A Liga dos Betas
7 A Hora do Acerto
Notas iniciais
Hellen estava sendo consumida pela ansiedade. Todos estavam reunidos naquela sala, aguardando a chegada de Tony, mestre em se atrasar. Quem também não estava curtindo a espera era Simone; um de seus pontos negativos era a extrema falta de paciência. Seu pavio curto quase não existia em algumas ocasiões.
No aconchego de sua casa, no salão de combate, Eric exercitou seus movimentos precisos contra aqueles bonecos com tamanho e peso reais ao de uma pessoa comum. Logo à sua esquerda, um painel com diversas fotos riscadas de vermelho. Somente uma delas ainda estava inteira, e esta, justamente o rosto de Tony Florence.
A porta se abriu e todos agradeceram a Deus; embora a maioria não acreditasse nele. Tony estava feliz e empolgado. Entregou a cada um deles uma apostila de capa vermelha. Explicou que o documento continha informações adquiridas por Hellen através do programa Black Wall. Para ser mais específico, as informações eram de oito espiões americanos que roubaram dados extremamente sigilosos de nosso governo, podendo colocar em risco a paz de nossa nação. Felizmente, as informações não haviam sido transferidas. E uma queima total de arquivo deveria ser iniciada. Mas o grupo precisaria fazer algo novo e rápido.
– Antes de começar nosso time precisa de um nome. – afirmou Dimitri, o Anfitrião.
– Sendo assim, vocês são “A Liga”. – respondeu Tony.
– “A Liga”? Mas isso é cru demais! – retrucou Simone – Que tal “A Liga do Pandemônio”?
– Nós não somos servos do satã para termos esse nome. – reclamou João.
– Ok, acredito que podemos fazer melhor do que isso. Estamos começando no ramo, mesmo reconhecendo que essa é nossa missão teste. – falou Samantha, a querida Raposa Sanguessuga.
– Samantha tem razão. – confirmou Hellen – Nós somos a “Liga dos Betas”; o termo “Beta” tem exatamente este significado; algo novo que está em teste para seus usuários. Ótimo!
– Estão todos de acordo? – perguntou Tony tendo gostado da ideia.
– Tanto faz. – disse Samantha – Contando que exista alguém para matar no final da noite…
Samanta era exatamente assim. Matar aqueles que causavam desordem lhe fazia sentir-se viva. Mas teria que aprender algo do qual jamais imaginou: trabalhar em grupo. Ela não se importava com essa parte, um dos tópicos principais para garantir perfeição para o grupo.
O primeiro alvo foi um espião de codinome Ameixa.
Minutos depois, eles haviam se transferido para a sala do planejamento, pelo qual Hellen, líder da liga, daria as novas ordens, afinal, ela sabia cada passo dos alvos através do Black Wall.
– Nosso alvo contratou duas prostitutas de luxo para um encontro particular no hotel de cinco estrelas do qual ele está hospedado, no centro da cidade. – disse Hellen diante daquele quadro branco, com a foto do alvo, local e algumas informações adicionais. – Eu cancelei as prostitutas e caso ele ligue para qualquer coisa, o telefone da agencia irá redirecionar a ligação para mim; assim poderemos mantê-lo em nosso controle.
– Em outras palavras você está querendo dizer que Samantha e eu seremos essas vadias que só sabem usar a pepeca e nada mais? – perguntou Simone, não gostando muito da ideia.
– Você tem alguma sugestão melhor? – perguntou Hellen de maneira desafiadora.
– Talvez; quem sabe eu não me vista de camareira, arrombe a porta do quarto e atire na cabeça dele? – sugeriu Simone.
– Ouçam, eu quero um trabalho limpo. O resto do grupo ficará numa van a prova de balas do outro lado da rua para lhes dar apoio caso precise. Não quero disparos, nem confusão ou corpos caindo pela janela. Entenderam? – perguntou Hellen.
– Posso levar meu facão, só por garantia? – perguntou Roger.
– Ok, levem as armas que estão acostumados, mas por favor, hesitem a qualquer custo a usá-las, estão ouvindo? – disse Hellen com firmeza – Não quero iniciar uma guerra onde com certeza, nosso país será destruído.
