Notas iniciais
Hello! Continuando aqui com o capítulo que dará início aos acontecimentos finais deste Arco do Culto de Mamon kkkkk Boa leitura ^^

No dia seguinte à chegada dos bruxos ao apartamento das irmãs Olive e Emma — todos tiveram de dormir no chão, pois não havia camas para todos —, houve apenas debates e preparações. Luna revisava tudo o que podiam, discutiam formações, meios de acelerar o ritmo. Jason praticava em todos os momentos, e Luna observou com surpresa ele realizar magia elemental.

— Nada mau, Sujeito Anônimo. Nada mau mesmo.

— O-obrigado. Ainda estou aprendendo.

Luna sorriu.
Alice parecia a mais tranquila, fazendo piadas a todo momento, mas todos podiam ver que ela estava mais estranha que o normal. Provavelmente estava tão preocupada quanto os demais, só evitava demonstrar.
Selena e Lily eram as que pareciam mais preocupadas. Elas pediam repetidas vezes para Luna informar novamente os posicionamentos dos demônios e os possíveis obstáculos até o portal. Discutiam em voz baixa, e a mestiça não tinha muito interesse em saber sobre o que falavam. Provavelmente conspiravam para manter Jason em segurança o tempo todo.
Luna também notou que a Herança do garoto parecia um pouco maior do que da última vez. Maior do que se esperaria para alguém que mal começou a praticar feitiçaria elemental. A meio-demônio estava curiosa, mas resolveu não comentar.
Luna fez outra coisa. Ela passou boa parte da tarde reunindo energia negativa através de sentimentos ruins. Corando violentamente, pois odiava aquilo tanto quanto se envergonhava por fazê-lo, pediu a todos para pensarem em coisas que os entristeciam, frustravam ou assustavam.

— Pensamentos negativos alimentam a magia demoníaca — explicou Luna, envergonhada por utilizar aquele método. — Com isso, terei poder para transportar todos vocês para a Ilha de Yuvik. Afinal, normalmente eu não poderia sequer transportar a Selena sozinha. Uma Torre possui muita magia para um portal das sombras comum…

Após reunir energia negativa o suficiente, Luna concentrou-se para manter esta energia sob controle. Não queria desperdiçar nem mesmo uma gota de combustível antes da hora certa.
Após todos sentirem-se o mais preparados possível, saíram do apartamento. Olive e Emma apenas desejaram boa sorte. Uma hora antes, haviam se oferecido para ir junto, mas Luna não se perdoaria se colocasse demônios que estavam tentando levar uma vida comum novamente para o centro do perigo.
Já estava de noite. Uma noite anormalmente fria. A lua no céu brilhava com mais intensidade do que qualquer um acharia possível. Era quase como um grande farol no mar de estrelas que era o universo.
Luna, Selena, Lily, Alice e Jason então foram para a mesma rua onde Arvak havia levado Luna dias atrás, para que pudessem realizar o transporte sombrio.
A mestiça olhou com seriedade para eles.

— Revisando uma última vez: assim que chegarmos lá, literalmente todo mundo saberá de nossa presença. Estarei cansada, então o Sujeito Anônimo terá que me c-carregar. Vocês três cuidam das partes complicadas. No melhor cenário, chutamos a bunda do Arvak. No pior, eu e o Sujeito Anônimo vamos atrás dele e vocês pegam o… peixe grande.

Todos já haviam ouvido aquilo meia centena de vezes durante o resto do dia, então confiavam que sabiam o que estavam fazendo. Jason estava com o coração acelerado. Aquela sem dúvidas seria a viagem mais perigosa que já fizera, pois, se falhassem, coisas muito ruins poderiam acontecer ao mundo sobrenatural.
“Talvez a Irmandade possa terminar o que começamos”, pensou Jason. Sabia que sua mãe havia informado a Irmandade sobre a situação atual. Ainda naquela semana, uma equipe de reforço pesado viria a Fairyshall para tomar as rédeas da situação. Mas isso era apenas no pior cenário possível.
Luna pigarreou, e todos fizeram um círculo ao redor da garota. Então, deram as mãos. Luna estava claramente desconfortável com aquela situação, mas Jason entendia. Ela ainda não tinha se acostumado completamente com todo aquele contato físico.
As sombras no local começaram a tremular. Em poucos segundos, todos entraram nas sombras.
Jason nunca havia sentido aquela sensação antes. Era tão frio. Tão… triste. Por alguns instantes, a vida deixou de fazer sentido. Para que os humanos vivem se no fim do túnel sobra apenas a morte? Por que continuar lutando contra os demônios se no fim todas as bruxas morreriam, mas os demônios nunca deixariam de existir?
Jason sentiu Luna apertando sua mão. Foi como se tivesse acordado de um transe. A vida tornou a fazer sentido, pois ele lutava para que outras pessoas não lutassem. Ele morreria, se aquilo significava que os humanos não fossem morrer.
Surgiram no heliporto que Luna havia mencionado. Todos ficaram momentaneamente tontos. Por sorte, Lily e Alice recuperaram-se rapidamente.
Como revisado por eles muitas vezes, Alice disparou um raio de chamas no sentinela à sua direita, e este foi pulverizado antes que pudesse dizer qualquer coisa. Lily moveu o braço horizontalmente, e um corte de vento decapitou o demônio em forma humana na torre à esquerda dos invasores.
Eles morreram sem causar barulho, mas Luna sabia que pelo menos Arvak havia sentido a entrada deles.

