A Luz dos Teus Olhos

13 Capítulo 13 - Noite iluminada...


Notas iniciais
Olá, como estão? Espero que gostem do capítulo e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Quinn estava ocupada demais olhando a foto recente que Rachel enviara para sequer pensar em fazer qualquer outra coisa.

Ao que parecia, ela tinha acordado durante a noite para ir ao banheiro. Enquanto voltava para a cama, o seu braço a envolveu automaticamente. A imagem não mostrava o seu rosto, mas Rachel estava coberta pela meia-luz do quarto. Seus ombros e clavícula expostos. Era uma foto completamente íntima.

Ela se jogou na cama e continuou trocando mensagens com Rachel até precisar deixá-la ir ao mercado com Hiram. Depois, olhou mais um pouco a fotografia e foi para o banheiro. Ainda sorria quando tomou banho e se trocou. O aroma de Rachel continuou acompanhando todos os seus passos. Talvez fosse psicológico. Sentia falta dela. Tê-la por perto sempre causou uma dependência após se despedirem. Agora parecia pior.

Ela aproveitou o restante da manhã para regar as flores de Judy e lavar as louças usadas no café da manhã, mas foi até o hall ao ouvir a campainha.

Rachel estava do outro lado da porta. O braço atrelado ao de Hiram. Os dois guarda-costas conversavam próximos ao carro parado no acostamento.

— Oi, Quinn. — Hiram sorriu. — Nós vamos sair agora. Talvez almoçar fora. Quer vir conosco?

Quinn o encarou. Ele não aparentava saber nada sobre o seu envolvimento com Rachel. Se sabia, estava escondendo muito bem. Hiram era sempre caloroso. Quinn gostava muito dele. Leroy também era gentil, mas ela desconfiava que Rachel herdara dele toda aquela eloquência.

— Claro. Claro que sim. — Ela sorriu educadamente. — Eu só preciso terminar de guardar as louças.

— Eu posso ajudar você. — Rachel ofereceu. — Papai pode esperar na sala. Tudo bem para você?

— Sim, não se preocupe. Vou aproveitar e falar com Leroy. Ele deve estar terminando uma consulta.

Quinn assentiu e foi para a cozinha com Rachel após fechar a porta, mas foi surpreendida quando ela a puxou pela mão e a beijou.

Não era um beijo desesperado, mas Quinn não conseguia estabelecer um ritmo calmo sempre que a sua boca encontrava a dela. A base das suas costas encostou no balcão, e ela ficou naquela posição por alguns minutos. Seus dedos enroscados no tecido do vestido de Rachel. Os dela nos fios soltos do seu rabo de cavalo.

Rachel suspirava entre as mordidas que deixava na boca de Quinn e quando a sua língua tocava na dela. Ela sorriu depois de quebrar o beijo e olhar os lábios avermelhados e levemente inchados. O seu polegar os tocou em uma carícia suave.

— O que foi isso? — Quinn ainda estava um pouco atordoada.

— Eu queria muito fazer isso. Você não gostou?

— É claro que eu gostei, Rach, mas o seu pai está na sala de estar. Ele poderia ter vindo aqui.

— Ele já sabe, Q. — Rachel a deu um selinho.

— Ele sabe? — Quinn tentou se afastar instintivamente, mas Rachel a segurou pela cintura, mantendo-a no lugar.

— Sim, ele sabe. Meu pai Leroy também. Nós conversamos sobre isso.

— Mas... eles são os seus pais.

— E acima de tudo, são os meus melhores amigos. Eles não vão fazer ou falar nada. Eu tenho 40 anos e não 15, esqueceu?

Quinn sabia que ela tinha razão. Estava se comportando como a primeira namorada da filha adolescente de um casal, mas não era como se estivesse familiarizada com esse tipo de situação.

— Tudo bem. Me desculpe por agir assim.

— Está tudo bem.

Quinn subiu as mãos até o rosto de Rachel. Ela ainda abraçava o seu tronco carinhosamente.

