A Lost Soul - Season 2
8 #8 - Esse não é você
Notas iniciais
#8
Esse não é você
Mais um dia amanheceu, após mais uma noite mal dormida. Era sempre assim para Blaine, ele não conseguia dormir, mesmo estando abraçado a aquele que jurava amar. Ele não admitiu novamente que realmente amava Kurt e o mesmo o cobrava por isso, mas pouco ele ligava.
Dava o necessário para Kurt, apenas para conviverem em harmonia, mas algo dentro dele estava diferente. Ele só não sabia exatamente o que.
Naquela manhã Thomas ligou para o moreno o convidando para uma visita em sua casa. Blaine, muito contrariado, aceitou, reconhecendo que, de certa forma, precisava fazer aquilo, já que prometeu.
Arrumou-se calmamente, tomou seu café da manhã sem dizer nada, pegou as chaves e foi para o apartamento de Thomas. Por sorte não era considerado foragido, ao contrário de Kurt, que não podia nem abrir a porta para alguém. Precisava ficar o tempo inteiro preso naquele apartamento. E ele não reclamava, era melhor do que ficar na prisão.
Blaine chegou perto das onze horas na casa de Thomas, tocou a campainha e logo foi recebido com um abraço e um sorriso.
Ok, Blaine não podia negar o homem lindo que Thomas era. O médico era alto, tinha cabelos de cor castanha sempre bem arrumados em um topete (que ironia Kurt também ter o cabelo dessa cor e arrumar do mesmo jeito), olhos claros – esverdeados –, um sorriso lindo e encantador. Ele era alto, magro e forte ao mesmo tempo. Ele era lindo, até mesmo aos olhos de um homem apaixonado e, de certa maneira, compromissado como o Anderson.
Se sentia um pouco mal pelo que estava planejando fazer, sabia que seria crueldade, até porque Thomas queria apenas ajudá-lo. Mas o moreno não estava disposto a ser ajudado, muito menos ser controlado ou “curado”, como queriam fazer com ele. Ele era o único com o poder de controlar a si mesmo.
Sentaram-se no sofá espaçoso e confortável que tinha na sala e Blaine logo começou a jogar todo o charme que conseguiu para cima do médico. Queria atiçá-lo, provocá-lo, até mesmo tê-lo. Mas claro que tudo aquilo era por um propósito, apenas um motivo o levava a ter tais intenções sobre o castanho.
— Venho reparando nesses últimos encontros que você fica mais bonito e atraente a cada dia. – Blaine depositou seu copo com água na mesa de centro e aproximou-se mais de Thomas, que corou com seu ato e suas palavras.
— Uns óculos lhe fariam bem. – Thomas disse sorrindo, ainda corado.
— Será que você pode curar minha cegueira? Talvez eu esteja com os olhos nublados por estar apaixonado. Não poderia ser isso, Doutor?
Thomas sentiu seu coração acelerar por ouvir aquelas palavras. Não era segredo que ele gostava de verdade de Blaine, mas nunca pensou que o moreno pudesse sentir o mesmo que ele, muito menos que estaria agora dando em cima dele.
— Blaine, o que você... – Blaine pulou para cima de Thomas e ficou em seu colo, com as mãos entrelaçadas em seu pescoço.
— Shhh... – O moreno sussurrou no ouvido do médico, o deixando completamente arrepiado.
Blaine, sem perder mais tempo, juntou seus lábios nos do médico e eles começaram um beijo calmo, que logo se tornou urgente, com as mãos de Thomas passeando pelo corpo do moreno. Blaine queria negar que estava gostando daquilo, mas não conseguia mentir para si mesmo. O beijo de Thomas era bom, era maravilhoso, mas o sentimento que o médico sentia por ele não era recíproco. E aquilo, infelizmente, machucava Blaine, que queria poder sentir o mesmo que o castanho.
— Vamos para o seu quarto... – Blaine falou baixo quando se separaram e o médico assentiu, logo levantando e indo com o moreno para o seu quarto.
Quando estavam na cama, se beijando, Blaine pediu que Thomas fechasse seus olhos e tirou a capa do travesseiro, a usando para amarrar as mãos do médico na cabeceira de ferro da cama.
Um detalhe importante seria agora dizer que Blaine matou Scarlett, pelo menos motivo que faria isso com Thomas e mais uma pessoa: apagar evidências. Quais evidências? Bem simples... ninguém pode saber sobre ele e Kurt. Só assim para que eles finalmente vivam em paz, mesmo que isolados do restante do mundo. Sua próxima vítima era Thomas e, a outra, bem... vocês logo vão ver.
