A Lenda dos Dragões

15 O Passado de Nicholas: A Filha do Duque


Notas iniciais
Conheçam Isis, uma das minhas personagens favoritas.

No dia seguinte, Sophia acordou bem cedo, mas não o suficiente para ver seu pai saindo.

— Bom dia mamãe! — A menina se sentou à mesa.

— Bom dia Sophia. — Tereza sorriu para a garota.

— O papai chega antes do almoço?

— Não ouse reclamar da minha comida… — Brincou Tereza enquanto ameaçava a filha com uma frigideira.

— Não fique tão chateada mamãe, você tem as melhores piadas. — Sophia dizia pouco antes de morder um pão que havia pegado na mesa.

— Boa estratégia de fuga, mocinha… — Tereza mostrou a língua para Sophia e em seguida saiu de casa.

Do lado de fora, a mulher estendia algumas roupas no varal, quando notou a aproximação de um homem. Os lençóis manejados pelo vento a sua frente, impediam que ela visse o rosto dele com clareza. Tereza permaneceu imóvel, encarando o estranho, reconhecendo seus passos…

O vento brincou com os lençóis mais uma vez e quando deu, novamente, espaço para a visão da mulher, não havia mais ninguém.

— Está tudo bem, mamãe?

A voz repentina de Sophia fez Tereza saltar.

— Está sim, querida… — A mulher tentava recuperar o fôlego.

No casarão da colina, muito distante dali, algumas batidas na porta fizeram com Karin despertasse cedo, o duque fazia questão que todos tomassem café juntos. Apesar de considerar a proposta doce, nada superava a sua insatisfação de ter sido tirada da cama antes do horário previsto.

Depois do café, Jean se comprometeu a buscar o Nicholas para que partissem juntos. Como Chow havia decidido que gastaria seu tempo de espera descansando em seu quarto, o tédio levou a princesa a passear pela casa.

Apesar da decoração ser extremamente luxuosa, a atenção da garota se limitava tão somente aos quadros de família nas paredes.

Em meio a tantos quadros, um em particular havia prendido o interesse de Karin.

Uma garota comum, com roupas de festa e um sorriso particularmente encantador em seu rosto, posava ao lado de um rapaz. O garoto estava de lado, seus olhos estavam fixos na moça e ele não se deu ao trabalho de encarar o autor do quadro.

— Eu te conheço de algum lugar… — Karin se aproximava mais da enorme pintura.

— Essa é a minha filha mais nova, Isis.

Karin não havia percebido a aproximação do duque.

— Ela é muito bonita… — A princesa continuou a admirar a pintura.

— Esse quadro foi feito em comemoração ao aniversário de 18 anos dela, lembro o quanto ela insistiu para que o rapaz também fizesse parte. — O velho estava claramente nostálgico.

— Eles eram namorados? — Karin se virou para o homem.

— É difícil dizer, não ficavam longe de jeito nenhum, mas estavam brigando o tempo todo! — Thomas sorriu — Mas é inegável, que o Nicholas trouxe muita felicidade a minha pequena Isis.

As palavras do duque fizeram Karin congelar, um pouco desnorteada, ela voltou sua atenção para o quadro. Ele era realmente familiar, alguns anos mais jovens, sem o cabelo comprido… mas era ele.

— O que houve com a sua filha? — A princesa soltou.

O semblante do velho decaiu por completo e a princesa já soube a resposta.

— Eu sinto muito… — Karin sussurrou.

— Faz alguns anos. — O duque respirou fundo — Isis tinha uma tristeza muito grande em seu coração, desde que a mãe dela morreu e o irmão mais velho se mudou ela se tornou uma criança muito estranha.

Karin permaneceu calada enquanto o velho explicava a sua história, apesar de comovida com toda a situação, queria saber mais sobre o envolvimento de Nicholas com a duquesa.

— Ela cresceu diferente das outras garotas… Na verdade ela não gostava de outras garotas e nem de garotos, dizia que as pessoas da colina eram mesquinhas e cruéis. — O velho sorriu por alguns segundos — Ela era geniosa… mas nunca foi uma filha ruim! Vivia lendo e pintando, não deixava ninguém se aproximar… apenas ele.

— O Nicholas era um nobre?

— Não, mas isso não era tão importante! Ele fazia a minha menina feliz e isso era tudo o que importava… pena que não foi suficiente para impedir que ela desistisse. — O duque deixou que uma lágrima escapasse — Me desculpe, é difícil perder algo tão precioso assim… — Ele enxugou o rosto — Sentimos como se não tivéssemos dado o nosso melhor.

