A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
20 Retirada
— Nossos objetivos não interferem em suas vidas. Por que querem nos impedir? – perguntou Pedro.
— Eu disse a mesma coisa pra eles! – falou Matheus erguendo os braços ao receber olhares irritados dos demais, em sinal de derrota.
— Está tudo bem, Pedro. Eu sabia que viriam. A garota irá lutar – falou se referindo a Manu –, mas vocês decidem se irão participar da luta ou apenas olhar, prometo que tentarei não matá-la.
A ruiva era extremamente convencida e não foi difícil para o grupo perceber isso. A que mais se irritou foi Gabriela que estava com suas emoções intensas devida a magia usada antes.
— Nada feito! – disse a fada, deixando claro que iriam lutar ao lado da ninfa.
Elena percebendo que não tinham outra opção pulou do topo do portão indo de encontro ao grupo no chão. Os sete estavam observando enquanto a garota despencava que esqueceram-se momentaneamente da presença dos demais pecados, lembrando-se deles apenas quando Matheus voou para o lado atravessando algumas árvores com Karen indo atrás dele logo após. Nenhum deles teve tempo de reagir direito, Amanda avançou em Katie iniciando um confronto, os dois pecados com ela também avançaram escolhendo seus oponentes. Victor foi abordado pela garota morena recuando, pois não sabia quais eram seus poderes. Larissa foi atacada por Pedro e antes que os outros pudessem ajuda-la entraram em combate. Gabriela recebeu um chute do garoto loiro e César avançou contra o menina ruivo.
Victor soprou sua chama azul, porém o resultado foi totalmente diferente do esperado. A garota estendeu sua mão absorvendo o fogo e o lançando de volta para o dono em seguida, atingindo-o.
— Victor, o Dragão da Lua! Já ouvi falar de você, se bem que foram apenas boatos, “Dragão da Lua” é um título bastante raro em seu Clã – disse ela se aproximando devagar.
O garoto que já havia apagado a chama que havia em suas escamas avançou nela desferindo golpes nas mais diversas direções, ela desviava de todos ou os bloqueava com as mãos. Quando os punhos dele tocavam suas mãos eram como se perdessem momentaneamente sua força, seus músculos ficavam moles dando a impressão de que as mãos da outra eram duras.
— Parece que você me conhece – disse ainda atacando. –, mas nem sei seu nome.
— Jéssica da Gula – apresentou-se deferindo um soco no outro que o mandou ao chão.
Victor levantou-se, rapidamente, pronto para descontar os golpes recebidos.
— Já acabou, Jéssica?
César caiu no chão levantando uma nuvem de poeira que sujou um pouco sua roupa branca. Estava afastado dos demais, concentrado na própria luta. Se levantou com dificuldade e lançou no ruivo quatro esferas de luz, o outro pegou as duas primeiras com as mãos nuas e as jogou contra as outras restantes, anulando os ataques.
Pegando impulso, o ruivo avançou no usuário de luz acertando-o e o jogando contra uma árvore. O outro não perdeu tempo e logo um chicote de luz apareceu em suas mãos, ele o sacudiu e atacou, enrolando-o na perna do outro e o lançando em direção a uma enorme pedra, fazendo o corpo do oponente atravessá-la.
Uma grossa nuvem de poeira se levantou onde o corpo caíra, como não houve mais qualquer sinal de movimento, César estava prestes a dar a luta por encerrada quando duas pedra de tamanha médio voaram direto para seu corpo, apenas não o acertaram por causa de seus reflexos rápidos que o permitiu criar um escudo, protegendo-se.
— Nada mal! Meu nome é César, como você se chama?
— Tiago! Tiago da Raiva! – respondeu sorrindo enquanto caminhava calmamente, em determinado momento seus passos ficaram mais ligeiros e logo ambos estavam a centímetro um do outro com Tiago socando com força o escudo de luz que começava a apresentar leves rachaduras.
Ao ver que seu escudo não duraria muito mais tempo o garoto voou para cima, o que não esperava era que Tiago fosse pegar impulso e tentar atacar no ar. O ruivo acertou um soco nos braços de César, que os havia juntado em posição de defesa impedindo que o soco atingisse o peito. Os braços doíam um pouco por causa da força do golpe, mas rapidamente contra-atacou colocando uma de suas mãos no peito de Tiago, destruindo a distância entre eles e, assim, lançando uma forte rajada de luz que o levou de encontro ao chão, causando uma leve depressão.
Matheus era prensado contra o chão, juntamente com algumas árvores ao seu redor, pelos poderes de Karen. Com muita dificuldade o garoto de preto levantou uma sombra do chão que passou a receber o dano em seu lugar. Quando a oportunidade surgiu atacou a garota por trás que caiu em uma pedra, despedaçando-a.
Karen ergueu-se e o puxou para si, atraindo o corpo do garoto para o seu como se fosse um ímã e, quando estavam próximos, um soco foi desferido em sua face mandando-o para o alto. Antes que começasse a despencar uma pressão avassaladora o prensou novamente contra o chão. Estavam novamente como no início da luta.
Com um movimento de dedos, a sombra de Karen se levantou, acertando sua dona nas costas e logo após enrolando-se na mesma.
