A Lost Soul - Season 2

7 #7 - Ninguém vai te ferir enquanto eu estiver vivo


Notas iniciais
Chegueeei ♥ Boa leitura! ♥ P.S.: Peço perdão por uma das cenas... por conta do palavreado, mas é bem rápido até, então...

#7

Ninguém vai te ferir enquanto eu estiver vivo

Todos os detalhes necessários para o rapto de Kurt Hummel já estavam totalmente calculados, em um esquema que Thomas e Blaine criaram. Levaram dois dias planejando, tinham pouco tempo para fazer tudo que precisavam e eram em menor número. Não seria nada fácil.

Sabiam sobre os horários dos intervalos de cada policial, sabiam até mesmo a ficha de cada um, coisa fornecida por Scarlett, amiga de Thomas que era uma hacker muito boa, que conseguiu invadir o sistema da prisão. Foi muito difícil pensar em todos os detalhes, mas uma mente assassina até que pensa bem quando o assunto é fazer algo errado. Se juntarmos isso com alguém que consegue penetrar em qualquer sistema e com um entendedor das mentes humanas, tudo fica mais fácil.

Tinham exatamente meia hora para entrar na prisão, despistar os policiais, abrir a cela de Kurt, tirar ele de lá sem serem pegos ou vistos. Tinha tudo para dar errado, mas estavam confiantes de que conseguiriam fazer com que desse certo.

Apenas Thomas e Blaine entraram na prisão, sem arma alguma – ou pelo menos era o que Thomas pensava. Scarlett ficou observando de dento do carro o seu computador para ver nas câmeras quando alguém estivesse próximo e aí ela os avisava, já que cada um deles tinha um ponto no ouvido.

Blaine prometeu a Thomas que não mataria ninguém, mas precisou quebrar a promessa quando foram encurralados por um policial magrelo, de nome John. Blaine bateu tanto com a cabeça do homem contra a parede que seu crânio provavelmente se quebrou.

Conseguiram abrir a cela e colocaram um saco na cabeça de Kurt, não iriam perder tempo com explicações agora e como o castanho estava de costas para a porta, não fora uma tarefa muito difícil.

Saíram correndo o mais rápido que podiam, logo sendo seguidos por alguns policiais. Entraram no carro e logo Thomas deu partida, com Scarlett ao seu lado e Kurt e Blaine no banco de trás.

Blaine tirou o saco da cabeça de Kurt, que se surpreendeu ao ver que era o moreno que estava ali. Ele não tinha uma expressão além de pura surpresa. Não sabia se estava alegre por ver o moreno ou se estava triste, só sabia que não esperava por aquilo.

Ainda sem dizer uma única palavra, Blaine pegou a faca que tinha levado consigo e começou a enfiar a ponta um pouco afiada na pequena fechadura das algemas, logo conseguindo tirá-las dos pulsos de Kurt, os quais ficaram marcados.

— Eu não... por que? – Kurt perguntou, não conseguia tirar seus olhos dos de Blaine.

— Porque você pode não sentir mais nada por mim, mas eu te amo e não podia te deixar morrer. Eu preferia ser colocado lá no seu lugar do que ver você partir sem que eu tentasse fazer algo.

— Pois deveria ter me deixado lá. – Kurt disse rude e virou-se para a rua. A verdade é que ele estava feliz por ter sido resgatado e por saber que Blaine ainda o amava, porque ele sentia o mesmo.

Ele nunca deixou de amar o moreno, nem nunca seria capaz de deixar. Blaine fora o primeiro a mudar seu coração, o primeiro a fazer ele se apaixonar perdidamente e sentir todas aquelas coisas que antes o assustavam. Ele não queria perder o moreno pensou que dizer que não o amava faria ele se afastar, mas estava enganado. Blaine não desistiria dele e agora ele conseguia ver isso.

— Eu não acredito que está mesmo me dizendo isso. Eu salvei sua vida. – Blaine disse incrédulo.

— Eu não lembro de ter pedido ajuda. – Kurt respondeu sem nem encarar o moreno, que naquele momento sentiu uma vontade enorme de simplesmente cravar sua faca no pescoço do Hummel.

