A Luz dos Teus Olhos

31 Capítulo 31 - Uma decisão...


Notas iniciais
Dois anos e quatro meses... Quando comecei a escrever, eu não tinha o objetivo de levar nada adiante. Era praticamente um passatempo. Em 2015, tudo era mais fácil. Depois, com o decorrer dos meses, eu queria colocar a escrita como a minha fonte principal de trabalho, mas não pude. Então uma série de obstáculos surgiram. Até o momento em que eu tive de deixar isso de lado por algum tempo. Eu só não sabia que seria um tempo longo demais. A minha escrita mudou drasticamente durante esses dois anos. Então, enquanto não pude escrever algo novo, comecei a editar os capítulos das histórias que estão abertas. Era até uma maneira de me manter ativa nos enredos. E funcionou. Quando você sonha em viver dessa arte, é preciso lidar com várias questões. A falta de apoio de alguns lados, o bloqueio criativo, a síndrome do impostor. Tudo impacta na vontade e no bem-estar de prosseguir. E talvez eu não tenha mais tantos leitores ativos nessas histórias, mas vou continuar com todas. Depois desse texto, eu gostaria de agradecer às mensagens que recebi no Twitter. Algumas pessoas sempre perguntam sobre as atualizações. Não posso prometer que vou atualizar toda semana, mas farei o possível para não demorar tanto tempo assim. Obrigada também à gracekelly pela recomendação deixada em 2018. Me desculpe por não respondê-la antes. Eu fico feliz que tenha gostado da história. Espero que ainda siga aqui para ler o que tem por vir. ♥ Espero também que, quem ainda estiver prosseguindo na leitura, goste do novo capítulo. Desculpem-me se houver algum erro. =D

Quinn desviou os olhos primeiro.

Ela não conseguiu encarar Rachel por tanto tempo e não sabia se sentia arrependimento ou remorso. Provavelmente os dois. Os dois sentimentos se misturavam rapidamente, fazendo-a se lembrar da noite em que não foi atrás dela em Los Angeles e quando ela não desistiu de ir embora. A caixa que recebeu com as chaves e as senhas da mansão em Malibu continuava intocável. Não tinha coragem de abri-la, porque a faria pensar novamente no seu coração dolorido. No entanto, nem mesmo conseguia entreter a própria cabeça. Evitar se prender aos objetos que a lembravam do relacionamento que nem sabia se ainda tinha era como tentar se esconder da vida.

Não havia como escapar.

Talvez fosse mais fácil enfrentar tudo e todos. Não sabia se conseguiria sem tentar. No entanto, dar aquele passo significava que não poderia mais recuar. Que algumas escolhas são irreversíveis. Como a mídia ensandecida no seu encalço. Os fotógrafos na entrada do prédio em que morava, ao redor de Columbia, quem sabe até mesmo na casa dos seus pais. As capas das revistas, as notícias na internet e nas redes sociais.

Ela mordeu o interior da bochecha, fitando Lucy ao invés de voltar o seu olhar para Rachel.

— Eu vou pegar as suas coisas. Pode ficar à vontade.

Foi tudo o que que Quinn pensou em dizer, sem nem se dar conta do quão grosseira foi por ignorar a presença de Rachel daquela maneira, mas ela sentiu. As sobrancelhas franzidas e o olhar chateado foram o suficiente para Quinn dar meia-volta sem tentar falar mais alguma coisa.

Lucy continuava em silêncio. Ela sentia a tensão que emanava das duas. O constrangimento de Quinn e o desagrado de Rachel. Não sabia o que comentar para esvair o clima pesado que se formou naquele apartamento, então apenas seguiu Rachel até entrar completamente na sala de estar.

Quinn respirou profundamente ao caminhar até a mala e a bolsa de Lucy. Deveria ter cumprimentado Rachel. Sabia disso. Era o certo a se fazer. Tentar remediar a situação. Eram namoradas, afinal de contas. Tinham de ser. Não haviam terminado oficialmente. Mas então por que não conseguiu pensar em nada coerente para dizer?

