A Luz dos Teus Olhos
25 Capítulo 25 - Ambivalência...
Notas iniciais
Eventualmente, nos dez dias que se seguiram, Quinn enevoou os próprios olhos. Ainda estava em Los Angeles, assim como Rachel. A Vanity Fair a fotografou e a entrevistou longe do centro, e a edição se tornou a mais vendida do ano em poucos dias. Rachel revelou mais alguns detalhes sobre como andava o casamento e o motivo do divórcio. Depois disso, ambas praticamente não saíram do apartamento. Ainda evitavam andar publicamente por causa da mídia e dos fãs, mas isso não impediu que Quinn se sentisse contente por ver como Rachel, Frannie e Cassandra pareciam amigas há muito tempo.
Na campânula que criaram, Quinn aproveitou cada minuto sem precisar pensar na mídia. Ela cozinhou para Rachel, tomou banho com Rachel, assistiu todos os filmes que gostava e desgostava com Rachel e dormiu todas as noites abraçando-a após tocá-la de todas as maneiras possíveis. Se pudesse denominar aquilo tudo, seria como viver uma lua de mel com a sua recente namorada.
Porém, naquela manhã de quinta-feira, elas finalmente saíram um pouco. Rachel alugou um carro e dirigiu até Malibu. Quinn andava calmamente ao lado dela, mas não a segurava pela mão, embora quisesse. O dia ainda estava amanhecendo, e a praia estava vazia, exceto por alguns surfistas rompendo as ondas mais distantes. A vista era irretocável, mas Quinn estava mais interessada em observar como a brisa matutina sacudia os cabelos e o vestido de Rachel, que olhava a areia molhada abaixo dos seus pés descalços.
Os dias em que passaram tão concentradas uma na outra fizeram com que se conhecessem ainda mais. Quinn já sabia boa parte das histórias de Rachel e contara mais algumas quando se lembrava. Podia enumerar todos os sinais do corpo dela, os sorrisos que gostava de distribuir, as alergias, os lugares que preferia frequentar. Mais do que amar beijá-la, Quinn amava falar com ela. Era cômodo demais. Era fácil demais. Ela a entendia em um piscar de olhos, como se escaneasse todos os seus pensamentos. Como se a conhecesse antes mesmo de se autoconhecer.
Quinn suspirou. Não podia amá-la mais do que já a amava, ou o seu coração não aguentaria. Ela sorriu ao vê-la sorrindo observando o nascer do sol, achando que, naquele momento, Rachel era mais bonita do que a cor alaranjada que cobria a cidade.
— Eu amo você. — Quinn sussurrou, mas Rachel ouviu e a encarou.
— O quê?
— Eu amo você. — Quinn manteve o tom de voz baixo.
— Eu também amo você. — Rachel sorriu mais. — Mas não precisa sussurrar, meu amor. Estamos sozinhas. Aqueles surfistas não vão reparar em nós.
— Mas eu tenho medo. Medo de que toda essa felicidade que eu estou sentindo acabe. — Quinn confessou. — Eu nunca senti isso, Rach, e sentir tanta alegria me deixa temerosa.
Rachel continuou sorrindo, mas em compreensão. Entendia Quinn. Apesar das atribulações que ainda passava, não se sentia tão feliz há muitos anos. Quanto mais conhecia e convivia com Quinn, mais tinha certeza de que a queria. Ela era mais do que a sua namorada. Era a amiga que nunca tivera. Estava se tornando a sua maior confidente e companheira. Rachel não conseguiria esconder nada dela. A serenidade que ela exalava a aconchegava. Mas também sentia medo. Medo de que algo acontecesse e as tirasse daquela paz.
Ela segurou a mão de Quinn em um impulso. Estava se arriscando. Não sabia se alguém tinha notado a sua presença ali, mas precisavam daquilo. Os dedos delas se entrelaçaram.
— Eu iria esperar até o fim do dia, mas eu acho que é uma boa hora agora. — Rachel puxou Quinn para saírem da areia molhada. Elas andaram até o começo da praia e subiram a escada de concreto que as levava para o alto da montanha.
