A Magia do Submundo
17 O Emissário das Trevas I
Notas iniciais
Uma silhueta atingiu o solo e foi arrastado mais vários metros, destruindo pedras e árvores no caminho. Quando Mamon atingiu a superfície da montanha, rosnou.
— Veja só. Está furiosa, bruxa.
Selena surgiu na frente de Mamon e mandou uma enorme rocha contra ele, mas chamas douradas expelidas da boca do demônio destruíram a rocha.
Lily surgiu ao lado de Selena. As duas olhavam para o incansável Príncipe Demoníaco, que chicoteava a cauda. A bruxa de cabelos roxos então começou a disparar múltiplas lufadas de vento contra ele, enquanto afastava-se. Selena entendeu o que ela queria.
A Torre ergueu raízes do solo e, assim como havia feito anteriormente naquele dia, ela imobilizou Mamon.
Da mão esquerda de Lily, uma grande quantidade de energia elemental começou a se formar. Logo, pequenas descargas elétricas começaram a ser emanadas de seus dedos. Mamon apenas observou quando o relâmpago foi disparado contra ele.
O Príncipe Demoníaco foi atingido e lançado para trás, atravessando a montanha e chegando ao outro lado da ilha.
Lily olhou para Selena.
— Essa coisa não morre?
— A resistência de um Lorde Demônio é infinitamente superior a qualquer outro demônio. Mesmo ainda estando ferido do combate com Lúcifer, ele ainda tem poder para nos esmagar. Não baixe a guarda.
— Não irei.
Mamon surgiu do buraco em altíssima velocidade, e parou no meio do caminho, disparando suas chamas douradas contra as bruxas. Selena rapidamente ergueu uma parede de terra entre as chamas e elas, mas Mamon surgiu ao lado da barreira e deu um soco em Selena com seu punho fechado, madando-a contra uma árvore.
Lily criou um microtornado ao redor do próprio corpo, mas o braço de Mamon agarrou seu pescoço — sendo cortado pelos ventos furiosos do tornado no processo — e arremessou Lily contra o chão. A bruxa desmaiou e uma onda de choque varreu o local.
Selena gritou e disparou vários espinhos de pedra contra Mamon, que destruiu-os liberando sua presença demoníaca. Ele então gargalhou com desdém.
— Selena Godren, Torre da Irmandade. Ah, eu estou simplesmente muito animado. Este nosso encontro traz muitas memórias. Quando foi a primeira vez que nos vimos? No Palácio da Meia Noite, quase vinte anos atrás? Rá! Você não era Pacificadora nem há meia década — recordava Mamon, cínico. — Lembra da expressão em seu rosto quando viu a mim, o Belzebu e o Asmodeus pela primeira vez? Caio na risada sempre que me lembro. Uma garotinha assustada, em frente a seres infinitamente superiores a você, incapaz de se mexer sem deixar nítido o seu medo. Diga-me, adorável Selena… o que mudou? Acha que se tornar uma Torre te torna diferente para mim?
Selena não podia permitir-se sentir medo. Era a única bruxa em pé. Era seu dever parar o Lorde Demônio, que aproximava-se.
— Selena Godren, Torre da Irmandade — repetiu o demônio. — Eu olho para você hoje, e vejo a mesma garota assustada que conheci no Palácio da Meia Noite. A garota que foi uma das únicas bruxas a ver como o Inferno é. Que viu o terror que origina os demônios. E agora eu te pergunto: se Lúcifer não conseguiu, por que você conseguiria?
— Não tente me assustar, Mamon. Não tenho medo de você. Por que está tentando me trazer nostalgia? Tem medo que eu acabe te matando e está tentando me inspirar piedade e empatia?
— Você não mudou nada, Selena. Mesmo mal se aguentando em pé, mesmo que seu corpo claramente clame por ajuda e deseje sair correndo, sua língua continua afiada. Eu tomaria cuidado. Isso me dá vontade de arrancar sua língua fora.
— Por que você não vem aqui tentar?
— É o que planejo.
