Notas iniciais
No capítulo a seguir, Li e Ying se deparam com o "último" filho, um pequeno embate acontece e os jovens se deparam com algo que não se ouve falar há muito tempo.

[EXTERNO]

27/03/2020

É possível ver Ying de pé na frente de uma casa, ela parecia confusa e não mostrava muito interesse em entrar na casa, não demorou muito até que Li apareceu ao seu lado. Ying então alfineta seu parceiro

— Está atrasado. Eu não gosto de esperar!

Li não responde e então tenta abrir o portão, mas sem muito sucesso. Então ele se direciona para Ying e pergunta:

— Você tem alguma informação sobre? Fazem 3 dias desde o último caso. Eu ainda nem terminei de examinar a faca e o bilhete.

Ying olha “de canto de olho” para Li e responde:

— Suspeito que o que aconteceu aqui foi uma possessão. Uma vizinha me disse enquanto eu te esperava, que ouviu gritos estranhos e vozes graves durante toda a madrugada.

Ying cruza os braços e continua a encarar o portão e então Li responde:

— Nunca lidei com possessão… Como lidamos com isso?

Ying abre sua mochila e então pega uma garrafinha transparente e bebe todo o seu conteúdo. Logo após, ela responde com um tom de voz um pouco arrastado:

— O mesmo princípio de sempre, estar atento aos detalhes. Nós vamos entrar e procurar, se acharmos alguém vivo, nós o interrogamos, se não… É mais um corpo para estatística.

Li dá dois passos à frente e para de frente com o portão o encarando, como se em um passe de mágica, ele se abriria. Então ele coloca as mãos no bolso e ao retirar, é possível ver mais um pacote de jujubas, ele o abre e come algumas, colocando o resto no bolso do moletom.

— Como nós vamos entrar? Aparentemente ele está trancado.

Ying respira fundo e ao se preparar para enfiar o pé no portão, ele misteriosamente se abre. Ela automaticamente responde a tal ação:

— Ok, isso foi inesperado. Mantenha-se atento, isso pode ser uma armadilha.

Li faz sinal de positivo com a mão e ambos adentram a casa.

[INTERNO]

Assim que o primeiro passo dentro da casa é dado, a pressão atmosférica muda, suas respirações ficam ofegantes, eles sentem o ar pesar e sentiam que estavam sendo observados por todos os cantos.

Cada metro que eles avançavam dentro da casa, faziam todas as sensações piorarem, uma falta de ar tomou conta dos dois, e eles começaram a ficar sonolentos, até que Li num último suspiro diz para Ying:

— Ying, beba a ativação! Beba agora.

Rapidamente ele coloca a mão no bolso do moletom e tira o frasco com a substância amarela, abrindo-o e consumindo quase que instantaneamente. Li respira fundo e as péssimas sensações começam a se dissipar lentamente. Ao olhar pro lado, ele consegue ver Ying se encostando na parede com a cabeça baixa e o frasco vazio em mãos, então ela diz:

— Estou bem atrás de você, pode ir. Faça-o correr por todo o seu corpo, os olhos não nos ajudarão agora.

Li continua a andar casa a dentro. Ele respira fundo e faz com que a substância corra por seu corpo.

Nota do autor

A substância chamada de “ativação”, que está presente em toda investigação pode ser utilizada de algumas formas diferentes, uma delas, já apresentada aqui antes, pode ser utilizada como um “telescópio” para identificar contratos e coisas relacionados ao mundo irreal, controlando-o para os olhos. Nessa vez, eles usaram para “blindar” o corpo e manter sensações provenientes de possessões.

Após ter uma pequena melhora, Ying anda atrás de Li cobrindo suas costas, até que ele para e ela esbarra nele.

— Por que você parou? Perguntou Ying

Li aponta para frente e está lá uma pessoa sentada numa cadeira com as pernas cruzadas e uma taça de vinho na mão os encarando.

— Perdão, mas quem seria você? Perguntou Li

A pessoa permanece sentada diante deles e então responde:

— Sou aquilo que vocês procuram.

Ying toma a frente e pergunta:

— Como sabe o que procuramos?

O indivíduo continua sentado e então ri, logo em seguida responde:

— Sou o último filho do azar que vocês procuram.

