A Letter For You
1 Carta do Dragon Slayer
Notas iniciais
– Happy–chan! – a jovem se aproximava com as mãos para trás, como quem escondia algo. – Trouxe algo pra você.
– É peixe? – os olhos do felino falante e azul brilharam intensamente, provocando um amável sorriso a quem chegara.
– É um peixe Damarus. São difíceis de serem pescados, pois há cardumes em poucas e pequenas regiões, sem contar que não está na época em que estão em abundancia. – Rei mostrou o que escondia e a boca do felino se abriu de alegria. – Como eu sabia que você é um amante por peixes, pensei em comprá-lo após a minha missão.
– Peixe! – o gato avançou sobre o presente, degustando do delicioso gosto.
– Não o mime muito, Rei. – Lisanna se aproximou da jovem, observando a alegria de Happy. – Como mãe, eu tenho que dosar o que ele come.
– Eu entendo. Mas não faz mal um presente assim. – a jovem sorriu e abraçou a companheira deguilda. – Quanto tempo.
– Estava com saudades também. – a garota se afastou para olhar melhor a jovem. – Depois de dois meses sem aparecer, estávamos ficando preocupados.
– Não é saudável pegar tantas missões de uma vez. – Mirajane comentou mais ao longe, de trás do balcão. – Porém você sempre está impecável, como se nem tivesse feito-as.
– Não se preocupe. – Rei garantiu. – Fiz todas perfeitamente.
– Rei–chan. – Levy desviou apenas um pouco os olhos dos papéis que lia. – Você demorou desta vez.
– O que queria? – a jovem suspirou e ajeitou a bolsa em suas costas. – Derrotar um exército de demônios, caçar um criminoso de rank S, domar um leão elementar e matar os “espíritos” da desgraça não é algo tão simples de se fazer em poucas semanas...
– Quantas missões você pegou desta vez? – Levy ficou intrigada.
– Melhor nem contar. – Mirajane deu um sorriso amarelo, assim como sua irmã mais nova.
– São os romances da Lucy–chan? – curiosa, Rei olhava os papeis com atenção.
– Sim. Ela me entregou antes de ir a uma missão com Natsu e os outros.
– Hum? – Rei ficou confusa. – Por que o Happy–channão foi? Natsu sempre o leva.
– Natsu pediu para ficar e ver se você chegaria antes dele. – o felino ousou em dizer com o rabo do peixe ainda pra fora de sua boca.
– Não fale de boca cheia. – Lisanna reprovou o ato.
– Que estranho. – Rei sabia que havia algo por trás desta meia verdade, ou ela era o que achava. – Não faz sentido. Eu sempre fico um mês inteiro naguilda após terminar meus serviços.
– Você não é a única a desinformada. – Lisanna comentou. – Happy não quis me contar a verdade por trás disso.
– Com certeza, o Natsu está aprontando alguma coisa. – a jovem maga de Take Over elementar concluiu. – Diga logo, Happy–chan!
O felino olhou para a garota, finalizando o presente recebido pela mesma e explicitou em seu olhar certo contra gosto. Rapidamente, este usou sua magia para criar asas, Aeria, e saiu daguilda lentamente. A jovem logo entendeu que era para segui-lo e não perdeu tempo em fazê-lo.
Ela percorreu Magnolia inteira atrás do felino voador, porém já não aguentava mais acompanhar aquele ritmo maluco. Estava preste a parar de bancar a idiota, quando logo reconheceu o caminho que traçava. Ainda sem entender, a jovem continuou a perseguir Happy até a casa de Natsu, que estava bem perto.
A jovem abriu a porta destrancada e pensou no quanto o dono do local fora descuidado ao fazer isso. E o mais assustador foi ver o local todo em perfeita ordem.
O lugar não era muito grande. O primeiro cômodo era a sala de estar. Ao seu lado direito, havia grande abertura que dava acesso a cozinha e a uma mesa de jantar. Seguindo o corredor a frente da porta principal, tinha um banheiro ao lado esquerdo, um quarto não usado por Natsu do lado direito no fim do caminho estava o quarto do rapaz.