Mamon atacou. Selena ergueu paredes e pilares de terra enquanto corria e saltava com surpreendente agilidade, criando estacas de terra que investiam contra Mamon, que destruia elas com desprezo.
Selena levitou o corpo de Mamon no ar com telecinese e mandou-o contra uma árvore, logo em seguida criado dois pares de enormes braços feitos de terra que começaram a girar ao seu redor, destruindo tudo no caminho enquanto Selena aproximava-se de Mamon.
Assim que Mamon tornou a atacar, os braços de terra arremessaram-no novamente contra o chão da ilha. Furioso, ele não parou a investida, sendo rebatido pelos braços de terra ao redor de Selena enquanto procurava um meio de atravessar a proteção ofensiva da Torre.
O Príncipe Demoníaco da Ganância saltou para trás e disparou labaredas de chamas douradas contra Selena. Dois enormes braços de terra bloquearam as chamas, mas foram destruídos no processo.
Mamon viu Selena tomar a ofensiva, movendo rapidamente os dois braços de terra restantes e esmagando o Lorde Demônio entre eles.
Uma luz dourada começou a sair das fendas nos dedos dos braços de terra, e então uma explosão de chamas douradas destruiu a magia de Selena, que recuou alguns passos. Notando isso, Mamon gargalhou.
— Como eu disse, você é só uma garotinha assustada. Eu não sei o que ele viu em você. Bem, não importa. Quando acabar com você, vou atrás do seu filho. Depois, vou atrás de Azazel e Belphegor, aqueles dois traidores miseráveis.
— Não ouse chamá-los assim! Você é o traidor aqui, Mamon da Ganância. E eu não vou te permitir tocar no meu filho. Nunca.
— Tsc. Quanto drama. E quem se importa? Impeça-me, se for capaz.
Mamon pulou na direção de Selena, que ergueu um tentáculo de raízes à sua frente, interceptando o golpe do demônio. Outros cipós saíram do chão e começaram a atacar Mamon diversas vezes, enquanto o demônio recuava surpreso. Os ataques eram rápidos.
O Príncipe Demoníaco pulou para trás e disparou uma rajada de chamas, mas Selena ergueu uma parede de terra que bloqueou o golpe. Os cipós continuavam atacando o demônio.
Em dado momento, quando Mamon fora atingido por mais um cipó e mandado para cima, ele rugiu. Bolhas negras brotaram em suas costas e explodiram, manchando o chão abaixo dele de sangue negro. No lugar delas, um par de grandes asas de dragão surgiram nas costas de Mamon.
Selena sorriu.
— Então finalmente decidiu parar de brincar?
Cipós e pilares de terra investiram juntos contra Mamon, mas o demônio bateu as asas, destruindo os ataques de Selena. A Torre preparou-se quando o demônio avançou contra ela novamente.
Quando Mamon estava quase chegando em Selena, um grande tronco de árvore brotou do chão abaixo dos pés da Torre, começando a serpentear. Vários outros troncos e tentáculos começaram a surgir do chão, e Mamon via que Selena estava utilizando boa parte de seu poder naquele movimento.
Estava realmente disposta a derrotá-lo naquele momento, pelo que parecia.
As raízes, cipós, troncos e tentáculos atacaram Mamon. O Lorde Demônio começou a recuar rapidamente, notando a fúria daquelas plantas que atacavam-no.
Atingiram ele no peito, e Mamon foi arremessado em direção ao solo. Não houve tempo para cair, pois outro cipó enrolou-se no tornozelo do demônio e arremessou-o em direção ao céu.
Mamon sentiu dezenas de golpes dos troncos que Selena animou, e aos poucos começou a perceber que estava sendo preso por uma esfera de raízes.
— Argh. Não pense que isso pode me deter! — rosnou ele.
Chamas douradas começaram a emanar de todo o corpo do demônio de segunda classe, e ele criou uma explosão de ouro no céu, vaporizando as raízes que estavam a menos de dez metros ao redor dele.
Mamon olhou ao seu redor e sorriu de maneira arrogante, mas então percebeu que Selena não estava mais ali. Levemente preocupado, começou a olhar ao redor, procurando a bruxa.
