A Máfia

25 O Canalha da vez


Notas iniciais
Olá meus amores, como vocês estão? Aproveitando o feriado do carnaval? Usem camisinha hein sjaksjaksjaksjaksjakjskajsk Brincadeira, pessoal. Eu sei que demorei, e bastante. Mas é que o incentivo não anda lá essas coisas, aí a criatividade e a vontade de escrever passa longe... Mas eu consegui vencer a preguiça e o bloqueio criativo e aqui está mais um capítulo deliciosamente escrito só para vocês :D Vejo vocês lá embaixo haha

Arrumava a mesa do café na casa dos pais do Vitor, enquanto a mãe dele prepara o café. Sarah preparava um achocolatado para Julie que ainda dormia no quarto. Quando ouvimos o primeiro choro de bebê, Margaret sorri abertamente.

_Vou ir ajudá-la na amamentação. – sussurra.

_Vai lá, mãe. Vou terminar aqui e depois acordar Julie para o café.

Margaret saiu apressada para o quarto onde Alicia e os gêmeos estão. Ainda estava muito cedo. O parto ocorreu na madrugada e depois ficamos até um pouco antes do sol nascer paparicando os bebês, apenas Vitor, John e Lorenzo foram tentar tirar um cochilo, afinal, eles tem alguns assuntos da Máfia para resolver.

_Alicia e Miguel serão outras pessoas a partir de agora. – comenta Sarah. – Filho muda a nossa vida.

Sorrio concordando.

_Como foi quando você teve a Julie? – pergunto curiosa.

Sarah suspira levemente e olha para cima sorrindo, como se estivesse lembrando-se de algo bom.

_Foi maravilhoso, sabe? Quando eu fiquei grávida eu não via a hora de ter meu bebê nos braços, tinha dias que John tinha que me trancar no quarto porque eu não parava de comprar enxovais. – relembra rindo. – Mas quando finalmente chegou a hora, eu fiquei desesperada. Com medo de que algo ruim acontecesse, de que algo saísse errado. Foi um misto de emoções muito grande, porém John esteve ao meu lado o tempo todo e foi isso que me deu forças para aguentar tudo aquilo e quando eu ouvi o choro, Valentina... Foi incrível. Depois eu a peguei no colo e pude perceber que eu passaria por toda aquela dor novamente, e você também percebe que você a ama antes mesmo de conhecê-la, porque ela faz parte de você, ela é sua. Quando você for mãe, você vai entender. – termina ela emocionada.

Retribuo o seu sorriso refletindo suas palavras. Tanto ela quanto Alicia disseram que toda a dor do parto valeu a pena. Talvez não seja tão ruim assim como penso.

_Bom, eu vou ir lá paparicar mais um pouco os meus sobrinhos, vamos? – chama ela.

_Claro.

Termino de colocar as xícaras em cima da mesa e a sigo até o quarto, porém na metade do caminho meu celular começa a tocar e eu retorno a cozinha.

_Mark? O que foi?

_Consegui. – diz ele.

_Conseguiu o quê?

_Criar o aplicativo rastreador. Aquele que você disse que usaria com o pessoal daqui.

_Oh, sim. Eu me esqueci disso.

_Certo, só liguei para avisar que eu já hackiei os celulares de todos e já estou criando um programa para segui-los e montar a trajetória deles, do jeito que você pediu.

_Ótimo, Mark, mas podemos falar sobre isso mais tarde, ok? Estou na casa dos pais de Vitor e não quero falar sobre isso aqui. Te ligo depois.

Desligo o celular me virando e dou de cara com Vitor que está parado na entrada da cozinha. Sorrio, pois ele está todo desgrenhado.

_Bom dia. – digo, me aproximando dele.

_Bom dia. – murmura e posso sentir seu mau humor.

_Você está terrível.

_Alguém já te disse que você às vezes é sincera demais? – ironiza sentando-se à mesa e apoiando os cotovelos sobre ela.

Rio.

_Depois eu é que fico mal humorada por acordar cedo. – me sento ao seu lado e encho uma xícara de café forte para ele. – Deveria voltar a dormir.

