A Magia que Para O Tempo

2 II - O tempo necessário


Notas iniciais
Hey, Hey! Novo capítulo! ^0^ Acabou por demorar mais do que eu esperava, sorry! Fiz uma edição para mostrar-lhes as roupas dos personagens e proporcionar uma imaginação melhor para vós, espero que gostem!

Capítulo 2 — O tempo necessário

– Todos estão apenas te esperando. –Disse a serviçal que assim como todas as outras estava ansiosa por aquele baile, apesar de que não seria tão bem aproveitado se comparando aos nobres.
Chegando a uma sala que poderia ser considerada o "closet" real, certa mulher já aguardava pela chegada do seu cliente.

– Nadeshiko! –O príncipe sorriu ao ver sua fiel estilista a sua espera.

– Sentiu saudades?

A mulher se levantou de sua cadeira confortável para ir cumprimentar Ikuto, este que em vez de um simples aperto de mão, a abraçou sem demora. A estilista era uma mulher de cabelos roxos que eram tão lisos e macios quanto a seda de melhor qualidade. Seus olhos possuíam as íris em um tom castanho escuro, que era a mesma cor da sombra que foi passada sem exageros em sua pálpebra. Seus lábios eram preenchidos de um batom vermelho, o que fazia sua beleza somente se destacar mais. E claro, era de se esperar que trajasse roupas elegantíssimas.

– Mas é claro! Com a sua viagem de negócios nem pude mais ver a minha estilista favorita! -Nadeshiko riu de leve com a resposta.

– Deverias já ter se acostumado com isso, "alteza". Afinal, sou uma estilista de alta capacidade disputada.

– És uma beleza de convencida.

– Oras, e eu não sou ótima? –O garoto deu de ombros. – Eu não vou ficar a tagarelar que sou um fracasso na vida para que tu comeces a me persuadir e ficar a bajular-me. Sou fabulosa e pronto.

Depois de uma troca de risadas, Nadeshiko logo se adiantou e começou o seu trabalho, e, nesse tempo, os dois não desperdiçaram. Contaram tudo que havia de interessante para se discutir.

Em um piscar de olhos, lá estava o príncipe de frente ao espelho a apreciar as roupas escolhidas pela mulher.

– Tinha mesmo que ser tu para me deixar com essa aparência, Nadeshiko!

– Oh, assim me deixas acanhada. –Disse com um sorriso satisfeito no rosto. – Mas tu mesmo sem os efeitos de maquiagens e roupas já és uma joia rara, só precisas te libertar mais e esbanjar isso. Assim vais conseguir muitas raparigas¹ para ti, garanto-te.

– Certo – Ele disse, revirando os olhos. Com essa ação Nadeshiko não teve dúvidas de que naquele instante o moreno pensava na excessiva experiência em relacionamentos dela.

Com seu leque fechado, a moça cutucava de leve o braço do moreno ao teu lado:

– Eu vi isso, vossa alteza.

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– Um baile, Huh? Certa moça de olhos dourados dizia.

– Sim, deveria ir! Pelo jeito será um espetáculo e tanto! –Falava a ruivinha animada.

– Sei que pode ser algo divertido para ti, mas não quero ir a um lugar como o castelo, Yaya-chan...

Parando de pentear a cabeleireira da garota à sua frente, Yaya tocava as mãos nos seus dois ombros e deixava o seu queixo encostar de leve em um dos ombros da rosada:

– Não seja assim, Amu-chii! Faça-me companhia nesta noite e tente divertir-se um pouco. Além disso, podes encontrar o que querias naquele castelo.

"Chii"? –A mais nova sorriu afirmando com a cabeça. – E sim. Está claro em minha mente que posso encontrar, mas...

Nee-san, deixe disso. –Uma morena sentada no sofá dizia em quanto lia um livro. – Sabes que tens de consegui-lo logo e que a Yaya não é alguém que desiste tão fácil, muito menos eu.

Com um breve suspiro, Amu encarou a sua imagem no espelho e concluiu enfim algo: Iria entrar naquele castelo e procurar aquilo no qual foi o seu único, ou melhor, o mais importante motivo para retornar àquele reino.

– Certo. Irei. –As duas mais novas sorriram. – Mas, com uma condição! Não meta de novo aquele maldito gato teu no vestido e carregue-o para esse baile, Ami!

Ahh... – A morena deixou o livro cair no seu colo para olhar com uma cara chorosa na direção da irmã mais velha. – Tá bom. Tá bom. Eu aceito...

Com um sorriso convencido, a moça levantou da cadeira, interrompendo o pente que passaria mais uma vez no seu cabelo:

– Ótimo.

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– Que baile magnífico este que temos aqui, vossa majestade!

– Não se surpreenda tanto, vossa mercê². –Um homem ali presente interveio. – Afinal, é do nosso rei que estamos falando.

– Você é sempre um amor, conde! Gostaria de tê-lo lá em casa para poder brincar contigo.

– Mas qu... –O homem olhava encabulado para a mulher a sua frente.

