A Magia Além das Palavras
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Meus olhos focam na rua e vejo um grupo de pessoas encapuzados e vestidas de preto passarem. Cérberos ?
O que é um Cérbero?
Marvin se levanta e olha para todos os lados.
-Eles já foram, pode se levantar- ele fala.
-Marvin, o que são Cérberos? -pergunto.
-Depois eu te explico -ele diz passando a mão pelo cabelo, os bagunçando- agora temos que ir embora, rápido.
Corremos, sim literalmente corremos, para minha casa. Entro e tranco a porta. Meu pai não estava em casa, devia estar com Kai. Marvin se senta no sofá e o encaro.
-O que são Cérberos ? -pergunto ainda o encarando.
-É uma longa história.
-Então, comece agora, me conte TUDO -digo e sento ao lado dele.
-A muito tempo, quando o Marechal Nicolau Marchala assumiu o poder, seu irmão de sangue Dimitri, se revoltou por não ter sido escolhido para governar Campelle. Ele fugiu e fundou um seita de terroristas, chamada Cérbero. E desde então, ele promovem ataques por todos os blocos.
-"As dez, a lua vai não vai mais brilhar, as dez tudo vai queimar. As dez tudo vai se destruir, as dez suas lembranças vão sumir" -começo a cantar, me lembrando do meu sonho.
-O que? -Marvin pergunta confuso.
-O incêndio -digo me lembrando daqueles homens- foram eles que incendiaram o vilarejo.
-Por que você está falando isso?
-Um dia antes do incêndio, eu estava voltando para casa e eu ouvi alguns homens vestidos de preto conversando. Eles falavam que iriam fazer alguma coisa as dez, o mesmo horário que começou o incêndio.
-Como eu não tinha percebido isso antes -Marvin diz passando freneticamente as mãos nos cabelos e andando de um lado para o outro- eu sou mesmo um idiota.
-Marvin, a culpa não é sua. Eles que estão errando e não você — digo segurando sua mão.
-Obrigado Liatris, por estar do meu lado.
O abraço forte, eu estava com medo, mas eu queria parecer forte. Escuto a porta se abrir e me solto de Marvin.
-Desculpa, eu não queria interromper o casal — Kai diz rindo -eu só vim pegar uma coisa que esqueci.
Kai estava diferente, ele usava uma calça preta e um moletom preto. Ele entra no quarto do meu pai, e entra outra pessoa em casa.
-Kai, você vai demorar? -ele grita- a Amili está esperando a gente.
Espera, eu conheço essa voz de algum lugar, Mikel. Mas de onde ele conhece Kai ? Ele chegou hoje no vilarejo.
-Mike eu na achei -meu irmão fala- Lia esse aqui é o Mikel, um amigo meu.
—Sou Liatris -digo o cumprimentando.
Ele parece me reconhecer e sorri para mim.
—Como já sabe, Mikel.
Eles saem e Marvin me encara.
—Ele não é o cara que estava com você mais cedo? -ele pergunta.
—Sim, é ele.
—Liatris é bom, seu irmão rever as companhias dele, eu ainda não gosto nem um pouco desse cara.
-Ta, mas enfim -digo- vamos voltar a falar sobre os Cérberos.
-Eu não quero falar mais sobre isso- ele diz se sentado no sofá.
-Marvin, tem alguma coisa que você não está me contando -eu me sentado ao seu lado- pode me contar, confia em mim.
-Foram os Cérberos -ele diz com a voz rouca- que mataram a minha mãe.
-Como assim? A dama Diana não tinha morrido salvando sua irmã?
—Não, minha mãe era muito adorada, então para não chocar as pessoas, eles inventaram isso -ele diz já chorando- eles a torturaram Liatris, a machucaram, e ainda a mataram.
Eu não sabia o que falar, eu não tinha o que falar. A Dama Diana era uma mulher maravilhosa, toda Campelle a amava.
—Marvin, é melhor você dormir aqui hoje -digo segurando sua mão- já está tarde, e lá fora está cheio de Cérberos.
Marvin não diz nada, apenas deita no sofá e fecha os olhos. Começo a mexer nos seus cabelos, e depois de um tempo acabo dormindo também.
***
Acordei, mas não abri os olhos. Essa noite eu não tive nenhum sonho ou pesadelo. Fico me lembrando de ontem a noite, eu não queria acreditar que a Dama Diana morreu daquele jeito.
Me lembre de quando eu era bem pequena, a Dama Diana ficava sentada em um sofá branco, que ficava na biblioteca, o dia inteiro lendo. Ela era linda, tinha os mesmos cabelos claros que Marvin e um sorriso encantador.
Decido abrir os olhos e vejo que acabei dormindo no sofá. Marvin já havia se levantado e estava na cozinha. Me levanto e vou até la. Sinto um cheiro maravilhoso de comida, Marvin estava cozinhando?
-Finalmente acordou dorminhoca -ele diz sorrindo para mim- fiz seu café da manhã.
-Eu não sabia que você cozinha -digo bocejando.
-Só um pouquinho -ele diz piscando para mim e se senta ao meu lado.
Ele havia feito um suco de maçã e um bolo de chocolate, nossa como eu amava bolo de chocolate.
—Como você sabia que bolo de chocolate era meu bolo preferido? -pergunto.
—Porque geralmente crianças gostam de bolo de chocolate.
—Ei, eu não sou criança, pra você saber eu tenho dezoito anos, viu? -digo.
—Serio? Eu pensava que você tivesse uns quatorze.
—Para -digo e enfio um pedaço de bolo na boca.
Termino de comer e lavo me prato. Me viro e vejo que Marvin está me encarando.
—Que foi? -pergunto- nunca me viu não?
Ele anda em minha direção e leva sua mão até o canto da minha boca, limpando o local.
—Eu disse que você parecia uma criança -ele diz sorrindo- até sujou a boca toda de bolo.
Meu coração acelera, por que eu estava assim? Me lembro da primeira vez que eu vi Marvin pessoalmente, eu tinha cinco anos e ele tinha oito; ele estava correndo pelos corredores atrás da irmã. Aquela foi a primeira vez que eu conheci o palácio.
-No que você está pensando? -ele me pergunta.
-Na primeira vez que eu te vi.
-Eu me lembro -ele diz sorrindo- eu vi você chegando no palácio com seu pai. Você parecia uma criança, enfrente a uma vitrine de brinquedos. Eu queria conversar com você, mas eu era muito tímido, eu acho.
-Filha cheguei -escuto a voz de meu pai se aproximando.
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