Notas iniciais
Uma fanfic recomeçada... Olá e desculpa pra quem já me conhece, e seja bem vindo você que é novo! Eu comecei A Magia Do Coração em 2017, e a abandonei em 2018 por falta de criatividade e motivação; Gostaria de dizer algo: voltei! Com capítulos novos e correções, pois embora eu "tenha desistido" eu nunca desisti de verdade. Eu sou uma escritora e acima de tudo leitora, eu amo esse mundo criativo e inovável, e como estou em evolução diária com meu dever de tocar o coração das pessoas, gostaria de apresentar uma fanfic renovada e amada. Boa leitura!

— Lilly...? Sou eu, é a mamãe. — Soou uma voz preocupada em um sussurro.

— Não se preocupe Sra. Marino, sua filha ficará bem, por enquanto ela precisa descansar. A cirurgia foi um sucesso, o Dr. Hertz é um excelente profissional, claramente! — A enfermeira cumpria seu papel com amor ao acalentar o coração daquela mãe cansada, forçando com delicadeza a mesma a sair do quarto. As duas viraram as costas para a paciente em repouso e saíram, uma para finalmente dormir aliviada, e outra para continuar seu plantão.

Horas se passaram e quando a noite finalmente estava por vir, os olhos acastanhados se abriam com relutância e logo quando tentou se acomodar naquela cama que dormira por tanto tempo, foi impedida por uma certa dor em seu peito.

Observou o local com curiosidade e confusão, até entender que se tratava de um quarto hospitalar de repouso. Mas por qual motivo ela estaria ali?

Analisou as paredes brancas que eram coloridas pelos últimos raios solares que invadiam o aposento, a cama alta e ajustada onde estava prostrada e também o pequeno sofá desconfortável em que uma figura descansava sentada, com apenas a luz amarelada de um abajur iluminando-a.

— Mãe? — O som saiu cortante, sua garganta seca implorava água. Onde estava a droga dos profissionais desse hospital? Pensou Lillian.

— Ah, você finalmente acordou. — Sua pergunta foi respondida e a assustou. Olhou para a porta que se abria e fechava em um rangido. O homem com sorriso amarelo andou em sua direção e sem dizer mais nada, a ajudou a deitar corretamente, também subindo o encosto de sua cama.

— Obrigada... — Disse timidamente enquanto observava o carinho do enfermeiro ao retirar o livro de sua mãe das mãos e com cuidado o posicionar na cômoda, sem fechá-lo, e o mesmo fazer com os óculos da ruiva, que já apresentava alguns fios brancos em sua cabeça embora ainda fosse jovem.

— Você precisa de algo? Está se sentindo confortável? — Voltou-se para paciente enquanto estralava as costas e esfregava os olhos castanhos. Lillian se sentiu intimidada com sua beleza, seu rosto angular e cabelo loiro fizeram a jovem corar. E em sua cabeça julgou: eu conheço esse homem de algum lugar.

Poupou seus pensamentos confusos e apenas pediu água, e quando o jovem rapaz saíra do quarto, sentiu uma pontada em seu coração e em sua cabeça. E voltou a fechar os olhos.

♥♥♥

— Smiiith! — Chamou a ruiva, sentada em uma poltrona velha no canto da oficina enquanto estava com seu caderno de aprendiz no colo, com a caneta vermelha traçando palavras escuras de cima a baixo das folhas, com anotações intermináveis sobre aquele belo e nobre trabalho, a última folha espessa terminava de ser preenchida.

"Finalmente", a jovem pensou. Fechou a capa marrom e observou os belos traços em relevo, no meio um coração humano pulsava em cores vibrantes, sorriu em satisfação pelo trabalho terminado e levantou animada.

— Eu acho que você quis dizer "meu querido e adorável professor Heartsmith". — Decretou o mais velho, enquanto não parava de movimentar com cuidado as mãos enluvadas de couro em cima de seu último trabalho do dia, a garota lhe mostrou a língua revirando os olhos em certo tom de deboche. — Não adianta fazer isso pelas minhas costas, eu vi. — Seu tom de voz era sério, mas seu sorriso de afabilidade não deixara seu rosto.

— Ok, meu querido e adorável professor. Pode me dar mais um caderno daquele? Eu terminei todas as lições e relatórios! — Frisou a última frase com orgulho enquanto estufava seu peito e colocava seu corpo de 1.60 de altura nas pontas dos pés para espiar o que o seu mestre fazia com o coração quebrado do último cliente.

— Não tenho outro, esse era o único, meus parabéns. — Disse com timbre incentivador, porém seu rosto não visto pela aprendiz demonstrava tristeza. Ela havia terminado o trabalho, então ele deveria cumprir sua promessa.

Se virou rapidamente com o coração consertado entre as mãos, flutuante e vibrante. Seus olhos castanhos observavam a aura incolor de Lillian ao mesmo passo em que os cor de mel dela o encarava com confusão. Recompôs a postura e deu o melhor sorriso alegre que podia, sempre procurando nunca demonstrar sentimentos tristes.

