Chego em casa e Elora está sentada na mesa da cozinha fazendo lição de cálculo.
—Onde você estava Rose ?- ela pergunta me encarando confusa.
—Derek queria me mostrar uma coisa na floresta — digo para ela.
Olho para ele, meu olhar pedia ajuda. Ele parece entender e fala.
—Sim, eu queria mostrar para Rose o -ele faz uma pausa e tenta pensar em algo- o seu canteiro de morangos.
—A sim -ela diz desconfiada- mas você foi descalça ?
—Eu não sabia onde estavam meus sapatos -digo encarando meus pés descalços e sujos de terra.
—Então vamos parar com o interrogatório? -Derek diz tentando mudar de assunto- hoje é domingo, o que acham de mais tarde irmos no lago?
—Vamos -Elora grita.
—Vamos Rose?
—Sim, ela vai sim -Elora diz rapidamente- não vai?
—Tudo bem, eu vou -digo levantando as mãos para cima em sinal de rendição.
Elora corre em minha direção e me abraça.
—Desde que a mamãe se foi, você foi a melhor coisa que nós aconteceu.

***

—Elo, não faz isso comigo — disse Ian choramingando, após Elora jogar água nele.
—Pare de ser bobo, a água está tão gostosa -ela diz e mergulha no lago.
Eu e Derik estávamos sentados na grama, enquanto as crianças brincavam na água. Olho para o lado e vejo uma menina ruiva se aproximando de nós.
—Parece que não foi só eu que resolvi aproveitar o lago hoje -ela diz olhando para Derik- como vai Derik?
—Estou bem Penny.
—E quem é você? -ela pergunta olhando para mim.
—Sou Rose -respondo.
—Sou Penny -ela diz isso e estende a mão para me cumprimentar- você se mudou para cá faz muito tempo?
—Cheguei aqui faz alguns dias.
Elora olha para Penny e a chama para nadar. Ela não pensa nem três segundo e já pula na água.
—Quem é ela mesmo? -pergunto para Derik.
—Ela é uma prima minha -ele responde com um sorriso tímido.
Volto a olhar para o lago, Elora, Penny e Ian, estão jogando bola. Me levanto, com o objetivo de dar uma volta, mas alguém segura meu braço.
—Onde você vai? -pergunta Derik me encarando.
—Só vou andar um pouco -respondo.
—Eu vou com você -ele diz se levantando.
—E por que?
—Porque você pode se perder.
—Eu não preciso de babá — respondo rapidamente.
—Você pode pensar que eu sou, seu segurança -ele responde sorrindo.
—Tudo bem.
Começamos a andar e a brisa quente daquele lugar me abraça.
—Derik, qual é o nome daqui?
—Anali.
—Aqui é tão bonito e quente, parece que o inverno nunca vai chegar.
A cidade estava cheia de vida, crianças brincando, casais namorando, famílias passeando, tinha de tudo.
—Venha aqui -ele diz me puxando pela mão e correndo- eu vou te mostrar uma coisa incrível.
Entramos em uma ruazinha e seguimos até seu final. Lá tinha uma linha vermelha, separando a cidade de um pequeno bosque.
—O que é isso? -digo olhando a linha.
—Põe seu pé direito ali -diz ele apontado para o lado do bosque- e agora o outro aqui.
Coloco meus pés um de cada lado da linha que divide a cidade do bosque.
—Você viu que incrível ?-ele diz entusiasmado.
—Pra falar a verdade, não entendi nada- digo sinceramente.
—Você não percebeu -ele fala como se a resposta fosse óbvia- você está em Anali e em Setra ao mesmo tempo.
—É como se eu estivesse em dois lugares ao mesmo tempo? -pergunto olhando para os meus pés.
—Sim, isso não é legal?
Olho para ele, Derik estava com um grande sorriso estampado do rosto, como sempre. Ele estava se esforçando ao máximos para me ver feliz.
—Sim, isso é incrível -digo animada.
Puxo ele pelo braço e ele fica confuso.
—Agora você também, está em dois lugares ao mesmo tempo -digo sorrindo.
Ele me encara com um sorriso bobo nos lábios. Eu nunca havia visto Derik triste, pois estava sempre sorrindo.
—Então, temos que voltar -digo- não acha?
—A sim, Elora pode estar preocupada.
Começamos a andar em direção ao lago, quando eu caio no chão.
—Aí -digo olhando meu joelho sangrar.
—Você está bem? -Derik pergunta se abaixando para me ajudar.
—Sim, foi só um arranhão.
—Tem certeza ?-ele pergunta.
—Sim, eu tenho.
Me levanto e voltamos a andar até o lago. O sol estava se pondo, o centro da cidade estava amontoado de pessoas indo para suas casas, ou até mesmo passeando.
Chegamos ao lago e não havia ninguém lá, eles já deveriam ter voltado para casa.
—Será que Penny levou as crianças para casa? -pergunto.
—Provavelmente.
Olho para o lago e vejo a bola com que as crianças estavam brincando mais cedo. Vou em direção a ela com o intuito de pega-la.
—Ei onde você vai? -Derik pergunta.
Não respondo e continuo andando em sua direção. A água do lago toca minhas pernas, estava fria. A barra do meu vestido molha ao eu me esticar para pega-la.
Sinto uma mão me puxar pelo braço olho para trás e vejo Derik, ele parecia estar preocupado.
—Onde você está indo? -ele me pergunta serio.
—Eu só ia pegar a bola das crianças.
—Por que não me respondeu?
—Bem -digo com os olhos focados em minhas mãos- achei que você não fosse se importar.
—Achou errado, por que sim, eu me importo -ele diz com um sorriso sincero.
—Por que? Você me conhece a tão pouco tempo.
—Eu aprendi desde muito cedo a cuidar das pessoas que amo.
Meus olhos encontram os dele, por fração de segundos me perdi no azul de seus olhos. Fazia pouco tempo que eu conhecia Derik, mas ele já era uma pessoa muito especial para mim.
—Deixa só eu pegar a bola das crianças e vamos -digo me virando em direção a bola.
—Tudo bem -diz ele me soltando.
Pego a bola e volto para a margem do rio. Derik e eu andamos em direção a sua casa.
O ar noturno de Anali me envolve, ele me fez sentir o quanto gosto de estar aqui. Derik, Elora, Ian, não eram mais desconhecidos por mim; agora eles eram minha família.

Notas finais
Espero q estejam gostando...