Ela apertou a alça da bolsa. Não queria admitir que estava com medo. Medo de Rachel liquidar o relacionamento se conversassem. Imaginar perdê-la era doloroso demais. Depois do que conversaram e compartilharam. Deixá-la partir era esmagador. Sua mão buscou o colar que recebeu no dia em que foi pedida em namoro. Era a única coisa que a deixava mais perto dela. E ali, um pouco distante e sendo impedida de ser observada, Quinn se permitiu se acalmar um pouco antes de levar os pertences de Lucy para a sala de estar.

— Obrigada, Quinn. — Lucy sorriu. — Eu vou levar isso até o carro. Tudo bem, Rachel?

— Não quer que eu ajude? — Quinn ofereceu.

— Não precisa. Eu acho que vocês precisam conversar um pouco.

— Tudo bem. Eu já vou descer. — Rachel pegou o chaveiro do carro da bolsa e o entregou para Lucy. — Obrigada.

Lucy assentiu e saiu do apartamento arrastando a mala. O ambiente caiu em um silêncio inquietante. Rachel largou a bolsa sobre o sofá e manteve os olhos em Quinn. Ela estava nervosa. Rachel não a julgava. Só estava chateada pelo modo como agiu. Mas não podia culpá-la completamente. Era nova demais. Não saberia como se comportar diante de tanta pressão. Parte da sua cabeça a recriminou por ser tão condescendente. A outra queria abraçá-la. Podia sentir o cheiro da loção do banho que ela usava. Queria tocá-la, embora não pudesse. Não poderia ser tão passível assim. Não depois de Quinn parecer tão distante.

— Lucy sabe, não é? — Rachel apoiou o corpo no recosto do sofá.

— Sim, ela sabe. — Quinn assentiu devagar. — Nos esbarramos em um café hoje de manhã e começamos a conversar. Ela percebeu que era você.

— E depois foram para um aquário em Long Beach.

— Como você sabe disso?

— Adam me contou enquanto estávamos no hospital.

— Eu sinto muito pelo Finn. Como ele está com tudo isso?

— Ele reagiu mal quando soube, mas vai ter o tratamento que precisa.

— Eu espero que ele consiga se recuperar.

— Eu também. — Rachel foi lacônica.

Elas ficaram em silêncio novamente. Quinn não desviou os olhos dessa vez. Rachel parecia triste, mas não apenas pelo Finn. Quinn entendia. Ela mesma estava se despedaçando.

— Sete dias, Quinn. — Rachel quebrou a taciturnidade pela segunda vez. — Não nos falamos há sete dias.

Havia uma dureza no tom usado por ela. Quinn se sentiu acuada. Isso a fez encolher os ombros instintivamente.

— Eu sei, Rachel. Eu estava dando espaço para você.

— Eu nunca pedi espaço, Quinn. Eu sim dei espaço. Espaço para você pensar sobre o que quer fazer.

— Não é tão fácil assim. São escolhas difíceis. Você ter me deixado não me fez bem.

— E você acha que eu queria fazer isso? Não são escolhas. É uma escolha. Ou você está comigo ou abre mão desse relacionamento.

— Ou estou com você e sem Columbia ou sem você e com Columbia.

— Você só vai estar sem Columbia se não aceitar a minha ajuda.

— Eu não posso aceitar a sua ajuda, Rachel.

— Por que não, Quinn? O que tem de tão errado nisso? Você sabe que eu gasto o valor da mensalidade de Columbia semanalmente apenas com as minhas despesas pessoais. Isso não é nada para mim.

— Mas é para mim! Você sabe o quanto eu teria de trabalhar para conseguir esse valor? — Quinn se irritou.

— Então trabalhe. Consiga o valor. Você me paga quando conseguir. Até lá, eu posso adiantar a mensalidade do próximo ano.

Quinn respirou profundamente e passou as mãos nos cabelos. Rachel era teimosa e irredutível, mas estava tentando. E tentar significava que ela não tinha desistido delas.

— Ainda somos namoradas?

— Você sente que ainda somos? — Rachel devolveu a indagação.

