A Luz dos Teus Olhos

8 Capítulo 8 - Saudade...


Notas iniciais
Olá, como estão? Espero que gostem do capítulo e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Quinn desistiu de contar a quantidade de cômodos da mansão depois de ser levada até a sala de jantar, a cozinha, os quartos, a sala de jogos, a sauna, a academia, o escritório, a biblioteca e o cinema particular. Eram tantas portas e tantos metros quadrados que ela cogitou concordar com o que Santana dissera no aniversário de Adam.

Lima poderia facilmente se acomodar ali.

Não foi fácil esconder o quanto estava admirada pelos detalhes da decoração. Parecia haver um toque de Rachel em cada lugar, como se ela tivesse participado de todas as escolhas criativas. Quinn se sentiu especial por ela estar fazendo questão de deixá-la familiarizada com a sua casa.

Elas pararam em um corredor menor, com apenas uma porta no final.

— Aqui é onde eu passo a maior parte do meu tempo.

Quando entraram no cômodo, Quinn abriu levemente a boca. O estúdio, com instrumentos musicais, equipamentos de gravação, interface de áudio, monitores, microfones e tudo o que era necessário para gravar músicas a deixou sem palavras.

— Eu o montei assim que compramos a mansão porque achei que lançaria músicas algum dia, mas acabei desistindo, então agora venho aqui e treino a minha voz todos os dias.

— E por que você desistiu? — Quinn perguntou. Sua voz produzindo menos eco após Rachel fechar a porta.

— Porque eu gosto de cantar e atuar para um público ao vivo. Não consigo pensar em ficar longe disso. — Rachel ajustou alguns microfones.

— O que está fazendo?

— Preparando tudo para cantarmos uma música.

— Cantarmos? Nós duas? — Quinn se assustou.

— Sim, Quinn. Nós duas. — Rachel riu. — Eu quero ouvir a sua voz em uma canção.

— Eu não canto bem, Rach. Eu acho melhor você cantar. Eu vou ficar aqui olhando.

— Nada disso. Eu não vou deixar essa oportunidade passar. — Rachel caminhou até os computadores. — Agora, vamos escolher uma música.

— Eu não quero passar por um constrangimento aqui, tudo bem? Então eu acho que nós devemos sair agora.

— E eu acho que você deve vir até aqui, porque eu não vou parar de insistir.

— Rachel...

— Quinn, a sua voz deve ser linda. Por favor. — Rachel inclinou a cabeça.

Quinn suspirou, achando que Rachel estava aprendendo a convencê-la mais rápido do que esperava. Ela se aproximou, encarando a lista de músicas e a fazendo sorrir vitoriosa.

— Quais dessas você sabe cantar?

Quinn passou os seus olhos por todos os nomes de músicas, sem realmente conhecê-las, até parar em uma específica.

— Essa. — Quinn sinalizou. Era Baby, Come To Me, da Patti Austin e do James Ingram. — Minha mãe costumava colocar para tocar quando eu era mais nova.

— Ótimo, então vai ser essa. — Rachel a selecionou e guiou Quinn até o banco atrás de um dos microfones.

Ela tomou a frente, cantando com tanta afinação que Quinn pensou em sair correndo para não ter de passar por essa situação, mas não se moveu e começou a cantar a segunda parte, o que deixou Rachel encantada pelo tom fino e suave que tinha. Era diferente do dela, mas dava a impressão de complementá-lo e era surpreendentemente afinado. Como pudera dizer que não cantava bem? Rachel queria deixá-la cantar o resto da música e somente observá-la, mas acabou se juntando a ela.

A letra da canção era uma declaração explícita, e Quinn a encarou no refrão, sendo correspondida. Estavam concentradas demais se olhando para notarem o significado das palavras que cantavam. Rachel não conseguia parar de sorrir até terminarem a música.

— Isso foi... muito legal. Eu não cantava há muito tempo.

— Você deveria cantar mais vezes. Sua voz é linda, Q.

— Você só está falando isso para ser gentil.

— Eu estou falando isso porque é a mais pura verdade. Espero que possamos ter mais oportunidades de cantarmos juntas.

— Você pode me chamar sempre que quiser. Eu vou estar à disposição.

— É mesmo? Eu posso acreditar que você vai aceitar todos os meus convites para cantarmos?

— É claro que pode.