Cercada por árvores, muros de folhagem e arbustos, havia uma mansão. Quinn continuava confusa, mas passou pela vasta área da frente e pela piscina, parando na frente da porta de madeira maciça que deveria ter o quíntuplo do seu tamanho. Tinha três andares. A fachada era tão grande quanto o imóvel em si. Talvez Quinn estivesse pegando alguns costumes de Santana quando a comparou com uma cidade inteira. Ela não queria nem pensar no valor que deveria custar, principalmente pela localização e pela decoração ostentosa.
— O que estamos fazendo aqui? — Quinn perguntou.
— Fazendo uma visita. — Rachel respondeu e digitou a senha da fechadura eletrônica.
— Rachel...
— Vem, Q. — Rachel a puxou de novo para entrar após abrir a porta. — Esse lugar é lindo, não é?
Quinn não respondeu. Ao invés disso, seus olhos varreram a área interna. Estava meticulosamente mobiliada com um sofá extenso, uma televisão que ocupava quase metade da parede, um lustre de cristal, uma chaise perto da parede de vidro dos fundos do cômodo, quadros com molduras escuras e côncavas e um piano de cauda próximo à escada circular. O piso laminado de madeira brilhava pelo enceramento. A divisão com a sala de jantar a permitia ver somente uma sombra da mesa. Se fosse tão grande quanto a sala de estar, poderia competir com a mansão de Greenwich Village.
Quinn andou devagar até o piano. Havia um porta-retratos familiar em cima dele. Na foto, Rachel estava sentada entre as suas pernas, usando short e camiseta. Os cabelos no alto da cabeça. As mãos estavam espalmadas no seu pescoço, e as duas sorriam uma para a outra com os narizes colados. Frannie capturou aquela imagem sem avisá-las, mas eram gratas a ela. Era a primeira foto de casal que tinham
Quinn só não entendia o que ela estava fazendo ali.
— Eu acho que essa casa merece receber os nossos detalhes. — Rachel a abraçou por trás e apoiou o queixo no ombro dela.
— Por que...
— Eu nunca tive um motivo concreto para investir em uma casa na Califórnia, mas você é a minha namorada, e Frannie e Cassandra moram aqui. Eu quero estar por perto e quero que essa casa também seja sua. — Rachel raspou as unhas suavemente na barriga de Quinn sob a camiseta. — Podemos mudar todos os móveis se quisermos. Eu ainda não concluí o negócio, mas só preciso de cinco minutos e um telefonema para Ellie.
Quinn não sabia o que dizer. Seus dedos acariciavam o porta-retratos sutilmente, e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela sempre se relacionou com receio, temendo que a sua intersexualidade pudesse ser rejeitada ou que não a entendessem. Mas Rachel era tão atenciosa e amorosa que expulsava quase totalmente as suas vulnerabilidades.
No entanto, apesar do gesto verdadeiro e amável, Quinn não sabia se iria se sentir confortável imaginando o valor que Rachel gastaria somente porque a sua irmã e a sua cunhada moravam na Califórnia. Ela cresceu cercada de bens materiais valiosos. A casa dos seus pais sempre foi motivo de comentários em Lima. Mas era normal que arcassem com tudo até certa idade. Ver a sua namorada fazendo o mesmo não era comum.
Ela deixou o porta-retratos sobre o piano e se virou, segurando os braços de Rachel delicadamente.
— Eu... eu não acho que essa casa seja uma boa ideia, Rach.
— O quê? Por que não? Você não gostou? Eu quis fazer uma surpresa, mas nós podemos olhar outra e...
— Não é nada disso. A casa é linda. Eu ainda estou tentando procurar um elogio melhor. Mas é grande demais e deve custar uma fortuna.
— Eu disse que quero que essa casa também seja sua. O preço não é nada perto do significado que ela vai carregar. Nós vamos trazer os nossos amigos e a nossa família aqui, e no futuro... no futuro podemos ter a nossa própria família.
— Você pensa em ter uma família comigo?
— É claro que sim! Quinn, eu amo você. Estamos namorando. Você não pensa nisso?
