Kagome


A noite caía quando alcancei a vila.


O vento carregava o cheiro de terra molhada e lenha queimada, misturado ao aroma forte de peixe seco vindo dos mercados fechados. As ruas de terra estavam úmidas, a lama acumulada nas laterais das vielas mostrava que havia chovido há pouco tempo. Casas simples de madeira se alinhavam ao longo do caminho principal, suas lanternas a óleo projetando sombras vacilantes nas paredes rachadas. Um lugar pequeno, isolado, onde todos sabiam o que acontecia ao redor, mas fingiam não saber.


Não era o tipo de vila que se destacava, e talvez por isso tenha sido escolhida. Norai sempre se movimentou pelas frestas do mundo, infiltrando-se onde poucos ousam olhar.


Olhando ao redor, percebi que ninguém me olhava diretamente. Apenas passos apressados, murmúrios trocados em voz baixa e portas se fechando pouco antes que eu passasse. Esse não era apenas um reflexo do receio comum com estranhos—essas pessoas estavam assustadas.


Eu sabia reconhecer medo quando via um.


A presença de Norai deixou marcas nesse lugar.


Segui adiante, com passos firmes, mas sem chamar atenção. Minha naginata estava bem presa às costas, sua presença oferecendo uma ameaça silenciosa, suficiente para manter curiosos afastados. Eu não pretendia fazer perguntas na praça principal ou interromper aqueles que fingiam não ver a sujeira ao seu redor. As melhores respostas não vinham de quem tinha medo, mas de quem se aproveitava dele.


Mas antes que eu pudesse começar a busca, vi uma silhueta à frente, movendo-se pelas ruas como uma sombra ambulante.


Mesmo antes de ele sair da penumbra das vielas, eu já sabia quem era.


O homem mascarado.


O caçador da ponte.


A luz das lanternas desenhava seu contorno conforme ele se movia, o tecido negro de suas vestes absorvendo a pouca claridade ao redor. Ele vestia um keikogi justo, a gola levemente solta, ocultando parte do pescoço. Sobre os ombros, um haori escuro e sem mangas flutuava com seus passos silenciosos, sutil na forma como acompanhava seus movimentos. A bainha de sua tsurugi repousava firmemente em seu quadril, e o cabo da espada estava posicionado de forma precisa—não havia enfeites, apenas utilidade.


Mas a primeira coisa que qualquer um notaria nele era a máscara.


Ela não era meramente decorativa ou um amuleto para ocultar o rosto. Parecia algo vivo, uma entidade que não deveria estar ali, pressionada contra sua pele como se tivesse se fundido a ele. Os traços do oni entalhado na madeira estavam gastos pelo tempo, mas a expressão distorcida ainda ostentava um sorriso cruel, zombeteiro, como se estivesse rindo de tudo ao seu redor. Os chifres eram afiados e se projetavam ligeiramente para trás, e mesmo no escuro, pareciam refletir um brilho sinistro.


Os olhos eram o pior.


Não os dele, mas os vazios negros onde seus olhos deveriam estar. A sombra projetada pela máscara ocultava qualquer vestígio de humanidade ali dentro. E, por um instante, a sensação de que ele realmente não tinha mais olhos passou pela minha mente.


Ele era alto, mas não imponente. Seu corpo era magro, mas não frágil. Cada passo que dava era medido, calculado—não havia desperdício de movimento. Até seu silêncio era diferente. Não era apenas ausência de som, mas ausência de qualquer coisa que fizesse dele um homem normal.


E então, o cheiro veio.


Forte, frio, penetrante. O cheiro da morte.


Não de sangue. Não de corpos. Mas da própria morte.


Um arrepio subiu pela minha espinha, mas eu não parei de caminhar.


Eu deveria simplesmente ignorá-lo, seguir meu próprio caminho e continuar minha busca por informações sobre Norai. Mas conforme ele se movia pelas vielas, algo dentro de mim me dizia que onde quer que ele estivesse indo, as respostas também estariam.