— Eu quero dizer que sim, mas também não quero prendê-la nisso, Rachel. Você não deveria perder o seu tempo assim.

— Não é perda de tempo, Quinn. Nada que me faça sentir o que sinto por você é perda de tempo. Você precisa entender que eu quero ajudá-la, mas não posso fazer isso sozinha. Eu também quero a sua ajuda.

— Eu sei. Droga, eu sei, Rachel. Eu sei que quer ajudar. Mas...

— Sempre há um "mas", Quinn. Até quando? Até quando você vai fugir? Eu odiei tê-la deixado e odiei me sentir morta por dentro longe de você, mas não posso pegar na sua mão e guiá-la em uma decisão unicamente sua. — Rachel pegou a bolsa. — Eu acho melhor eu ir. Eu estou cansada, e Lucy está esperando por mim.

Quinn a observou se virar e caminhar até a porta. O semblante exaurido e melancólico. A pergunta martelou a sua cabeça freneticamente. Até quando fugiria? Até quando diria a si mesma que há alguma maneira de sair dessa situação? E sobretudo, até quando ficaria triste sentindo pena da sua própria conjuntura?

— Rachel, espera, por favor! — Quinn a segurou delicadamente pelo braço. — Eu não aguento mais ficar nesse silêncio. Eu lamento que isso tudo seja cansativo para você. É cansativo para mim também. Eu sofri sem você. Sofri todos os dias. Eu fiquei magoada por você ter voltado para Nova York, mas sei que era necessário. Tudo o que eu queria era que os meus pais não fossem dois idiotas.

— Eu também queria, Quinn. — Rachel não puxou o braço. O toque de Quinn na sua pele a acalmava. — Eu também não me sinto bem com todo esse caos e esperei que você me contatasse. Eu sempre estive aqui. Você é quem está me afastando.

— Eu não estou afastando você. Eu só não quero que tudo desabe sobre nós.

— Tudo já está desabando sobre nós, mas você tem a opção de sair dos destroços ou permanecer sob eles.

Quinn assentiu e se aproximou mais, enlaçando os braços ao redor da cintura de Rachel. Aquilo foi o suficiente para fazer o corpo dela relaxar. Todo o peso do dia exaustivo pareceu evaporar repentinamente, ou era apenas a sensação de ser acalentada pela pessoa que mais queria ao seu lado.

— Me desculpe. — Não passou de um sussurro. Quinn pressionou o seu nariz no de Rachel, pincelando-o enquanto a via fechar os olhos e apoiar as mãos nos seus ombros. Com o salto que ela usava, pareciam ter a mesma altura. — Me desculpe por ser tão insistente.

— Eu não quero que peça desculpas, Quinn. Quero que você se sinta bem para decidir os seus próximos passos. Eu não posso forçá-la. Não posso escolher por você. Tudo o que posso fazer é apoiá-la.

Quinn suspirou quando Rachel rodeou o seu pescoço com os braços. Os corpos colados e as respirações engatando foram como um presságio do que estava por vir. Ela quase chorou por estar tão perto de Rachel de novo após tantos dias atrozes.

— Eu senti sua falta.

— Eu também senti, Quinn. Eu senti muito sua falta.

Não foi preciso mais nada depois daquilo. Não naquele instante. Quinn encurtou a distância que a separava da boca de Rachel e a beijou.

Elas suspiraram entre o beijo e até tentaram manter um ritmo tranquilo, mas foi impossível. As mãos puxavam uma à outra. Em poucos segundos, línguas se acariciavam e apertos mais firmes eram distribuídos.

Rachel respirava audivelmente quando Quinn passou a dar atenção para o seu pescoço. Ela gemeu, segurando-a pelos cabelos para tentar descontar o incômodo que começava a aplacar o seu baixo ventre. Desde o início da sua relação com Quinn, tudo o que conseguia fazer ao pensar nela era em como sentia falta dos toques, dos beijos e da química inegável que possuíam. Rachel tinha certeza de que não importava onde estivessem, sempre que Quinn a tocasse, seu corpo responderia imediatamente. Depois de vários dias separadas, a necessidade parecia ter aumentado.