— Em cima de você — anunciou Selena.
Mamon olhou acima de sua cabeça, e Selena caía em sua direção. A Torre disparou um pulso psíquico que atirou Mamon contra o chão, criando uma onda de choque que arrancou árvores do solo. Selena então forçou mais troncos de árvores a imobilizarem Mamon, enquanto três cipós enrolaram-se em um dos braços do Príncipe Demoníaco.
Quando Selena voltou ao solo, flutuando, ela apontou a mão para o braço de Mamon. O Príncipe Demoníaco sentiu a presença de magia psíquica. Olhou sério para a bruxa com seus olhos dourados.
— Não vai querer fazer isso — avisou ele.
— Vou, sim.
Os três cipós, em conjunto com a telecinese de Selena, começaram a fazer pressão no braço do imobilizado Mamon. O demônio começou a sentir muita dor, e então o inevitável aconteceu. O braço de Mamon foi arrancado, e o Pecado Capital gritou de dor.
Selena sorriu macabramente.
— Não parece tão confiante agora.
O demônio gritava, e disparou chamas contra Selena, que protegeu-se com uma barreira de terra. Podia sentir o ódio do demônio, estava tão pesado que era quase físico.
A Torre preparou-se para o próximo ataque do Príncipe Demoníaco.
*
Jason e Luna caminhavam pela base de Arvak. O bruxo aprendiz mancava e andava apoiado no bastão negro que lhe pertencia. Enquanto isso, Luna procurava por maneiras de recuperar rapidamente sua energia para poder atacar Mamon, mas não conseguia pensar em nada.
Passaram pelo corredor repleto de símbolos de sangue, e Jason notou que eles haviam sido cortados por alguma arma branca, provavelmente trabalho de Luna.
Chegaram no local onde antes estava o portal. A primeira coisa que notaram foi um grande buraco na parede, que percorria toda a camada de terra que formava a parede da montanha na Ilha de Yuvik. Não precisaram pensar muito para concluir que aquele era o caminho que necessitava ser seguido para alcançar as bruxas.
“Mas isso significa que elas podem estar em qualquer lugar da ilha…”, pensou Jason. Como se lesse seus pensamentos, Luna balançou a cabeça negativamente.
— São bruxas e um Príncipe Demoníaco. Eu duvido muito que precisemos de muito para que encontremos eles.
— Espero que esteja certa.
Começaram a caminhar pelo túnel criado por Alice — não que eles pudessem saber disso —, e no caminho Jason começou a amaldiçoar Arvak por tê-lo ferido tanto. Tinha dificuldades em andar, ainda mais dificuldades em andar rápido e com toda a certeza não estava em condição física ou mágica para lutar nem contra um demônio com um terço do poder de Mamon.
Realmente, viera na ilha esperando poder derrotar Arvak. No fim, bastou que ele assumisse sua forma verdadeira para que Jason não tivesse mais chance alguma contra ele. “Mesmo com esta arma, mesmo com a magia elemental, eu ainda preciso ser salvo”, pensou ele, irritado. Então, olhou para a meio-demônio ao seu lado.
“Não se preocupe, Luna”, pensou ele. “Vou ficar bom o suficiente para que você nunca mais precise entrar naquele estado por minha causa. Da próxima vez, serei eu quem protegerá você.”
Saíram daquele grande túnel. Estavam do lado de fora, e Jason notou o grande rastro de destruição dos ataques de Alice. O bruxo respirou o ar profundamente, então olhou para o lado. Ouviu alguma movimentação.
— Não precisa se preocupar tanto — resmungou uma voz conhecida, saindo do meio das árvores. Alice estava visivelmente machucada, e também andava mancando.
— Que ótimo. Dois bruxos mancos — reclamou Luna. — Deixem-me comentar, mas eu não espero cuidar do Mamon sozinha.
— Vamos achar a Lily e a Selena. Elas foram más. Me deixaram aqui, sozinha e indefesa em uma ilha que não conhecem — dizia Alice, dramaticamente. — Bem, não deve ser muito difícil achá-l…
Parou de falar ao ver algo atrás de Jason. Quando o garoto olhou para trás, viu que sua mãe estava a vários metros deles, enfrentando Mamon. Estava sozinha, então Lily devia ter sido derrotada.