— Tsc. Você estava certa, Silverstone — comentou Lily. — Estes demônios são patéticos.

Luna não respondeu. Estava apoiada em Jason, completamente vulnerável e ofegante. Segurava o garoto com força, e parecia mal se aguentar em pé.
Quando Jason segurou sua mão, ela balançou a cabeça.

— Não se preocupe. Eu sabia que isso ia acontecer — afirmou a garota, sorrindo forçadamente. — Mesmo com toda aquela energia negativa e mesmo já sendo oito da noite, transportar quatro bruxos, incluindo uma Torre, por um portal de diversas milhas até uma ilha com interferência mágica me deixou um pouco… Certo. Muito cansada. Mas eu acho que talvez possa me recuperar até chegarmos no portal.

“Eu espero”, pensou Luna.
Selena foi até a frente do portão elétrico com grades. Ela colocou as mãos na cintura e suspirou.

— Devemos subir nestas torrinhas aqui do lado?

Lily riu, cética, e estendeu a mão para frente, e uma lufada de vento escancarou o portão de metal. Jason assobiou baixinho.

— Quando vou poder fazer isso?

— Anos de prática.

Selena foi na frente. Após o heliporto e o portão em grades, via uma pequena ponte que ligava a entrada à ilha a uma porta enorme de ferro. Mas o que causava certa preocupação em Selena eram as seis estátuas de gárgulas, três em cada lado da ponte, que pareciam encarar com repreensão os invasores da ilha. Selena nunca havia visto demônios daquele jeito (isso se realmente fossem demônios).
Selena decidiu que simplesmente atravessar a ponte, correndo o risco de serem atacados, não era uma ideia boa. Então, ela estendeu a mão para frente.
Dois pilares de terra saíram do solo e destruíram um par de estátuas de gárgulas. No momento em que dois deles viraram meros destroços, os outros quatro pularam de seus suportes e começaram a voar ao redor dos invasores.
Um deles voou em direção a Luna e Jason, mas o bruxo parou-o no ar e arremessou-o na direção de outra gárgula, e ambas caíram na ponte. A outra gárgula voou contra Selena, mas várias lâminas de vento atingiram a gárgula ainda no ar e ela foi estraçalhada.
As oitras duas gárgulas, que haviam apenas caído, logo avançaram contra todos novamente. Alice disparou uma enorme bola de fogo que destruiu as duas gárgulas, e deixou um rastro de destruição na ponte.
A última gárgula atacou, mas Selena apenas apontou para ela e fechou os punhos. Três espinhos de pedra saíram das colunas que sustentavam a pequena ponte. O primeiro errou, mas o segundo destruiu um braço da gárgula. O último despedaçou sua cabeça.

— Hehe, isto está sendo mais fácil do que eu imaginei — comentou Alice.

— O problema com certeza não será chegar até a fenda — retrucou Luna. — O problema será o que podemos encontrar nela.

Todos sabiam que ela dizia a verdade. O caminho até a fenda era o menor de seus problemas.
Eles foram caminhando em direção à porta de ferro. Selena analisou a porta, murmurando coisas incompreensíveis no processo. Luna tossiu.

— Tinha uma porrada de demônios aí atrás.

— Serão mortos, como quaisquer outros — respondeu Selena, apontando as mãos para a porta.