E, contra o meu melhor julgamento, eu comecei a segui-lo.


Mesmo sabendo que talvez estivesse cometendo um erro.


A vila era pequena, mas seus segredos eram profundos. Caminhei pelas vielas, ouvindo os sussurros entre portas entreabertas e olhares furtivos por trás das cortinas de tecido fino. Ninguém falava abertamente, mas o medo era quase palpável no ar.


Mantive meus passos lentos e meu olhar atento. Aprendi há muito tempo que, em lugares como esse, as respostas não vinham dos que falavam alto, mas dos que tentavam não falar nada.


Parei diante de um pequeno comércio, uma casa de madeira velha, com um toldo de tecido desbotado cobrindo a entrada. O cheiro de missô e arroz quente se misturava ao ar úmido da noite, e uma mulher idosa mexia uma panela sobre o fogo brando.


— Quer alguma coisa, forasteira? — a voz dela era baixa, mas sem a cordialidade esperada de alguém que recebe um cliente.


— Apenas informações.


Ela torceu a boca, sem levantar os olhos do caldo que preparava.


— Viajantes perguntam demais.


— Porque as respostas sempre estão nos lugares errados — rebati.


O silêncio dela foi resposta suficiente.


Apontei levemente com o queixo para os aldeões que se recolhiam rápido demais ao perceber minha presença.


— Eles têm medo de algo.


Ela continuou mexendo a panela, mas seu ritmo desacelerou.


— Todos têm medo de algo.


— Mas o que assombra essa vila não é um yōkai, é?


A colher de madeira bateu levemente contra a borda do caldeirão. O cheiro de missô parecia mais espesso no ar.


— O que faz você pensar isso?


Cruzei os braços.


— Porque eu caço essas coisas, e sei reconhecer quando as pessoas temem um espírito. Mas esse tipo de medo… — meus olhos percorreram a vila ao redor, os passos apressados, as portas se fechando antes que eu pudesse chegar perto — …é medo de algo humano.


A velha finalmente ergueu os olhos.


— Se você caça o que não pertence a este mundo, devia ir atrás dele.


— "Ele"?


Ela suspirou, como se houvesse falado demais. Seus dedos enrugados apertaram a colher de madeira com mais força.


— O homem mascarado.


O ar pareceu pesar ao redor.


Meu olhar seguiu instintivamente para a rua onde ele havia desaparecido. A descrição era inconfundível.


— Quem é ele?


— Ninguém sabe. — A velha desviou os olhos, voltando a mexer a panela. — Mas aqueles que ousam falar dele o chamam de "Hannya".


Hannya.


O nome me soou como algo cuspido de uma lenda antiga, um aviso maldito que se espalhava de boca em boca, sempre sussurrado, nunca dito abertamente.


— Por quê?


— Porque ele não é um homem comum. — Seu tom era baixo, tenso. — Ele mata espíritos. Mas ninguém sabe dizer se ele é humano ou um deles.


Permaneci em silêncio.


O medo nos olhos da velha não era apenas pelo que assombrava a vila. Era pelo homem mascarado que caminhava entre eles.


Os aldeões falavam dele como se fosse um fantasma, um presságio de má sorte. O homem mascarado que caçava espíritos, mas que não era visto como um heroi. A vila o temia, talvez até mais do que a seita Norai.


Eu não confiava em coincidências.


Ajustei a posição da naginata nas costas e segui pela viela estreita onde o tinha visto pela última vez. Se houvesse uma conexão entre ele e Norai, eu descobriria.



O encontrei perto da saída da vila.


Ele estava parado diante de um muro de madeira baixa, as costas viradas para mim, observando algo à frente. Mesmo sem vê-lo de frente, eu sabia que estava me esperando.


Hannya não se virou imediatamente quando parei alguns passos atrás dele. O silêncio se estendeu entre nós, o vento trazendo consigo o farfalhar das folhas secas no chão.


— O que quer? — sua voz veio baixa, carregada de indiferença.