Quinn trilhou os beijos até a mandíbula de Rachel. A perna dela estava erguida e presa à sua cintura. O vestido preso na metade da coxa, onde a sua mão apertava. Rachel a agarrava como se pudesse cair. Um resquício de lucidez acendeu na sua cabeça. Lucy estava esperando no carro. Ela segurou o rosto de Quinn para que pudessem se olhar. Os lábios finos estavam inchados e avermelhados, os olhos verdes dilatados e os cabelos mais bagunçados. Rachel inspirou, procurando o resquício de racionalidade que desaparecia dentro da névoa sexual que preenchia o apartamento.

— Nós não podemos demorar. — Rachel deixou a sua bolsa no chão e puxou Quinn pela cintura, gemendo quando sentiu o volume que ela carregava dentro do short na sua virilha. Ao olhar para baixo, o seu instinto lógico voou para fora daquele prédio tão rápido quanto a sua mão, que foi em direção àquela região, sentindo o pênis parcialmente ereto.

Quinn gemeu em resposta.

— Só vamos demorar se você quiser. — Ela a agarrou pela nuca e voltou a beijá-la.

Rachel se perdeu no beijo, dividindo os seus sentidos entre acariciar Quinn por cima da roupa e deixar que ela a levasse até o sofá. Elas se despiram depressa. Rachel abriu as pernas para Quinn se acomodar sobre o seu corpo. O pênis dela repousava sobre as suas dobras provocativamente.

Quinn afundou o rosto entre os seios de Rachel, que arqueou as costas, ao mesmo tempo em que o som característico do celular ecoava abafado pela bolsa deixada sobre o carpete. Quinn se afastou e o pegou. Poderia ser uma ligação importante. Rachel não atendeu, mas leu alguma mensagem.

— Lucy quer saber se vou descer logo. — Rachel digitou uma resposta e colocou o celular na mesa de centro. — Eu a mandei ir embora.

— Então você vai demorar? — Quinn abriu um sorriso convencido.

— Talvez. Ou eu posso pedir um táxi. Ele me deixaria em Greenwich Village em menos de quinze minutos.

Quinn riu, aproveitando a posição em que estavam para apertar a coxa de Rachel. O seu ego aumentou inconscientemente quando ela elevou o quadril propositalmente para tentar obter algum tipo de contato com o seu pênis.

— Ou talvez possamos continuar o que estávamos fazendo.

Rachel choramingou ao sentir o aperto firme nos seus seios, seguido pela boca de Quinn sobre os seus mamilos e os dedos nos feixes de nervos sensíveis da sua vagina. Suas unhas raspavam as omoplatas dela.

— Merda, Quinn.

Não havia muita sutileza para preliminares. Não depois de mais de uma semana sem contato. Rachel não pensou na força que usou para cravar as unhas nas costas de Quinn quando o pênis dela substituiu os dedos e a penetrou, tampouco no gemido que ecoou em todo o apartamento. Estava prestes a explodir por se sentir tão preenchida. As coisas pareciam resolvidas por um curto período. Finn não estava no hospital, a mídia não estava perseguindo-a e Quinn não precisava se decidir. Rachel deixou que os seus pensamentos fossem calados pelo som dos seus próprios gemidos em conjunto com os de Quinn. Deixou que suas pernas a rodeassem para intensificar a penetração. Deixou que sua boca buscasse pela dela. Os corpos suavam gradualmente. Quinn apoiou a testa sobre a de Rachel, fitando-a enquanto continuava se movimentando sem parar.

— Rachel... — Quinn arfava. Ela podia sentir as mãos de Rachel nas suas costas e na sua bunda. O ar faltava cada vez mais. — Eu amo você.

Rachel abriu os olhos para encará-la, e Quinn não sabia que era possível amá-la ainda mais ao ver o sorriso que ela exibia. Os cantos dos lábios se alargavam brilhantemente. O peito dela descia e subia pela respiração ofegante.