— Me perdoa por fazer isso... – Blaine disse com lágrimas nos olhos. – Eu não quero te machucar, mas eu preciso.
— O que? O que está dizendo, Blaine? – O médico tentou mexer as mãos, mas estavam presas com um forte nó. – Me solta e vamos conversar. – Ele viu Blaine com uma faca na mão, chorando como uma criança. – Larga essa faca, vamos conversar.
— Eu preciso fazer isso, me perdoa... – Blaine estava chorando até demais, sentia que doeria nele machucar o outro. – Eu preciso fazer isso, ok? É a única maneira de impedir que as pessoas saibam onde eu e Kurt estamos. A única maneira de seguirmos em frente.
— Eles vão achar vocês uma hora ou outra, Blaine. Não serei eu o culpado disso. Infelizmente serão vocês. Mas você ainda pode ser salvo disso, ser salvo da morte.
— Ser salvo da morte? – Blaine perguntou irônico. – Eu acho que praticamente tenho um pacto com a morte. Ou, melhor me expressando, eu sou a morte. Pelo menos o motivo dela para muitas pessoas.
— Mas eu não vou contar sobre vocês, você sabe disso. E eu gosto de verdade de você, não precisa acabar tudo desse jeito.
— Infelizmente eu preciso sim. – E o moreno voltou a chorar. – Será rápido, tudo bem? Você não vai sentir nada... eu prometo.
— Blaine, não faz isso, eu te a...
Ele não pôde completar sua frase, já que uma faca agora atravessava seu pescoço após ter sido passada por sua veia principal, o que ocasionou uma hemorragia e o matou. Blaine chorava ainda sentado sobre as pernas do castanho, apenas pensando na droga de vida que estava vivendo agora. Odiava tudo aquilo, não queria ser daquele jeito. Porém sabia que precisava fazer aquilo.
Tudo que fazia era sempre culpa daquele amor doentio que sentia por Kurt.
E ele odiava saber que esse era o motivo.
Ele depositou um beijo nos lábios de Thomas, se desculpou novamente e foi embora. A dor que sentia por ter matado o médico agora o corroía lentamente por dentro.
Blaine foi até o banheiro, esterilizou sua faca com álcool e a guardou na parte de dentro de sua jaqueta. Lavou o rosto e o secou com a toalha felpuda branca. Olhou uma última vez para o corpo de Thomas e tomou a decisão mais aceitável para o momento: voltar mais tarde para apagar evidências.
E como à noite precisaria sair para encontrar-se com Quinn no apartamento da mesma, poderia convidá-la para ir ali com ele, sem dizer o verdadeiro motivo, é claro. Se ela soubesse que ele iria ali para botar fogo na casa, ela surtaria na hora.
Passou o resto do dia dentro do carro, apenas esperando pela hora de buscar Quinn. Antes disso passou em um posto de gasolina e encheu dois galões com o combustível, dizendo ao atendente que levaria para o seu amigo que estava com problemas no carro. Guardou os recipientes grandes no porta-malas do carro e foi buscar Quinn.
Levou a loira até a casa de Thomas e entrou lá com ela. Essa sim estava sem pena alguma de eliminar do mundo, muito menos estava preocupado sobre machucá-la lentamente. Queria vê-la sofrer, principalmente por ela quase ter dedurado ele e Kurt anos atrás.
Assim que passaram pela porta de entrada, agora mais preparado, Blaine empurrou a Fabray contra a parede e bateu forte a cabeça dela, apenas para fazê-la ficar inconsciente por alguns minutos. Foi até o carro e pegou os galões e as cordas, voltando para dentro da casa.
O bairro era tranquilo e sua presença não havia sido notada pelos vizinhos de Thomas, o que era bom. O moreno amarrou Quinn em uma cadeira e voltou ao quarto, vendo que o corpo de Thomas continuava lá do mesmo jeito. Blaine sentiu uma dor o invadir, mas resolveu ignorar aquilo quando ouviu alguns resmungos proferidos por uma voz feminina.
— Fica quieta! – Ordenou ele, apontando sua faca para a loira, a qual o encarou abismada.
— O que pensa que está fazendo? Me solta, Anderson! – Ele riu e negou com a cabeça.
As mãos da loira estavam amarradas na parte de trás da cadeira e suas pernas estavam cada uma em uma das hastes laterais, com nós firmes e fortes, incapazes de serem desfeitos com um mísero puxão.
