A Luz dos Teus Olhos
1 Capítulo 1 - Reencontros...
Notas iniciais
Talvez empolgação não fosse o suficiente para resumir como Rachel estava se sentindo naquele domingo, mas já era um começo.
Era aniversário do seu filho, Adam, e isso significava que ele passaria o aniversário em casa. Embora a distância entre Greenwich Village e NYADA fosse de apenas quinze minutos, ele insistiu para ter o próprio apartamento. Desde então, Rachel sentia saudade todos os dias.
Apesar de pedir incontáveis vezes para Adam retornar à mansão, ela não queria admitir que aquela decisão foi a mais prudente. O relacionamento entre Finn e Adam piorou parcialmente no instante em que ele decidiu seguir os passos de Rachel na universidade. Permanecer ali só faria tudo piorar, e as coisas poderiam chegar em um distanciamento maior. No entanto, Rachel ainda se sentia extremamente triste por ele ter de se mudar para se sentir melhor. Não queria que as coisas tivessem chegado a esse ponto, tampouco que Finn aparentasse ser um pai tão teimoso e irredutível.
Ela virou o corpo e notou o outro lado da cama vazio. Não sabia quando tinha sido a última vez que Finn não acordou cedo para treinar. Ele sempre treinava demais. Ela se levantou e suspirou, caminhando até o banheiro. Depois de quase duas horas, o encontrou na sala de jantar.
— Bom dia. — Finn desviou a atenção do jornal que segurava para olhá-la.
— Bom dia. — Rachel se sentou. — Eu achei que você estaria na academia.
— Eu demorei um pouco em uma das ligações e acabei me atrasando para o café da manhã.
Rachel assentiu.
— Acha que ele vai demorar para chegar?
— Eu acho que conhecendo-o como conheço, ele ainda deve estar dormindo à essa hora. — Finn checou o relógio de pulso.
— Será mesmo que você o conhece? — Rachel foi incisiva.
— Rachel, não vamos começar isso outra vez, tudo bem? Eu também sinto falta dele, mas Adam saiu daqui porque quis.
— Ele saiu porque não aguentava mais ouvir as suas negações sobre o futuro dele. NYADA é uma faculdade bastante conceituada. Foi onde eu estudei. Você deveria sentir orgulho por ele ter sido aceito sem qualquer influência minha.
— Eu sinto orgulho, Rachel. Eu só esperava...
— Você esperava que ele fosse como você, mas ele nunca foi. Pelo menos não nisso. Onde você acha que é o melhor lugar para ele? Jogando futebol com uma montanha de brutamontes?
— Jogar futebol com uma montanha de brutamontes nos rendeu milhões de dólares. Os Giants estão entre os melhores times desse país. Eu só queria que ele tivesse cogitado a área. Adam poderia ter um futuro brilhante.
— Então ele não pode ter um futuro brilhante sendo ator da Broadway? Você sabe o que o meu nome significa para a mídia? Eu construí mais da metade desse patrimônio, Finn!
Finn respirou fundo e se recriminou internamente por ter dito aquilo. Ele sabia o tamanho da fama e de dinheiro que Rachel acumulou através dos anos, mas não conseguiu se expressar como gostaria.
— Me desculpe por isso. — Ele se agachou ao lado dela e a segurou pelas mãos. — É só que... Adam é o nosso único filho. Eu sonhei por anos em levá-lo aos jogos de futebol e ver o brilho admirando nos olhos dele, mas ele nunca gostou disso. Nunca tivemos tantos assuntos em comum.
Rachel o encarou.
— Você pode ter vários assuntos com ele, Finn. Só precisa enxergá-lo além do estereótipo masculino que colocou nele. Eu sei que ele se parece muito comigo, mas você conseguiu se adaptar um pouco ao meu mundo. Por que não faz o mesmo com o nosso filho?
— Eu fui muito incompreensível no início, mas comecei a sentir medo quando começamos a discutir. Não queria mais tentar algo e acabar afastando-o mais do que já afastei.
— Então tente mais. Ele ama você.
Finn concordou com a cabeça.