— É claro que eu penso. — Quinn respondeu apressadamente. — Eu penso nisso há algumas semanas. Desde que você saiu de Lima após o Finn descobrir tudo. Mas no futuro talvez eu consiga arcar com tudo isso. Hoje não.
— Então esse é o problema? O orgulho?
— Todos temos orgulhos, Rach. E você fala do preço dessa casa como se fosse nada.
— Mas para mim é nada. Eu gastaria qualquer quantia por quem eu amo. Nós vamos precisar de um lugar calmo quando a mídia resolver atacar novamente.
— Eu não quero pensar sobre isso agora.
Rachel se calou. Ela observou como a postura de Quinn esmoreceu e como os olhos dela desviaram para o chão. Estava melancólica e tentava não demonstrar.
— Qual é o problema, Quinn? Qual é realmente o problema? — Rachel cruzou os braços.
Quinn respirou fundo, apertando o pingente do colar que tinha recebido de Rachel. Isso era algo que vinha fazendo constantemente quando não conseguia dormir durante a noite. Ela pensava sobre o que aconteceria no instante em que o divórcio fosse concluído e a mídia iniciasse a perseguição para saber quem era a pessoa por quem Rachel estava apaixonada. Depois de se sentir frustrada por não ter o nome revelado, as coisas se acalmaram, e os seus pensamentos repercutiam a mesma nota. O que aconteceria a partir dali? Seria, de fato, conhecida somente por ser a namorada de Rachel Berry? Mais do que isso, a amante dela por um curto período? Isso atrapalharia a sua carreira profissional? Será que, não importava o quão bem-sucedida fosse, a sua síntese sempre envolveria o seu namoro? Conseguiria lidar com a destruição do seu anonimato? Amava Rachel e não cogitava sair de perto dela, mas pensar na quantidade de notícias que surgirão como consequência do seu namoro público era intimidante. Tudo o que desejaria era se trancar no apartamento de Frannie até tudo passar.
Mas quando passaria? A fama de Rachel era algo que fazia parte dela de forma intrínseca e indelével. Algo que ela sempre quis. Mas Quinn nunca pensou nisso. Nunca pensou em ser conhecida por uma legião de pessoas. A nova realidade que enfrentava era assustadora demais, por isso tentou esquecê-la brevemente. Sabia que era errado. Não podia ignorar um detalhe tão grande e tão importante. Mas precisava, porque de certa forma, ao mesmo tempo em que sentia orgulho de ser a namorada de Rachel, Quinn também se sentia incapaz de ter segurança diante do que falariam a seu respeito. Era uma ambivalência difícil de acompanhar.
— Quinn? — Rachel a despertou dos seus conflitos internos. — Quinn, o que está acontecendo?
— Não é nada, Rach.
— Não minta para mim. Nós começamos a namorar há pouco tempo, e eu não quero que exista uma mentira aqui.
Quinn se apoiou no piano e inspirou profundamente.
— Parece que toda a minha confiança se foi, e eu estou com tanto medo do que a mídia pode fazer, Rachel. — Ela confessou. — E quando eu vi essa casa, eu pensei novamente no tamanho da sua fortuna e que não quero as pessoas achando que estou com você por causa do seu dinheiro.
Rachel amenizou a expressão. Quando era mais nova e menos experiente, ela tivera medo das notícias que fariam nos tabloides. Tivera medo de não se adaptar a isso. Mas então, no decorrer dos meses e anos, ler comentários, manchetes e ver fotos e capas de revistas se tornou mais simples. Ela conseguia entender Quinn perfeitamente.
— Eu sei que tudo isso pode assustar, principalmente quando a sua vida mudou drasticamente em tão pouco tempo, mas eu estou aqui com você e não vou deixar que nada a machuque. — Rachel se aproximou e a segurou pela cintura. — Eu só não quero que se sinta mal por estar comigo, porque eu também tenho medo de você desistir de nós.
— Eu não estou mal. Você é a pessoa que mais me faz bem. — Quinn a abraçou pelos ombros. — E eu não vou desistir, Rachel. Abrir mão de você é inimaginável.
