Notas iniciais
Oii, gente! Capítulo novinho pra vocês. Espero que gostem e não me matem!! Capítulo dedicado a Gabi, que me ajudou a destravar no capítulo ♥

#3

Hospício

— Eu já disse que não sei nada sobre isso. – Kurt disse pela milésima vez. Havia sido entregue a ele o bilhete que Blaine tinha escrito. Claro que ninguém tinha provas de que tinha sido Blaine, mas ao ver a letra Kurt sabia quem era.

E Kurt não podia negar que estava assustado. Como assim o seu Blaine tinha sido capaz de matar alguém? E para defende-lo ainda por cima? Aquilo simplesmente não fazia sentido na cabeça de Kurt.

— Você é o único psicopata aqui dentro e ontem você se meteu em encrenca de novo, fora que seu namorado veio aqui. Como vamos pensar que isso não foi um tipo de plano entre vocês? – Perguntou o policial, fazendo Kurt revirar os olhos.

— Blaine é a pessoa mais doce que eu conheço. Ele não teria coragem de fazer isso, nem que eu pedisse. – Concluiu Kurt. Ele estava sendo um ótimo mentiroso, não deixando transparecer seu nervosismo. – Eu juro que eu não sei de nada.

Os policiais, ainda sem acreditar muito, deixaram Kurt sozinho em sua cela, com milhões de pensamentos o afundando.

Por que Blaine tinha feito aquilo? Ele queria acabar com a própria vida? Queria acabar no mesmo lugar que Kurt? Nada fazia sentido.

[...]

Blaine andava de um lado para o outro no apartamento pensando no que tinha feito. Ele matou uma pessoa e o pior, ele tinha adorado aquela sensação. Por que precisava ser tão bom tirar a vida de alguém? Por que precisava ser tão maravilhoso machucar alguém ao ponto de matá-la? Ah, por que matar era tão bom?

O Anderson levou um susto ao ver seu apartamento ser invadido. Ele olhou inúmeros homens vestidos de branco, pareciam médicos ou algo do gênero. Então ele percebeu do que se tratava: eles trabalhavam em um hospício. Agora sim ele estava ferrado.

— Posso ajudar em algo? – Perguntou tentando manter a calma.

— Na verdade, nós temos uma autorização para internar você por atos psicopatas.

— Psicopatas? Mas eu não fiz nada...

— Aham, e eu sou o Flash. Rapazes, peguem ele!

Os enfermeiros correram e Blaine desviou para cozinha para conseguir alcançar uma faca, porém um enfermeiro foi mais esperto e conseguiu injetar o tranquilizante no moreno, que logo caiu nos braços dos médicos.

[...]

Blaine acordou algumas horas mais tarde. Ele abriu os olhos lentamente e os mesmos doeram por conta da claridade do ambiente em que ele estava. Era muita coisa branca para a cabeça dele e ele já não estava entendendo mais nada.

Ele levantou um pouco a cabeça, mas foi a única parte do corpo que ele conseguiu levantar. Ele estava completamente amarrado à cama, sem nenhuma chance de se soltar.

— Isso não está acontecendo... – O moreno sussurrou para si mesmo.

Ele estava mesmo internado em um hospício? Não. Aquilo não podia ser verdade. Não fazia sentido algum.

A porta foi aberta e um médico muito bonito passou pela mesma. Ele tinha cabelos castanhos, olhos verdes, aparentava ser mais alto que Blaine, e Blaine podia mesmo dizer que ele era muito bonito até.

— Por que vocês me amarraram? Eu não sou louco. Por que eu estou em um hospício? – Blaine fez as perguntas de maneira afoita. Nem ele entendia qual era o seu problema.

— Olá, Sr. Anderson! Como você está? – O doutor perguntou na maior calma do mundo. – Meu nome é Thomas Collins e eu sou o médico que passará mais tempo com você. Eu vou tentar estudar a sua mente, mas para isso você precisará me ajudar.