– E não é que milagres acontecem? – ambos entraram no recinto. – Ele finalmente limpou a casa. Teve ter sido a primeira vez depois de séculos... – a jovem se dirigiu para abrir closet na parede à direita da porta, querendo verificar a limpeza do lugar.
– Rei, cuidado! – o felino apenas pode alertar e logo viu a jovem sendo subterrada por diversas coisas que nem ao mesmo sabia o que eram. – Rei!
– É... Retiro o que disse. – a jovem saiu da pilha que se formara sobre si com certa dificuldade e encarou Happy. – Afinal, o que fazemos aqui?
– Não sei ao certo. – Happy confessou.
– E só agora me diz?! – a jovem passou a puxar as bochechas do amigo para aliviar sua raiva.
– Isso dói! Natsu apenas me pediu para te trazer aqui e ler uma carta!
– Carta? – a garota soltou o felino voador e procurou em volta algo que parecesse uma carta.
Seus olhos logo encontraram algo sobre o criado mudo ao lado da cama. Rei se sentou próxima a esta e pegou o envelope sobre o móvel. Enquanto a abria, Happy tentou ler antecipadamente, contudo a jovem logo parou o que fazia e o encarou.
– Se o Natsu deixou isto para mim, creio que mais ninguém deva saber seu conteúdo.
– Mas estou curioso.
– Então deveria ter lido antes de me contar. – emburrado, o gato se deixou no colo da jovem, recebendo um gentil carinho desta. – Se for nada de mais, eu lhe conto.
– Aye...
Vendo que não haveria mais interrupções desnecessárias, Rei finalmente abriu a carta, sem deixar de acariciar a cabeça de Happy. Para a jovem, seria muito bom fazê-lo dormir um pouco.
“Não quero que ria desta situação, entendeu?”
Era assim que começava.
Tarde de mais! A jovem ria fracamente em pensar no Dragon Slayer escrevendo algo, principalmente aquela carta, pois mesmo não sabendo seu conteúdo, era engraçado imaginar o rapaz procurando as palavras certas para pô-las no papel. Ele nunca foi fã de ser intelectual. Reparando a caligrafia, achou-a até bonita com comparado ao que tinha em mente.
“Eu sei que é estranho uma carta escrita por mim e sei que sou péssimo com as palavras. Tanto que, para escrever isto, tive que ter um dicionário ao meu lado.”
Novamente, a jovem passou a rir.
“Em todo caso, a razão disso é que eu não tenho coragem de dizer o que quero. Isso mesmo: Não tenho coragem! Assumo que sendo um Dragon Slayer, só não tenho coragem pra duas coisas: Transportes, pois é meu ponto fraco, e dizer isto na sua frente. Não porque você é assustadora quanto a Erza ou por que somos grandes amigos. Eu realmente não sei por que disso, mas eu tenho medo da sua reação, principalmente.”
Naquele momento, o coração de Rei falhou. Seu rosto se tornou rubro e fraquejou em continuar. Respirando fundo, tomou a energia que precisava para retomar a leitura.
“Como eu disse, não sou bom com palavras e também não consigo enrolar um assunto por muito tempo... Eu amo você!... Não como gosto dos meus amigos, da guilda ou até mesmo Ignell. Eu realmente te amo como amante.”
A jovem sentia-se febril. Estava assustada e, ao mesmo tempo, realizada. Algo úmido molhou sua face, caído na folha e percebendo que estava chorando, se preocupou em não deixar nenhuma cair sobre o amigo adormecido em seu colo.
“É assim que se fala? Ah! Tanto faz. Só quero que saiba os meus sentimentos... Se foi repentino, desculpa, mas é a pura verdade! E como covarde que sou, preferi me confessar através desta carta (Como sou patético...). Vou entender se não olhar pra minha cara nunca mais. Será pedir demais que, se não sente o mesmo, continuemos bons amigos que somos? Estou sendo egoísta, mas não quero me afastar de você.”