[...]

Thomas largou Blaine e Kurt no apartamento, que mais parecia um esconderijo, onde Blaine agora morava e depois foi embora com Scarlett, dizendo que também largaria ela em casa.

Blaine mostrou onde ficavam os pequenos cômodos na pequena residência e foi para o quarto, deixando Kurt na sala, sentado no sofá, olhando para o nada.

O castanho estava se sentindo vazio, oco. Não tinha vontade alguma de continuar a viver, não sabendo que estava magoando profundamente Blaine. Ver o moreno com aquele olhar triste era a pior dor que ele poderia sentir e aquilo estava o matando lenta e dolorosamente.

Ele ligou a televisão e colocou em um canal onde estava passando uma série de músicas. Uma que ele gostava começou a tocar e ele não demorou para começar a cantar junto.

Hello dear

(Olá, querida)

The angel from my nightmare

(O anjo do meu pesadelo)

The shadow in the background of the morgue

(A sombra no fundo do necrotério)

The unsuspecting victim of darkness in the valley

(A vítima insuspeita da escuridão no vale)

We can live like Jack and Sally if we want

(Nós podemos viver como Jack e Sally, se quisermos)

Uma dor invadiu Kurt logo que o mesmo iniciou o acompanhamento da canção. Sentia que aquilo pouco a pouco, palavra por palavra, estava o destruindo por dentro. Palavras simples que o remetiam a acontecimentos passados de sua vida. Momentos que agora o assombravam e que ele queria apenas que nunca tivessem existido.

Se sentia desolado por ter ferido tão gravemente o coração daquele que ele dizia amar, principalmente por ter fingido que não sentia nada, quando na verdade sentia tudo e sentia da pior forma. Seu maior medo era acabar morrendo sem dizer para Blaine que o amava nem que fosse uma última vez.

Where you can always find me

(Onde você pode sempre me encontrar)

And we'll have Halloween on Christmas

(E teremos Halloween no Natal)

And in the night we'll wish this never ends

(E de noite desejaremos que isso nunca acabe)

We'll wish this never ends

(Desejaremos que isso nunca acabe)

I miss you, miss you

(Eu sinto sua falta, sinto sua falta)

I miss you, miss you

(Eu sinto sua falta, sinto sua falta)

Kurt sentia falta dos velhos tempos. Cinco anos atrás, até poucos meses atrás, ele vivia feliz ao lado de Blaine, mas a polícia nunca encerrou sua procura por ele. Estava bem óbvio que, em um momento ou em outro, acabariam o encontrando e o prendendo. Ele só não esperava que isso despertasse o psicopata que havia dentro de Blaine. Isso nunca passou por sua cabeça. Ele preferia que isso fosse apenas um sonho.

O doía inteiramente saber que o seu precioso amor era agora um assassino tão frio quanto ele. Sentia que havia, de certa forma, influenciado a mente de Blaine. E era verdade, pelo menos em boa parte do motivo.

Where are you and I'm so sorry

(Onde você está? E eu sinto muito)

I cannot sleep I cannot dream tonight

(E não consigo dormir, eu não consigo sonhar esta noite)

I need somebody and always

(Eu preciso de alguém e sempre)

This sick strange darkness

(Essa doentia escuridão estranha)

Comes creeping on so haunting every time

(Vem se arrastando, me assombrando toda hora)

Blaine se escorou na parede e cruzou os braços, continuando a música. Kurt o olhou ainda sem expressão. Ele conseguia muito bem esconder seus sentimentos e sensações, embora a única coisa que quisesse realmente fazer fosse grudar Blaine contra a parede e dizer a ele tudo o que sentia de verdade. Até aquilo que nunca disse anteriormente.

Já o Anderson sentia que seu mundo estava se desabando ainda mais, porque agora um novo vício havia sido adicionado ao seu cérebro e parecia atingir sua corrente sanguínea, seus músculos, seus ossos, tudo dentro dele. Sentia que aquela vontade de tirar a vida de alguém o dominava mais a cada dia. A única pessoa que ele sabia que nunca teria coragem de matar, era Kurt, porque nem em seus mais loucos sonhos ele conseguiria matar o amor de sua vida.

