia não era necessário falar algo, mas ele deveria falar algo para distrair a sua vergonha, não era seu desejo a envergonhar.
Mas pelo que parecia ninguém desejou dar atenção ao que aconteceu.
– O rei está aqui também príncipe Frederik. Acho que ele também desejar conversar com meu senhor. Acho também que meu senhor não deseja entrar em Londres agora.- Com essas palavras do marquês Frederik foi então levado para longe de Anne. Mas isso seria bom. Era o tempo necessário para fazer desaparecer qualquer timidez visível.
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Para o descontentamento de Frederik o casamento iria acontecer apenas as nove da noite, o que fez com que todos ficassem no pavilhão por um tempo, o que Frederik achou horrível, foram duas horas horríveis para Frederik.
Primeiro o rei pediu que ele falasse sobre a Holanda, mais especificamente sobre a filha dele a príncesa de Orange.
Depois Frederik teve conversas horríveis com nobres que falavam tão rápido que ele não pode acompanhar. Também ouve pedidos para que Frederik falasse de suas façanhas militares, façanhas essas que não aconteceram, o que fez Frederik apenas falar de campanhas.
Tudo isso foi uma tortura, então foi para Frederik uma grande alegria quando o marquês declarou que já estava na hora de voltarem para o Palácio de Saint James. Também foi muito satisfatório quando a marquesa pediu que Frederik conduzisse a príncesa Anne até a carruagem.
– Eu estou muito feliz de finalmente a conhecer Alteza.‐ Até a carruagem havia um bom caminho, então Frederik deveria aproveitar para a conhecer.– Também devo dizer que sua beleza me impressionou muito.
– Eu agradeço. Meu príncipe também me impressionou muito.‐ Depois disso a príncesa corou um pouco. Mas isso fez Frederik pensar em que sentido a impressionou, não foi em beleza, ele não era belo, embora não fosse feio.– Mas já que logo iremos nos casar eu peço que me chame de Anne.
– Anne, Anne. Eu gosto do som desse nome. Mas se posso a chamar assim, me chame então de Frederik.- Anne deu um pequeno sorriso em concordância. O que fez Frederik sorir também, isso era impressionante, ela conseguiu o encantar.– Nós seremos muito felizes.
– O que você falou?‐ Frederik também não entendeu bem o que ele falou, era impressionante o que uma mulher bonita poderia fazer.
– Eu disse que chegamos.‐ E realmente eles chegaram na carruagem. Logo o grupo que vinha atrás também chegou. E o marquês e a marquesa também entraram.
– Meu príncipe não vai entrar?‐ Por isso Frederik não esperava, eles iriam então passar a viagem toda corando. Mas Frederik entrou e as carruagens seguiram o seu caminho.
O começo da viagem foi silenciosa e calma, o que era estranho para Frederik, sua família era grande e muito barulhenta, não havia paz ou silêncio, nem mesmo quando suas irmãs se casaram. Mas o silêncio parecia ser algo normal e apreciado por essa família.
– Eu ouvi dizer que sua família é muito grande.- Foi então a marquesa que acabou com o silêncio, e embora o marquês ainda continuasse olhando para fora. E Anne permanecesse olhando para nada especificamente.– Como eram suas irmãs?
– Eram todas muito cuidadosas. Como todas eram mais velhas, elas tinham um cuidado muito grande. Henriette como a mais velha era a mais cuidadosa, Wilhelmina em resposta a mais responsável, Charlotte era muito controladora, Luise a mais amável, Amalia sempre foi a mais certa de todas, Albertine muito inteligente e Sophia era a mais paciente. Todas ótimas irmãs, acho que irmãos são sempre assim, ótimos.
Frederik amava suas irmãs, e não parecia possível viver sem elas, por isso ela achou muito estranho a falta de resposta da marquesa, do marquês isso era esperado já que ele não tinha irmãos, mas a marquesa tinha irmãs, uma delas gêmea.
– Eu concordo que são. Mas deve ser muito interessante viver em uma grande família, como pôde ver antes, somos uma pequena família.‐ Foi na verdade Anne, que deixou o seu silêncio e sua aparência honrada, que o respondeu.– Mas veja, não parece, mas já estamos chegando, já se pode ver a torre. Meu príncipe já viu a torre?
Frederik então seguiu o olhar de Anne pela janela, ele ainda não tinha percebido que já haviam entrado na cidade de Londres. Anne então começou a mostrar para Frederik cada um dos lugares que ela conhecia, e todos os lugares mais importantes.
Com isso Frederik pode então concordar que Londres era realmente um lugar impressionante. Mas impressionante no sentido de tamanho e de história, e em visão nem tanto. Haia, Amsterdã, e outras grandes cidades na Holanda eram muito mais belas que Londres.
Para falar a verdade Londres parecia muito mais simples do que as cidades que Frederik conheceu. Então para ele seria uma imensa alegria mostrar para Anne as lindas cidades que haviam na Holanda.
– É um belo lugar.- Frederik pode ouvir o marquês rir como se o que ele falou fosse uma mentira. O que era quase na verdade.– Será para mim uma alegria muito grande também mostrar as belezas holandesas.
– Eu mal posso esperar para ver. Com toda a certeza será impressionante, eu sei que nem Londres, nem qualquer outra cidade na Grã-Bretanha, vai ser tão bela quanto as cidades no continente.
Era uma alegria saber disso. Frederik não iria se ressentir então de destacar as diferenças, que eram muito gritantes.
Mas logo a carruagem chegou em um prédio, um palácio de tijolos vermelhos, que aos padrões europeus era muito atrasado, esse então deveria ser o horrível Palácio de Saint James, cuja fama havia atravessado o canal.
– Príncipe Frederik o senhor está com a mesma expressão que eu a marquesa fizemos na primeira vez que vimos esse lugar.- O marquês finalmente disse algo. Frederik não sabia se deveria ser assim, mas esse comentário o reconfortou, ele não era o único que achava esse lugar horrível.– Não se preocupe, o interior dele não é tão ruim.
– Meu marquês, St. James foi além das minhas expectativas.‐ Essas expectativas nunca foram boas na verdade. Todos no continente sabiam como esse lugar era.
Mas Frederik deveria ser forte, ele não iria morar nesse palácio, apenas se casar na capela dele, o que lembrou novamente Frederik que ele iria se casar, e a ansiedade o tomou novamente.
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