— Eu não estou nem aí para o seu nome. Eu não sou louco para estar em um hospício. – Blaine praticamente cuspiu as palavras para cima do outro. – Você é o que? Um psicólogo idiota?

— Eu não estudei cinco anos para você me chamar de psicólogo idiota. – O médico parecia ofendido, mas sentou-se ao lado de Blaine na cama.

— Oh, me desculpa, eu magoei a criancinha? – O Anderson disse irônico, revirando os olhos em seguida. – Por que eu estou aqui?

— Porque você está passando por crises de personalidade. Está imitando os atos de seu namorado, por isso o internamos antes que você mate mais alguém por influência dele. – Explicou o doutor, fazendo Blaine soltar uma risada maléfica.

— Então é isso? Os tais atos psicopatas que vocês disseram? Tudo isso porque eu matei um policial idiota que deu em cima do meu homem? Ele que não tem noção do perigo e eu que sou internado? – Blaine riu mais uma vez. – Eu não matei ele por influência de Kurt. Eu matei ele porque eu quis mesmo.

— Sabe o que eu acho? – Perguntou o doutor.

— Não, eu não sei e estou pouco me fodendo para você sua opinião medíocre.

O doutor levantou da cama, vendo Blaine sorrir irônico de novo. O doutor revirou os olhos para aquela situação. Não teria jeito algum falar com Blaine naquele momento. Aliás, nenhum médico teria poder sobre a mente dele. Apenas uma pessoa teria. Kurt.

— Escuta, você... Se você precisar de alguma coisa, você aperta no botão que está próximo à sua mão. Mas não fique apertando isso o tempo inteiro, ou eu... – Blaine começou a apertar o botão várias vezes seguidas para incomodar o doutor. – O que eu acabei de falar?

— Eu quero uma coisa. – Ele disse inocente.

— O que você deseja, Sr. Anderson? – Thomas perguntou todo paciente.

— Uma faca para enfiar no seu pescoço. – Blaine respondeu com um sorriso cínico.

Thomas tentou se aproximar de Blaine e o moreno começou a se debater, então o médico tomou a única iniciativa que resolveria: ele sedou Blaine. De novo.

O doutor saiu do quarto e encontrou o médico que cuidaria da saúde de Blaine.

— Vamos precisar do namorado dele. – Informou Thomas.

— Não podemos. Ele vai piorar tudo. – Disse o outro doutor.

— Não, ele vai ajudar. Sabe por que? Porque tudo que ele fez até agora foi defender Blaine. Em todas as acusações, ele sempre ajudou Blaine. Ele não quer um futuro ruim para o Sr. Anderson. Eu tenho certeza de que ele vai ajudar. Precisamos pelo menos tentar.

*UMA SEMANA DEPOIS*

Blaine abriu os olhos lentamente. Após uma semana naquele lugar, ele já tinha se acostumado com a claridade, mas ele ainda tinha esperança de que aquilo fosse apenas um pesadelo, que se ele acordasse ele estaria nos braços de Kurt. Mas não era verdade. Ele nunca mais veria Kurt.

Lágrimas involuntárias começaram a cair pelos olhos de Blaine, mas logo alguém estava as secando. Não. Blaine não estava louco a ponto de ver alucinações, certo?

— K-kurt? – Blaine perguntou sem nem acreditar que aquilo podia ser verdade. – Kurt, você... como...

— Shhhh! – Kurt continuou a secar as lágrimas de Blaine.

— Você foi solto? – Tinha esperança até demais naquela pergunta. – E agora você veio me tirar daqui?

— Se eu tivesse sido solto eu não estaria usando esse uniforme horrível. Muito menos estaria algemado. – Kurt revirou os olhos, se olhando em seguida. – Mas o seu doutor, o tal de Thomas, me chamou aqui para que eu falasse com você. Eles acharam que eu seria a única pessoa que você ouviria.

— Eu queria tanto te abraçar agora... – Sussurrou o moreno.