“Ou pior”, pensou Jason, mas logo afastou o pensamento. Aquilo não poderia ter acontecido.
Longe, Mamon defendeu mais um golpe de Selena e atacou a bruxa novamente com uma grande bola de chamas douradas, e foram necessárias três barreiras de pedra para dissiparem as chamas.
Selena finalmente sentiu sua Mana falhar e pulou do tronco em que estava. Mamon pareceu satisfeito. “Esse maldito ainda tem muita enegia”, percebeu Selena, cansada.
A Torre apontou para uma árvore da ilha especialmente robusta e murmurou uma fórmula mágica. Do tronco da árvore, um par de mãos com garras surgiram. O tronco adquiriu olhos amarelos e uma cavidade semelhante a uma boca cheia de dentes retorcidos. Suas raízes criaram vida e agiram como pernas, tirando a árvore viva do solo.
Mamon olhou com desprezo para a criatura. As formas que Selena havia moldado com magia elemental já estavam falhando, e o demônio percebeu que, talvez, aquela árvore viva fosse a última jogada de Selena.
— É uma pena, bruxa. Se esperava conseguir algum resultado com isso, lamento decepcioná-la.
Mamon atacou o tronco de árvore. Este mirou seus punhos de madeira no Príncipe Demoníaco, que interceptou-os com seus próprios punhos cheios de escamas.
Mamon abriu a boca de dragão, e chamas douradas foram expelidas, vaporizando a parte superior do corpo do tronco de árvore criado por Selena.
O Príncipe Demoníaco, após finalizar a criatura da bruxa, sorriu malignamente. Uma energia sombria surgiu de seu braço e ligou-o ao membro decepado por Selena. Em segundos, assim como ocorreu com Luna, o braço de Mamon estava novamente no lugar.
— Apenas um Príncipe Demoníaco — comentou Mamon — pode matar outro Príncipe Demoníaco.
O demônio saltou contra Selena, desferindo um soco na mulher. Ela conseguiu proteger-se com telecinese, mas a pressão do soco mandou-a para longe. Selena quase foi derrotada, mas conseguiu parar o próprio corpo no ar antes que acabasse de encontro a uma árvore.
Foi neste momento que, olhando para o lado, viu Jason, Luna e Alice.
— O que estão fazendo?! Saiam daqui agora mesmo!
— Tsc. E deixar toda a diversão para você? — perguntou Luna, sarcástica.
— Mamon não é um oponente que podemos derrot…
A silhueta de um dragão humanoide surgiu, e Mamon começou a caminhar na direção dos invasores. Enquanto ele se aproximava, o coração de Jason acelerava. Ele sentia agora um sentimento primordial. Sentia medo. Um medo tão grande que a única coisa que o jovem bruxo queria era sair correndo naquele exato momento para o mais longe possível daquela presença macabra e inabalável.
Mamon gargalhou ao olhar para Jason.
— O que foi, bruxo? Está com medo? Seu pai estaria decepcionado.
— Meu… pai?
Mamon parou de caminhar e olhou para Jason com cinismo.
— Ah, entendo. Então talvez as bruxas não sejam tão diferentes de nós, demônios. Elas também escondem e mentem.
Jason, ainda apoiado no bastão, apertou-o com raiva. Aquele demônio estava tentando enganá-lo.
Mamon olhou para Selena e gargalhou.
— Não me culpe pelo que vai acontecer agora, Torre da Irmandade, mas eu quero sentir a mesma emoção que senti quando enfrentei ele. Você não tem poder suficiente para me fazer sentir aquilo, então… Irei despertar ódio e veremos do que seu garoto será capaz.
Alice disparou um raio flamejante, e Luna uma lança. Mamon não precisou fazer nada além de liberar sua presença para que ambos os ataques fossem falhos.