— Eu amo você, Quinn.

Quinn sorriu e continuou presa aos olhos castanhos, mais escuros do que a noite lá fora. Rachel mantinha a boca entreaberta, gemendo progressivamente mais alto sempre que a acertava com golpes mais fundos. Não precisavam de muito para atingirem o orgasmo. Quinn já sentia os testículos apertarem e as unhas de Rachel forçarem-na contra o próprio corpo. Sabia que ela estava prestes a gozar. As paredes vaginais massageando o seu pênis a faziam atingir o ápice também.

Os corpos estavam colados. Rachel não trocaria aquela posição por nenhuma outra. Ter Quinn nos seus braços daquela maneira era como segurar o mundo nas mãos depois de quase perdê-lo. Ela a beijou por longos minutos, tentando estabelecer uma cadência por causa das ações frenéticas na sua vagina. Seu estômago apertava. Se ainda não estivesse com os lábios grudados ao dela, gritaria quando o orgasmo a fez apertá-la e se remexer pelos espasmos.

O gemido de Quinn reverberou no fundo da sua garganta. Seus braços, que seguravam um pouco do peso do seu corpo, fraquejaram, derrubando-a sobre Rachel. Seu pênis pulsava e derramava o resultado do que fizeram no interior da entrada quente. Elas sorriram. Quinn manteve a cabeça no peito de Rachel, sentindo as carícias nas suas costas. Ela não sabia dizer o que mais gostava. O antes, durante ou depois do sexo. Tudo era desproporcional com Rachel. Mas era irremediavelmente prazeroso ficar dentro dela depois do orgasmo.

— Podemos ficar aqui? — Rachel pediu, soltando um gemido baixo quando Quinn se moveu para retirar o pênis da sua vagina.

— Claro. Eu só vou pegar um cobertor. — Quinn a deu um selinho e se levantou.

Rachel esperou que ela voltasse, o que não demorou muito. O sofá era suficientemente grande para abrigá-las com facilidade, mesmo que não fosse necessário nem metade daquilo por estarem abraçadas.

Elas permaneceram em um silêncio confortável. O braço de Rachel enlaçava a cintura de Quinn. A cabeça perfeitamente encaixada no pescoço dela. As respirações combinavam o compasso. Quinn afagava os cabelos de Rachel calmamente.

— Nós somos namoradas?

Rachel a encarou.

— É o que você quer?

— É tudo o que eu mais quero.

Rachel assentiu.

— É claro que somos.

Quinn sorriu.

— Finn vai continuar morando na mansão, não é?

— Nós temos vários imóveis. Alguns em Nova York. Mas a única mansão no centro de Manhattan é a que estamos agora. As outras estão espalhadas em outros estados e países. Acho que seria mais confortável para ele ficar lá. Até mesmo para quem for visitá-lo.

Quinn assentiu. Ela não queria parecer ciumenta. Não achava ser maduro. Ela só não conseguia imaginar Rachel voltando a viver com Finn de maneira conjugal. Sabia que ele faria de tudo para retomar o casamento.

Rachel a segurou pelo queixo, como se pudesse ouvir todos os seus pensamentos.

— A mansão vai ser adaptada para o Finn. Depois, Carole, Burt e Kurt vão hospedar médicos e fisioterapeutas lá. Lucy também. Ela quer ficar perto dele. Mas eu vou para o meu apartamento em TriBeCa. Eu estou dividindo todos os imóveis igualmente. Espero que todos os documentos estejam prontos quando ele se recuperar. A divisão de bens é a parte mais chata.

— Você não precisa fazer isso por minha causa.

— É por sua causa e por várias outras. Eu não vou me sentir confortável na mansão e quero que ela seja dele. Ela foi marcada pela infância do Adam, mas também por um casamento cômodo. Eu não vejo sentido em continuar ali. Vou recomeçar do zero, em um lugar em que você possa frequentar livremente. Esse relacionamento é sério para mim, Quinn. O acidente do Finn não impede o divórcio.