Vitor bufa e dá um longo gole no café.

_Não posso, hoje tem reunião com o pessoal do Quartel, mas se você preferir pode ficar aqui.

_É sobre algo importante? – pergunto.

_Não, apenas alertá-los sobre Valentin e seu novo exército. – fala em tom de sacarmos.

_Então prefiro ficar aqui. Alerte-os sobre as outras organizações mafiosas, que não podemos confiar em ninguém que não faça parte da Cosa Nostra. – lembro-o. – E eu acho que irei visitar Lia à tarde.

Vitor não diz nada, apenas dá de ombro e continua a tomar café. Murmuro um ok e continuo sentada ao seu lado enquanto ele, raivosamente, terminava de comer. Vitor adorava me irritar dizendo o quanto eu fico estressada ao acordar cedo, porém ele é bem pior que eu nesse quesito. Vitor fica tão estressado e irritado que mau fala e seus movimentos são únicos e cheios de raiva e pressão. É bem engraçado vê-lo assim. Quero dizer, ele já é mais ou menos assim normalmente, mas quando está estressado é diferente. É divertido.

O outro bebê começa a chorar de Alicia começa a chorar.

_Viu o que você fez? – digo, me divertindo. – Essa sua áurea negra contaminou o local e incomodou os bebês.

Vitor me olha com os olhos semicerrados e eu sorrio. Ele terminar e limpa a boca com um guardanapo e se levanta, indo colocar sua xícara dentro da pia.

_Quer ir lá vê-los? – pergunto me levanto e indo atrás dele e o abraço por trás. – Vamos, quem sabe quando você ver aqueles rostinhos lindos esse seu mal humor não vai embora?

Vitor apoia as mão sobre a bancada da pia e respira fundo.

_Eu não estou de mau humor. – diz ele.

_Ah, tá sim. Você está igualzinho a mim quando sou acordada de manhã. – digo.

Vitor ri e me puxa para ficar de frente a ele. Dou um sorriso bobo para ele e toda a áurea negra que ele carregava parece desaparecer e ele retribui o sorriso com um beijo longo e delicioso.

Separamos-nos por falta de ar.

_Eu tenho que ir. – sussurra ele. – Quando for visitar sua amiga, leve alguns homens com você, não quero que fique sozinha nem por um minuto, me ouviu?

_Sim, senhor. – digo batendo continência e segurando o riso. — Irei para o Quartel mais tarde, não se preocupe.

_Ótimo. – Vitor me rouba um beijo rápido e vai embora.

Pego meu celular e mando uma mensagem para Lia, avisando que passaria lá mais tarde. Depois vou para o quarto onde está Alicia e os gêmeos e fico boa parte do meu tempo lá, maravilhada com cada movimento que eles fazem. Geovana é ruivinha como a mãe, já Lozenzo parece ter puxado pai, deixando a mostra alguns fiozinhos loiros, ambos herdaram os olhos verdes de Alicia. Miguel e ela não desgrudam dos filhos um minuto se quer, mas tive a chance de ajudá-los a dar banho. No começo da tarde, os bebês dormiram e Alicia e Miguel aproveitaram para descansarem também, assim como Sarah e Margareth. Julie e eu sobramos e ficamos assistindo algum desenho infantil que ela adora até dar o horário combinado de eu ir encontrar Lia. Como todos na casa estavam dormindo, deixo um bilhete avisando aonde iria e que estava levando Julie comigo e que logo voltaria, aviso também os empregados e alguns seguranças. Vesti Julie com um vestidinho de mangas longas azul claro junto com uma meia calça branca e sapatinhos pretos. Tentei amarrar seus cabelos negros, mas a menina se negou e preferiu ficar com eles soltos. Peguei um pacote de bolachas e dei para ela comer durante o caminho até a casa de Muriel, e não demora muito e logo estamos estacionado em frente um grande prédio luxuoso. Tiro Julie da cadeirinha e adentro no prédio com ela no colo e entro no elevador. Muriel mora no último andar, em um duplex e demora cerca de cinco minutos até que cheguemos lá.