A porta de ferro começou a ser amassada. Selena afastou as mãos com violência, e a porta de ferro explodiu para dentro da base subterrânea.
Luna espiou por cima do ombro de Selena, mas, mesmo com sua visão no escuro, não conseguiu ver nenhum ser vivo lá dentro. Apenas uma área escura vazia.

— Não tem nada aí.

— Bem, eles não podem ter simplesmente sumido, podem?

— Com certeza não.

Eles começaram a entrar com cuidado. Luna aproximou-se mais de Jason. Estava com frio.
Realmente, não havia nenhum demônio visível ali. Eles procuraram por diversos lugares, mas não encontraram nada. A porta de ferro estava jogada do outro lado daquele espaço, e entre as duas partes da porta, estava a passagem para a ponte de cem metros.

— Só eu acho que vai dar muita merda quando formos naquela ponte? — comentou Luna.

— Também acho — concordou Jason. — Consegue correr?

— Olhe para mim e diga sinceramente se eu pareço alguém que pode correr.

— Mais ou menos.

Lily ignorou-os. Ela também praguejou.

— O campo antimagia não pôde anular nossa magia efetivamente, mas não estou conseguindo usar a detecção de demônios. Se houver inimigos do outro lado desta porta, não podemos saber.

Selena e Lily colocaram-se na frente da porta. Logo atrás delas estava Alice e, no fim, Luna apoiando-se em Jason.
Lily abriu a porta. Não viu nada além de toda aquela comprida ponte. No meio do caminho, um obelisco atravessava a ponte, fazendo ela circular o pilar de ambos os lados. Do abismo abaixo, emanava uma névoa e um fedor de enxofre.
Começaram a avançar pela ponte. Luna estava com uma sensação horrível. Não fazia sentido. Deveriam haver muitos outros demônios.
Ouviram um som à frente. Lily, que era a primeira, parou e atentou-se ao barulho que vinha detrás do obelisco. Eram passos. Muitos e muitos passos, rápidos e aparentemente desesperados.
Àquela altura, todos já estavam ouvindo aqueles passos. E viram quando, dos caminhos que contornavam o obelisco, muitos cães infernais surgiram. Lily sorriu arrogantemente e, com um movimento, uma ventania afastou todos eles.
Jason e Luna ouviram algo atrás de si. Quando se viraram, demônios de sexta classe caíram atrás deles. Outros tantos começaram a voar ao redor da ponte. Estavam cercados por todos os lados.
Selena percebeu isso.

— Lily, precisamos avançar! Rápido!

A bruxa assentiu. Olhando à sua frente viu que os cães infernais não paravam de vir. Sorrindo, furiosa, Lily paralisou o cão que estava mais à frente e usou-o como um aríete, avançando pela ponte enquanto empurrava todos os outros cães para trás.
Enquanto avançavam, Alice disparava raios flamejantes nos demônios voadores que vez ou outra atacavam. Selena também manipulava a terra para tentar eliminar todos os demônios que conseguia ver.
Na parte de trás da fileira de invasores, Luna e Jason também corriam. A garota estava extremamente cansada, mas já conseguia correr com suporte. O jovem bruxo estava com o coração acelerado.
Um demônio de sexta classe aproximou-se deles. Jason começou a mexer em um de seus bolsos desesperadamente. Quando o demônio levantou a mão para atacá-los, Jason puxou o cilindro negro do bolso. Em milésimos de segundo, uma espada negra tinha decepado o braço do demônio. Jason cortou a cabeça dele e continuou a correr com Luna.
Lily, Alice e Selena eliminavam a maior parte dos demônios, mas eles não paravam de surgir. Jason estava com tremenda dificuldades, pois, além de não ter todo o poder das demais bruxas, também tinha de carregar Luna. Não podia pedir a ela para ajudá-lo, pois ela precisava ter força para enfrentar Arvak.
Passaram pelo obelisco de terra. Lily e Alice pela direita e Selena, Luna e Jason pela esquerda. Juntaram-se novamente após o obelisco, mas a formação mudou. Lily e Alice iam na frente, Jason e Luna no meio e Selena tomou a retaguarda.
Continuaram correndo, amaldiçoando a imensa quantidade de cães infernais que havia naquele local. Os demônios voadores foram eliminados, mas pelo menos uma vintena de demônios de sexta classe ainda avançava atrás deles.
Finalmente, passaram pela ponte e chegaram a um espaço mais aberto dentro da montanha, precedendo o sobrado e as casas onde o culto cultuava Mamon.
Assim que chegaram naquele local, Lily e Alice se viraram e começaram a atacar os demônios. Lily cuidava dos cães infernais que estavam por toda a área enquanto Alice disparava chamas nos demônios que perseguiam Selena e os dois jovens.
Quando Luna, Jason e Selena saíram da ponte, a Torre apontou a mão para ela. Inúmeros tentáculos e cipós saíram do chão e começaram a esmagar os demônios da ponte. Nenhum conseguia escapar dos ataques de uma das cinco bruxas mais poderosas do continente.
Quando limparam os cães infernais e os demônios de sexta classe que os perseguiam, Luna espreguiçou-se.