Os olhos de Quinn se encheram de lágrimas. Como pudera ser tão sortuda a ponto de ter Rachel ao seu lado compreendendo todas as suas dúvidas mesmo depois da falta de contato que sofreram? Nunca precisava explicar nada. Rachel sabia. Rachel sempre sabia. Ela se sentiu egoísta por ter ficado tão indecisa sobre o que escolher. Não havia o que fazer. Não poderia ficar sem Rachel. Poderia ficar sem aquele apartamento, sem a mesada que recebia, sem o seu carro e até mesmo sem Columbia. Mas não sem ela. Nunca sem ela. Os dias distantes serviram apenas para mostrar que o seu coração a pertencia. Estava acorrentado. Se a deixasse escapar, jamais pararia de sofrer. Se não entregasse tanto quanto estava recebendo, seria como privar o que mais desejava. Há coisas que podem ser desfeitas. Outras não. O seu anonimato era uma delas. Mas, principalmente, a dor de não a ter. E só um deles era proeminente. O conselho de Brittany invadiu as suas lembranças. Sempre que olhava para Rachel, sua cabeça e seu coração concordavam. Talvez já tivesse escolhido o que realmente queria há muito tempo. Só nunca disse em alto e bom som.

— Que bom, porque eu vou precisar me esconder quando os fotógrafos me importunarem.

— O que... — Rachel não soube o que responder. Estava pronta para tentar encontrar alguma solução temporária para aquilo, mas não que Quinn praticamente desse uma resposta sobre o embate que vivia.

— Eu tentei fugir desde que tudo explodiu, Rachel, mas não há como fugir do amor, não é? Acho que eu sempre tive a resposta. Eu só tinha medo de verbalizá-la. Você achou mesmo que eu seria louca em não escolher você? Eu sempre vou escolher você.

Elas sorriram, emocionadas, e trocaram um beijo molhado pelas lágrimas que saíam de ambos os olhos. A promessa de que Quinn iria dar aquele passo. Custe o que custasse. O resto da noite passou em um piscar de olhos. Rachel contou como foi a cirurgia de Finn e tudo o que fez durante os dias em que não trocaram telefonemas ou mensagens. Quinn a observava de soslaio, vez ou outra beijando-a amorosamente. Ela poderia enfrentar a mídia se no final do dia estivesse com Rachel daquela forma.

Quinn não se sentiu arrependida.

•••

Na manhã seguinte, Quinn bateu na porta do apartamento de Santana e Brittany.

Ela não queria arriscar encontrá-las no carpete da sala completamente nuas como aconteceu na última vez em que decidiu entrar sem aviso prévio. Os comentários de Santana sobre como o seu rosto parecia queimar fervorosamente já foram irritantes o suficiente durante toda a semana que sucedeu o acontecimento.

No entanto, ninguém apareceu para atendê-la.

Quinn não as julgava. Era cedo, estavam de férias e não tinham nada programado para aquele dia. Mas precisava muito conversar com elas. Sabia que Adam continuava sendo o seu melhor amigo, mas achou melhor não detalhar tanto a sua vida com Rachel para ele. Pelo menos não ainda.

Ela insistiu, batendo outra vez na madeira pintada perfeitamente de uma tinta branca suave, mas não foi recebida por nenhuma das duas.

— Eu realmente não queria fazer isso. — Quinn murmurou, puxando a chave de emergência que guardou no bolso da calça e abrindo a porta devagar.

A sala de estar permanecia parcialmente escura. O sol sendo impedido de entrar pelas cortinas nas janelas. Ainda dormiam. Quinn caminhou até o quarto delas. Com cuidado, girou a maçaneta, mas a voz que soou do cômodo a fez sobressaltar.

— Pode entrar, Quinn. Não estamos nuas.

— Bom dia, Q. — Brittany sorriu ao vê-la caminhar até a cama de casal.

— Vocês estavam me ignorando?

— Estávamos ignorando a pessoa que se atreveu a bater na nossa porta às sete da manhã, mas era você. E eu sabia que usaria a chave se fosse realmente importante. É importante?

