Notas iniciais
Nesse capítulo, procurei revisar mais minha grafia e focar mais na emoção do personagem.

O silêncio foi rompido pelo inquietante soar do alarme. O coração do jovem cadete se contorcia sempre que o barulho retornava, como se o mundo inteiro se calasse e restasse apenas o irritante som. Ele era desnecessariamente alto, com uma pausa de cinco segundos para alarmar novamente. Sem falar na luz vermelha que rodeava todo o local, era extremamente desconfortável.

Antes que pudesse pensar no que fazer a seguir, três soldados armados, com armas do tamanho do tamanho de um braço entraram na sala.

Na mente do jovem cadete, o mundo se fez em câmera lenta. O movimento que os soldados faziam para lhe apontar as armas eram lentos, quase estáticos. Ele ouve o choro de uma criança. A silhueta de um casal abraçado em prantos se forma na sua frente. Um grupo de soldados, exatamente como os que apareceram na sala, levavam um menino embora, provavelmente o filho do casal.

O jovem sente a cabeça se tornar pesada e seu sangue ferver. A adrenalina agora tomava conta de seu sistema nervoso. Por um breve momento, tão rápido quanto um segundo mas tão lento quanto um ano, tornou-se surdo para todo o som, nem o mesmo o alarme ele era capaz de ouvir. Provavelmente pela primeira vez em sua vida, ele fora tomado pela raiva. O cadete tomou em suas mãos o pobre e enfraquecido pokémon espada.

Assim como uma espada velha, encontrada em escavações arqueológicas, Honedge se encontrava lascado e com arranhões. Ele tinha uma bainha, onde a mesma possuía uma abertura onde se encaixava seu olho. Em seu castão, que se encontrava na ponta da empunhadura, o pokémon possuía um longo lenço, que na verdade era o seu braço. Uma característica assustadora e fantástica, que o fazia ser um pokémon fantasma.

Tomando em mãos o pokémon ferido, o jovem enrolou o lenço (ou braço) de Honedge em seu próprio braço. Arremessando-o logo em seguida em direção aos soldados, atingindo o chão em frente a eles com uma força tão tremenda, que um buraco se abriu em frente aos homens, os deixando assustados.

Uma nuvem de poeira se ergueu após o chão ser quebrado. O braço de Honedge se encolheu, fazendo com que o Pokémon voltasse a mão do jovem.

Aproveitando a nuvem de poeira, o cadete correu por entre os soldados sem poder ser visto, conseguindo assim, finalmente sair da sala.

O saída ainda estava longe, a batalha tinha apenas começado. Com Honedge em sua mão esquerda, o jovem se pôs a correr nos corredores labirínticos. Dessa vez, sem se importar com câmeras e vez ou outra quando encontrava um soldado, o golpeava com sua espada falante, chutava e socava. Algumas vezes chegou a pular por cima deles.

Um detalhe interessante, ele era o mais habilidoso entre todos os cadetes da academia. Tanto em habilidade física quanto intelectual.

Alguns soldados conseguiram atirar contra o menino, mas ele se defendeu com o corpo da lâmina de Honedge. Após uma cansativa corrida, fugindo e lutando contra os soldados, ele finalmente chega ao portão de saída. Ele torna a dizer em voz alta a mesma senha que outrora abriu o portão da sala onde Honedge estava, BJ027M, mas nada ocorreu. Certamente já haviam trocado as senhas.

— Bem, parece que nossa fuga não passou de um sonho impossível. – Disse o cadete se apoiando com as duas mãos em Honedge, usando-o de bengala.

— Na verdade, não é bem assim. Me ponha nas suas mãos de novo e me use para cortar o portão, dessa vez ordenando que eu use algum movimento.

— Você realmente é retardado.

— Vai logo! É isso eu esperar pra morrer. Já chegamos até aqui. O que você tem a perder?

— Ok, vamos tentar… Swords Dance. – o cadete começa a realizar movimentos com Honedge em sua mão. Para baixo, para cima e depois uma giradinha. Em suma, isso dobra o poder de ataque do pokémon. – agora, Fury Cutter! – com 4 cortes precisos, ele abre um buraco em forma quadrática na porta de titânio.

