A Lenda dos Tyrorks

2 A Zona Escurecida


Notas iniciais
E então um novos personagens aparecem, mas não se preocupem, logo essa historia vai fazer sentido. E como sempre, comentem meus erros para que eu possa consertá-los, falem sua opinião e até o próximo capitulo.

Traidores! Malditos, traíram-me! Mas hão de pagar. A terra da falsidade não merece leis. Não merece prosperidade. Merece apenas a podridão. Cultivarão o ódio, semearão a desgraça; a nova terra amaldiçoada nasce e todos vocês serão confinados nela.

– XXI Decreto Público.

Era noite e o movimento quase inexistente; a estalagem estava silenciosa. Exceto por um sujeito de aparência suspeita. Usava uma túnica cinturada e um capuz cobrindo o rosto. Estava sentado próximo à janela observando as poucas pessoas que transitavam.

O homem nada pediu para comer ou beber, nem sequer perguntou sobre os quartos. Parecia apreensivo, e tamborilava com os dedos na mesa.

Lorde Hyulder (que não era lorde nenhum, apenas se auto intitulava assim) o dono da estalagem fitava o sujeito com desconfiança. Passada meia hora, pensou em expulsar o rapaz, já que ele não aparentava ter moedas para pagar por seus serviços. Mas assim que Hyulder moveu a pança para fora de sua cadeira, as portinholas de madeira abriram-se abruptamente.

– Cretino! – vociferou uma mulher. Tinha as vestes empoeiradas, estava descalça e o cabelo desgrenhado, embora ainda tivesse em si certa beleza natural. – Mentiu para mim! Quase que morro dessa vez – falou apontando o dedo para o homem.

O esquisito encarou a mulher, e sorriu como se fossem velhos amigos.

– Está deslumbrante, Marriet – falou com ironia.

A garota, furiosa voltou a gritar, descarregando toda suas emoções e desconfortos no rapaz a sua frente.

– Desculpe Marriet, me enganei dessa vez.

– Dessa vez? – Ela caçoou. – Oh, grandioso Millikan – falou com todo escárnio que conseguiu reunir – essa não é a primeira vez que erra, e nem será a ultima, bem sei. Mas me agradaria, se não fizesse isso de propósito.

Millikan preparava suas defesas, mas foi interrompido.

– O que está havendo aqui? – questionou lorde Hyulder procurando entender a situação.

– Nada, apenas um pequeno erro da minha parte, ao que me parece – Marriet deu-lhe uma olhada zombeteira como se dissesse: não foi nem um pouco pequena. – Acho que não deve mais brincar de fazer poções, elas podem explodir.

A garota ficou vermelha de raiva.

– Não explodiriam, se me ensinasse direito! Aquele óleo de imo é realmente um perigo – retrucou a moça.

– E, no entanto é tão útil. É bastante eficaz em curar ferimentos e até mesmo causá-los, se souber usar suas propriedades corretamente – e deu um risinho – mas para transformações, por Berzelius!

Marriet sentiu-se um pouco envergonhada, mas a raiva ainda não diminuíra. Sempre tentava aprender ao máximo e Millikan, ensinar o mínimo. Certa vez ele contara que tinta virgem, misturada à cera derretida e salpicada com azeite magnário resultaria numa poção de invisibilidade, mas é claro que tudo era uma brincadeira. A moça decepcionou-se, e ficou por tempos, aborrecida, mas o homem não tinha mau coração... apenas gostava de pregar peças de vez em quando.

O dono da hospedaria demonstrava total confusão. Sua barriga enorme remexia-se com demasiado desconforto, talvez por sentir fome.

– Quem é esse tal de Berzelius? E que diabos é esse óleo que vocês estavam falando? Pelos Onze, expliquem-se!

– Berzelius é um feiticeiro. O maior de minha terra. Considerado uma espécie de mito, um deus, assim como os Onze de vocês.

O homem gordo ficou branco de medo.

– Sua terra? V-vocês são magos, ou algo assim? Impossível! A magia foi banida há tempos – replicou.

Foi banida – concordou o mago. – Mas ela não morreu Thonan. E cá estou eu, um mago numa terra sem magia. Deve achar bem interessante não é?

– Que os Onze me livrem dessas magias negras! – falou tomando distancia do bruxo – e do que me chamou?

Agora quem estava confuso era Millikan.

– Seu nome não é Thonan? Pelas barbas de Gell-Mann! Como pude errar assim – disse impressionado.

– Como é descuidado, falou tudo para o rapaz, sem nem saber se era o certo – implicou Marriet.

O mago ficou desconcertado.

– É que minhas previsões nunca falham – e coçou atrás da cabeça, por cima do capuz, se sentindo constrangido.

– Não importa! Agora temos que silenciar o gordo por sua culpa.

– Tem toda razão, minha querida. – e se dirigiu ao gordo – Foi mal. Nada pessoal.

E Millikan ergueu a mão direita. Uma pequena aura de energia surgiu a sua volta e suas vestes balançavam com o vento que emanava de sua mão. O gordo tremia de medo, apavorado demais para sair correndo e fugir. Por baixo do capuz uma luz cor de âmbar se aglomerava. O feitiço parou, e o dono do local caiu no chão. Tudo estava tranquilo outra vez.

– O que você fez? – perguntou Marriet, curiosa.

– Nada, ele desmaiou de medo.

– Vai deixá-lo assim? E se ele contar para alguém?

– Não temos muito tempo para isso. Estão por vir.

Marriet ficou tesa.

– Tem certeza?

Millikan puxou o capuz com força.

– Acabei de ver, com este olho! – Berrou. E de fato seus olhos não tinham cor de âmbar, estavam verdes, claros e vivos, como uma floresta. –Temos alguns minutos, se minha visão estiver correta. Vamos!

– Espera, espera – falou a garota, confusa – não podemos deixá-lo assim.

O mago ajoelhou-se ao lado do corpo caído, retirou um pequeno frasco e fê-lo beber o liquido de aparência viscosa e verde. Guardou a poção num bolso de sua veste e fez sinal para que Marriet o seguisse.

– O que deu para ele beber?

– Pitnório líquido. Ele não vai acordar tão cedo – e deu uma espécie de sorriso. – Bom, mas quando acordar, suas memorias também irão despertar. – e recolocou o capuz de modo a esconder seus olhos. Dava-lhe um ar misterioso, e até o deixava mais bonito, dizia Marriet. Ela detestava sua cabeça sem cabelos.

– E quanto ao Thonan, como o encontraremos?

– Daremos um jeito – prometeu – mas primeiro temos que sair daqui.

As primeiras gotas da chuva começaram a cair assim que a dupla saiu da estalagem. A rua enlameada estava quase deserta. O cheiro era horrível, e os mosquitos incontáveis. Pouco a frente uma carruagem surgiu. Um homem de armadura revestida a dirigia. Sua capa deveria ser branca, mas a escuridão não permitia descobrir a cor certa. Deve ser cinza, pensou Millikan. Seu cavalo de crina negra avançava com enorme velocidade, mesmo com o terreno fofo e escorregadio.

– Será que ele...

– Lógico que sim, Marriet. Quem mais andaria desse jeito por aqui? – E soltou uma risada escandalosa – está de veras atrasado dessa vez, Von Rumboldt!

E os dois andaram pelas estradas de lama, rindo, até se depararem com uma criança. Millikan pensou que fosse seu dia de sorte, tudo estava dando certo para ele. Não sabia ele como se enganara.

Notas finais
Continuarei tentando postar semanalmente, apenas adiantei esse capitulo pois a introdução está de veras pequena.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.