– Mais postura, vocês dois! –O monarca falou em um tom tanto de ordem quanto de aviso, mas não podia negar que se divertia com as atrapalhadas da descontrolada duquesa e do conde que sempre buscava ser o mais perfeito possível.

Sim, vossa majestade! –Disseram os dois em uníssono, entretanto a duquesa fazia de modo engraçado a mesma posição que um soldado faz ao seu superior.

O rei passou os olhos pelo salão onde todos os convidados estavam presente a procura de alguém e não encontrando. Não se zangou, afinal era um baile de máscaras e reconhecer alguém não era tarefa fácil.

"Onde Ikuto está? Um momento. É ele ali cumprimentando os convidados nobres?"

Terminando uma longa conversa com os nobres sobre diversos assuntos, o príncipe se dirigiu até o seu pai e cumprimentou todos ali.

– Incrível! Olhe só que incrível, Amu-chii! –Certa ruiva falava enquanto enfiava mais comidas deliciosas na boca. – Esse é o melhor baile da minha vida.

– Engula primeiro e depois te põe a falar, Yaya-chan...

– Mas realmente, é uma bela de uma festa que aqui temos. –A morena ao lado das duas dizia admirando todo o salão.

Bom, nos separamos a partir daqui. –A mais velha dizia se despedindo. – Às onze horas da noite no portão.

As duas concordaram e logo todas as três se dirigiram para direções diferentes.

Passando os olhos sobre as pessoas, certa garota de cabelos rosados chamou a atenção do príncipe, este que ficou a admirá-la até perdê-la de vista.

– Ikuto. – O rei chamava mas nada o garoto respondia. – Ikuto! –Este segundo chamado sendo imposto com um tom mais forte da parte do rei chamou a atenção do moreno, o despertando de um transe. – Por Buda... Você está viajando de novo? Preste mais atenção Ikuto! Ser lerdo como estavas a um segundo atrás não foi o que eu te ensinei!

– Perdão, pai.

Com um suspiro, o rei fez um sinal para que o filho fosse até o altar com ele e ao fazê-lo, ficou de frente a todos e limpou a garganta, chamando a atenção dos convidados presentes.

– Nobres e plebeus, agradeço ao comparecimento de todos aqui presentes. É uma honra os meus serviçais vos servir, assim como é uma honra poder festejar convosco. Entretanto, finalmente chegou a hora mais esperada desse baile. A dan–

Ele foi interrompido pela mulher descontrolada que já começava a beber tudo que se via de álcool pela frente:

– A dança! Finalmente!

– Bom, a vossa duquesa já disse tudo. –Disse o rei que tentava não deixar transparecer a raiva por ter sido interrompido.

Sem mais delongas, todos arranjaram seu par e começaram a dança que seguia em ritmo lento.

Já era esperado que todas, ou quase todas as damas quisessem apenas um homem: O filho do rei, príncipe Tsukiyomi Ikuto I. Porém, a pessoa que tinha despertado curiosidade e a atração de Ikuto não foi encontrada, sem falar que foi obrigado a dançar com quase todas as garotas virgens dali.

Finalmente se livrando da dança, os olhos do moreno correram pelo palácio novamente a procura da rosada. Diferente da outra tentativa, achou a procurada fora do palácio no jardim a olhar para o céu.

– Uma dama não deveria se isolar tanto assim de um baile.

Virada de costas, a moça ficava ainda mais bonita sob a luz do luar. Seus cabelos rosados estavam soltos, esboçando o como eram sedosos e bonitos. Sem falar que em vez de fazer um daqueles penteados populares, que na opinião de Ikuto tinham alguns demasiadamente exagerados, ela preferiu deixar que seus cabelos corressem livres pelas suas costas.

– A agitação da multidão não me deixa muito confortável. Manter-se na postura e metida a conversas fiadas e aos olhos interesseiros de esnobes é algo que não desejo me acostumar.

Uma ligeira pausa foi feita, deixando-se apenas a escutar o barulho da festa e o dos grilos a cantar em sincronia.

– Me concede a honra de levá-la a um lugar mais reservado e agradável?

Se virando para o homem ao seu lado, os olhos da jovem brilhavam intensamente tanto quanto as estrelas, que naquela noite estariam mais admiráveis se o céu estivesse limpo de nuvens. Estendendo a mão para ele, a dama sorria sem mostrar os dentes de forma natural e formosa.

– Me leve a este lugar maravilhoso, meu bom cavaleiro. Adoraria conhecer ele junto a ti.

Com essa resposta positiva da moça, os dois caminharam até chegar em uma pequena ponte ali perto, onde ao se aproximarem dela era possível se ver um lago. Porém, parecia ser um lago diferente dos outros, foi esse o pensamento que Amu teve ao caminhar até ele.

– Esse lago... Tem algo diferente nele, não tem?

O cavaleiro ao seu lado confirmou com a cabeça e pediu em silêncio para que ela aguardasse um pouco, o que não foi difícil de compreender pela jovem.

– Uau... Isso é... Lindo! –Os olhos da rosada cintilavam com o que viam.