— Então converse comigo. Não guarde as suas inseguranças só para você. Somos amigas, não somos?
— É claro que somos.
— Eu te amo. Se qualquer coisa a incomodar, eu quero que me fale. A minha vida não é só minha. Eu estou compartilhando tudo o que tenho com você.
Quinn abriu um meio-sorriso.
— Eu prometo que vou falar.
— Jura de dedinho? — Rachel ergueu o dedo mindinho.
Quinn soltou uma risada e fez o mesmo.
— Eu juro de dedinho. — Ela enlaçou os dedos. — De onde você tirou isso?
— Do Max, meu sobrinho e afilhado. Ele sempre me faz jurar. Você precisa conhecê-lo. Diferente da Maggie, ele não para quieto.
— Você quer que eu conheça os sobrinhos do Finn?
— Kurt é o meu melhor amigo. Eu contei que ele quase me empurrou para você.
— É, ele parecia muito empenhado em arrancar detalhes sobre mim no aniversário do Adam.
— Ele gosta de analisar as pessoas. É bastante curioso.
— Isso é porque você já estava interessada em mim.
Rachel riu.
— E você em mim.
— Eu não deveria. Você era casada.
— Você não se preocupou com isso e desrespeitou o meu casamento.
— Podemos desrespeitar um pouco mais. — Quinn a beijou.
Rachel a apertou entre o próprio corpo e o piano. Suas mãos brincando no cós da calça dela, e a sua língua lutando para ditar o ritmo. Alguns arrepios começavam a atravessá-la, mas ela cortou o beijo, encarando os olhos esverdeados levemente dilatados.
— Mas antes... — Rachel a deu um selinho. — Eu quero saber se gostou da casa.
— Rach...
— Eu quero saber a sua opinião. A opinião da minha namorada.
— Você não vai desistir, não é?
— Você sabe que não.
Quinn sorriu e assentiu.
— A casa é maravilhosa.
Rachel sorriu satisfeita. Era isso o que precisava ouvir para fechar o negócio.
E Quinn tentou não pensar nos milhões de dólares que ela deixaria ali.
•••
Elas voltaram para o apartamento perto do meio-dia, quando Quinn já estava habituada com todos os cômodos da mansão. Ela conheceu a sala de jantar, a cozinha, os banheiros, a sauna, a academia, o escritório e todos os quartos, o que quase a fez transar com Rachel na cama enorme do maior deles, mas a ligação do diretor de Wicked era importante demais para recusar, então, com o clima já arruinado, conversaram e planejaram o que fariam no imóvel. No final da manhã, o incômodo de Quinn já estava se dissipando.
— Vocês demoraram. — Frannie não tirou os olhos do laptop.
— Estávamos na praia resolvendo algumas coisas. — Quinn fechou a porta. — Vamos tomar banho e depois podemos pedir algo para o almoço. O que você acha?
— Não precisa. Cassie saiu cedo do trabalho e me ajudou a fazer o almoço. — Ela finalmente fitou o casal. — Vocês viram a nova notícia sobre o Finn?
— Notícia? Não. Não soubemos de nada. Aconteceu alguma coisa?
— Nada demais. Só foi comunicado que ele tem outra filha. Ele foi visto deixando o laboratório há uma semana, e não foi difícil para a mídia juntar as peças. A equipe dele publicou o anúncio horas atrás.
Rachel apenas assentiu. Não importava Lucy ser filha de Finn, mas o desconforto a assolou quando se lembrou da sua intuição não ser a favor dela. Como meia-irmã de Adam, Rachel teria de conviver com ela de vez em quando.
— Eu espero que ele esteja feliz com isso. — Quinn respondeu, alheia ao desagrado de Rachel, e passou o braço sobre os ombros dela. — Vamos?
— Sim, vamos. — Rachel a acompanhou até o quarto.
Elas tomaram banho devagar. Quinn queria continuar embaixo da água quente sentindo os beijos de Rachel no seu pescoço e acariciando os seios dela até continuarem o que queriam fazer em Malibu, mas também não queria fazer Frannie e Cassandra esperarem demais para almoçarem.