— Descobri algo interessante — cruzei os braços. — Parece que você é mais famoso do que imagina.


Ele permaneceu imóvel.


— "Hannya". É assim que te chamam por aqui.


Dessa vez, ele se virou ligeiramente, não o suficiente para encarar meu rosto diretamente, mas apenas o bastante para me notar.


— E isso importa?


— Importa quando um caçador de espíritos tem a confiança de ninguém e o medo de todos — dei um passo à frente, meus olhos analisando sua postura, mas ele não se mexeu. — Por que eles têm tanto medo de você?


Hannya não respondeu de imediato. A brisa fria da noite soprou entre nós, e a máscara continuava imutável, como se zombasse da minha pergunta.


— As pessoas temem o que não entendem — ele disse por fim.


— Ou temem o que conhecem bem demais — retruquei. — Você já pensou que talvez o medo deles tenha fundamento?


A lâmina de sua tsurugi brilhou sob a luz pálida da lua quando ele moveu a mão sobre a bainha. Não foi uma ameaça, mas um lembrete.


— Se veio aqui me acusar de algo, está perdendo tempo.


Me mantive firme.


— Você já lidou com Norai antes?


— O suficiente para saber que eles precisam ser erradicados.


— Ou para saber como eles operam?


Ele ficou em silêncio.


A tensão se acumulou entre nós. A verdade é que eu ainda não sabia o suficiente sobre ele. Mas algo nele me incomodava—não apenas a máscara, não apenas o jeito como os aldeões falavam dele, mas a própria sensação que sua presença deixava no ar.


— Você se aproxima demais das coisas que caça — eu disse, mantendo meu tom firme. — Algumas vezes, isso as torna parte de você.


Hannya não reagiu imediatamente. Mas alguma coisa em seu silêncio me fez sentir que minhas palavras o atingiram mais do que deveria.


Ele se virou completamente para mim então, os olhos invisíveis sob a máscara fixos em mim como se procurassem algo. Eu não recuei.


— Você acha que sou um deles? — sua voz soou neutra, mas havia algo sob a superfície, algo frio.


— Eu acho que você não me deu um motivo para acreditar no contrário.


Outro momento de silêncio. A máscara parecia mais pesada sobre ele agora.


Então, ele soltou um suspiro curto e virou-se novamente para a estrada.


— Isso não importa. O que importa é o que Norai está fazendo.


— Então prove.


Dessa vez, ele parou. Não olhou para trás, mas ouvi um leve ranger de seus dedos se apertando contra a bainha da espada.


— Como?


Apertei a naginata nas costas e me adiantei ao lado dele.


— Me mostrando onde eles estão.


Hannya permaneceu imóvel, os olhos invisíveis sob a máscara fixos na estrada à frente. Eu podia sentir a tensão se acumulando no ar, como uma lâmina prestes a ser desembainhada. Então, ele soltou um suspiro curto, um riso baixo e seco escapando de sua garganta.


— Você sempre confunde caçadores com monstros?


O tom era frio, mas carregava algo mais profundo. Não era apenas uma provocação, era um desafio.


Cruzei os braços, mantendo meu olhar firme nele.


— Apenas quando os caçadores fedem a morte.


Hannya inclinou levemente a cabeça para o lado.


— Você sempre julga pelo cheiro?


— Quando o cheiro me dá náuseas, sim.


Dessa vez, ele ficou em silêncio por alguns instantes. O vento frio soprou entre nós, levantando poeira e folhas secas da estrada, e então, a atmosfera ao redor mudou. O ar ficou pesado. Quase sufocante. Não foi algo visível, mas senti—como se uma sombra invisível se estendesse dele, como tentáculos se arrastando pelo chão em minha direção. Um frio gelado percorreu minha espinha, os pelos dos meus braços se arrepiaram, e um instinto primitivo dentro de mim gritou perigo.


Eu já estive perto de yōkai antes. Já senti a energia deles ondulando no ar como uma corrente invisível, gélida e perversa. Mas isso… isso não era normal. A aura ao redor dele parecia errada, como um vazio negro que consumia tudo à sua volta. Era como se o próprio mundo rejeitasse sua existência.