_Pergunte ao seu namorado qual é a necessidade dele de morar no ultimo andar desse maldito prédio. – esbravejo em italiano para Lia quando ela nos atende.

_É bom te ver também, Valentina. – ironiza, pegando Julie no colo. — Vem, entra, Muriel está no escritório.

Entro no apartamento e ele tem um tom azul escuro, com moveis na cor prata. Ele é bem espaçoso e milimetricamente decorado. Muriel tem um ótimo gosto, confesso. Sento no sofá na enorme sala e espero Lia e Julie voltarem da cozinha, a pequena segura um pote de doces na mão.

_Achei que ele estava de repouso. – digo. – E acabei de dar bolachas para ela Lia.

_Ela quis ué. – deu de ombros. – E sim, Muriel ainda está de repouso, porém ele vive dentro daquele escritório, seja para beber ou para ficar lá fazendo nada.

_Ele está se recuperando bem? – pergunto.

_Ele está ótimo. – responde dando um sorriso e sei exatamente o que aquilo significa.

Julie salta do seu colo e se senta em cima do tapete felpudo branco, de frente para a televisão. Lia sincronizou os canais para os desenhos infantis e a deixamos assistindo TV e eu a puxo para a cozinha.

_Tenho que te contar algo. – disparo nervosa.

_Então desembuche! – exclama.

_Promete pra mim que você não vai pirar e contar pra ninguém?

_Prometo.

Respiro fundo e sorrio para ela.

_Você vai ser titia. – digo.

[...]

Assim que contei sobre estar grávida para Lia, ela sorriu de orelha a orelha e me abraçou forte, me desejando toda a felicidade do mundo. Fique contente com sua reação e me senti confortável com toda aquela alegria. Passamos algum tempo conversando sobre isso e não sei como o assunto foi para lá, mas acabamos relembrando boa parte da nossa juventude.

_Se seu filho fazer um terço das coisas que você fazia, Valentina, pode se preparar porque ele vai te deixar de cabelos brancos. – Lia diz.

_Já imaginou? – pergunto rindo. – Se for uma menina, Vitor vai ter sérios problemas.

Caso eu estiver grávida de uma menina, com certeza Vitor será o pai mais chato do mundo. Já até posso imaginar os dois brigando por conta de alguma festa ou por causa de algum namoradinho. Meu pai, vez ou outra, implicava comigo por coisas assim, mas como ele sabia que era apenas uma fase, nunca pegou de verdade no meu pé. Sem falar que na maioria das vezes, eu sempre saia escondida de casa.

_Vitor já sabe? – pergunta Lia após um tempo.

_Pretendo contar no momento certo, em um jantar quem sabe. – conto.

_Que romântico. – diz ela sorridente. – Quero saber os detalhes depois.

_Vai saber. – respondo.

Essa ideia de dar um jantar romântico para Vitor começa a me dar enjoos ao mesmo tempo em que sinto um buraco em meu estomago. É como se aos poucos a ficha de estar grávida fosse caindo. Carregava em meu ventre o futuro herdeiro da Máfia. O futuro chefe da Cosa Nostra. Eu não sei como vou lidar com isso, não mesmo, ainda tenho medo dá gravidez e pavor da hora do parto. Mas uma hora ou outra isso vai acontecer e vou ter que estar pronta. Mais preparada ainda tenho que estar quando chegar a hora de treiná-lo para ser um mafioso.

_Está assustada com isso, não está? – pergunta Lia.

Olho para ela e faço que sim com a cabeça.

_Não se preocupe, botar filho no mundo é mais fácil do que fazê-lo. – diz ela em um tentativa inútil de me confortar.

_Não diria isso depois de ouvir os berros de Alicia durante o parto. Fiquei apavorada. – relembro.

_Oh, sim. Muriel me contou hoje de manhã. Gêmeos, hãn? Isso sim vai ser uma tarefa difícil. – ela comenta enquanto belisca um pedaço de torta de morango.

_Eles são tão lindos. A menina é ruiva e o menino loiro, tem que conhecê-los.