— Eu vou tentar. Eu prometo. — Ele plantou um beijo longo nas costas da mão dela. — Hoje é um dia feliz e especial.
— Eu sei. Vamos deixar esse dia longe dos problemas.
— Tudo bem. Eu amo você, Rach. — Finn a abraçou.
Rachel abriu um sorriso pequeno e apoiou a cabeça no ombro dele.
— Eu também amo você, Finn.
O abraço durou alguns segundos e só foi quebrado quando o mordomo anunciou a chegada de Adam. Rachel praticamente correu até o lado de fora da mansão, vendo-o parar o carro próximo à fonte de concreto do jardim e sair calmamente.
Adam era um rapaz extremamente bonito. Carregava os olhos expressivos e o talento arrebatador para cantar da mãe, mas, ao contrário dela, era alto como o pai. Não demorou muito para que ele corresse até Rachel, abraçando-a com força. Sentia falta dela inteiramente na sua rotina, dos monólogos e das canções constantes. Foi com ela que aprendeu a tocar piano e acertar as notas certas para cantar. Mas, acima de tudo, sempre sentiria falta do sorriso dela, que era capaz de iluminar qualquer coisa. No fim das contas, ela sempre seria a sua pessoa favorita no mundo.
— Deus, como eu senti sua falta! — Rachel segurou o rosto dele. — Você está cada dia mais lindo.
— Mamãe, nos vimos semana passada. Eu fui à estreia de Wicked, lembra? — Adam sorriu.
— Eu sei, mas cada minuto é uma eternidade longe de você. — Rachel rebateu. A voz estava embargada, e os olhos marejados.
Adam sentiu o peito apertar e a abraçou novamente. Se sentia mal por ter deixado a mansão, mas não aguentava mais discutir com Finn sobre as próprias escolhas. Era exaustivo e aborrecedor. Ele sabia que ela entendia, assim como sabia que Rachel Berry sempre seria exageradamente dramática.
— Eu senti sua falta também, mamãe. Eu senti muito a sua falta, mas eu estou aqui agora e prometo que farei o possível para vê-la mais vezes. — Ele a beijou na testa.
Rachel assentiu e o apertou.
— Feliz aniversário, meu amor.
•••
Adam mal percebeu quando anoiteceu.
Ele tinha passado um dia caloroso e há muito tempo ansiado com Rachel. Embora a visse quase todos os dias, Wicked e NYADA estavam a todo vapor. Ambos se mantinham atarefados a maior parte do dia, o que os impedia de fazer o que mais gostavam. Entretanto, desde que chegara no início da manhã, Adam havia se esquecido de tudo. Não existia mais as obrigações da faculdade enquanto cantava por horas com Rachel no estúdio da mansão. Eles riram, conversaram e até assistiram a alguns musicais durante o tempo em que toda a equipe de decoração preparava a área externa para a comemoração do seu aniversário.
Ainda que não gostasse de festas enormes, ele não conseguiu contestar diante do olhar que recebia de Rachel, então estava ali, no jardim extenso, observando todos ao seu redor se divertindo. A música não estava tão alta. Ele varreu os olhos pela área e fitou Carole e Burt conversando com Hiram e Leroy. Kurt e Blaine estavam um pouco mais afastados e trocavam risadas. Adam já havia falado com todos, mas notava a ausência de quatro pessoas que já deveriam ter chegado.
— Eu achei que seria apenas um jantar.
A voz inconfundível da sua melhor amiga o fez se virar com um sorriso.
— Eu também achei, mas não pude recusar quando a mamãe falou dessa pequena festa.
Quinn também sorriu e se aproximou para abraçá-lo.
— Feliz aniversário.
— Isso é muito grande. Acho que Lima poderia facilmente ser colocada nesse jardim. Nós quase nos perdemos até encontrarmos você.
Adam soltou uma risada antes de abraçar Santana, repetindo o processo com Brittany, que o beijou nas bochechas. Connor ficou por último. Após cumprimentá-lo, ele o fitou por um breve tempo.
— Obrigado por virem.