Li e Ying ficam confusos com a declaração do jovem, mas não deixam transparecer. O jovem descruza as pernas e diz:

— Eu imagino que vocês estão bastante surpresos a essa hora. Mas contem-me… O que vocês esperavam? Mais um corpo sem vida? Algo fácil?

Li pergunta sem exitar:

— Aceita uma jujuba?

Ying olha para Li sem entender o que o imbecil está fazendo, e em seguida direciona seu olhar para o jovem sentado e diz:

— Deixa eu adivinhar… Você fez tudo isso tudo isso por que está em busca de alguma vingança pessoal, criou um discurso para seus amigos e eles se juntaram a sua causa… Eles morrem e você tem a sua parte do acordo. Foi bem pensado, pegou duas pessoas que são viciadas em jogos e os arrastaram para um falso contrato, na intenção de acumular almas para o seu contrato.

Li espantado olha para Ying e volta seu olhar para o rapaz, esperando alguma reação do mesmo.

— Parece que você me leu como um livro, não é mesmo? Impressionante, Ying… Tudo que disseram sobre você é verdade.

Ele bebe um pouco do vinho e novamente fala:

— Agora sobre esse novato… Li? Nunca me falaram nada sobre você. Mas vamos fazer assim. Eu os deixo ir sem machucados e vocês arquivam o caso. O que acham?

Ying não reage ao comentário do rapaz e responde:

— Olha… Eu já lidei com diversos casos como o seu, você se diz invencível, todo confiante. Mas no final, você vai para o mesmo lugar que todos os outros.

Li recua um passo, come uma jujuba e diz:

— Se me permite… Vamos acabar com isso? Minha jujuba está acabando e eu preciso repor meu estoque. Creio que você vai se entregar antes que seja necessário usar força bruta.

Nota do autor:

Peritos geralmente não usam força bruta para resolver casos, até porque é bem raro que seja exigido um combate corpo-a-corpo. Para eles, a força bruta é dividida em duas partes:

1 — Força corporal: onde o combate corporal existe.

2 — Força bruta: é feito o uso de força espiritual(bruta) para retardar, nocautear e até mesmo “matar” uma possessão.

“Matar” uma possessão é destruir o vínculo do emissor com o contratante.

— Li… Não é mesmo? É muito engraçado ver essa autoconfiança exalando de ti. Você quer impressionar a Ying, não é? Acho que entendi… É o caso do macho alfa querendo mostrar poder para a fêmea?

Li não reage a tal provocação, em seguida responde:

—Engraçado te ver todo confiante em uma situação onde as chances estão contra você.

Ying olha sem demonstrar nenhuma reação para seu companheiro e desvia o olhar novamente para o homem sentado, dizendo em seguida:

— Você primeiro, Li. Já que está transbordando confiança.

Após a permissão da sua companheira, Li dá dois passos a frente e para diante do homem sentado na cadeira, em seguida pergunta:

— Últimas palavras?

O homem termina de beber o vinho, coloca a taça no chão e se levanta, indo em direção à Li enquanto diz:

— Quando a lua vermelha surgir, e o terceiro selo for rompido, diante do nosso senhor, você perecerá.

Li não entende o que o homem diz e mesmo assim se prepara para combate. Ying diz enquanto se afasta:

— Blá, blá, blá, esse papo de terceiro selo é palhaçada. Acaba com isso, Li. O meu estoque também está acabando.

Eles entram em combate corporal por alguns instantes, e após alguns movimentos rápidos, Li consegue atingi-lo em pontos de pressão no braço esquerdo. O homem perde os movimentos do braço atingido. Então ele retira um punhal das vestes e apenas com um braço, tenta golpeá-lo. Um dos golpes passa muito perto do rosto de Li. O agressor para um momento e diz:

— Uhh, essa foi por pouco. Mais um centímetro e meu senhor receberia mais uma alma.

Ying ouve o que o homem diz e se atenta a isso, imediatamente ela faz com que a substância corra para seus olhos, fazendo com que escureçam, permitindo ver o que os olhos nus não conseguem. Ela encontra algo importante, mas fica com essa informação para si.

O punhal é a chave? Vou deixar que ele perceba por si só. Mas se ele for atingido por aquilo, pode resultar em algum dano irreversível.