_Meio difícil serem bonitos quando todo recém-nascido tem cara de joelho.

Reviro os olhos para ela.

_Você ainda nem os viu!

_Eu sei, mas todo bebê tem cara de joelho.

Aquilo definitivamente não se aplicava nos gêmeos de Miguel e Alicia. Eles são lindos!

_Quero ver dizer isso quando os verem. – digo a ela que dá de ombros confiante.

_Na verdade você não quer confessar que eles têm cara de joelhos porque acaba de se tornar uma tia coruja. – diz ela. – Mas levando em conta a beleza de Alicia e Miguel, é possível que eles não tenham cara de joelho.

Rio dela e voltamos para sala, onde encontramos Muriel brincando de boneca com Julie. Com certeza vou me aproveitar dessa cena e chantageá-lo para o resto da vida. Mas a cena não eixa de ser fofa. Muriel estava sentado sobre o carpete ao lado de Julie e se encostava no sofá, ele veste uma calça de moletom preta e uma blusa de mangas branca em gola V. Seus cabelos estavam incrivelmente arrumados, sem nenhum fio de cabelo fora do lugar. Sua barba estava por fazer, o deixando com uma aparência séria e selvagem. Ao meu lado, ouço Lia suspirar, me fazendo rir, chamando a atenção dos dois.

_Querem brincar com a gente? – Julie chama animada.

_Mini projeto de gente, nós não estamos brincando, eu estava apenas te fazendo companhia. – defende-se Muriel e recebe em troca uma careta.

_Tarde demais O’Connor, vou te chantagear para o resto da vida. Uma pena eu não ter tirado uma foto.

Muriel se levanta com dificuldade, devido ao curativo em seu abdômen, e dá a volta por trás do sofá e se aproxima de nós.

_Sem provas, sem chantagem. – diz ele parando perto de uma mesinha de vidro e enchendo seu copo de uísque.

_O médico disse sem bebida. – repreende Lia ao meu lado de braços cruzados.

_Ele também disse sem sexo, mas disso você não reclama. – diz ele com um sorriso pendendo dos lábios.

Lia tenta dizer algo, mas Muriel é o canalha da vez. Ela apenas o repreendo com o olhar e tenta ao máximo sua tentativa falha de esconder sua vontade de sorrir. Por sorte, Julie estava concentrada demais em sua boneca para ouvir o que conversávamos. Eu, ao contrário dela, gargalho alto.

Contrariada, Lia se senta ao lado de Julie e começa a interagir com ela. Muriel observa a cena vitorioso. Pelo jeito os dois adoram se provocar.

_Muriel, preciso conversar com você. – anuncio. – A sós.

Muriel concorda com a cabeça e faz um sinal para que eu o seguisse até o seu escritório. Entremos e ele logo se dirige a uma outra mesinha de vidro repleta de bebidas.

_O álcool faz a dor parar. – diz ele, ainda de costas.

Ele se vira para mim e estende um copo em minha direção.

_Não posso. – aviso.

Muriel estreita os olhos e me encara.

_Não me diga que a família está para crescer? – pergunta em um tom irônico.

_Acostume-se, você vai ser titio. – falo divertida.

Muriel solta um riso e ergue o seu copo e brinda em nome do meu bebê, me fazendo revirar os olhos.

_Imagino que não seja esse o motivo da nossa conversa. – deduz ele.

_E não é. – Muriel enche o copo mais uma vez e começo a me questionar se essas dores são tão horríveis assim para fazer com que ele se embriagasse dessa maneira. – A dor é muita?

_Não se preocupe com isso, apenas juntei um habito ao útil. – diz calmamente. – Não chego a me embriagar se é isso que está pensando.

_Obrigada, Muriel. – falo, chamando sua atenção. – Obrigada de verdade.

Muriel balança a cabeça positivamente e toma um gole.

_Voltemos ao negócio. O que você quer?

Arrasto uma cadeira e me sento de frente para ele, que continua em pé com seu copo de uísque nas mãos.