— Nossa. É horrível não conseguir correr. Foi mal aí, Sujeito Anônimo.

— Não tem problema — disse Jason, sem ligar.

Alice gargalhou alto.

— Selena, você acabou de construir uma nova ponte para que usemos.

Era verdade. As plantas que Selena fez atacarem os demônios varreram a antiga ponte, criando uma nova feita de raízes e madeira.
Selena então olhou para o sobrado diante deles, ignorando o comentário. O sobrado ficava entre duas casas menores. A Torre questionou-se se havia demônios em todas as residências.
Quando perguntou para Luna, a garota sorriu.

— Nop. Nas duas casas menores tinham cadáveres humanos para comer.

Jason sentiu um calafrio, e Luna olhou para ele com as sobrancelhas arqueadas.

— Vai se acostumando, bruxinho. Você vai ver coisas bem piores do que isso, porque eu é que não vou mais ficar comendo trancada no quarto.

— Então era isso que você fazia — murmurou Jason, compreendendo a origem do universo.

— Eu voto para chutar a porta e entrar atirando em todo mundo — sugeriu Alice.

— Apoiado — declarou Luna, cutucando Jason, que rapidamente concordou.

Selena e Lily entreolharam-se.
“Não é seguro”, disse Selena telepaticamente.
“Nada aqui é.”
A Torre assentiu pesadamente. Então, os cinco invasores aproximaram-se da porta. Entreolharam-se, e Luna afastou-se de Jason.

— Já consigo andar.

— Não vá tropeçar no próprio pé.

Alice fez um gesto exagerado, e a porta do sobrado foi arremessada, esmagando um demônio que estava logo atrás dela. Os outros vinte demônios de quinta classe, todos transformados, olharam assustados para a porta.
Esse medo não durou muito. Assim que os invasores invadiram o sobrado, eles atacaram. Não eram tão frágeis quanto os demônios anteriores. Alguns possuíam carapaças, outros eram extremamente rápidos. A variedade de demônios era enorme. Não havia nenhum igual ao outro.
Um pulou na direção de Jason, mas ele girou o bastão. O demônio teve o crânio esmagado, e Selena começou a questionar-se sobre aquela arma que seu filho carregava.
Alice criou uma espiral de chamas que destruiu dois demônios, enquanto Lily chutou o ar, levando meia dúzia de demônios a voarem contra a parede.
Selena movia-se com evidente desprezo, e cipós imobilizavam os demônios. Estacas de madeira explodiam os corpos de alguns deles de dentro para fora, criando uma carnificina.
Jason puxou um demônio em sua direção e então, com a lança, empalou a cabeça da criatura. Outro demônio pulou em sua direção, mas Luna surgiu com uma alabarda na mão, e dividiu a criatura ao meio.
O bruxo olhou com reprovação para ela.

— Você não deveria economizar energia?

— Não me tome por iniciante, Jason Godren. Eu sei o que estou fazendo.

— Novamente: se você disse meu nome, sei que é algo sério.

Enquanto os dois discutiam, as três bruxas eliminavam os demônios restantes, causando grande estrago. Demônios voavam contra paredes, mesas, e vários explodiram junto da estátua de dez metros de Lorde Mamon que havia no interior do sobrado. O andar de cima já não possuía chão, e toda a residência estava destruída.
Quando Lily dividiu ao meio o último demônio, Luna apontou para o armário.

— É logo atrás daquele ali.

Selena olhou para o armário. Com um gesto, este saiu voando, revelando o túnel por trás do armário. Estavam chegando a seu destino.
Selena fez com que todos fossem para trás dela. Estava preocupada. Estavam chegando, o que significava que poderiam ficar frente à frente com um mal há muito aprisionado em outra dimensão. Mas, se realmente Arvak estivesse conseguindo abrir a Muralha, aquela era a maior ameaça que a Irmandade da Bruxaria conheceria há anos.
Selena saiu do túnel, e logo os demais acompanharam-na.
Realmente, era como Luna havia descrito. Estavam em uma plataforma de ferro acima do chão, com escadas de ambos os lados que levavam a uma sala inteira feita de metal. Havia um pedestal com quatro cristais brancos que disparavam energia para uma fenda vermelha na parede.
Logo ao lado do pedestal, estava um homem baixo com uma túnica vermelha. Ele olhou para os invasores com desprezo.