And as I stared I counted

(E enquanto eu olhava, eu contava)

The webs from all the spiders

(As teias de todas as aranhas)

Catching things and eating their insides

(Pegando coisas e as comendo por dentro)

Like indecision to call you

(Como a indecisão de ligar para você)

And hear your voice of treason

(E ouvir a sua voz de traição)

Will you come home and stop this pain tonight

(Você virá para casa e acabará com essa dor esta noite?)

Stop this pain tonight

(Acabe com essa dor esta noite)

Blaine sentou-se no sofá ao lado do Hummel, demonstrando que aquele trecho dizia pelo menos uma parte daquilo que ele tanto ansiava em falar. Principalmente a parte que dizia “acabe com essa dor esta noite”. Estava bem claro que ele queria Kurt, mas em sua mente estava ainda mais claro o fato de que ele estava a ponto de desistir e ser frio o suficiente para fazer Kurt querer o mesmo. Até porque, até onde o moreno havia entendido, isso tudo havia começado apenas pelo fato de que Kurt disse não amá-lo.

Se aquelas palavras não tivessem sido pronunciadas, Blaine não estaria tão indiferente em relação a estadia do castanho em sua casa. Muito menos com o pensamento do que poderia acontecer naquela noite, mesmo quando a resposta estava bem óbvia.

Estava claro que eles se pegariam por todos os cantos dali, mas nenhum sentimento seria demonstrado por nenhum deles, ainda que ambos se amassem e quisessem demonstrar tudo isso.

Don't waste your time on me, you're already

(Não perca o seu tempo comigo, você já é)

The voice inside my head (I miss you, miss you)

(A voz dentro da minha cabeça (eu sinto sua falta, sinto sua falta))

Don't waste your time on me, you're already

Não perca o seu tempo comigo, você já é ()

The voice inside my head (I miss you, miss you)

(A voz dentro da minha cabeça (eu sinto sua falta, sinto sua falta))

Um completava a frase do outro na música. Sentiam falta das noites em que iam em bares que tivessem karaokê, como a da viagem deles para a França. Sentiam falta de cantar um com o outro.

A quem queriam enganar? Sentiam falta de tudo que fosse relacionado a mera existência do outro. Queriam, mais do que qualquer outra coisa, que tudo voltasse ao normal. Contudo, estava bem visível uma certeza de que nada nunca mais seria como era antigamente. Nada nunca seria igual.

A música acabou e a televisão foi desligada. Blaine permaneceu sentado ao lado de Kurt, o olhando em silêncio, com uma expressão fria, até um pouco assustadora. Kurt engoliu em seco, não podia negar que sentira um certo medo. Sentiu que morreria nas mãos de Blaine e seria sua culpa ainda por cima. Ele provocou aquilo, sendo assim, merecia sofrer.

Sem pensar nas consequências de seus atos, Blaine puxou Kurt bruscamente pela nuca e o beijou. Por mais incrível que parecesse, nem a primeira vez em que se beijaram havia sido tão sem sentimento. Ambos queriam apenas uma coisa naquele momento: matar o desejo que sentiam. Isso se não acabassem matando um ao outro antes.

Kurt empurrou Blaine contra o sofá e ficou por cima dele, não perdendo tempo em pensamentos antes de beijar seu pescoço com um desejo e um fogo o queimando inteiro por dentro. Se eles se olhassem por muito tempo, seriam capazes de enxergar as chamas brilhando no fundo de seus olhos, que no momento demonstravam pura luxúria.

Blaine atirou Kurt contra o sofá, com ainda mais força do que havia sido empurrado anteriormente. Ele tirou a blusa que Kurt estava usando sem nem pensar duas vezes e o castanho fez o mesmo com ele. Pensam que eles estavam sendo amigáveis um com o outro? É óbvio que não. Não estavam nem aí se machucariam um ao outro com a força que estavam usando para se empurrarem, se apertarem e se despirem. Só se preocupavam em fazer logo aquilo e sentir cada vez mais partes nuas um do outro se encostando em suas próprias.