— E o que você pretende fazer? — Sua voz soou diferente agora, mais baixa, mais densa, como se viesse de um lugar onde a luz não tocava. — Me caçar?


O peso invisível aumentou. A escuridão ao redor pareceu se condensar. Minha mão deslizou lentamente para o cabo da naginata, não por vontade, mas por puro instinto. Cada célula do meu corpo me dizia que eu precisava sair dali, que eu precisava correr. Mas eu não recuei. Engoli em seco, mantendo minha postura firme, mesmo quando minhas entranhas gritavam que eu já estava morta se ele quisesse.


Esse era o teste.


Um momento se arrastou entre nós, o silêncio se tornando insuportável. Então, tão rápido quanto veio, o peso sumiu. O ar voltou ao normal. O mundo voltou ao normal.


Hannya relaxou os ombros, como se nunca tivesse feito nada. Mas eu sabia que ele tinha.


— Ainda não decidi — murmurei, a voz mais firme do que eu esperava.


Dessa vez, ele riu. Um som curto, seco, sem humor.


— Então, espero que tenha uma lâmina afiada quando fizer sua escolha.


Apertei os punhos, tentando ignorar o suor frio na minha nuca.


— A minha é. Mas isso vale para você também.


Ele nada respondeu. Apenas virou-se para a estrada novamente, como se o que acabara de acontecer não tivesse importância. Mas para mim, tinha. Se Hannya fosse meu inimigo, eu nunca veria a lâmina chegando. E isso era mais assustador do que qualquer yōkai que já enfrentei.


O silêncio entre nós foi interrompido por um grito.


A princípio, pensei que fosse apenas mais um aldeão supersticioso assustado com a própria sombra. Mas então, o grito se multiplicou, vindo de direções diferentes. Portas bateram, passos apressados ecoaram pelas ruas de terra, e um som mais profundo e gutural se ergueu no meio do pânico—não era humano.


Hannya virou o rosto ligeiramente para a vila, e eu fiz o mesmo. A névoa surgiu do nada, rastejando pelas ruas como uma criatura viva, densa e pegajosa. Lanternas tremulavam, algumas se apagando completamente, e o cheiro que veio com o vento me fez franzir o cenho. Podridão. Carne velha misturada com a umidade do solo.


— Yōkai — murmurei, sentindo minha mão firmar no cabo da naginata.


— Não. Isso é diferente. — Hannya não sacou a espada, mas a mão já estava sobre a bainha. Sua postura se inclinou levemente para frente, atento a algo que eu ainda não via. — Eles não estão aqui por acaso.


Eu já tinha visto espíritos errantes antes, criaturas que se prendiam ao mundo dos vivos por desespero ou ódio, mas isso era metódico. Organizado. Como se tivesse sido invocado para estar ali.


As primeiras sombras surgiram entre as casas. Figuras distorcidas, os membros alongados e erráticos, os olhos vazios brilhando no escuro. Um dos aldeões correu para se refugiar dentro de casa, mas uma das criaturas se moveu rápido demais, atravessando o espaço entre eles com um estalo seco e alcançando sua perna.


Antes que pudesse puxá-lo para o chão, me movi. Girei a naginata sobre a mão e avancei em um único movimento fluido, cortando através do braço da criatura. O impacto não foi como carne cortada, mas como deslizar a lâmina por um líquido espesso e pegajoso. A coisa gritou—não um som humano, nem animal. Era um eco vazio, carregado de ódio, um som que reverberava nos ossos.


A criatura recuou, a sombra de seu corpo se desfragmentando e se fundindo ao chão como névoa pesada. O aldeão caiu para trás, rastejando até a entrada de casa, e eu mantive a lâmina erguida, olhos atentos. Se essa era a resposta de Norai, eles ficaram impacientes.


Então, senti.