Não era falta de querer, mas a garota não aguentou conter-se e passou a chorar o mais silencioso possível. Realmente o jovem mago não tinha o menor jeito com as palavras, mas mesmo assim, conseguira passar seus sentimentos adiante. Como conseguia tal façanha?
“p.s.: Não abra o closet de jeito nenhum!”
– Idiota... – a jovem murmurou tentando se acalmar. – Podia ter posto um bilhete na porta...
– Rei? – ao ouvir a voz tão conhecida, a jovem se levantou bruscamente, derrubando Happy do conforto de seu colo, procurando o dono dela com muita ansiedade.
– Oe! O que foi? – reclamou o gato azulado, vendo a jovem sair do quarto sem ouvir suas palavras. – Hum?
Lá estava ele. Em frente a porta principal e cheio de curativos pelo corpo, Natsu demonstrava que novamente havia exagerado na missão. O rapaz tinha um tom avermelhado em sua face e rapidamente deixou de encarar a jovem, tentando esconder sua face com seu cabelo rosado.
– Natsu... – a garota tentou dizer.
– Natsu, está tudo bem? Como foi o trabalho? – como se era esperado, Happy não tinha percebido o clima tenso que os dois tinham e continuou a flutuar para perto do amigo, olhando seus machucados. – Você exagerou de novo, não foi?
– Diz logo, cabeça de fósforo! – assustando tanto Rei quanto Happy, a voz de Gray fora ouvida pela residência facilmente. Julgando por sua audição, a jovem imaginou que o mago de gelo estivesse do lado de fora e não entraria.
– Isso mesmo! Toda garota sonha em ser cortejada pessoalmente, e não por cartas! Pelo menos, não numa declaração! Você tem que ser sincero com ela! – a voz de Lucy se mostrou mais alta, acabando por atrair Happy, que saíra para ver quem mais estava ali fora. – Olha que a Erza está aqui pra ver se você é homem pra isso!
– Até a Erza–chan? – fora o que a Rei pode pronunciar naquele momento.
– O que está acontecendo?! – Happy exclamou, mas logo Gray o fez calar-se ao congelá-lo.
– Fique quieto, gato azul. – respondeu o mago.
– Você é mal... – comentou o felino com muita dificuldade, dentro de um cubo.
Alguns minutos se passaram e mais reclamações de Lucy e Gray foram ouvidas. Mesmo naquele tumulto, a jovem maga apenas tentava encontrar os olhos castanhos de Natsu, mas este se recusava a mirá-la como se tivesse um medo tremendo. Calada e nervosa como o jovem, Rei se aproximou a passos calmos e lentos, não chamando a atenção do rapaz em primeiro momento. Perto, sentiu suas palavras descerem garganta a baixo, impossibilitando-a de dizer o que quer que fosse. Natsu a olhou de relance, enxergando o vermelho tentador das bochechas da jovem sem fala, e enfim teve forças pra dizer.
– Eu te amo!
Depois, o silêncio reinou por todo o ambiente. O jovem encarou a expressão surpresa da jovem e timidamente focou-se a qualquer outro ponto que não fosse o belo rosto da garota e dona de atordoantes olhos prateados. Vendo aquela atitude tomada enfim, a jovem esboçou um sorriso gentil e mais lágrimas caíram de seus olhos. Com o fora bem apurado do Dragon Slayer, este notou que estava se aproximava para abraçá-lo e não a deteve.
– Rei...
– Idiota... – ela sussurrou para apenas os dois ouvirem, tomando o rapaz em seus braços finos e gélidos pela novidade. Chegando perto da orelha do jovem, Rei simplesmente murmurou. – Eu te amo há muito tempo, Natsu. Você é muito lerdo e não notou isso.