— Lil...

— Ok, nem precisa dizer Smith. Ops, querido e amado professor Heartsmith. — Debochou sorrindo entortando o olhar. — Me passa o endereço, eu entrego pra ele ou ela ou sei lá quem for. — Decretou enquanto se arrumava no espelho empoeirado daquela oficina aconchegante que vivia a tantos meses. Os cabelos ruivos e ondulados haviam crescido muito rápido desde que chegara na Vila, e isso agradou muito a jovem.

Ajeitou as madeixas com duas fitas e seu vestido fofo presenteado pelo mestre era coberto com uma simples capa vermelha para se proteger contra a brisa gelada que a Vila de Copas presenteava todo fim de tarde.

— Estou vendo que terei que me aposentar, daqui uns dias você fará tudo sozinha... — Observou a garota alegremente ajeitar sua cesta de palha com um pano colorido e limpo como a própria alma. Sentou-se na mesa de madeira e espreguiçou o corpo cansado enquanto retirava as luvas e bagunçava o próprio cabelo negro.

— Vai mesmo, está velho e cansado. — Ironizou pegando o coração com os olhos brilhantes em mão e com delicadeza o inserindo dentro da cesta caprichada. Rasgou um pedaço de papel aleatório e o entregou uma caneta, ordenando com o olhar para o endereço ser escrito.

— Acho que você está sendo muito engraçadinha pra uma mera aprendiz, eu tenho apenas 24 anos, você tem 17 e eu exijo teu respeito. — Lançou um falso olhar zangado, rindo em uníssono logo em seguida enquanto se curvava para escrever no pequeno papel amassado, entregando para a garota.

Deu de ombros e seguiu em direção a fora da oficina, sendo atingida a cada passo pela brisa revigorante das folhas verdes que balançavam. O cheiro de terra molhada e o som dos pássaros voando a deixavam feliz, gostava de viver em um local mágico e trabalhar como aprendiz de um feiticeiro poderoso e bondoso.

Era seu sonho de leitora sonhadora, mas nunca deixara de sentir falta de casa.

♥♥♥

— Senhor Vitor Hertz?! — Deu três batidas na porta enquanto pronunciava o nome em alto e bom som, aguardou alguns segundos até ser rapidamente atendida por um rapaz bonito que a fez corar, e de cara reconheceu aquele rosto. — Ei! Você é o moço que me parou nas ruas aquele dia para consertar seu coração, não é?

— Olá vendedora de corações... — Assentiu com um breve sorriso triste, a garota na hora abriu a cesta, mostrando um belo coração remendado, e o olhando mais de perto percebeu algo interessante que a fez sorrir, mais tarde discutiria com seu mestre sobre.

— Aqui está seu coração, espero que se sinta satisfeito. — Os olhos do moreno brilharam na hora enquanto retirava seu coração da cesta, agradeceu contente pela entrega e deu um abraço inesperado na garota, que se sentiu desconfortável pelo contato aleatório.

— Muito obrigado! Diga a seu chefe que serei eternamente grato!

Lillian concordou, com as bochechas rosadas — não sabendo se pelo frio que chegava em sua pele alva, ou se pela timidez -. Voltou para a oficina, seu peito vazio por não ter um coração estava doendo, e ela gostaria muito de saber o motivo.

♥♥♥

— Lillian? Acorde, ordens médicas. — Ouviu duas risadinhas e abriu os olhos calmamente, enquanto a vista voltava ao normal, percebeu que ainda estava no quarto do hospital, mas pela luz forte e pelo relógio na parede, era manhã. O sonho que teve... não. Não era sonho, era lembrança.

— Finalmente querida, o Dr. Hertz me disse que acordou a noite, mas eu estava dormindo, por que não me chamou? — Reconheceu a voz doce de sua mãe e sorriu a observando, estava mais bonita e disposta do que a última vez que a vira, provavelmente tinha voltado para casa para se alimentar e trocar de roupa, sempre odiara a comida do hospital.

Olhou de relance para o homem parado ao lado de sua mãe e com confusão fixou o olhar no mesmo, que sorriu e deu um aceno simpático. Viu seu jaleco extremamente branco com o nome bordado, Dr. Hertz.

— Eu lembro de você, achei que era enfermeiro... — Não lembrava apenas como enfermeiro, mas também como o último cliente qual Heartsmith havia ajudado.

Havia muitas perguntas na cabeça da garota, suas lembranças estavam embaralhadas entre a Vila de Copas e entre o feiticeiro. Fazia muito tempo que estava lá e não voltava para sua casa, mas uma certeza ela teve: Heartsmith arrumou um jeito de tirá-la de lá e devolve-lá pra casa.

Foi quando piscou o olho e teve mais um flashback.

Notas finais
Ai está! Comentem suas opiniões e teorias, ficarei feliz de responder cada comentário. Obrigada por terem lido até aqui, e perdão se deixei passar algum erro ortográfico, bye! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.