A Lista

9 Dia 3


Notas iniciais
O submundo não chega a ser tão quente quanto seu Deus Hades

Não levantei da cama até ter certeza que o eclipse se aproximava, estava tão perto que eu conseguia sentir em meus ossos, minha pele se arrepiava só de pensar, meu dilema me corroía por dentro, eu não podia levar Vlad comigo, seria perigoso, se eu não voltasse ele ficaria preso ao sofrimento eterno do tártaro comigo.

Ele não passaria isso!!

Não se eu pudesse impedir.

Levanto-me mais determinada do que quando abri os olhos as cinco da manha, sei que Vlad ainda descansa em seu quarto, ele não percebe quando armo uma emboscada trancando-o para dentro do quarto com um escudo de magia temporária, duraria no máximo duas horas, tempo mais do que suficiente para descer ao submundo sozinha, acho que ele percebe quando e trancado pois pancadas e mais pancadas soam contra a porta.

— Abra a porta Elena! Abra ou vou arromba-la!! — seu grito de raiva me dizia que se eu voltasse haveria retaliação por meus atos, sorriu pensando se ele iria me beijar por estar feliz com minha volta ou me matar por ir sem ele.

— Agora que tem seus sentimentos de novo deve entender que faço isso para o seu bem — grito para ele me ouvir — Quando eu voltar, serei diferente, você estará livre da sua promessa de me matar, e quem sabe você queira seguir mais um pouco meu caminho antes de se afastar.

Suas pancadas e gritos continuam a me atormentar, deixei-o para tras e segui meu rumo ate o pátio que estava cheio de soldados, enfileirados e bem arrumados, a Anciã estava no meio das fileiras a me esperar, Reginaldo estava no canto curvado pela minha presença, logo os soldados seguiram seu exemplo, o respeito deles me dava mais força de seguir em frente, começo a andar em direção da Anciã.

— Seu vampiro de estimação não vai lhe acompanhar? — pergunta com receio a Anciã, não levo para o lado pessoal, as pessoas do clã estavam cada vez mais sobre a influencia de meu primo.

— Não anciã, ele ficara ate meu retorno, ou partira se for o desejo dele, espero estar de volta logo — de volta ao mundo doas vivos

O ceu escurecia, não precisava olhar para o alto para ver que o eclipse abria o portal para minha eterna perdição

— Feita do sangue, nascida da terra — minhas nãos tremiam, mas fechei os olhos e pensei no submundo — Montada do pó, pelos deuses eu imploro que minha alma vá aonde ela precisa ir" não se esqueça que deve pensar constantemente no submundo — a imagem ia ficando cada vez mais clara, um campo verde, cheio de flores silvestres estava a frente de um imponente castelo gótico e lindo, abro os olhos e não estou mais em meu mundo.

Pensar em ir ao submundo era muito diferente de estar no submundo, a paz instantânea que me dominou era enervante, tudo era tranquilo e sereno, eu não via nenhuma alma andando pelos campos, talvez por que estivesse a menos de trezentos metros do castelo, ou talvez a morte não gostasse mesmo dos mortos e mandasse todos eles para sofrer eternamente no tártaro.

Começo a ir em direção ao castelo, pensar em varias formas de ser torturada no tártaro não faz bem para a sanidade de nenhum vivo na terra dos mortos, ainda mais sabendo que nenhum de meus antepassados voltaram de sua excursão para brincar de pique esconde no submundo.

Vejo um homem sozinho vir calmamente em minha direção mesmo a cem metros vejo seus olhos verdes em brasa olhando os meus, seus cabelos ruivos caiam por seus ombros, dando um ar de masculinidade pura, sua túnica não deixava espaço para a imaginação, seus músculos eram fortes, seu corpo esguio e sua pele imaculadamente branca com um bronzeado eterno e sex.

— O que uma viva faz aqui? — ele pergunta com uma voz rouca que faz minhas pernas bambearem

— Procuro respostas, uma cura, talvez a libertação! — digo meio ofegante — Procuro minha ancestral que só me fez tão mau ate agora

Agora ele esta bem a minha frente, quase na entrada dos portões do castelo, de perto seu rosto me assusta de tanta perfeição, ele não era um morto, talvez o deus dos mortos.

Por que deuses? Por que todo cara com quem chego a conversar ou vai morrer ou é a representação da minha morte?

Pergunto silenciosamente ao céu inexistente.

— Talvez por que você não pertença ao papel que interpreta todo dia Elena

Ótimo, agora ele também poderia ouvir minhas orações aos deuses terrestres.

— Vossa Majestade, não quis lhe ofender, sou uma humilde serva em teu reino e peço para que me ajude a encontrar quem procuro.

— Sei quem tu procuras mera criatura, quero saber o motivo, se a resposta me agradar te levo ate ela, se não, bom ai eu te levo junto dos outros que tentaram — sua voz grossa sugeria que eu não gostaria desse lugar — Então, por que viestes ao meu reino buscar esta mulher?

Minha resposta definiria tudo, por mais que medo me gelasse só de saber que nenhum deles chegou mesmo a passar por uma simples pergunta me angustiava, mas se eu mentisse ele iria saber, a verdade provavelmente me levaria direto ao tártaro, estava em um beco sem saída e ele sabia disso.

Desafie a morte Elena!

— Matei minha família por meio desse objeto amaldiçoado, matei muitas pessoas por ele, sou a diversão bizarra de meu pai, agora descobri que tenho um irmão que tenho que matar... prefiro morrer aqui do que voltar la em cima e mata-lo, se eu voltar la pra cima será para matar meu pai e destruir de uma vez por todas todo vestígio de maldade que essa lista me trouxe.

Minha resposta foi sucinta, seu sorriso depois de minutos analisando foi o que mais me surpreendeu, era tão lindo, eu não reclamaria de passar a eternidade olhando para aquele sorriso.

— A primeira a dizer a verdade! Doce verdade! Você passou por meu teste, vamos entrar e jantar, amanha te levarei ate a cabana de sua ancestral.

Eu fui, aliviada que tinha passado por meu primeiro obstáculo pelo caminho certo, pelo caminho da rendição.

Notas finais
Eai meninas e meninos sera que rola mais pernas bambas e quem sabe um triangulo? ou vocês preferem que as coisas fiquem mais calmas só ela e o Vlad, bom se ela voltar para superfície né!!