— É claro que viríamos. Eu não perderia a oportunidade de ver a célebre mansão dos Berry-Hudson por dentro. — Santana disse.
— Sant! — Brittany a censurou. — Nós não deixaríamos de vir. Você é nosso amigo, Adam.
— Filho, onde você... — Rachel parou de falar quando viu os novos convidados. — Oh, esses são os seus amigos da faculdade que você tanto fala?
— Eles não são de NYADA, mãe. Exceto por Brittany, que está na Mercy para cursar veterinária, todos estudam em Columbia. Santana e Connor estão estudando literatura para depois tentarem a escola de direito, e a Quinn estuda biologia para tentar medicina. Nos conhecemos porque moramos no mesmo prédio. Somos amigos há alguns meses e estávamos tentando escolher um dia para que eles viessem até aqui conhecê-la, mas Wicked consome bastante o seu tempo.
— Eu me lembro disso. Conversamos sobre esse assunto rapidamente há algumas semanas. — Rachel sorriu. — Poderia ter me dito que estava pensando em trazê-los aqui. Eu deixaria Kelly me substituir na peça.
Ela os cumprimentou com abraços e beijos no rosto, mas arregalou um pouco os olhos quando se aproximou de Quinn.
— Espera, eu me lembro de você. É a filha mais nova dos Fabray.
— Sim, eu sou. — Quinn sorriu. — Eu achei que não iria se lembrar.
— É claro que eu me lembraria. Meu Deus, Quinn! Eu não vejo você há anos! — Rachel a abraçou. As lembranças explodiam na sua cabeça como fogos de artifício. — Adam, por que não me disse que é amigo da filha mais nova dos Fabray? Vocês brincavam juntos quando eram crianças.
— Queríamos fazer uma surpresa. Estávamos apostando se você realmente se lembraria, e eu ganhei. — Ele encarou Santana com um sorriso, que revirou os olhos. — Também ficamos surpresos quando descobrimos que brincávamos juntos. Agora, ela é a minha melhor amiga.
Rachel aquiesceu freneticamente.
— Os meus pais ainda são amigos de Judy e Russel, não são? Eles não vieram? Eu não os vejo há anos também. — Ela encarou Quinn novamente.
— Eles são. Mamãe sempre diz que passam a tarde tomando chá e conversando, e eles não puderam vir porque foram visitar a minha irmã Frannie em Los Angeles, mas mandaram lembranças.
Rachel ainda sorria. Ela sempre convidava os pais para morarem na mansão, mas a oferta era recusada. Hiram e Leroy adoravam a paz que Lima emanava e tinham grandes amigos lá. Nova York era um local apenas para visitas corriqueiras em ocasiões importantes, eles diziam. Rachel não era fã de Lima, mas sempre a visitava e guardava boas lembranças da cidade, o que incluía os Fabray.
Judy foi uma das suas poucas amigas quando se mudou para Lima ao lado de Russel e da filha de 5 anos, Frannie. Ela era um pouco mais velha, mas isso não a impediu de criar uma afinidade com Rachel, apoiando-a quando se formou na escola e enviou a carta de admissão para NYADA e aconselhando-a quando soube da sua gravidez logo após ser aceita. Ela praticamente se tornou a madrinha de Adam. Rachel era grata por ela ajudá-la na bagunça que ser uma mãe tão jovem causou na sua vida. Tudo isso a fez adiar NYADA para os anos seguintes, mas o trabalho de Judy as afastou um pouco, até que ela engravidou pela segunda vez e ambas se reaproximaram.
Eventualmente, todos já estavam próximos quando Quinn nasceu. Ela era tipicamente uma Fabray com os seus cabelos loiros e olhos verdes, mas era mais especial do que isso. Judy não contou para todos que Quinn era intersexual. Somente para os amigos mais próximos. Em parte porque não cabia a eles colocá-la nessa exposição, e em parte também porque a maioria das pessoas de Lima era extremamente ignorante. Rachel entendia e ficava feliz por Judy proporcionar tanto amor para Quinn. Ela não via a intersexualidade como um problema. Era evidente o cuidado que tinha em todos os aniversários que preparava. Rachel esteve presente pela última vez quando Quinn fez 5 anos. Adam estava com 6. Ela já havia se mudado para Nova York há algum tempo depois de guardar uma boa quantia com Finn, mas perdeu o contato com a família Fabray assim que NYADA a aceitou uma segunda vez.