— Você é a mulher mais linda do mundo.

Os lábios de Rachel se alargaram.

— Você já se olhou no espelho?

— Eu não vou perder tempo me olhando no espelho se eu posso olhar para você.

Rachel não desviou a atenção dos olhos dela. O brilho estava ali, como sempre estivera desde que se reencontraram. Mas recheado de mais. O sol iluminando a cozinha pela fenestra da janela acima da pia não era mais forte do que o calor declamatório dos olhos de Quinn. A intensidade da cascata de sentimentos transparentes que eles a direcionavam fazia as suas pernas enfraquecerem. Rachel teve certeza de duas coisas:

De que os seus olhos exalavam as mesmas emoções.

E de que estava sorrindo como uma boba apaixonada.

A segunda afirmação era quase uma confissão, embora também a deixasse temerosa. Poderia estar apaixonada em um período tão curto? Ou era apenas o encanto por estar vivendo algo diferente da sua rotina habitual falando mais alto? Quinn a tratava como sempre quis ser tratada, e Rachel não era muito versada sobre paixões. Tinha se apaixonado uma única vez. Não havia uma bagagem de experiências na sua vida para comparar. Uma parte crescente da sua cabeça discordava que isso pudesse ser uma chama fugaz. O que vinha sentindo por Quinn desde o jantar no Asiate crescia cada vez mais. E cada vez menos tinha controle disso. A outra parte tentava lembrá-la das dificuldades que levar aquilo adiante traria.

Por fim, ela pôs a mão sobre a de Quinn.

— Eu senti sua falta.

Quinn abriu um sorriso tão maravilhado quanto o seu.

— Eu também senti sua falta.

Elas trocaram mais alguns afetos e guardaram as louças depois. Mesmo estando mais tranquila, Quinn não queria correr o risco de ser flagrada por Hiram.

Elas o encontraram do lado de fora da casa conversando com Leroy. Já era início de tarde quando o carro parou em um dos poucos restaurantes de Lima. Não havia tantos fotógrafos para se preocupar. Algumas pessoas se viravam para olhar a mesa em que estavam, mas não se aproximaram. Quinn conversava com Leroy sobre a faculdade. Eles engatavam em vários assuntos ao mesmo tempo. Rachel estava ao lado dela.

Depois de comerem, eles foram até Museu Allen County. Rachel olhava as exposições das histórias ferroviárias de Lima e segurava o braço de Quinn, mas teve de se distanciar um pouco para atender alguns fãs. Ela conversou um pouco com eles. Após se despedirem, ela notou Quinn e Leroy conversando sobre uma das fotos. Ele apontava para um dos trens.

— Eles estão se dando bem. — Hiram parou ao lado de Rachel. — Não víamos a Quinn há muito tempo. Ela se tornou tão amável quanto Frannie.

— A Quinn é fascinante. Ela consegue deixar qualquer pessoa à vontade. É um doce. Não importa o que você precise, ela sempre vai tentar ajudá-lo. — Rachel sorriu.

— Você parece tão...

— Tão...?

— Apaixonada. Eu me lembro quando você contou para nós sobre o Finn. Era nítido o quanto você gostava dele, mas era mais moderado. Talvez por isso eu me surpreendi com a sua gravidez. Sua relação com ele sempre pareceu muito branda.

— O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que eu tive outros namorados além do seu pai, mas nada nunca foi tão forte como o que eu senti por ele. Você se casou com a primeira pessoa que a fez se sentir bem por causa da sua gravidez. Finn a preencheu por alguns anos. Ele era um ótimo marido. Mas e se agora você estiver conhecendo alguém que, além de preenchê-la, a está transbordando?

Rachel ficou calada. Ela continuou fitando a interação entre Quinn e Leroy. Hiram havia acabado de puxar o tapete abaixo dos seus pés. Talvez isso explicasse toda a urgência que tivera de Quinn depois de beijá-la pela primeira vez. Talvez isso explicasse o tamanho dos seus sentimentos em semanas. Talvez isso explicasse o motivo de não se ver mais longe dela.