O moreno arrancou fora toda a roupa de Kurt da cintura para baixo, levantou e tirou a sua também. Voltou para cima do sofá e se encaixou entre as pernas de Kurt, que o puxou mais para perto ao entrelaçar suas pernas na cintura do moreno.

— Me fode logo e acaba com isso, Blaine. Eu sei que é isso o que você quer. – Blaine deu um sorrido safado ao ouvir Kurt dizer aquilo.

Ele encaixou seu membro na entrada de Kurt e o penetrou com certa força, mas violência era algo que não o incomodava mais. Seu jeito era aquele agora e, como ele já tinha dito, aquilo era culpa de Kurt.

Ele se movimentava com cada vez mais velocidade e força, pouco se importava se machucaria Kurt ou não. Os dois chegaram aos seus ápices juntos e logo se separaram. Blaine começou a se vestir sem nem olhar para Kurt e se dirigiu para seu quarto. Já era noite e ele queria dormir.

Como o apartamento era pequeno, tinha apenas um quarto e um banheiro. Blaine esperou Kurt tomar banho antes de também tomar o seu e Kurt iria dormir na sala, enquanto ele dormiria no quarto.

No meio da noite Blaine sentiu alguém se juntar a ele em sua cama, era claro que era Kurt. Ele não tinha dormido até aquele momento, apenas pensando em tudo que tinha acontecido naquele dia e não queria agora ser rude com Kurt. Sentia que não havia necessidade naquilo.

Blaine permitiu que Kurt se aproximasse mais e se escorasse em seu braço, ficando de lado e o abraçando. Seus corações estavam acelerados e uma alegria começou a invadi-los. Sabiam que, independente do que havia acontecido mais cedo, o amor deles ainda falava mais alto.

— Sabe, eu não sei o que vai ser de mim daqui para frente, só sei que eu não queria morrer sem ter te beijado uma última vez. Obrigado por me proporcionar isso, sinto que agora eu posso morrer feliz e em paz. – Kurt disse, fazendo o coração de Blaine acelerar mais ainda.

— Por que está dizendo isso? Você disse que não me amava mais... não entendo. – Não era bem aquilo que ele queria dizer. Queria se virar, beijar Kurt e admitir que o amava. Mas coragem lhe faltou.

— Porque eu menti, Blaine. É óbvio que eu te amo. – Kurt se sentou e pulou para cima de Blaine, sentando-se nas pernas do moreno e se inclinando por cima dele. – Eu queria ver você seguindo sua vida sem estar preso a um maldito presidiário, queria ver você feliz e bem.

— Como eu ficaria bem se a pessoa que eu mais amo estava presa? Eu nunca conseguiria seguir minha vida sem você. – Blaine sentou e continuou com o castanho em seu colo. – Sinto que todo esse amor que eu sentia foi embora. Você tem noção do quanto doeu ouvir tudo o que você disse?

— Me perdoa, Blaine, eu juro que eu não queria que você sofresse.

— Tarde demais. – Blaine disse rude, virando o rosto.

— Não, nunca é tarde demais. Eu estou aqui agora, com você, admitindo que te amo. Podemos ir embora desse país, mudar de identidade, vivermos uma vida melhor, apenas eu e você. Longe de tudo e todos.

— Não, Kurt, eu não... eu não posso. – O moreno levantou e foi chegando perto da parede e Kurt estava bem próximo a ele. Os dois mudaram de posição mesmo sem querer e agora Kurt estava quase com suas costas coladas na parede do quarto.

— Me dê um bom motivo.

— E-eu não... Ah, que se dane! – Blaine empurrou Kurt contra a parede e o beijou ardentemente, o puxando contra o seu corpo o máximo que conseguia.

Agora sim, aquilo era um adeus.

Notas finais
Música: I Miss You - Blink 182 Gostaram? Não me matem... Bjo ♥