O plano era básico, simples e de um potencial jamais visto. Simone e Samantha, ao lado de Hellen, cujo gosto era bem refinado, tiraram a tarde para comprar algumas peças de roupas sedutoras e bem atraentes. As três se dedicaram tanto nessa parte da missão, que se divertiram esquecendo-se do passado cheio de dor e perdas. Não é saudável se distrair, mas sim, aceitar o passado que cada um tem; difícil escolha para aquelas mulheres, cuja vida, poderia gerar um ótimo filme para as produtoras americanas.
O tempo correu no relógio. Todos estavam em seus lugares. Hellen conectada com a van através do Black Wall, Dimitri atento no banco do motorista e na parte traseira do veículo, João e Roger. O sistema integrado de áudio e imagem naquele computador instalado no automóvel permitiu acesso total para Hellen, sentindo-se exatamente junto com eles.
Na frente do majestoso hotel, uma limusine branca parou com elegância. O chofer abriu a porta e apreciou pernas tão bonitas; Samantha fez questão de mascar com mais sensualidade aquele chiclete.
– Não se esqueçam de que vocês são Mary e Molly. – avisou Hellen graças ao pequeno comunicador que ambas tinham internamente no ouvido direito.
– Estou me sentindo na quinta categoria. – sussurrou Samantha disfarçando olhares.
Elas subiram o pequeno lance de degraus. Entraram na grande recepção, da qual já tinha uma jovem aguardando a chegada das duas, bem sensuais e exóticas.
– Vocês devem ser Mary e Molly. Gabriel está a esperando no apartamento, me acompanhem.
As duas foram guiadas até um elevador particular. Foram instruídas a seguirem pelo corredor que levaria ao apartamento 2098. Elas entraram na famosa caixa metálica e sentiram-se aliviada quando aquela recepcionista chata as deixou a sós.
– Eu juro que estava me segurando para dar um tiro na cara daquela vadia. – comentou Samantha.
– Não seja tão rude. – disse Simone – Uma morte rápida como essa não valeria a pena.
Hellen solicitou que ambas ficassem concentradas na missão. João aproveitou que também estava ligado na comunicação, assim como os outros membros, para fazer um leve deboche:
– Depois da sacanagem, não se esqueçam da minha garrafa de uísque, ok?
– Com certeza não. – afirmou Samantha – Não se esqueça de que nosso próximo alvo, o Frutinha, será por sua conta.
Dimitri e Roger caíram na gargalhada. Levaram outra chamada de atenção da jovem Hellen, que sentiu algo estranho. Disse que iria se desconectar por alguns minutos, mas todos deveriam seguir com o plano.
A porta do elevador se abriu. Mary e Molly seguiram até o quarto alvo. Ouviram um som distante, mas ficando alto a cada passo. Tocaram a campainha e aguardaram. O salto parecia incomodar Samantha, que jurou mais uma vez, fazer o trabalho de forma muito rápida e eficaz.
Mas temos que combinar que nenhuma delas esperavam que a porta fosse se abrir e uma festa regada de pecado pudesse estar acontecendo.
– Mas que caralho de som alto é este aí? – questionou João curioso.
Simone ficou pasma ao entrar no amplo apartamento. Homens e mulheres do mais alto escalão.
– É uma grande festa, parceiros! – sussurrou Simone impressionada com o luxo diante de seus olhos, ficando preocupada, quando aos poucos, observou cada um dos futuros alvos diante de todos os outros convidados – E todos os nossos alvos estão aqui!
Os rapazes na van ficaram empolgados. Pensaram exatamente igual: atacar todos de uma única vez. Mas não poderiam fazer isso sem o comando de Hellen, embora a mesma estivesse fora de conexão.
No prédio onde a pequena Cross tentava lembrar-se do que realmente viu no programa, eis que surgiu uma visita inesperada: Eric Marshal. Hellen ficou muito contente ao vê-lo e ainda mais feliz, quando ouviu perguntar se o convite estava de pé. Tudo deveria permanecer perfeito senão fosse a chegada de Tony, que havia deixado a sala para buscar um pouco de café; o olhar dele com o neto bastardo foi inevitável. A xícara caiu e espatifou-se em pedaços.