— Você acha que estou apaixonada?

— É um pouco perceptível demais quando você a olha. — Hiram tentou descontrair.

Rachel suspirou quando ele passou o braço sobre os seus ombros.

— Eu não sei onde isso vai parar, papai.

— Seja onde for, você tem a opção de machucar uma pessoa, Rach. O Finn já está incluído nisso. Ele precisa saber o que você fez, e uma ferida enorme vai surgir entre vocês. Ele errou em diversas situações. Colocou o casamento de vocês em segundo plano e foi indiferente durante meses, além da traição. Mas você também errou. Há erros demais entre vocês, e a Quinn faz parte dessa equação. Ela está se apaixonando também. Cabe a você decidir para qual caminho seguir. Só não demore tanto, ou vocês duas podem acabar feridas demais nessa história.

Rachel assentiu. Não queria machucar Quinn. De todos, ela era a que menos merecia isso. Ouvir de Hiram que ela também estava se apaixonando era como o lampejo de luz que precisava nas suas inseguranças.

— Ei, vocês dois! Vamos! — Leroy os chamou, despertando Rachel da sua inércia repentina.

Eles continuaram olhando as peças e as fotografias. Voltaram somente quando o sol estava se pondo. Quinn se despediu de Hiram e Leroy e caminhou até a casa dos pais, mas impediu que Rachel a seguisse.

— Eu preciso fazer algumas coisas, Rach.

— Como o quê, por exemplo? — Rachel cruzou os braços.

— Surpresa. — Quinn foi lacônica.

— Quinn...

— Rach, não.

— Eu não posso nem olhar? — Rachel tombou a cabeça para o lado. Quinn se segurou para não a beijar sobre o assoalho da varanda.

— Nos vemos mais tarde, está bem? — Ela entrou antes que fosse alvo de mais perguntas.

— Isso não é justo, Fabray. — Quinn a ouviu ir embora e sorriu.

Não foi difícil arrumar tudo, mas custou algumas horas. Quinn tomou banho enquanto esperava o pedido que fez ao restaurante chegar e revirou a própria mala procurando alguma roupa minimamente aceitável para um encontro, mas só encontrou camisetas, suéteres e calças casuais.

Ainda enrolada na toalha, ela correu até o quarto de Frannie. O closet dela sempre tinha roupas esquecidas das visitas mais frequentes. Quinn pegou um vestido de alças finas que a cobria até os joelhos e um sapato sem salto fechado.

Depois de se vestir, ela passou uma maquiagem leve e terminou de arrumar os cabelos. Estava quase na hora marcada quando a comida chegou. O caminho até a casa dos Berry nunca pareceu tão longo, ou era apenas o seu nervosismo fazendo as suas mãos suarem.

Hiram a recebeu com um sorriso. Rachel não falou muito sobre o encontro, mas ele sabia que ela provavelmente passaria a noite fora. Quinn conversou um pouco com ele na sala de estar. Seus olhos alternando entre a entrada do cômodo e o rosto dele até Rachel passar por ela. Quinn não conseguiu mais respondê-lo. Não quando observou o vestido justo de cetim com um decote evidente. Os cabelos caindo em ondas combinava com a cor. Quinn nunca se cansaria de admirá-la. Rachel nunca se cansaria de ser admirada por ela. Elas estavam perdidas demais uma na outra para focarem na voz de Hiram ecoando no fundo.

— Oi. — Rachel se aproximou sorrindo.

— Oi. — Quinn murmurou.

— Espero que se divirtam, meninas. — Hiram disse.

Quinn o fitou.

— Obrigada, Sr. Berry.

— Nada de senhor. Eu já disse para me chamar de Hiram.

Quinn balançou a cabeça, e Rachel se despediu dos pais antes de sair. Elas atravessaram os jardins devagar. O céu estava limpo. Rachel segurava o braço de Quinn. Sua mão formigava para encontrar a dela, mas não podia, mesmo que a rua estivesse vazia.