O moreno começou a arranhar a pele da loira, da qual ele tinha tirado boa parte das roupas, com a ponta da faca, sorrindo de uma maneira maligna demais por ver os gemidos de dor que ela dava. Ele dizia que se ela gritasse seria pior, mas a verdade é que não seria. Ele queria machucar pedaço por pedaço dela.
Fez cortes fundos nas pernas, cravou a faca no lado da coxa esquerda dela, a fazendo gritar. Passeava com a faca por seus braços, arrancando urros de dor que eram como música para seus ouvidos.
Raspou a ponta pelo tronco dela, por seu peito, fez até um pequeno buraco em direção ao coração dela, mas não foi até o final. Nesse momento ela já estava gritando, mas parou ao ver o moreno tão próximo de seu rosto.
O moreno pegou a faca e colocou na boca de Quinn, a fazendo parar de gritar automaticamente, quase parou de respirar também.
— O que mais admiro em você sempre foi o seu sorriso, Quinn. E agora, você sorrirá para sempre, por mais vilão do Batman que isso possa soar.
O moreno posicionou a faca na bochecha de Quinn por dentro de sua boca e puxou a mesma para fora, rasgando toda a lateral do rosto da garota, que já nem tinha forças para chorar, se debater ou gritar. Estava tão anestesiada pela dor que quase não sentia mais a mesma.
O moreno fez o mesmo do outro lado e, por último, cravou sua faca no pescoço da loira, puxando ela para fora depois, fazendo seu sangue jorrar por tudo.
Um sorriso dominava o sombrio semblante de Blaine, que estava satisfeito com seu trabalho. Mas agora era o momento em que precisava ir embora, aqueles gritos deveriam ter chamado atenção dos vizinhos.
O moreno pegou os galões com gasolina e começou a jogar o líquido por todos os móveis e cantos da casa. Foi pelo quarto de hóspedes, pelo banheiro, pela sala, pela cozinha – principalmente sobre o corpo de Quinn – e, por último, foi até o quarto onde o corpo de Thomas jazia. Passou sua mão pelo rosto do castanho e deu um sorriso triste, querendo ficar ali ao seu lado, até se matar e partir junto. Mas não fez isso, apenas jogou gasolina por cima do corpo dele e da cama, fora o restante do quarto.
Acendeu um fósforo e largou na cama, largou outro sobre Quinn e foi embora, vendo aquela casa queimar abaixo, apenas imaginando que seu destino também seria queimar... no inferno.
[...]
Blaine abriu a porta do apartamento e deu de cara com Kurt de braços cruzados, o olhando irritadamente.
— Você não me deve satisfações de onde vai, mas podia pelo menos me avisar que passaria o dia inteiro fora. – Kurt disse com um tom preocupado, fazendo Blaine recuar um pouco e pensar duas vezes sobre com qual tom responderia.
— E por que se importa com o que fiz ou deixei de fazer? Ou até mesmo com o tempo que fiquei fora? – Blaine andou até a pequena cozinha e pegou uma maçã, a mordendo em seguida.
— Eu pensei que tinha te acontecido algo. Não somos pessoas dentro da lei, Blaine. E eu me preocupo com você. – Blaine riu fraco ao ouvir aquilo. – Olha, você está me cansando, sabia? Cadê aquele menino que amava ser chamado de criança por mim? Aquele garoto que eu conheci, que me levou em uma bela cachoeira, que me fez sentir amado pela primeira vez na vida? Esse não é você, Blaine. Essa é uma versão falsa de você mesmo. Você está deixando sua raiva e seu orgulho te dominarem e está transformando isso em maldade. Você nunca seria capaz de fazer as coisas que anda fazendo agora se você não...
— Se eu não tivesse escutado o amor da minha vida dizer que não me amava. – Blaine completou a frase de Kurt, que botou as mãos no rosto e logo as tirou.
— Eu já expliquei. – Afirmou o castanho. – E estou aqui confessando que te amo e que aquilo era mentira.
— Não posso mais dizer que sinto o mesmo. – Kurt empurrou Blaine contra a bancada e se aproximou dele.
— Será que dá para parar de fingir? – Perguntou ele. – Minta dizendo que não me ama. Eu não acredito, porque se você realmente não sentisse mais nada por mim você teria me deixado morrer.
Aquelas palavras atingiram Blaine mais do que ele esperava, afinal... era verdade.
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