— Senhorita Darkmoon, que patético. Eu pensei que poderíamos criar um mundo comandado pela nossa raça superior juntos. Mas você está ao lado daquelas que caçam seus semelhantes. Você é desprezível, garota. Mas não importa! Irá arrepender-se desta tão mal formulada decisão.

— Devo dizer que duvido muito disso, Arvak — respondeu Luna, cética. Arvak sorriu.

— Não irá mais duvidar. A lua já está em uma posição alta o suficiente. Sinceramente? Eu preferia realizar este processo à meia noite, mas acho que terá que ser agora.

— Como se fôssemos deixar — rosnou Lily, disparando um corte de vento no pedestal. Para a sua surpresa, porém, sua magia elemental foi dissipada quando entrou em contato com a barreira invisível no pedestal.

Arvak gargalhou.

— Aprendi alguns truques neste século que venho andando pelo mundo humano, sabem? Sua magia não pode impedir o processo de abertura da fenda. Nada pode!

— Veremos — sussurrou Selena, ameaçadoramente.

A Torre pulou da plataforma sem usar a escadaria. Um caminho de terra levou-a até o chão. Arvak perdeu a expressão presunçosa na face e começou a recitar os encantamentos em latim.
Selena aproximava-se, e Jason nunca viu a aura de sua mãe tão ameaçadora. Entretanto, Luna viu outra coisa.

— Em cima de você! — alertou a mestiça.

Selena continuou andando até Arvak. Os seis demônios que sempre acompanhavam o superior pularam na direção da Torre, mas pararam no ar e foram esmagados pela presença de Selena.
“Essa maldita é uma Torre”, percebeu Arvak, levemente preocupado.
Sua preocupação não teve fundamento. Antes que Selena chegasse até ele, uma forte presença foi liberada do portal para o Inferno. Toda a sala estremeceu. O raio vermelho liberado pelas Pedras da Lua pareceu dobrar de intensidade, e logo o portal estava abrindo em velocidade assustadora.
Uma explosão de energia mandou todos que estavam próximos para o chão. Jason e Alice, que haviam corrido na direção de Selena e Arvak, foram arremessados juntos dos outros dois.
Quando tudo acabou, o portal na parede havia desaparecido. As quatro Pedras da Lua estavam caídas no chão, sem energia.
Mas o que assustava a todos era aquele parado na extremidade da sala oposta à plataforma. Mamon, o Príncipe da Ganância, era enorme, uma criatura de três metros com uma cauda longa. Suas escamas douradas cobriam todo o seu corpo, e ele possuía três grandes braços com garras negras (um deles havia sido arrancado por Lúcifer, mais de uma década e meia atrás). Seu focinho longo e chifres que projetavam-se para trás davam-lhe um aspecto de um dragão. Seus olhos eram amarelos, e seus dentes da mandíbula superior projetavam-se para fora.
A presença emanada por ele era assustadora. Sem dúvidas, era maior que qualquer outra aura que a maioria ali presente já havia sentido. Uma aura capaz de corromper tudo ao redor, capaz de inspirar medo até nos mais corajosos.
Ao sentir aquela presença, Luna sentiu seu lado demônio dividir-se entre uma vontade de sair e atacar as bruxas e fugir para o mais longe possível dele. Jason sentiu algo em sua barriga, onde a Grande Anciã havia colocado o Selo de Kurakuma, pulsar. Já Selena sentiu medo, um pouco de nostalgia. Mas, acima de tudo, um ódio extremamente profundo. Alice e Lily perceberam nitidamente o ódio da Torre.

— Selena, acalme-se!

A Torre não deu ouvidos.
Mamon olhou para Arvak.

— Fizeste bem. Agora… vamos nos livrar destes insetos.

Selena, Lily e Alice prepararam-se. Luna e Jason estavam encarando o Príncipe Demoníaco com espanto. Embora soubessem da possibilidade dele surgir, esperavam não ter que vivê-la.
Nem tudo é como eles querem.

Notas finais
Hehe, agora a treta de verdade começa. Finalmente teremos lutas de verdade *-*