O lago assim que a lua que estava escondida nas nuvens da neblina tinha aparecido começou a ter uma tonalidade de cor diferente. “Será mesmo que é a cor?”, Amu pensava. Pois, era difícil saber.

A água brilhava mais intensamente; parecia um diamante lapidado. Era algo simplesmente lindo. Em alguns segundos era possível se ver peixes azuis que brilhavam debaixo d’ água, parecia que tinham derramado tinta florescente para fazê-los brilharem tão intensamente. Logo após os peixes vieram as borboletas azuis, e estas criaturas voadoras não tiveram medo algum em se aproximar dos dois adolescentes.

– Sempre que venho aqui penso o mesmo que ti. –Ikuto pôs suas mãos na grade da ponte. Se inclinou para poder admirar o lago e aquelas criaturas em uma visão melhor.

– Como que a água do lago ficou assim?

– Após uma guerra protestante, os militares não souberam onde colocar os corpos dos cadáveres, então os corpos foram jogados na represa e acabaram parando aqui. As bactérias decompositoras desse lago fizeram a água ficar nessa coloração por conta dos corpos dos defuntos*. Mesmo depois de uma tragédia, a água insiste em ficar assim tão bela...

– Será que tem problema se eu tocar...?

No desenvolver da conversa, acabou que Ikuto começou a abrir um sorriso, afinal era agradável ter alguém como aquela garota em um lugar como aquele.

– É uma pena, mas provavelmente ficarás com coceiras e vermelhidão na pele, ou até pior.

– Realmente uma pena... –A garota sorria tristemente. – Mas, podias mesmo me trazer até aqui? Quer dizer, parece ser especial e... Provavelmente devem estar a te procurar lá dentro nesse instante.

– Vamos dizer que eu também não gostaria de me acostumar a esse tipo de compromisso, mas diferente de tu eu não tenho esse tipo de liberdade.

– Talvez o tempo resolva.

– Tempo... Isso é algo que eu não tenho tanto quanto os outros. Não com as minhas tarefas.

– Tu que não percebes. Tens todo o tempo do mundo nas tuas mãos. É uma benção dada a todos desde que nasceram. – Ao dizer isso, percebeu o quanto gostava de dar conselhos. Era como se ao ajudar as pessoas pudesse expor um pouco da sua opinião. Coisa que raramente acontecia – Podes fazer o que queres, só depende de ti. Só você que ainda não começou a fazê-lo, mas se não começá-lo logo, o tempo realmente não irá te esperar. – A garota se virou de costas, seu cabelo se movimentando no ar com essa mudança de posição.

Arregalando minimamente os olhos, o moreno se impressionou com a filosofia da rapariga com sua interpretação sobre esse tipo de situação.

– Nunca pensei desse modo.

– Tente pensar assim. Tente mudar. Você nunca tentou de verdade, não é? –Ela virou o rosto para o lado e olhou para o moreno, sorrindo.

Novamente as palavras da moça o surpreenderam e com o ato da garota de cabelos rosados, ele correspondeu ao seu sorriso, sendo considerada uma resposta positiva a pergunta anterior dela.

– Aonde vais? –O garoto perguntou já indo atrás da garota que começava a caminhar para longe.

– Tenho de ir agora, talvez nos encontremos novamente, vossa alteza.

Desistindo de segui-la, o príncipe ficou apenas a observar a garota indo embora parado.

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– Ali! –A ruiva se virou na direção em que Ami apontava. – Nee-san, onde você estava?

As acompanhantes de Amu se aproximaram com passos rápidos dela.

– A vadiar por aí. –Deixando o seu olhar tranquilo e seu rosto relaxado como quando estava com o príncipe, agora ela possuía uma expressão séria. –E então? Acharam algo?

As duas negaram com a cabeça.

– Era de se esperar que não fosse assim tão fácil. Vamos, teremos de planejar algo.

– Ah, esperem-me! –A ruiva falava enquanto enfiava a comida na sua bolsa. Tinha trago especialmente para isso. Em consequência de sua gula, ficou para trás, mas logo alcançou as companheiras.

Quando estavam já saindo do palácio, pelos sentidos perspicazes de Amu foi sentido algo anormal, fazendo-a olhar para trás.

Reconhecia aquilo de qualquer lugar.

A ânsia misturada a um pouco de medo tomou seu corpo, mas mesmo assim não hesitou em procurar de onde vinha aquilo.

– Rima... –Ao pronunciar esse nome que foi guardado com cuidado na sua memória, Amu sentia-se como na primeira vez que conheceu a dona dele.

Notas finais
Gostaram? ^--^ A minha revisão no capítulo foi feita rapidamente, por isso eu agradeceria se apontassem os meus erros nos comentários. ¹ No Brasil pode ser considerado uma ofensa, mas no Portugal é o modo como se referem às moças. ² Vossa mercê é o modo no qual se dirige à uma duquesa *Realmente existe um local onde as águas de um lago/rio (?) possui uma coloração diferente por conta de bactérias ali presentes, porém a sua coloração é rosa. Nee-san: Abreviação de Onee-san, que seria um modo respeitoso de se dirigir para a irmã mais velha