Assim, a jovem tomou os lábios de Natsu, para o espanto deste. Logo após o ato, o rapaz deixou de ser levado e tomou as rédeas da situação, comandando o beijo caloroso e intenso que compartilhavam. Ambos estavam mais que felizes... estavam em perfeita paz de espírito. A jovem foi emburrada para encostar-se à porta, não reparando que Natsu a havia trancado após apoiá-la nesta, abandonando seus amigos do lado de fora, sem entender o que acontecia. Estava ocupada demais tentando manter sua sanidade pelo apaixonante beijo do rapaz.
– Rei... – com a voz rouca e sensual, ele puxou-a delicadamente para perto do sofá aprofundando o beijo com desejo, arrancando o resto de ar que a jovem tinha em seus pulmões.
– O que você pensa que está fazendo, Natsu?! – após o voar, literalmente, da porta que quase atingiu aos dois, ambos apenas viram uma Erza furiosa com sua “temida” armadura, Armadura do Purgatório.
Extra:
O dia parecia pacífico em Magnólia. Elfman inventou de atirar pequenos punhais junto com Gajeel num pilar daguilda mesmo tendo ouvido as reclamações do mestre com aquela brincadeira. Aparecendo pela porta, o grupo de Natsu tomou rumos distintos. Gray se sentou em uma mesa qualquer e já sendo rodeado por outros membros, principalmente Juvia; Lucy fora de encontro com Levy para saber que esta gostara de seu conto; Erza apenas ficou degustando seu bolo de morango que Mirajane já havia preparado e ouvindo esta a fofocar qualquer coisa; Happy ficou a voar, observando várias vezes os membros fazerem as mesmas coisas de sempre; Natsu já preferiu se sentar perto do bar, gemendo algumas vezes pelos ferimentos que ganhara tanto da missão quanto de Erza do dia anterior. Rapidamente, Lisanna e Mirajane ficaram focadas no pequeno felino azul, agora sentado numa mesa, decididas a saberem sobre o que ocorrera anteriormente.
– E então, Happy? – Lisanna começou. – O que houve ontem?
– Hum? – Happy perguntou a coçar os olhos, demonstrando certo sono. – O que quer dizer com isso?
– Ontem, você saiu com a Rei e não voltaram mais... – Mirajane explicou. – Estamos curiosas com relação a isso.
– Eu também não sei ao certo... – comentando, Happy, antes de todos, notou a chegada da jovem Take Over elementar no recinto, distraída, provavelmente, pelo ocorrido do dia anterior. – Eu acho que a Rei e o Natsu estão juntos agora!
– Como é?! – o gato não notou que se empolgara em dizer e todos acabaram por escutar uma conversa que deveria estar apenas entre aqueles três.
Todos estavam abismados pela inesperada notícia, causando uma reação de espanto em cadeia, retirando Natsu e seu grupo que apenas se calaram e não ousaram se intrometer.
Por este comentário repentino, Gajeel, acidentalmente, lançou o punhal em mãos um pouco mais forte do que devia, sem prestar atenção onde mirava. Para o azar de Rei, que seguia em frente, notou que no exato momento em que o rapaz arremessara o objeto cortante, entrara na linha de acerto da adaga. Sem preocupações, a jovem transformou seu braço em um membro metálico para se defender normalmente, contudo, não fora bem isso o que aconteceu.
Parando em sua frente, protegendo-a do objeto, Natsu segurou o punhal pela lâmina, não se cortando com a ação. Para a surpresa de todos, o rapaz fora rápido o suficiente para que nem a jovem que protegera o notasse chegar. Voltando ao seu estado humano e intrigada pela atitude do Dragon Slayer, Rei se surpreendeu ao ver os raivosos olhos do rapaz para os dois jogadores dos objetos.
– Ninguém irá machucá-la enquanto eu estiver vivo. Se, mesmo sem querer, ela se ferir por culpa de alguém de qualquer modo possível e imaginável, eu acabo com o desgraçado! – com aquelas palavras de puro ódio, Elfman e Gajeel recuaram no mesmo instante, pois nunca haviam visto o rapaz naquele estado tão assustador. Não parecia o mesmo Natsu que conheciam.
E assim, mais uma vez, o dia demonstrava ser tranqüilo na grande Fairy Tail!
Fale com o autor