— E para dançar? Eu me lembro de você falar que não era uma boa dançarina, mas precisa me mostrar.

— Eu sou realmente péssima para dançar. Você não vai querer ver isso. Eu quase pisei o pé do meu par no baile da escola.

— Pode apostar que eu quero. — Rachel riu e se levantou, puxando-a para segurar a sua cintura. — Vamos fingir que estamos no baile. Eu sou o seu par. Dance comigo.

O sorriso divertido de Quinn diminuiu à medida em que apertava as costas de Rachel, sentindo o braço dela firmemente preso ao seu ombro. Os narizes quase se tocavam. Rachel parou de rir e moveu uma das mãos para traçar um caminho das sobrancelhas até a mandíbula de Quinn. Estavam próximas demais. Mais do que já estiveram antes. Rachel alternou o olhar diversas vezes entre os olhos brilhantes que a encaravam com um punhado de sensações e os lábios que despertavam a sua curiosidade. Seu corpo todo gritava. Não sabia o que tinha na cabeça quando se prendeu ao torso dela. Não sabia o motivo de tudo atraí-la para Quinn daquela forma. E não sabia o que teria feito se Lucien não houvesse batido na porta. O almoço estava pronto.

Elas se assustaram e se separaram. Rachel limpou a garganta e tentou fazer o próprio coração relaxar.

— Vamos?

— Claro.

Quinn não tocou no assunto do que poderia ter acontecido no estúdio. Ela percebeu a briga interna que Rachel estava tendo quando estava praticamente grudada no seu rosto, mas não tinha certeza do que ela sentia e não se atreveria a estragar a amizade que tinham. No entanto, ao contrário do que esperava, Rachel iniciou um novo assunto. Quinn agradecia por isso. Gradativamente, elas focaram em almoçar e rir enquanto conversavam sem parar.

— Eu acho que preciso ir agora. — Quinn disse depois de terminar a sobremesa.

— Mas você disse que não tinha compromissos hoje.

— Eu não tenho, mas não quero ocupar a sua tarde com bobagens.

— Você precisa parar de achar que eu tenho mil coisas para fazer durante o dia. Quando não preciso estar em alguma reunião no teatro ou em jantares, eu sempre estou aqui. Então acredite em mim. Eu poderia passar todos os dias na sua companhia.

Quinn sorriu. Ela partilhava dos mesmos sentimentos, embora achasse, até aquele momento, que eles eram unilaterais e até exagerados.

— Então agora podemos ir para a piscina.

— O quê?

— Hoje o dia está quente, e eu acho que poderíamos ir.

Elas se levantaram.

— Mas eu não trouxe roupas de banho.

— Isso não é um problema. Vem comigo. — Rachel a segurou pela mão e a arrastou até chegarem no closet do quarto dela. — Temos inúmeras roupas de banho, mas nunca são usadas, então você pode ficar com isso. — Ela puxou duas embalagens transparentes de uma das gavetas e as entregou para Quinn. — Eu vou me trocar no banheiro. Você pode ficar à vontade aqui e deixar as suas roupas em cima da cama.

Quinn ficou um pouco atordoada com a velocidade em que tudo se desenrolou, mas abriu as embalagens e vestiu o short de tecido sintético e a parte de cima de um biquíni branco depois de se despir. A peça superior caiu bem, mas o short marcou o seu pênis mais do que gostaria. Essa era, sem dúvidas, uma das ocasiões em que odiava ter um. Seu short de compressão ajudava, mas não estava usando-o naquele dia.

— Quinn? — Ela ouviu Rachel chamá-la do quarto.

— Já estou indo.

Quinn segurou as suas roupas e saiu do closet, parando bruscamente ao ver Rachel distraída tentando prender os cabelos.

Seus olhos percorreram toda a pele à mostra pelo biquíni preto automaticamente, principalmente o traseiro moldado naquele tecido pequeno, fazendo-a amaldiçoar o coração frenético que saltava sem controle e o interior agitado com sensações que não deveria estar sentindo. Como se tudo não pudesse ficar pior, o seu ventre se contraiu, e ela limpou a garganta, tentando evitar que seu rosto ficasse vermelho demais.

— Você fica ótima em roupas de banho. — Rachel analisou Quinn com um sorriso.

