A Love That Has Withstood Time
8 Novo Começo.
Quando eu acordei, percebi que Jack já havia saido. Me levantei, observando a extensão do trailer, e segui para o banheiro. Lavei o rosto, para despertar-me do sono que ainda sentia e voltei, sentando-me na cadeira, diante da mesinha. Enquanto mechia no pacote de pão, percebi que havia um bilhete, ali. Peguei o pedaço de papel e li, esboçando um leve sorriso.
" Fui à casa de Laureen. Não irei demorar, prometo. Arrume as malas, viveremos nossa vida.
Jack Twist."
Sorri, e coloquei o bilhete no lugar onde estava. Comi, sem muita pressa, pois teria, agora, toda a vida ao lado dele. Depois que comi, fui banhar-me e escovar os dentes e, logo em seguida, segui ao armário, para arrumar tudo o que eu tinha. Peguei a única mala que eu tinha, colocando, dentro dela, minhas poucas peças de roupa, meus pertences, que também eram poucos, e as blusas manchadas de sangue, dobradas perfeitamente. Peguei as fotos que estavam coladas e coloquei-as no bolso exterior da mala. Guardei, também, escova de dente, escova de cabelos e o restante dos materiais de higiene.
Jack chegara, depois de algumas horas, com um sorriso imensamente largo, estampado no rosto. Pegou um pacote de bolachas, no armário sobre a pia, e olhou-me.
- Já se arrumou?
- Já. Não tenho tanta coisa. — Comentei, enquanto pegava minha mala, e colocava o chapéu sobre a cabeça.
- Então vamos. — Ele sorriu, e arrancou a mala de minha mão, seguindo para a caminhonete dele.
- A pegou de volta? — Eu sorri, observando a caminhote perfeitamente nova.
- Claro! Vou deixá-la lá? — Ele riu, colocando minha mala no banco de trás, ao lado das dele. — Peguei tudo o que me pertencia, lá.
- Para onde vamos? — Perguntei, ainda rindo, enquanto me sentava no banco do carona. O observei entrar na caminhonete, acomodando-se, como eu, no banco.
- Viver nossa vida. — Ele comentou, dando a partida no veículo, e saindo, estrada afora, comigo.
- Temos tantos lugares para vivê-la. — Olhei para ele, esperando que ele respondesse.
- Viveremos em todos eles, então. — Ele sorriu, me olhando.
- Ande logo com isso, Jack! Aonde vamos? — Eu ri, mais uma vez. Era impossível não sorrir, com ele ao lado.
- Vamos tocar o rancho. — Ele sorriu, fitando a estrada.
- Que rancho? — Perguntei, intrigado.
- O que iríamos tocar. Vai negar, novamente, o convite? — Ele me olhou, rapidamente, mas logo voltou a concentrar-se na estrada.
- Não, não vou negar. — Comentei. — Só quero saber que rancho é.
- O de meus pais. — Ele respondeu. — Não vai demorar muito para que eles partam. Temos que tocar aquilo.
- Hm... — Abaixei a cabeça, então, sorrindo sutilmente. Era tudo que eu queria, naquele momento. Depois de 25 anos, tudo parecia estar dando certo. Pelo menos no meu ponto de vista. Nada seria tão fácil, eu sabia. Mas... não acho que nada me derrubaria. Não mais.
Chegamos na casa dos pais de Jack em, mais ou menos, oito horas de viagem. A Sra. Twist já encontrava-se na porta, como se esperasse nossa chegada. Um grande sorriso invadia o rosto dela, assim como invadia o rosto do Sr. Twist. Era a primeira vez que eu o via sorrir. Saimos, juntos, da caminhonete, e carregamos nossas malas, até a porta de casa.
- Eu sabia que tudo daria certo. — A Sra. Twist segurou em minhas mãos, olhando-me, sorridente. — Eu sempre soube!
- E nada me deixa mais feliz, Sra. Twist! — Respondi, sorrindo, recebendo os leves dapinhas que ele adepositava nas costas da minha mão.
Jack e eu deixamos nossas malas no quarto dele, e voltamos à sala da casa. Sentamos diante da mesa, e conversamos, agora, em família. Jack, em momento algum, retirou sua mão de cima da minha. Vez ou outra ele a apertava, e isso fazia com que eu o olhasse, rapidamente. Ambos estávamos sem chapéu, não era preciso. Os cabelos negros de Jack Twist ofuscavam os meus ralos fios cor de mel, mas, tudo junto, ficava numa perfeita sincronia.
Ficamos na casa dos pais de Jack por 10 meses. Conseguimos ajeitar quase 70% do rancho, incluindo plantação, reforma e gado. Estava quase pronto. Queríamos continuar, mas Jack e eu precisávamos de um tempo só nosso. Partimos, então, para Brokeback. Agora tínhamos barraca de dormir e cavalos próprios. Ficamos lá por mais 4 meses e, sinceramente, foram os melhores, de toda a minha vida.
Quando voltamos, terminamos de ajeitar o rancho, e ficamos tocando-o, mesmo que os pais de Jack estivessem vivos, ainda. Tínhamos que ir fazendo isso, caso eles viessem a falecer. Jack voltou a frequentar os rodeios, e eu o ajudava. Continuei trabalhando no rancho de Charles, porém, passei a ganhar mais, pelo fato de eu ter trocado minha função, lá.
Íamos trabalhar em Brokeback, em quase todos os verões. Por mais que Joe Aguirre fosse contra, nós éramos os melhores cowboys que ele tinha. Já havíamos pastorado quase todos os tipos de gado. O trabalho, lá, já não era tão monótono. Nunca mais seria.
Os anos foram passando, e a vida que tínhamos ia melhorando, cada vez mais. Tínhamos como nos sustentar, agora. Tínhamos como arcar com as despezas e, como Jack havia dito, o pai de Laureen o pagara, para que ele sumisse da vida de sua filha. Com o dinheiro, Jack comprara sementes para aumentar a plantação, alimento para o gado, e para o restante dos animais, dois cachorros pastores, para ajudar com as ovelhas e com os bezerros, e ajeitou uma boa parte da casa.
Infelizmente, os pais de Jack feleceram, 5 anos depois. A mãe de Jack morrera primeiro, e o pai morrera 2 anos depois. Então nossa vida passou a ser a dois. E que era incrivelmente desejada por ambos. Bobby, o filho de Jack, visitava-nos, frequentemente, com Laureen, e Alma Jr, minha filha, começara a me visitar mais, com o Kurt.
Viramos a chacota do Texas, claro. Mas eu tinha a esperança de não ter um destino tão ruim, quanto o que eu imaginava. Independente do futuro, eu iria aproveitar todos os momentos ao lado do peãozinho metido a merda. Sim, eu estava feliz, e tudo aquilo não passava de um novo começo.
Continua...
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