A Loba e o caçador

13 Capítulo 12 - Sombras em movimento


O som distante de pneus sobre o cascalho quebrou o silêncio da manhã.

Renesmee, que até então observava Jacob adormecer no sofá, sentiu o corpo inteiro se enrijecer.

Ela reconheceria aquele som em qualquer lugar — o retorno da família.


Jacob abriu um olho, confuso.

— Que barulho é esse?


— Minha família… — ela respondeu, respirando fundo. — Eles voltaram.


A expressão dele mudou, e uma sombra de tensão passou por seus olhos.

— Família… de vampiros.


Renesmee assentiu, em silêncio.

A porta se abriu e o ar mudou.

O primeiro a entrar foi Edward, o olhar dourado e calmo, mas atento a cada detalhe.

Atrás dele, Bella, cuja presença irradiava serenidade e força contida.

Em seguida, Alice e Jasper, movendo-se com a leveza de sombras bem treinadas.


Edward foi o primeiro a perceber o estranho.

O cheiro humano — misturado ao de metal, sangue seco e pólvora — tomou o ambiente.

Seus olhos se voltaram imediatamente para Jacob, que se levantou devagar, sustentando o olhar do vampiro.


Renesmee se colocou entre eles, firme, protetora.

— Ele está ferido. Eu o trouxe. Salvou minha vida.


Bella trocou um olhar rápido com o marido, depois deu um passo à frente.

— Um caçador? Aqui dentro? — a voz dela soou calma, mas o ar vibrava de tensão.


Edward, sempre direto, falou antes que qualquer outro.

— Um caçador que carrega prata e cheiro de lobo. — Ele inclinou a cabeça, como quem observa uma equação complexa. — Por que está aqui, Jacob?


Jacob hesitou. Havia mil respostas possíveis, e nenhuma parecia boa o bastante.

Mas antes que pudesse falar, Renesmee interveio:

— Porque eu quis que ele viesse.


Alice sorriu discretamente, como se soubesse algo que ninguém mais sabia.

— Ela não traz ninguém à toa. — Sua voz soava como uma música de vento. — E… há algo diferente nele.


Edward lançou-lhe um olhar de advertência, mas Bella pousou uma mão leve no braço dele.

— Edward… — ela disse, baixinho. — Olha pra eles.


Foi então que o patriarca vampiro realmente olhou.

Renesmee e Jacob estavam lado a lado, próximos demais para serem apenas aliados.

O coração dela batia acelerado, e ele reagia a cada pulsar como se fosse uma melodia que só ele pudesse ouvir.


Edward franziu o cenho, mas não havia raiva — apenas a consciência de que algo inevitável começava ali.

Mais tarde, já no silêncio do entardecer, Bella se aproximou de Renesmee no corredor.

A luz dourada atravessava o vidro e refletia no rosto da loba, agora sereno, mas atento.


— Você confia nele? — perguntou Bella, de forma gentil.


— Não sei. — Renesmee cruzou os braços. — Mas sinto que devo.


Bella a observou com ternura.

— Você sempre sentiu demais, Ness. Desde o dia em que te encontrei.


Renesmee sorriu, meio triste.

— Às vezes acho que você se esquece de que eu não sou uma de vocês.


— Nunca esqueço. — A vampira tocou o ombro dela. — Mas você é minha filha, ainda assim. A biologia nunca foi o que definiu nossa família.


Um silêncio leve se instalou entre as duas.

Renesmee desviou o olhar para o lado, onde Jacob repousava, ainda em recuperação, o rosto iluminado pela lareira.


Bella notou.

— Só… tenha cuidado, tá? O que você sente por ele… — ela sorriu de leve — …não é simples.


— Eu sei. — A loba respondeu baixinho. — Mas também não consigo fugir.

Do outro lado da sala, Edward permanecia imóvel, os olhos fechados.

Ele ouvia cada batida de coração, cada pensamento disperso.

Jasper se aproximou, cruzando os braços.


— Você sente, não é? A energia entre eles.


— É mais do que energia. — Edward respondeu. — É como se o destino os tivesse marcado… e eu não sei de que lado essa marca está.


Alice apareceu na escada, o olhar distante, como se visse além.

— Não é uma marca. É uma escolha. E vai mudar tudo.


O silêncio caiu de novo, denso e quase sagrado.

Naquela noite, quando todos já haviam se recolhido, Jacob acordou com um sobressalto.

Renesmee estava sentada perto da lareira, os cabelos soltos, o olhar fixo no fogo.

Ele se aproximou devagar.


— Não consegue dormir? — ele perguntou, a voz baixa.


— Lobos não dormem bem perto de caçadores. — Ela tentou brincar, mas o sorriso não alcançou os olhos.


Jacob se sentou ao lado dela.

— Eu não sou seu inimigo, Ness.


Ela o olhou, e o brilho dourado de seus olhos refletiu as chamas.

— Ainda não.


A frase ficou suspensa no ar — entre ameaça e confissão.

Mas quando ele estendeu a mão, ela não recuou.


O toque era leve, quase imperceptível, mas o imprint reagiu como uma corrente elétrica.

E por um instante, não havia guerra, ordens ou fronteiras — só dois corações tentando bater no mesmo ritmo.