A Máfia
9 Capitulo 9 - Corações em Silêncio
Notas iniciais
Jacob entrou pela porta e foi imediatamente surpreendido por Leah, que se lançou sobre ele em um abraço desesperado. O excesso de emoção era compreensível — ela nunca estivera acostumada com aquele mundo violento, mas agora fazia parte dele. O moreno a afastou com cuidado, fitando seu rosto com atenção. Leah continuava exatamente como ele se lembrava. Um leve sorriso surgiu em seus lábios.
— Você está bem? — perguntou.
— Agora estou — respondeu ela, suspirando fundo.
Jacob assentiu e voltou o olhar para os outros ao redor.
— Jacob, o que faremos com as mulheres que libertamos da casa do Volturi? — perguntou Nathan, encostado na parede ao lado de Amber, que recebia cuidados de um enfermeiro enviado por Carlisle.
— Deixem que sigam seus caminhos — ordenou.
Nathan assentiu e saiu da sala.
— Você não serviu pra nada! — Alec entrou gritando, avançando furioso em direção a Jacob.
Claire puxou Leah para trás, enquanto Paul tentou conter o rapaz.
— Não. Deixa o garoto — disse Jacob, entediado, fazendo um gesto para que Paul o soltasse.
Alec tentou acertar um soco, mas Jacob desviou facilmente e aplicou uma rasteira, fazendo-o cair com força no chão.
— Você só fala quando alguém te der permissão, moleque — cuspiu, com desprezo.
Em seguida, voltou-se para Claire.
— Onde ela está? — perguntou, agora em tom calmo.
— Aos cuidados de Carlisle. Ele está furioso — respondeu Claire.
— E com razão… — murmurou Jacob, abaixando a cabeça. — Eu falhei. Não consegui protegê-la.
Quil pousou a mão em seu ombro.
— Você fez tudo o que podia. Não tinha como prever.
— Ela me salvou… — Jacob disse, um sorriso triste surgindo no canto dos lábios. — Claire, leve Leah para o quarto. Ajude-a no que precisar.
Claire assentiu e saiu com Leah, que ainda observava Jacob em silêncio.
— Jacob. — A voz firme de Carlisle ecoou pela sala.
O moreno se virou imediatamente.
— Como ela está? — perguntou, aflito. — Carlisle… por favor, não me torture. Responda.
O silêncio era sufocante.
— Ela está estável — respondeu o médico por fim. — A bala passou perigosamente perto do coração, mas ela vai sobreviver. Ainda assim, precisará de cuidados intensivos.
Um suspiro coletivo de alívio percorreu o ambiente. Jacob fechou os olhos por um instante.
— Posso vê-la? — pediu.
Carlisle o analisou longamente antes de assentir.
— Venha comigo.
A sala improvisada parecia um pequeno hospital. Renesmee estava deitada na maca, coberta por um lençol branco até os ombros, ligada a diversos aparelhos. Sua pele estava pálida, a respiração fraca, mas os lábios continuavam rubros — delicados, como os de uma boneca.
Jacob aproximou-se lentamente e tocou seu rosto com a ponta dos dedos.
— Nessie… — sussurrou.
Nenhuma resposta.
— Eu te amo — disse, a voz embargada.
Acariciou seus cabelos e beijou seus lábios com delicadeza, afastando-se ao sentir alguém tocar seu ombro. Leah estava ali, sorrindo com ternura.
— Ela vai ficar bem, Jake. Dá pra ver que é forte.
Jacob assentiu e saiu apressado. Precisava de ar.
— Não precisa fugir de mim — disse Leah, alcançando-o nos jardins. — Não estou te cobrando nada.
— Você não entende… — respondeu ele, encostando-se a uma árvore. — Você não faz mais parte do meu mundo.
— Eu sei — ela suspirou. — Quando nos casamos, você ainda não era quem é hoje.
— Me desculpa… eu falhei com você também.
— Está tudo bem. — Leah sorriu. — Você a ama. De mim, sente apenas saudade.
Ela beijou sua testa.
— Vou voltar para Forks com Seth. Ficar com minha mãe.
Jacob assentiu em silêncio.
Mais tarde, enquanto todos dormiam, Jacob permanecia em seu escritório, absorto em papéis e ligações.
Não muito longe dali, Alec entrou silenciosamente no quarto onde Renesmee dormia sob efeito dos medicamentos. Sentou-se à beira da cama e acariciou seu rosto com cuidado.
— Você é incrivelmente corajosa… — murmurou. — Se jogar na frente de uma bala por causa daquele cara… será que ele vale mesmo a pena?
Inclinou-se, aproximando os lábios de seu ouvido.
— Posso te contar um segredo?
Sussurrou:
— Eu te amo.
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