A Loba
1 A Loba
Quando Bella Swan chegou a Forks, ela sentia que estava entrando em um freezer. O céu cinzento e a umidade constante pareciam drenar sua energia. Mas, ao contrário da história que conhecemos, o encontro com Edward Cullen na cafeteria não despertou apenas curiosidade.
No momento em que Edward a olhou com aquele misto de sede e fascínio, Bella sentiu uma pontada no estômago. Não era medo romântico. Era um instinto de defesa primitivo. Suas mãos suaram e, por um segundo, a temperatura de seu corpo subiu tanto que ela precisou abrir o casaco, apesar dos 10°C lá fora.
Edward se afastou, mas a conexão foi feita. Durante meses, eles viveram aquele jogo de gato e rato. Ele, o predador de gelo; ela, a presa que, estranhamente, sentia que suas unhas queriam crescer toda vez que ele chegava perto demais.
A partida dos Cullen aconteceu da mesma forma. O acidente no aniversário de 18 anos, as palavras cruéis de Edward na floresta e o vazio que se seguiu. No entanto, em vez de Bella se tornar uma "zumbi" catatônica, ela se tornou febril.
Ela passava os dias em La Push com Jacob Black. O calor de Jacob era o único conforto que parecia acalmar a tempestade que crescia dentro dela.
— Você está queimando, Bella — Jacob disse uma tarde na garagem, tocando sua testa. — Mais do que eu.
— É só uma gripe, Jake. Uma gripe que dura meses.
O que eles não sabiam é que a linhagem de sua mãe, Renée, escondia um segredo. A avó de Bella era uma Makah que carregava o gene adormecido dos protetores. E a proximidade constante com os Cullen — o cheiro de "sangue-frio" — agiu como uma toxina que forçou o sistema imunológico sobrenatural de Bella a se ativar.
A depressão de Bella a levou ao penhasco. Ela precisava de adrenalina para calar as vozes. Quando ela saltou nas águas geladas, não foi a imagem de Edward que ela viu. Foi um rugido interno.
Ao ser puxada para fora da água por Jacob, o cheiro dele — agora um lobo recém-transformado — colidiu com o cheiro de Victoria, que a espreitava da orla da floresta.
O perigo era real. O instinto de proteção de Bella por Charlie, por Jacob e por si mesma atingiu o ponto de ebulição.
Dois dias depois, na floresta atrás de sua casa, Bella sentiu o mundo girar. O cheiro de Victoria estava forte. A vampira ruiva emergiu das sombras, os dentes à mostra, pronta para a vingança contra Edward através de Bella.
"Ele não está aqui para te salvar, ratinha," Victoria sibilou.
Bella não sentiu medo. Ela sentiu uma fúria ancestral. Seus ossos começaram a estalar de forma ensurdecedora. A dor foi um clarão branco, mas durou apenas um segundo.
Victoria estancou. Onde antes estava uma garota franzina e pálida, agora rugia uma criatura de poder bruto. Uma loba de pelagem cinza-ardósia, do tamanho de um urso pardo, com olhos cor de âmbar que brilhavam com uma inteligência feroz.
Bella não esperou. Ela avançou como um raio de pelos e dentes. A agilidade dela era superior à dos outros lobos; ela era mais leve, mais rápida. Victoria mal teve tempo de reagir antes de ser lançada contra um carvalho centenário.
“Bella? É você??” — A voz de Jacob ecoou na mente dela, telepaticamente.
Bella olhou para as próprias patas enormes, sentindo a força fluindo por seus músculos. Ela podia ouvir o coração de cada pássaro na floresta, o movimento de Sam e os outros correndo em sua direção.
“Sim, Jake. Sou eu. E eu nunca me senti tão acordada.”
Pela primeira vez em sua vida, Bella Swan não estava esperando que alguém a transformasse para que ela pudesse pertencer a algum lugar. Ela já pertencia. Ela era a terra, o fogo e a matilha. O gelo dos Cullen não tinha mais poder sobre ela.
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