_Você é conhecido por ser o maior dedo duro. – começo. – Já deu golpes em mafiosos, traficantes, deputados, senadores e empresários. Um perfeito golpista. Um canalha de qualidade.

_O que aconteceu com o agradecimento eterno? – perguntou ofendido.

_Você nunca trabalhou com ninguém, preferia agir sozinho. Nunca confio em ninguém.

_Aonde quer chegar com isso, Valentina? – perguntou agora sério.

_Quero saber por que alguém como você, um trapaceador, foi trabalhar justo para a Máfia e se tornou um membro fiel.

Muriel me encara e eu sustento o seu olhar sem desviar. Seu corpo fica rígido e ele fica tenso, noto isso por sua postura e pelo modo de respirar. Ele dá o último gole na bebida e se senta trás de sua mesa, de frente para mim. Viro a cadeira e o encaro, esperando pela minha resposta.

_Por que isso te interessa? – sua voz é fria, rude.

_Por que você trabalha para mim e conheço seu passado suficiente para saber que você nunca trabalharia fixamente para alguém.

_Isso por acaso tem haver com a procura do infiltrado na Cosa Nostra?

_Tem. Mas eu não ache que seja você.

_Então por que está aqui me perguntado essas coisas?

_Já disse. Muriel, ambos sabemos que há um motivo para você estar trabalhando para a Máfia, e eu quero saber qual é.

Muriel fica em silêncio e solta um longo suspiro e inclina-se para trás, encostando-se no apoio da cadeira.

_Eu tinha uma irmã. – começa. – E ela era linda. Sempre foi muito desejada, mas ela era uma pessoa boa, não ligava para esse tipo de atenção. Trabalhava como voluntária em um hospital para idosos, saia tarde da noite quase sempre. Ás vezes eu ia buscá-la quando estava na cidade, outras ela voltava sozinha. Não tinha medo do que podia acontecer. – ele faz uma pausa dramática e minha garganta secou. – Uma noite, eu não fui buscá-la e durante o seu percurso, ela foi atacada, violentada e deixada para morrer. E morreu. Descobri que as pessoas que fizeram isso pertenciam a uma Máfia local, infelizmente eu não podia matá-los. O pai do seu marido ficou sabendo da história e me procurou, me ajudou a matar os desgraçados em troca da minha lealdade, aceitei sem pensar duas vezes e sou fiel até hoje.

_Quando isso aconteceu? – perguntei suave.

_Há alguns anos. – respondeu. – Isso responde sua pergunta?

Faço que sim com a cabeça e ele abre uma gaveta debaixo da mesa e tira de lá, uma outra garrafa de bebida.

_Eu preciso da sua ajuda. – falo após um tempo.

Muriel me olha confuso.

_Para quê?

_Meu pai acha que Vitor e sua Máfia são os traidores.

_Ele tem provas disso? –pergunta contrariado.

_Meu pai está disposto a acabar com a ameaça o mais rápido possível. E eu dei provas o suficiente para ele culpar Vitor.

_Que tipos de provas? – Conto a ele tudo o que descobri e Muriel me ouve atentamente. – Está ciente de que você praticamente entregou a cabeça de Vitor para o seu pai dando a ele essas informações, não está?

Suspiro pesadamente. Eu estou.

_Não tive escolhas. – digo.

Muriel me analisa atentamente, observando cada linha de expressão de meu rosto.

_Seu pai não confia nele, mas e você, Valentina? Acredita na inocência de Vitor nessa história toda?

Muriel está tentando em provocar, sei disso. Mas ele está certo em me fazer essa pergunta, às vezes, eu mesma me faço ela.

_Eu acredito em Vitor. – digo convicta. – Irá me ajudar ou não?

_Eu sou um membro fiel, se lembra? Irei ajudar você e Vitor...

_Vitor não sabe de nada e é melhor continuar não sabendo. – apresso-me a dizer.

Muriel franze as sobrancelhas confuso.

_Ele não sabe que seu pai desconfia dele? – pergunta.

_Não.

_Isso te causará problemas no futuro, sabe disso, não sabe?

Assinto levemente com a cabeça.