O Príncipe da Ganância avançou contra a Torre. Selena tentou erguer uma nova barreira, mas não conseguiu a tempo. Sentiu a mão enorme de Mamon em seu pescoço, e sentiu ele erguê-la acima do chão. Pela primeira vez em muito tempo, Selena estava de frente com a morte.
Todos chamavam por ela. Os feitiços de Alice e as armas de Luna não funcionavam. Quando a mestiça investiu contra Mamon, a cauda do demônio atingiu-a no rosto, e a garota caiu no chão. Havia usado poder demais contra Arvak.
Jason estava com um sentimento tão estranho. Seu desespero pela situação de sua mãe começou a sumir, e então ele sentiu seu sangue ferver, sua alma esfriar. Sentia algo tão estranho, tão… diferente do que ele estava acostumado.
Sentia ódio. Sim, era ódio. Algo tão profundo, tão enraizado na espécie humana. Jason sentia ódio, tudo o que desejava era ajudar sua mãe, era impedir sua morte. Não podia permitir que aquele demônio maldito matasse sua mãe. Viera àquela ilha para impedir que alguém morresse, e agora lá estava ele, impotente enquanto sua mãe estava de frente com a morte.
— J-Jason — murmurou Luna. Por algum motivo, sua voz pareceu ecoar pela ilha, fazendo com que Alice, Mamon e Selena olhassem para o bruxo.
Manchas negras de podridão começavam a surgir pelo corpo de Jason, apodrecendo suas roupas, que começaram a se desfazer em cinzas. Uma lágrima vermelha escorreu do olho esquerdo do garoto, e ele começou a agonizar no chão.
Mamon gargalhou e largou Selena, que começou a inspirar desesperadamente antes de olhar para o filho. Mamon olhava com um sorriso extremamente ansioso para o bruxo.
Luna correu até ele e ajoelhou-se ao seu lado, assustada com as manchas negras e os gritos de dor e desespero de Jason. Alice logo também estava junto do garoto.
— Jason, o que tá acontecendo?! — indagou Alice, desesperadamente.
— ESTÁ QUEIMANDO! ESTÁ QUEIMANDO!
Em meio aos gritos do garoto, Luna observou com horror que a pele do garoto, assim como havia acontecido com suas roupas, começou a derreter e a transformar-se em pó. Os gritos intensificaram-se, e Luna sentiu seus olhos lacrimejarem enquanto via o garoto gritar.
Já era possível ver a carne nas pernas, costelas e braços de Jason, onde a pele já havia sido derretida. Inclusive, era possível ver as próprias costelas, pois a carne ali também já havia sumido.
— O que tá acontecendo?! — gritou Luna, sem saber o que fazer.
Alice não soube responder. Também sentia as lágrimas se formarem ao ver o garoto sendo corroído sem nenhum motivo aparente.
Para Mamon, parecia que nada mais importava exceto o garoto que queimava. Selena olhou para ele com fúria.
— O QUE FEZ COM MEU FILHO?!
— O que EU fiz com ele?! Hahahahahahah, não. O que VOCÊS fizeram com ele. Aquele Selo de Kurokuma na barriga dele é que está fazendo isso.
— O-o quê?!
— Normalmente, seria muito mais rápido, mas o Selo de Kurokuma que vocês da Irmandade da Bruxaria colocaram neste moleque está combatendo a transformação. Você mesma deixou seu filho deste jeito.
Naquele momento, Selena finalmente entendeu o que estava acontecendo.
Uma fumaça negra começou a sair de Jason. Luna não teve tempo de raciocinar direito, apenas empurrou Alice para longe.
— Não chegue perto! É miasma!
Logo a fumaça negra começou a cobrir todo o corpo de Jason. Luna e Alice foram forçadas a se afastarem.
Um grande pilar de energia negativa subiu aos céus. As folhas de todas as árvores da Ilha de Yuvik desintegraram-se. O mar ao redor enfureceu-se e ondas enormes foram criadas. Uma enorme pressão roubou o ar de todos os presentes, e todos foram levados contra o chão, com exceção de Mamon.
Assim que o pilar de escuridão dissipou-se, quem estava lá já não era mais Jason Godren.
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