Ela leu outra vez a tatuagem do tronco, mas mais do que isso, olhou curiosamente para o volume evidente no tecido apertado. Seu estômago se revirou por um momento.

— Eu sempre uso um short de compressão quando preciso usar roupas de banho. — Quinn deixou as roupas que segurava em cima da cama.

Rachel demorou mais um pouco para levantar os olhos. Quando o fez, notou como o rosto de Quinn estava corado. Sua própria pele esquentou ao constatar que havia encarado um ponto particular dela sem qualquer pudor.

— Você está desconfortável?

— Não. Eu só tenho medo dos olhares.

— Você não precisa usar o short de compressão aqui. Ninguém vai olhá-la diferente. Eu prometo.

Quinn sorriu e a acompanhou até a piscina, admitindo que o dia realmente estava mais quente quando mergulhou. Ela sentiu Rachel segurar a sua mão ao se olharem no fundo da piscina, e emergiram juntas. As mãos ainda estavam unidas. Rachel não queria quebrar o contato, mas também não queria criar uma circunstância embaraçosa, então disparou água no rosto de Quinn, que revidou.

Elas entraram naquela brincadeira, rindo como se fossem duas crianças. Rachel impediu que Quinn continuasse e a segurou pelo braço.

— Vamos parar um pouco. — Ela pediu.

— Tudo bem.

Quinn se virou para se sentar na borda da piscina, mas uma onda forte de água atingiu as suas costas e a sua cabeça. Ela se virou, vendo Rachel segurar o riso.

— Eu confiei em você, Rachel Berry.

— Quinn, você precisa aprender a nunca confiar em mim quando estivermos em uma piscina.

— Você vai pagar por isso.

Rachel soltou uma risada e tentou nadar para longe de Quinn, mas ela foi mais rápida em segurá-la pela cintura e virá-la.

— Peça desculpas.

— Não. — Rachel a circulou com os braços, olhando-a intensamente.

— Peça.

— Não.

Quinn não insistiu mais. Não quando Rachel aprofundou o contato, tocando o seu nariz com o dela. Não havia mais nenhum motivo que justificasse ainda estar segurando-a, mas não tentou se afastar.

Elas se olharam em silêncio. Por mais que tentasse evitar, ficava cada vez mais difícil para Rachel não ficar tão perto dela.

— Isso foi divertido. — Quinn sussurrou.

— Realmente foi. — Rachel respondeu no mesmo tom. Um dos seus braços saiu do pescoço de Quinn para que pudesse tocá-la no rosto. Seus dedos acariciando a bochecha molhada. Um enorme sinal vermelho piscou incessantemente na sua cabeça quando pensou que poderia ficar naquela posição para sempre, o que a fez se afastar, lamentando a quebra do afeto.

Elas nadaram por mais algum tempo, embora estivessem um pouco mais quietas. Quinn se trocou no banheiro do quarto de Rachel e a esperou na sala de estar após saírem da piscina.

— Eu acho que dessa vez preciso mesmo ir. Meu seminário está chegando, e eu preciso estudar bastante.

— Tudo bem. Eu vou deixá-la ir, mas só se me prometer que ainda vamos assistir um filme juntas.

— Promessa feita. Podemos assistir o que você quiser.

Rachel sorriu e autografou todos os vinis enquanto Quinn enviava os endereços para o seu celular.

— Obrigada. — Quinn guardou tudo na sua bolsa outra vez.

— Não precisa agradecer. Essa tarde foi maravilhosa. Eu adorei.

— Eu também adorei. — Elas foram para o hall.

— Não se esqueça da nossa viagem. É nesse final de semana.

— Eu não me esqueceria disso por nada.

Rachel a abraçou.

— Tchau, Quinn.

— Tchau, Rachel. — As duas se separaram. Rachel a observou ir até o carro e dirigir até os portões da mansão antes de fechar a porta.

O ambiente se tornou desconfortavelmente taciturno, como sempre acontecia. Rachel se sentou no sofá, pendendo a cabeça para trás e fitando o teto. Um suspiro saindo dos seus lábios quando a sensação ruim surgiu no seu peito. Sabia o que era.

Saudade.

Saudade de Quinn, mesmo que ela houvesse ido embora há pouco menos de cinco minutos.

Rachel queria que ela não tivesse ido.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. Boa quinta-feira para todos vocês. =D twitter.com/yasagron