– O que você está fazendo com esse assassino Hellen?
– Este é o meu chefe, Tony Florence. – falou inocentemente – Por quê?
– Porque este é o meu avô, aquele que assassinou minha família.
– Olá, netinho. – debochou Tony – Vejo que John lhe treinou muito bem. Você conseguiu ficar escondido por alguns anos, mas o destino nos colocou frente a frente outra vez.
A verdade surgiria como um verdadeiro meteoro. Um meteoro recheado de dor, ódio, maldade e vingança.
– Eu só gostaria de entender que merda de situação é esta que está acontecendo? Alguém pode explicar?
O sangue fervia nas veias de Eric, que revelou toda a verdade sem se preocupar com as consequências:
– Tony é um verdadeiro filho da puta! Assim como mentiu sobre o ataque no QG principal do projeto COBEN, onde o programa Black Wall faria sucesso, ele foi o único da equipe que conseguiu uma informação extremamente forte e secreta, da qual o próprio programa bloqueou, por algum motivo. Esses alvos que estão planejando apagar, com certeza são filhos dos fundadores do projeto COBEN!
– E por que ele mataria a própria família? – questionou Hellen intrigada.
– Da mesma forma que ordenou um ataque ao próprio QG: por dinheiro! O safado recebeu milhões do governo americano, pois o programa foi trazido de lá até nós, porque o criador, que foi um americano, nunca gostou do modelo bélico do país e teve muito medo que este, pudesse dominar o mundo. Tony sempre quis impor a si um novo governo, um lugar onde somente ele decide quem vive ou morre.
Tony sorriu e bateu palmas:
– Eu estou muito, mas muito impressionado com você; de verdade. Mesmo tendo alguns rastros sobre você e a amizade com Hellen, suponho que você e seu tio maldito fizeram um plano. E acredite, está funcionando. Mas devo confessar que você está certo e nada vai mudar à respeito. Aqueles alvos possuem a mesma informação confidencial que eu adquiri do programa no momento do ataque, e este banco de dados que está trancado em nossas mentes, só podem ser lidas pelo Black Wall, que só pode funcionar com a mente de Hellen; e tudo isso, porque o pai dela codificou os dados iniciais de programação deste poderoso mecanismo. Se desbloquear a informação na minha mente, automaticamente eles também terão a informação descodificada. Então, eu ordeno um ataque aos meus irmãos e depois, Hellen libera a informação que eu tanto quero. Ou vocês realmente pensaram que eu me importo com os espiões?
– Você é um cretino safado! – repudiou Hellen – Você nunca terá o que quer. Conspirou contra todos nós este tempo todo! Seu trabalho nunca foi evitar espionagem, mas usar esta informação que nem você sabe ao certo para algo terrivelmente maior! Jamais vou fornecer o que você quer! E tenha dado como cancelada este missão de assassinato!
– Tarde demais. Posso sentir “A Liga dos Betas” em ação nesse exato momento.
Embora Tony tentasse abafar tudo o que escondeu até agora, Simone e Samantha não sabiam o que deveriam fazer. Estavam próximas de um bar instalado no apartamento observando alguns convidados e principalmente, os alvos. Ambas sussurravam uma para a outra, questionando qual seria o próximo passo. Aguardar por informações de Hellen era essencial. Mas a mesma, estava demorando demais.
Enquanto isso, o clima de tensão só piorou entre os três, quando Hellen questionou sobre o paradeiro de sua mãe, tendo sido revelada uma foto no celular de Tony, mostrando a mesma, sobre uma mesa de cirurgia.
– Você deveria ficar feliz, Hellen. Dentro de alguns meses você terá um irmãozinho; ou uma irmãzinha.
A jovem berrou enfurecida. Eric sentiu a mesma raiva e chutou o bastardo do Tony contra a porta, que se quebrou e o fez cair para fora, no frio chão do corredor. Hellen estava emocionalmente abalada. Profundo estado de choque. A bomba estava armada.
Fale com o autor