O ar se partiu com um som seco, e um segundo espírito surgiu da lateral, mais rápido do que deveria ser. Virei o corpo para me defender, mas não a tempo de evitar o impacto. A coisa deslizou como um borrão e senti a pressão gélida contra minha pele, uma energia sufocante tentando me atravessar.


Antes que eu pudesse reagir, uma lâmina prateada cortou o espaço entre nós.


O espírito tremeu, sua forma se despedaçando, e só então percebi que Hannya estava ao meu lado, sua tsurugi agora desembainhada e brilhando com o reflexo das chamas das lanternas.


— Você se distrai facilmente — ele murmurou, girando a lâmina para retirar os resíduos espirituais antes que pudessem grudar no metal.


Eu respirei fundo, reajustando a pegada na minha arma.


A vila se transformou em um campo de sombras.


A névoa densa continuava rastejando pelo chão, subindo pelas paredes das casas e consumindo tudo que encontrava pelo caminho. Os aldeões corriam para dentro de suas casas, trancando portas e janelas, mas todos sabíamos que aquilo não seria suficiente. Essas criaturas não precisavam de entradas—elas atravessavam as frestas do mundo como se fossem parte dele.


Eu me movi rápido, ajustando a postura e mantendo minha naginata baixa, os olhos analisando os espectros que se formavam ao nosso redor. Cada um deles tremulava, os corpos distorcidos, os membros irregulares e esqueléticos, mas os olhos brilhavam com um ódio inumano. Eles não estavam ali apenas para assustar—estavam ali para matar.


E então, eles avançaram.


Girei a lâmina em um movimento fluido e perfurei o primeiro espírito que se lançou contra mim. O impacto foi estranho, como cortar algo que não deveria existir, e um grito cortou o ar antes da criatura se dissolver em névoa. Me virei a tempo de bloquear um segundo ataque, movendo-me com precisão para deslizar a lâmina pelo torso de mais um espectro.


Por um instante, tudo se resumia a golpes e esquivas. O calor da batalha consumia meus sentidos, cada movimento guiado pelo instinto e pela experiência. Mas então, algo me fez parar.


Hannya.


Ele não lutava como eu.


Meus movimentos eram estratégicos, calculados. Eu me movia para proteger minhas aberturas, para manter minha postura, para garantir que eu não fosse atingida.


Mas Hannya? Ele avançava sem hesitação, sem cautela, como se a própria morte não fosse capaz de tocá-lo.


Eu o vi atravessar o campo de batalha como uma sombra viva, sua tsurugi deslizando entre os espectros sem perder tempo com defesas. Ele não desviava—ele apenas seguia em frente.


A lâmina cortava as criaturas como se rasgasse o próprio ar, os golpes certeiros, secos, sem nada além do necessário. Mas o que realmente me incomodou foi a forma como ele ignorava os ataques.


Nenhum medo. Nenhuma hesitação. Nenhuma preocupação com o próprio corpo.


Um espírito avançou contra ele, as mãos espectrais se estendendo para agarrá-lo, e eu vi claramente que, naquele momento, ele poderia ter recuado. Mas ele não fez isso. Em vez de evitar o golpe, ele seguiu adiante.


A coisa atravessou sua pele como se fosse uma faca afundando na água, e por um segundo, eu tive certeza de que o ataque o tinha atingido em cheio. Mas então, Hannya simplesmente girou a lâmina em um arco violento e cortou a criatura ao meio.


O espectro se dissolveu.


E Hannya não recuou.


Meus olhos fixaram-se nele por um instante mais longo do que deveriam. Ele realmente não se importava?


Ou talvez... ele soubesse que esses ataques já não podiam feri-lo?


A ideia me incomodou mais do que deveria.


Eu cerrei os dentes e recuperei minha postura, forçando meu foco de volta para a luta. Isso não importava agora.


Mas mesmo enquanto eu derrubava mais um espírito, o pensamento permaneceu preso em minha mente.


Se Hannya já não se importava em viver, então que, ou o quê, ele estava tentando matar?