No entanto, quinze anos depois, Quinn estava na sua frente como a melhor amiga do seu filho e a fitava profundamente. Rachel retribuiu o olhar, sentindo um arrepio subir pela sua espinha dorsal. Seus olhos ainda eram um misto de verde com avelã e ainda continuavam bonitos e familiares.
— Nós também somos de Lima, mas nunca nos conhecemos.
A voz de Brittany a fez perceber que encarava Quinn ininterruptamente.
— Me desculpem por essa reação. Eu ainda estou surpresa com tudo isso. — Ela sorriu um pouco constrangida e ficou mais aliviada ao ver Finn se aproximar.
— Filho? Eu não sabia que teríamos mais convidados.
— Eles são meus amigos, pai. Na verdade, há algo que eu gostaria de conversar com vocês, mas podemos falar sobre isso depois.
— Claro. — Finn cumprimentou todos e parou perto de Quinn, olhando-a minuciosamente. — Você é a filha de Judy e Russel, não é? Quinn?
— Sim, Sr. Hudson. — Quinn sorriu
— Você se lembrou rápido. — Rachel pontuou.
— Por que eu não me lembraria? Não estou tão velho assim. — Finn sorriu. — Me chame apenas de Finn. — Ele a beijou no rosto. — Eu preciso ir agora, mas foi um prazer conhecê-los.
— Eu acho que o seu pai está aprontando alguma coisa. Eu vou saber o que é. Fiquem à vontade. — Rachel abriu um sorriso doce e os fitou uma última vez. O contato visual com Quinn durou mais do que poucos segundos, mas ela se foi tão rápido quanto a coloração rubra chegou ao seu rosto, se assustando quando Kurt surgiu ao seu lado.
— Eu vi isso.
— Meu Deus, Kurt! — Rachel colocou a mão sobre o peito, tentando controlar a respiração. — Você me assustou.
— Estava tão distraída assim?
— Um pouco. E eu não estou entendendo.
— Eu vi o seu contato visual com a Quinn. Eu sabia que ela ficaria linda graças à genética dos Fabray, mas não sabia que seria tanto.
— Você também a reconheceu?
— É claro que sim. Ela se parece com a Judy. Não foi difícil. Éramos próximos há alguns anos. Eu não esperava que Adam se tornasse amigo dela, mas o fato aqui é que eu a vi encará-la.
— Você pode parar de falar isso? Eu a encarei por mais tempo porque estava mergulhada em lembranças. Pelo amor de Deus! Eu poderia ser mãe dela.
— Mas você não é. É uma mulher linda e não parece ter a idade que tem.
— Eu sou casada, Kurt.
— Você é casada por comodismo e não porque ama o Finn. Todos nós já sabemos que o seu casamento está afundando.
— Isso... isso não é verdade.
Kurt suspirou.
— Eu amo o Finn, tudo bem? Mas você disse que as coisas não estão indo bem.
— Isso não significa que eu esteja flertando indiretamente com a melhor amiga adolescente do meu filho.
— Ela não é adolescente.
— Ela tem o quê? 19, 20 anos?
— Ela fez 20 há alguns meses.
— Eu não vou perguntar como você descobriu isso, mas quero que pare de criar essas teorias malucas. Eu tenho 40 anos. Enquanto estamos aqui discutindo toda essa bobagem, ela deve estar pensando em qualquer coisa, exceto em mim. Não confunda um olhar com segundas intenções. Além do mais, eu amo o meu marido.
— Você tem certeza disso? Tem certeza de que o ama? — Kurt parou de caminhar e a lançou um olhar desafiador.
Rachel sustentou o peso que se formou no ar.