— É sobre a Rachel.

— Então por que usou a chave?

— Sant! — Brittany a censurou. — Isso é importante.

Santana bocejou, se sentando para que pudesse apoiar o corpo na cabeceira da cama.

— Tudo bem. Desculpe. É que alguém me acordou cedo demais.

Quinn revirou os olhos e ignorou o mau humor de Santana. Ela sempre ficava assim de manhã. Ela retirou o par de tênis e se acomodou entre elas quando Brittany a chamou.

— E então? O que aconteceu?

— Eu fiz a minha escolha. Deveria ter feito há muito tempo, mas acho que finalmente consegui. — Quinn sorriu.

— E você escolheu a Rachel, suponho. Não para de sorrir. — Santana disse.

— O que mais eu poderia escolher? Eu a amo.

— Então está pronta para ser vista com ela publicamente como um casal? — Brittany perguntou.

— Eu vou estar pronta gradativamente. Até lá, vamos evitar sair em público. Finn ainda precisa passar pela fisioterapia, e com a família dele por perto, a mídia e os fãs, o divórcio vai demorar um pouco.

— Eu imaginei que sim. — Santana assentiu. — Mas você está feliz? Tem certeza disso? Seus pais praticamente vão abandoná-la.

— Eu preciso estar. Vou encontrar um trabalho que pague razoavelmente bem. Não vai ser o suficiente para pagar Columbia, e os meus pais provavelmente vão confiscar o apartamento, mas Connor sugeriu que dividíssemos o dele.

— O quê? Você vai morar com o Connor? Nós temos um quarto sobrando aqui, sabia disso?

— Sim, eu sabia, mas...

— Se você falar que vai nos incomodar...

— Santana, Connor mora sozinho e passa a maior parte do tempo com o Adam. Vocês já moram juntas e precisam ter o próprio espaço.

— Quinn, nos conhecemos há dez anos. Qualquer lugar que Britt e eu chamemos de casa só será uma casa se você estiver conosco.

Quinn abriu um sorriso agradecido. Ela tinha conversado com Rachel sobre isso, que insistiu para que fosse morar em TriBeCa, mas não recebeu respostas positivas. Quinn já tinha cedido demais ao deixar que ela arcasse com o valor da mensalidade do ano seguinte, contanto que tratassem aquilo como um empréstimo e legalizassem tudo. Morar de favor na casa da namorada em um apartamento de luxo situado em uma das áreas mais sofisticadas da cidade era pedir demais. No fim, ela entendeu, e Connor praticamente a obrigou a morar com ele quando trocaram mensagens assim que Rachel voltou para Greenwich Village.

— Eu amo vocês, e vocês são a minha casa também, mas eu vou me sentir melhor assim, tudo bem?

Santana cruzou os braços contrariada.

— Você sabe que Connor vai me provocar por estar morando com a minha melhor amiga, não sabe?

— Sim, eu sei.

— Eu não vou ter argumentos contra ele, Quinn.

— Talvez você possa insultá-lo.

— Não é o suficiente. — Santana bufou. — Eu odeio você. Mas também estou orgulhosa.

— Nós duas estamos. — Brittany puxou Quinn para um abraço.

Quinn a apertou. Precisava daquilo. Se sentia eufórica por estar se preparando para iniciar um relacionamento de verdade com Rachel. Sem dúvidas, receios ou vítima da chantagem dos seus pais. Porém ainda sentia medo. O medo que se alojava timidamente e contraía o seu estômago pela sensação de desconhecer tudo o que a aguardava com a sua decisão a deixavam temerosa e ansiosa pela nova vida que estava prestes a ter.

Notas finais
A Quinn finalmente tomou uma decisão. Eu não quis alongar tanto esse plot porque tudo o que pretendo abordar vem depois disso. Acho que foi uma boa hora para ela decidir algo. Espero que tenham gostado. Me deem o feedback. Depois de dois anos, preciso saber se ainda tenho leitores aqui. Favoritem também. É sempre importante. Boa semana para todos vocês. =D twitter.com/yasagron
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.