— Frannie se casa daqui a quatro dias. Está pronta para ser a melhor madrinha de casamento que alguém poderia ter? — Quinn brincou enquanto se vestia.
— Eu vou ser a madrinha das madrinhas. — Rachel respondeu no mesmo tom.
Elas riram, mas franziram o cenho ao ouvirem vozes ecoando da sala de estar.
Quinn tomou a iniciativa de sair do quarto, caminhando em passos leves no corredor. Ela nunca sentiu tanto desgosto por ver um pedaço da sua família e um pedaço da família de Cassandra abraçando Frannie energicamente. Eles estavam distraídos demais para notarem a sua presença, mas Judy e Russel não.
— Quinn!
— Oi, mãe. — Quinn fingiu um sorriso quando Judy a abraçou e trocou um olhar com Frannie, que estava igualmente surpresa.
Ela continuou sorrindo ao ser engolfada pelos braços da sua avó paterna, Frances.
— Como você cresceu! — Era o que sua tia Eileen sempre dizia.
— Você disse isso quando a vimos no último Natal. Quinn já tem 20 anos. — Frances rebateu.
Quinn reconhecia que sentia falta delas. Eram mulheres de meia-idade gentis e carismáticas, mas não estava animada como deveria, porque talvez não reagissem bem quando soubesse do seu namoro.
— Eu... preciso ir para o meu quarto. — Quinn se afastou.
— Nada disso. Nós vamos para o apartamento que Judy e Russel alugaram no prédio ao lado. — Frances disse.
— Vocês deveriam ter ligado. Eu iria buscá-los no aeroporto. — Frannie tentou soar despreocupada.
— Era uma surpresa. — Judy contrapôs.
— Vocês podem ir na frente. Eu vou fazer um telefonema antes.
Quinn conseguiu desviar dos argumentos que escapavam da ponta da língua da sua avó e voltou para o quarto, soltando todo o ar que tinha prendido. Definitivamente não estava pronta para uma chuva de abraços e conversas casuais com a sua família, mas sabia que Frannie adorava isso. Precisava evitar atrapalhar a comemoração do casamento dela.
— A sua família chegou para os preparativos finais do casamento de Frannie e Cassandra? — Rachel perguntou. Estava sentada na cama.
— Sim, eles chegaram. — Quinn se jogou ao lado dela. — Podemos ficar aqui essa tarde?
— Mas eu preciso ajudar também. Sou uma das madrinhas. — Rachel sorriu, e Quinn gargalhou.
— E você vai, mas não agora. — Quinn a puxou para se deitar.
— E o que vamos fazer agora?
— Eu posso dar uma dica. — Quinn aproximou os lábios do ouvido dela. — É o que não pudemos fazer em Malibu.
— Isso parece bom. — Rachel soltou um suspiro pesado e a beijou.
Quinn sorriu, reprimindo um gemido quando Rachel abriu as pernas e a encaixou entre elas, arranhando a sua nuca e segurando a sua camiseta. O seu short começou a ficar apertado demais, especialmente depois de descer uma das alças do vestido dela para acariciar um dos seios coberto pelo sutiã.
Elas trocaram alguns selinhos. Quinn estava pronta para tirar a camiseta, mas a porta do quarto foi aberta bruscamente, revelando a figura de Judy com uma Frannie ofegante logo atrás. Quinn se levantou rapidamente.
— Eu tentei segurá-la, mas não consegui. Ela passou por mim como um tornado.
— Eu sabia! — Judy quase gritou, passando as mãos no rosto. — Eu sabia que não era verdade! Sabia que você não iria desistir tão fácil dela! Estava e está encantada demais para enxergar a verdade!
Quinn fechou os olhos, sentindo a cabeça martelar somente em cogitar o que Judy falaria e faria para separá-la de Rachel. Podia enxergar a sua paciência indo embora. O medo que vinha sentindo talvez não fosse tão exagerado e descabido.
Pela primeira vez, ela desejou estar na casa que Rachel havia mostrado em Malibu.
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