Após a fala do seu adversário, Li interpreta rápido o que ele quis dizer e assume uma postura um pouco mais defensiva, esperando por mais ataques e tentando sempre fazer contra-ataques. Não demorou muito até Li perder a paciência e fazer a substância correr até seu punho, fazendo-o brilhar por um momento e atingi-lo em cheio no peito, fazendo-o voar em direção à parede. O impacto foi tão forte que o punhal caiu de sua mão e ele não conseguia se mexer.

— Ótimo, Li. Agora deixa comigo que eu finalizo.

Disse Ying enquanto andava em direção ao corpo. Ao se aproximar, o homem abre a boca e um som agudo sai de dentro dele, fazendo com que os peritos caiam no chão com tamanha agonia, fazendo seus ouvidos sangrarem.

— Isso é apenas uma demonstração do que está por vir, sua substância amarela não será capaz de te defender do que está a caminho!!!

Ainda caídos e com o ruído perturbador, a dupla tenta se levantar, mas caem novamente. Seus narizes começam a sangrar e antes que ambos apaguem, é possível ver uma luz sair do corpo do homem caído e ambos ouvem uma voz grave dizer:

— O primeiro selo foi... Rompido.

Algumas horas depois do acontecido, Li e Ying ainda estão caídos no chão, até que uma voz é ouvida ao fundo. Li abre os olhos mas a sua visão ainda está embaçada. É possível ver um homem com roupa social e sua voz era conhecida.

— Li, você está bem?

Ying abre os olhos e ao ver o homem se aproximando, levanta espantada, tentando se afastar o máximo que puder dele. Ele não entende, mas continua a ir em direção a Li, até que o mesmo retoma a visão e ele vê Alex.

— Alex? O que você faz aqui? — Perguntou Li ainda caído no chão.

— Uma senhora ligou para a central e disse que viu uma dupla de estranhos em uma casa onde havia sido soado um alarme de atividade espiritual. A descrição batia com a sua, achei melhor vir. O que houve?

Ying olha os arredores ainda assustada e encontra o punhal que o homem misterioso usou. Ela pega a arma e mantém na direção do seu tronco, apontando para Alex. Li se levanta e ao ver Ying com o punhal em mãos, estende o braço com as mãos abertas em direção a ela e diz:

— Respire fundo, Ying… Alex é alguém que podemos confiar.

Alex vê o punhal apontado para si dá alguns passos para trás enquanto mostra as mãos e diz:

— Ok, eu vou manter distância. Li, fala pra ela que você me conhece.

Ying segura o punhal com as duas mãos e diz:

— Li, vem para cá. Eu não vou perder mais um parceiro.

Alex responde:

— Hey, calma! Eu conheço o Li.

Li sente a tensão e responde:

— Calma, Ying. Está tudo bem, ele é um amigo. Confie em mim.

Ying com as mãos trêmulas, abaixa o punhal e se apoia numa parede próxima a ela enquanto repete:

— “Aquilo já passou, os homens de branco não vão mais nos machucar.”

Li olha para Alex e pergunta:

— Alex, são que horas?

Alex olha para Li e tira o celular do bolso para checar as horas.

— São 16:33, por que?

Li responde procurando suas jujubas:

— Nós chegamos aqui às 10 horas e encontramos uma pessoa, logo depois nós entramos em combate corporal contra ele, até que eu o nocauteei. Mas um grito agudo foi emitido do corpo que está caído. Depois disso eu apaguei… Passaram-se 6 horas e meia!

Ying continuava a repetir a frase, ela solta o punhal e procura uma garrafa de álcool em sua mochila. Ela apanha uma que está pela metade e bebe todo o seu conteúdo num instante. Respirando fundo, a jovem guarda a garrafa, olha para os dois e diz:

— Eu me lembro de uma coisa que ele disse: “Quando a lua vermelha surgir, e o terceiro selo for rompido, diante do nosso senhor, você perecerá.” Eu já ouvi falar da lenda dos três selos… É preocupante.

Li encontra suas jujubas no bolso do moletom e come algumas. Alex sem entender pergunta:

— Selos? O que ela falou faz algum sentido?

— Deveria, mas eu provavelmente faltei a essa aula. — Respondeu Li

— Pera, vocês têm aula dessas esquisitices? Eu achei que só acontecia. Responde Alex

Ambos olham para Alex e voltam a olhar para o punhal no chão. Li e Ying falam na mesma hora:

— O punhal!

Notas finais
A lenda dos três selos finalmente foi revelada e uma pequena pista sobre ela foi solta no ar.