— Eu não acredito que estamos falando sobre isso no meio do aniversário do meu filho. Você me ofende dizendo essas coisas. Eu preciso encontrar o Finn. — Ela se afastou, alheia ao olhar atento de Quinn, que estava encostada em uma das árvores e bebericava da cerveja que tinha em mãos.
— Pelo visto você ficou caidinha na Rachel Berry. — Santana parou ao lado dela.
— Você só pode estar louca. — Quinn negou com a cabeça.
— E por que eu estaria? Acha impossível? Você não a achou bonita?
— Santana...
— O quê? Eu não disse nada demais. Você não consegue parar de olhá-la.
— Ela é muito legal. Eu só estou surpresa com isso.
— Apenas legal?
— Eu não vou entrar no seu joguinho.
— Eu estou apenas aconselhando você a parar de olhá-la, ou então Adam vai achar que você quer ser a madrasta dele. — Santana brincou.
Quinn ergueu o dedo do meio na direção dela.
— Eu ainda não sei porque você é a minha melhor amiga.
— Porque eu sou a pessoa mais sincera que você conhece.
— Você não está sendo sincera agora.
— E nem você.
Quinn abriu a boca para responder, mas a voz de Finn irrompeu no jardim através do microfone.
— Boa noite a todos. Eu gostaria de agradecer a presença de vocês nessa comemoração. Hoje Adam está fazendo 21 anos, e apesar de odiar chamar atenção, eu gostaria de mostrar o que preparei para ele. — Ele fitou o filho. — Seu tio Blaine me ajudou com isso, então esperamos que você goste.
Adam franziu o cenho quando Finn pegou um violão e Blaine se sentou no banco do piano posicionado no palco montado no jardim. Ele esperava que Rachel fosse usar algum dos instrumentos, mas sorriu no instante em que Finn começou a cantar uma música suave e amorosa. Rachel também estava surpresa. Ela não fazia ideia de que o sumiço repentino de Finn durante o dia tinha sido por causa disso. Por um momento, sua cabeça expulsou a crise que estava tendo no casamento. Ela admirava a delicadeza pouco exposta, mas muito apreciada que Finn poderia ter. Ele sempre foi habilidoso com o violão, mas não tocava há muito tempo. Ali, no tempo em que passou cantando harmoniosamente ao ritmo do piano, Finn parecia o mesmo garoto de Ohio por quem se apaixonou no ensino médio.
No final da canção, Adam deixou que algumas lágrimas escapassem, aplaudindo agradecido o gesto paternal junto com todos os convidados, e logo correu para abraçá-lo.
— Obrigado por isso, pai.
— Me desculpe por ter sido tão cabeça dura sobre a faculdade. Eu não queria afastá-lo de mim.
— Eu sei. — Adam enxugou o rosto após se separarem. — E isso foi muito importante, principalmente porque eu tenho algo para contar.
— E o que é?
Adam passou o braço ao redor dos ombros de Rachel quando ela caminhou até eles.
— Eu sou gay. Connor e eu estamos namorando há algumas semanas.
— Nós sabemos. — Finn respondeu.
— O quê? Vocês sabem?
— Não sabíamos do seu namoro, mas sabemos que você é gay. Sua mãe e eu conversamos muito sobre isso. Estávamos dando espaço para você contar.
— E tudo bem para você?
— É claro, Adam. Eu tenho dois sogros, um irmão e um amigo gay. Por que eu não iria apoiá-lo?
— Eu sei, é que... eu ainda tive medo.
— Não precisa ter. Eu amo você.
— Eu também te amo, pai.
Finn o abraçou novamente, incluindo Rachel no afeto, e ela se deixou ser embalada por ele. Estava confortável e, pela primeira vez em muito tempo, contente nos braços de Finn. Aquilo a deixou esperançosa momentaneamente. Talvez ainda houvesse salvação para o seu casamento. Ela evitou pensar na pergunta que Kurt fizera mais cedo. Não queria dizer para si mesma se ainda amava Finn ou não.
Talvez porque não soubesse a resposta.
Ou porque talvez temesse verbalizá-la.
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