— Eu acredito que o senhor fez tudo o que pôde. — Karin acariciou as costas do duque em sinal de consolo. Uma fina camada de luz envolveu o corpo do velho e gradativamente sua feição de dor foi substituída por alívio.

— Fico feliz de ter sido escolhido para ser o pai dela nessa vida, mesmo que por um período tão curto... eu fui o velho mais orgulhoso do mundo. — Thomas limpou o rosto ainda molhado e sorriu para a tela.

De volta a cidade do porto, Nicholas se despedia de seus subordinados.

— O senhor não quer companhia capitão? — Josh se prontificava.

— Está tudo bem, Marujo! — Nicholas sorriu para o rapaz e seguiu seu caminho.

Depois de atravessar a cidade a pé, Nicholas seguiu por uma trilha na floresta.

Ele estava pensativo sobre como falaria com Tereza. Lembrou-se do dia em que haviam se falado pela última vez, não havia sido muito agradável, na verdade foi exatamente por isso que não voltaram a se falar.

— Ela foi uma boa amiga e uma boa mestra… — O pirata sussurrava para si mesmo enquanto observava uma pequena folha seca, que dançava o ritmo do vento a sua frente.

Depois de uma intensa caminhada, Nicholas finalmente encontrou uma pequena entrada entre as árvores. Andou mais um pouco e se deparou com o ponto final do seu destino.

— Olá de novo… clã do Hao. — Nicholas dizia seguindo de um suspiro.

Seus olhos analisavam aquela imensidão quase desabitada, com uma pequena exceção, uma casinha de madeira cercada de lençóis brancos recém estendidos no varal.

Após atravessar um extenso milharal, Nicholas finalmente havia chegado até a porta da casinha. O garoto suspirou, estava claramente nervoso, não sabia como Tereza o receberia depois de tantos anos. Havia ensaiado seu discurso algumas vezes, mas era realmente difícil ser confiante com ela. Tereza era alguém que conhecia na íntegra, sem todas as piadas e o sarcasmo, conhecia apenas o Nicholas.

Ele hesitou por alguns segundos, mas finalmente bateu na porta. Esperou por alguns segundos, mas ninguém apareceu. Tornou a bater e nada. Fez isso por alguns minutos, até se dar por vencido.

Não muito longe dali, Tereza, Sophia e Caleb se abrigavam na casa dos pais do homem.

— Vovó, a senhora vai fazer bolo de cenoura? — Sophia espiava sua velha avó na cozinha.

— Hoje é seu aniversário, nada mais justo que faça seu bolo favorito. — A mulher sorriu para a garota animada.

Do lado de fora da casa, Tereza e Caleb conversavam.

— Você tem certeza que era ele? — O homem encarava a mulher, preocupado.

— Não sei dizer, mas eu não poderia arriscar… — Tereza mordia o lábio inferior.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.

— Acho que chegou o momento de nos separarmos, ele está atrás de mim, mas se vocês estiverem comigo vão sofrer junto... ele não faz distinção! — A mulher apertava com força o tecido de seu vestido, que lhe cobria as pernas.

— Somos uma família, precisamos ficar juntos! — Caleb falava de forma firme.

— Essa é a minha luta! Meu legado! Eu amoleci, desisti da minha missão e agora estou sem tempo.

— Você se pôs em risco, voltou para o clã e esperou por anos que alguém aparecesse, você nunca desistiu Tereza… — Caleb retirou uma mecha dos longos cabelos loiros de Tereza de seu rosto. — Você não desistiu mesmo quando eu pedi para que o fizesse. E foi por isso que eu resolvi fazer parte da sua missão.

Tereza finalmente tomou coragem para olhar nos olhos de Caleb, ela estava tentando segurar suas lágrimas o máximo que podia, mas estava assustada. Não se lembrava a última vez que havia sentido tanto medo na vida.

— Não se trata mais só de mim… — Tereza limpou uma lágrima que havia escapado — Perdê-los é muito mais doloroso do que a morte…

— Enquanto estivermos juntos, podemos vencer qualquer coisas.

O sorriso no rosto de Caleb, era como um analgésico para ela, por isso ela simplesmente o abraçou em silêncio.

Notas finais
Gente, peço por favor, que deixem um comentário! Sério, é muito desanimador continuar escrevendo, se só tenho leitores fantasmas! Não tenho nem um comentário por capítulo e tem um monte de gente lendo! Não custa deixar um "Gostei" ou "Nao gostei" Dê uma prova que vcs existem e não são um bug no contador do Nyah hahhaha