Quinn fechou e trancou a porta do hall. Rachel a seguiu até a sala de estar, vendo-a pegar um buquê deixado sobre o sofá.

— São para você. Eu consegui encontrar uma floricultura em Cincinnati que vende áster.

Rachel sorriu e pegou o buquê. Ela aspirou o aroma das flores que tinham se tornado as suas favoritas.

— São lindas, Quinn, assim como você. Você está linda.

— Você também está linda, Rach. Você sempre está linda. — Quinn estendeu a mão, e Rachel a segurou.

Ela deixou que Quinn a guiasse até a saída dos fundos. Ainda segurando as flores, Rachel abriu levemente a boca quando viu o caminho de velas artesanais que levava até uma mesa e duas cadeiras embaixo do gazebo próximo ao canteiro. A madeira estava coberta por lâmpadas pequenas, e os pratos estavam cobertos. Algumas flores decoravam o centro da mesa dentro de um vaso afilado.

— Você fez tudo isso?

— Não é grande coisa. A minha mãe tinha algumas velas no depósito, e eu comprei a maioria, mas espero que tenha gostado.

Rachel não respondeu. Ela se virou e beijou Quinn com força, com fervor, com ganância e com todos os sentimentos que conhecia e desconhecia, segurando firmemente o pescoço dela e sendo retribuída.

— Eu amei. — Rachel sussurrou após quebrarem o beijo. — Amei tudo isso.

Quinn sorriu e a levou até a mesa. Ela despejou o vinho sobre as taças e se acomodou na outra cadeira.

— Eu não tentei cozinhar porque tenho certeza de que ficaria horrível, então pedi dois ceviches veganos de um ótimo restaurante em Akron.

— Então você vai comer o mesmo que eu?

— Sim, eu vou. Depois da salada que nós comemos no avião, eu me interessei mais por comidas veganas, principalmente as versões dos pratos que eu já conheço.

Rachel apreciou aquele gesto. Finn nunca se importou em saber mais sobre o veganismo. Ele apenas decorou os pratos que sempre pedia para não cometer nenhum erro. Rachel entendia que as pessoas gostavam de carne, mas tinha a intenção de beijar Quinn depois do jantar.

Elas intercalaram entre conversar, comer e beber o vinho adocicado. O ceviche estava maravilhoso, e Lima não estava fria naquela noite. Não havia nada que não quisessem falar uma para a outra. Quinn contava sobre os clubes que participou durante o ensino médio. Rachel contava sobre o primeiro tombo que levou em um dos palcos off-Broadway. Quando ficavam em silêncio, Quinn a olhava com adoração e uma paixão mais notável. Estava começando a parar de tentar esconder. Rachel percebeu. Percebeu porque a correspondia ao fitá-la de volta.

Ambas tomaram mais da metade da garrafa de vinho. Quinn ria de mais uma história que Rachel narrava, mas sentiu um arrepio cortá-la quando o pé dela acariciou a sua perna, subindo até encontrar a sua coxa sob o vestido.

— Rach...

— Eu quero ir para o seu quarto e quero chupar você até vê-la gozar na minha boca. Exatamente como você fez. Depois, quero senti-la novamente dentro de mim. Eu me sinto molhada só em pensar nisso, Quinn. — Rachel confessou. — Eu só penso em você. Em tocar você. Em olhar você.

Quinn conteve um suspiro. Seu pênis se contraiu, formando um discreto volume no tecido do seu vestido. Ela nunca estava preparada para as declarações súbitas de Rachel, mas desejava o mesmo.

Ela se levantou. Rachel reprimiu a vontade de subir o vestido dela ali mesmo. O buquê foi esquecido na mesa quando elas entraram na casa, assim como o resto do vinho. Não precisavam de mais álcool para o que queriam fazer.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. Boa quinta-feira para todos vocês. =D twitter.com/yasagron