— Eu sei, meu amor. Eu também queria, acredite. Eu sinto sua falta todos os dias naquele inferno de prisão, mas eu não posso fazer nada. Eu não tenho mais nem forças para lutar contra isso. E, quando eu estava finalmente procurando algo para fazer por você, para passarmos o tempo nas visitas que você me fazia, eu soube da notícia de que você tinha matado aquele policial. – Kurt estava quase chorando, já Blaine não poupava as lágrimas. – Eu soube, no momento em que vi aquele bilhete, que aquela letra era sua, mas eu neguei até o fim. Se eles me torturassem, quisessem me matar, eu ainda assim negaria. Eu não queria que isso acontecesse com você. Por que você fez isso, meu amor? Por que?

— Eu não sei, Kurt. Eu só... eu te amo tanto. No momento eu nem pensei, eu só deixei a raiva tomar conta de mim. Só de pensar em alguém tentando encostar em você, eu já tenho vontade de fazer outra loucura. – Kurt encaixou suas mãos na mão de Blaine, a segurando o mais firme possível. – Eu gostei do que eu fiz.

— Blaine, olha para mim. É isso o que você quer?

— Se essa é a única maneira de eu ficar ao seu lado, então sim, é isso que eu quero para mim. Será que você não entende que eu te amo? Será que você não entende que a cada dia que eu passo longe de você um novo pedaço de mim é arrancado? Pelo amor de Deus, Kurt. Eu só quero você ao meu lado. Eu só quero nossa vida de volta. Eles pensam que eu matei por influência sua, mas não foi. Eu matei porque eu quis. – Explodiu o moreno.

Com a voz do moreno elevada, os médicos se assustaram e entraram no quarto, prontos para tirarem Kurt de lá.

— B... não pensa desse jeito. Eu não quero que nada de ruim aconteça com você, até porque agora eu não vou mais estar ao seu lado para te ajudar, te apoiar, ou simplesmente cuidar de você. – Kurt depositou um beijo na bochecha de Blaine e se levantou. – Eu te amo tanto. Eu não quero que essas coisas ruins aconteçam com você.

— Hora de ir embora. – Disse Thomas e Kurt assentiu.

— ESPERA! – Gritou o policial que tinha carregado Kurt até ali. Era o mesmo policial que tinha defendido o romance do casal anos atrás. Ele andou até Kurt e tirou as algemas do mesmo. – Soltem o menino. Deixem eles se abraçarem, por favor.

— Eles não merecem nenhuma consideração. – Disse o outro médico, mas Thomas já estava desamarrando Blaine nesse momento.

— Nós voltamos em cinco minutos! – Avisou Thomas, saindo do quarto.

Kurt nem pensou duas vezes antes de sentar na cama e abraçar Blaine com toda a força que tinha. Só ele sabia o quanto abraçar o seu amor fazia falta. Quando ele estava passando por tudo de ruim na prisão, ele tinha uma única motivação para não se matar e essa motivação era Blaine.

— Eu te amo, criança. – Blaine riu com o rosto enfiado no pescoço de Kurt. – Você não faz ideia do quanto.

— Eu também te amo, meu amor. – Blaine olhou para Kurt, alisando o rosto do castanho em seguida. – Seus olhos ainda são a coisa mais linda que eu já vi.

— Oh, olhe para nós, Blaine. Nós dois estamos ferrados por conta de sermos assassinos e você está me elogiando? E estamos mesmo dizendo que nos amamos? Estou começando a achar que eu também deveria estar aqui internado.

— E isso realmente importa? – Perguntou Blaine, fazendo Kurt sorrir.

Kurt não se segurou e avançou os centímetros que o separava de Blaine e beijou o moreno, matando a saudade que estava daqueles lábios. Era um beijo calmo, cheio de amor e saudade. Os dois voltaram a chorar e se abraçaram de novo.

— Não, meu anjo, não importa. – Disse Kurt. – Enquanto eu te amar, nada mais importa.

Notas finais
Que coisa doida, não? Espero que tenham gostado! Me deixem saber! Bjo ♥