— Entregue-se! – a batalha estava longe de acabar. Do lado de fora, em torno de trinta soldados cercaram a saída, apontando suas armas para o jovem e, no meio deles, estava um homem que se diferenciava dos demais soldados. Ele não usava máscara e seu uniforme preto tinha detalhes dourados. Suas feições eram, de certa forma, cruéis. Um olhar focado, que não mostrava hesitação. Tudo parecia perdido.

O jovem cadete riu e apoiou Honedge em seu ombro, numa pose heróica.

— Então, espadinha. Tudo ou nada?

— É só mandar.

— Gyro Ball! – soltando levemente Honedge de sua mão e segurando apenas eu seu lenço, o cadete começa a girar, fazendo com que o pokémon atinja todos os soldados em sua frente com uma força assustadora. Alguns eram arremessados a metros de distância. Apenas o homem sem máscara permaneceu de pé.

— Você tem talento, isso eu posso ver. Entregue-se agora e eu irei perdoá-lo por seu ato de rebeldia.

— Saia da minha frente – rosnou o jovem cadete, ainda um pouco tonto depois de tanto girar.

— Garoto tolo, eu estava lhe dando uma chance de viver. Mas se morrer é o que você quer, com prazer lhe matarei. – ele tira uma esfera metálica de seu bolso. Metade vermelha e metade branca, depois a arremessa. – Vai, Seviper!

O homem certamente tinha experiência em batalhas pokémon, coisa que o cadete não tinha.

Um enorme pokémon em forma de serpente, com uma cauda pontiaguda e duas grandes presas na boca saiu da esfera. Ficando de frente ao garoto, mesmo com 80% de seu corpo no chão, o pokémon possuía o dobro do tamanho do cadete.

A sensação era de que o coração estivesse na garganta, pulsando tão forte que chegava a sentir até em seus ouvidos. Lá estava uma criatura assustadora diante dele, o que ele deveria fazer nessa situação? Seu cérebro dizia “fugir” e o seu coração… também. Mas, por algum motivo, empunhando Honedge em suas duas mãos, ele resolveu lutar.

— Flamethrower. – disse o homem. Uma rajada de chamas sai da boca de Seviper em direção ao jovem. Ele põe a lâmina de Honedge na frente, na esperança de bloquear boa parte do ataque, mas o fogo era poderoso demais. Ele é arremessado para trás dando de costas na parede.

— Poison Fang. – disse o homem. Dessa vez um líquido roxo começou a pingar das presas de Seviper. O pokémon serpente salta em direção ao jovem, que instintivamente põe o braço direito na frente para se proteger. Uma dor horrível que começara no braço mas que agora se estendia por todo o seu corpo, tomara conta do jovem. Ele grita tão alto quanto pode, já tem a certeza de que vai morrer.

O menino torna a ver a silhueta do casal que chora após o filho ser levado.

— Eu não vou morrer agora, não aqui.

Ele segura novamente Honedge em sua mão esquerda.

— Shadow Claw! – uma aura escura agora envolve a lâmina do pokémon espada, criando 3 pontas de aura no fim de sua própria ponta.

O jovem apunhala o corpo do pokémon serpente que estava em cima dele, fazendo com que Honedge o atravesse. Seviper cai de lado no chão.

Usando suas últimas forças, o jovem se levanta e aponta seu pokémon em direção ao homem.

— Homem tolo. Eu mandei você sair da minha frente. Estava lhe dando uma chance de viver.

O homem, atordoado pelo medo, começa a correr desenfreadamente, não se sabe pra onde. O menino dá uma leve risada.

— Desnecessário. Você mal se aguenta em pé. Como você ia matar o cara? – disse Honedge.

O menino se deita no chão, de braços abertos, completamente ensopado em seu próprio sangue e rodeado pelos corpos dos soldados. Ele não sabia se estavam mortos ou desmaiados mas, a essa altura do jogo, nem se importava mais.

— No fim das contas, acho que é aqui eu vou morrer.

Notas finais
Me perdoem caso ainda haja algum erro de grafia ou concordância.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.