_Estou ciente de todas as consequências que estão para chegar O’Connor. Você está preparado?

Muriel sorri galanteador.

_Eu nasci preparado.

******

Valentin Corletto

A lua estava linda está noite. Do quarto do hotel onde Valentin Corletto estava hospedado, ela brilha intensamente, irradiando sua beleza. Valentina é apaixonada pela lua desde que se entende por gente e Valentin relembra as noites que ela passou em claro apenas para observá-la. Ele se pergunta se ela está a observando neste exato momento. Ele fecha os olhos e a imagina. A pele delicadamente bronzeada. Os cabelos longos e cheios. E os olhos... Valentin adorava eles. Sem falar de seu sorriso, da sua boca, do gosto de seu beijo... Valentina é tudo que ele quer. Ele quer vê-la mais uma vez, tocá-la mais uma vez e deixar claro de uma vez por todas que ela é apenas dele e de mais ninguém. Ao sonhar com ela mais uma vez, Vitor aparece e a beija, provocando a ira do francês que taca a garrafa de bebida com força na parede. Se ele soubesse o motivo pelo qual ela se casou... Ele tem absoluta certeza de que não foi por amor, ele sabe que Valentina não é mulher de se apaixonar, nunca foi. E ao pensar que Vitor roubou o coração dela, só faz com que sua raiva aumente. Porém Valentin vai fazer pagá-lo por tê-la roubado dele. É só uma questão de tempo. Ele já tem tudo planejado. Ele sabe que Augustos odeia ter problemas na Cosa Nostra e que faz de tudo para eliminá-lo, ele só precisou colocar a pulga atrás da orelha dele sobre os Chiacchio’s e seu passado. Dito e feito. Augustos está esperando apenas mais uma pista contra Vitor para mandar matá-lo. Quando ele souber que os pais de Valentin e Vitor já foram aliados no passado...

A porta do quarto se abre e o infiltrado entra.

_Achei que não viesse mais. – falo Valentin se afastando da sacada e entrando no quarto.

_Já disse que não é sempre que você quer, aliás, o que foi dessa vez?

_Quero que me conte o real motivo do casamento de Valentina com Vitor. – perguntou. – Você mais do que ninguém deve saber o verdadeiro motivo.

_E por que isso te interessa? Valentina já está apaixonada por ele de qualquer maneira... – diz.

Valentin sentiu uma raiva súbita preencher seu corpo. Fechou com força os dedos sobre o copo de bebida até o objeto quebrar em milhares de pedaços.

_Valentina. Não. O. Ama. – esbravejou. – Ela será minha mais cedo ou mais tarde.

A pessoa a sua frente suspirou, ciente da obsessão dele pela antiga amiga de infância.

_Por que você não se concentra em se vingar? O Chiacchio torturou e matou o seu primo. Devia estar possesso de raiva.

Valentin respirou fundo. Louis era seu primo e braço direito nos negócios. Ele fez questão de participar do ataque no Cassino, infelizmente foi capturado. O que deixava Valentin mais furioso é que Vitor gravou toda a tortura e a enviou para a família do primo, a esposa dele a assistiu, junto com as duas filhas pequenas.

Aquilo definitivamente foi uma afronta.

_Eu já tenho minha vingança planeja... – comenta Valentin, sem se preocupar em esconder o sorriso maligno que esboçava.

O infiltrado arqueou a sobrancelha desconfiado.

_E qual vai ser? – perguntou.

_Fiquei sabendo que Vitor acabou de ser tio novamente.

_O que pretende fazer a respeito?

_Essa será a minha vingança.

Notas finais
So what? O que acharam? Gostaram? E essa história da irmã do Muriel? Coitado, né? E Senhor do Céu, como ele está sexy nesse capítulo! kjsaksjaksj Finalmente o Valentin apareceu o/ Sentiram a falta dele? Hmmm, prevejo problemas sérios vindo aí... E vocês? O que acham? Comentem sempre pessoal, assim eu não tenho esses terríveis bloqueios criativos. Favoritem e recomendem também hahah :D Beijão amores