A Lenda dos Guardiões

2 Capítulo 2 - Yusuke: "O Chamado"


Capítulo 2 — Yusuke: "O Chamado"

Yusuke abriu os olhos e percebeu que nao estava mais na pousada. Agora ele estava em uma espécie de templo.
Suas paredes eram vermelhas com desenhos dourados de dragões e antigos guereiros espadachins. No fundo do templo , havia um altar com uma imensa quantidade de velas acesas — algumas pareciam estar ali à algum tempo, pois estavam pequenas, porém outras pareciam ter sido acesas recentemente. Atras deste altar encontrava-se uma estátua — de tamanho real — de um homem em uma armadura samurai antiga, com cabelos lisos na altura dos ombros e uma faixa cobrindo os olhos.
– Valmor, o invocador de espíritos — disse Yusuke, sem entender como ele sabia o de quem se tratava.
Ele observava atentamente cada detalhe ao seu redor. Sabia que tudo ali era importante.
O silêncio era quase absoluto, exceto pelo pequeno crepitar das chamas das velas e o eco dos leves passados de Yusuke.
Ele foi se aproximando lentamente da estátua.
Uma aura azul foi crescendo ao redor do objeto e, quanto mais próximo ele ficava, mais intensa se tornava a aura.
Derrepente a aura tremuluziu e começou a se mover para fora da estátua, revelando assim, o espírito de Valmor.
Yusuke se assustou e deu um passo para tras.
– Quem ou o que é você? — ele disse con cara de espanto.
O espírito sorriu.
– Tú sabes a resposta de tal pergunta — disse ele suavemente enquanto tremuluzia. — Tú és um ótimo espadachin meu jovem. Tens potêncial para serdes o melhor da tua geração.
– Como assim? Onde estou? O que você quer comigo?
– Tú perguntas demasiadamente! Mas saiba, logo tudo se esclarecerá. Porém devo avisar-lhes que tens uma longa jornada pela frente.
Derrepente, na parede à cima da estátua, uma frase com letras douradas, escrita na língua dos antigos, começou a brilhar intensamente.
– Os cinco sagrados retornarão / Trazendo consigo, o espírito guardião / O Rei das Sombras se erguerá / E o antigo mal renascerá / assolandando o mundo com um grande mal / E do coração do heroi, um lamento final — ambos disseram ao mesmo tempo, como se eles tivessem ensaiado várias vezes.
Yusuke se sentiu confuso e amedrontado. Não sabia como conhecia aqueles versos. Nunca os ouvira antes. Também não sabia como fora parar nsquele lugar, e nem onde estava. Sabia menos ainda do motivo de estar na presença do espírito de um dos lendários guardiões do universo.
– O que isso tudo significa? — perguntou ao guardião, com receio de não gostar da resposta.
– Significa que és o herdeiro do meu espírito — disse Valmor ao tremuluzir novamente.
– E...eu so...sou v....vo...você? — ele se sentiu ainda mais confuso. Agora ele tinha medo de não passar de uma alma reciclada, na qual, não tem próposito ou objetivo próprio.
O espírito de Valmor tremuluziu novamente, mas, desta vez, sua imagem se desfez por alguns segundos, como fumaça ao vento.
– Não, jovem espadachin. Tú és quem tú és. Apenas herdaste um pouco do meu espírito. Minhas habilidades — disse ele, ainda com sua voz mansa. — Possues um pouco da minha excênsia, mas tens tua própria alma.
– Então, apenas fui escolhido pra suceder seu título de guardião? — perguntou Yusuke, que se sentia mais tranquilo.
– Não apenas o título, mas também meus fardos e responsabilidades. Tú tens de encontrar os outros guardiões para, juntos, derrotarem o antigo mal, salvando, assim, o vosso mundo.
– Entendo — disse Yusuke em voz baixa. — Sendo assim, eu aceito meus deveres como guardião — ele se sentia determinado. Ele estava disposto a lutar pelo seu mundo e salvar aqueles a quem ele amava.
– Lembre-se, um grande inimigo vem para ceifa-los, então apresse-se em sair desta cidade. Uma pequena aliada necessitará de tua ajuda. Não exite em proteger à ela e nem à sua irmã — explicou Valmor. — Agora vá e cumpra com teus deveres.
Então um vento forte saiu de Valmor e segui na direção de Yusuke, que ao tocar sua pele, o fez se sentir fraco, até que tudo se escureceu.

(...)

Já era dia quando Yusuke acordou. Ele olhou ao seu redor e notou que estava novamente na pousada. Notou que Aruka estava na janela do quarto, observando o céu.
– Ohayo Aruka! — disse ele com um sorriso no rosto.
– Ele esteve aqui. Eu o vi.. Tenho certeza! — disse Aruka com leve sorriso forçado no rosto.
Yusuke tentou se sentar rápidamente na cama, mas acabou caindo no chão. Ele se levantou de forma desengonçada.
– Quando? Quanto tempo ele ficou? Oque ele disse?
– Não sei ao certo, mas foi essa madrugada e não demorou muito aqui. Na hora eu pensei que fosse parte de um sonho estranho que eu tive anteriormente. Mas só agora eu percebi que foi real — disse ela com a voz triste. — Ele me disse para me preparar, pois algo muito grande está para acontecer comigo — seu olhos se marejaram e ela voltou a olhar para o lindo seu céu da manhã.
– Você também teve um sonho estranho? — Ele lembrou do que Valmor havia dito. Ele deveria ajudar à Aruka, mas será que era por motivos maiores que os deveres comuns de um irmão?
Aruka assentiu.
– Sonhei com o espírito de Ennes, a caçadora de demônios. Você também sonhou com ela? — disse ela com uma cara de espanto.
– Não com ela, mas com Valmor, o invocador de espíritos — então ele se lembrou que o guardião o avisara de um inimigo que se aproximava. — Falando nisso, minha guardião, precisamos sair da cidade o quanto antes.
– Algum motivo em especial onii-chan?
– Precisamos ajudar uma pequena guerreira.