Larissa e Pedro estavam parados, ambos afastados de toda a confusão ao seu redor. Nenhum deles se movia, apenas encaravam um ao outro intensamente.
Um enorme raio vermelho saiu da mãos de Larissa acertando Pedro destruindo seu corpo. Ela sabia que a batalha não estava encerrada antes mesmo de ver o corpo do oponente começar a se regenerar diante de si.
As mão do menino se separaram do corpo e se multiplicaram cercando a menina, em cada uma delas uma faca afiada surgiu, quando todas voaram para seu corpo Larissa não teve como desviar sendo atingida por elas.
O loiro desviava agilmente das rajadas de ar de Gabriela como se nada fossem. A fada havia cogitado em usar um tornado, porém isso machucaria seus amigos também, então essa ideia estava totalmente descartada.
A garota levantou uma barreira de vento ao notar que seu oponente estava extremamente próximo de si. O vento o jogou para cima e logo o corpo atingiu o chão quebrando o galho de algumas árvores na queda. Gabriela se aproximou com a intenção de verificar se ele ainda estava consciente, mas antes que pudesse constatar qualquer coisa algo forte a acertou no estômago impulsionando-a para trás.
— Não ache que você pode me vencer sendo apenas uma fada. Quero que guarde o nome de quem a matou – dizia o loiro aproximando-se a passos calmos –: Lucas da Preguiça! – finalizou parando em frente a de cabelos longos, desferindo um soco em sua cabeça que a mandou de encontro ao chão, afundando-o.
Lucas se virou para ir embora, acreditando que havia derrotado a fada, porém notou que errou perigosamente ao sentir um vento em suas costas o lançar de encontro a uma árvore. O vento também havia deixado um corte em seu ombro.
Tanto Amanda quanto Katie estavam lutando no ar, nenhuma usava sua forma humana. Amanda transformada em uma nuvem de tempestade carregada de eletricidade e Katie em uma nuvem de poeira e pó.
Uma corrente elétrica de alta voltagem atingiu Katie forçando-a retomar sua forma física pela dor causada, ela despencou de onde estava e atingiu o solo.
Amanda desceu até onde a outra se encontrava, o que foi um erro, pois assim que chegou perto uma pequena nuvem de poeira cercou seu rosto começando a asfixiá-la e Katie, que estava caída, se levantou acertando a garota na barriga e logo após no rosto.
As árvores não paravam de avançar contra Elena, mas ela apenas se tele portava sem se importar, como se fosse brincadeira para ela.
— Você nunca vai me pegar dessa maneira, muito menos me matar. Sabia disso? – indagou Elena que aparecera atrás da ninfa, um galho rapidamente foi em seu auxílio, porém antes que chegasse a atingi-la a menina se tele transportou novamente, mas não sem antes dar um chute nos joelhos da outra, deixando-a ajoelhada no chão.
— Cala boca, vadia! Eu vou te matar nem que seja a última coisa que eu faça! – bradou Emanuele mandando mais galhos para cima da outra.
Em um determinado momento Elena apareceu acima de Emanuele, chutando-a e mandando-a para o chão, porém esta também sofreu um pouco de dano quando uma árvore a acertou e seu corpo bateu em uma pedra, mesmo sendo apenas de raspão.
— Querida, você não deveria me culpar pela morte de Emma. Foi você que fez aquilo e sabe disso, mas tem medo de admitir. Dá tanta pena! – provocou.
— Não ouse tocar no nome dela! Você não tem esse direito! – gritou a ninfa atacando mais fortemente. Todos esses ataques consecutivos estavam cansando seu corpo, porém ela estava tão concentrada na luta que nem notara o fato. Elena sabia disso e estava esperando o momento e que o corpo dela não aguentasse mais, para só então atacar de verdade.
— Você pode me odiar, mas odeia mais ainda a si mesma. E o que mais te irrita é o fato de saber que estou certa. Pode não querer aceitar, mas a verdade permanecerá a mesma: Foi você quem matou a sua irmã! – disse Elena sorrindo enfurecendo mais ainda a oponente.
Todos estavam concentrados em suas lutas. Era quase seguro afirmar quando a primeira pessoa fosse derrotada a batalha já estaria decidida.
A joia no portão começou a emitir um enorme brilho branco, ameaçando abrir o mesmo. Matheus foi um dos poucos que notou, porém não havia muito que pudesse fazer já que ainda estava lutando.
— Victor! – chamou atraindo a atenção do amigo. – Eu vou parar o portão! Acha que consegue dar conta de duas? – perguntou.
— Rápido! – disse o outro desviando de um ataque de Jéssica.
Matheus saiu voando rumo à pedra quando Karen estava prestes a ataca-lo, porém foi impedida por Jéssica que caiu em cima dela.
No instante em que o demônio tocou a pedra, dezenas de raios o acertaram. Em função da distância não havia dado tempo de reação e ele não podia fazer nada além de gritar e aguentar o dano que estava sendo causado. Após um minuto os raios cessaram e o corpo de Matheus despencou do alto, apenas não atingiu o chão com força pois um pequeno redemoinho de vento formou-se abaixo de si, parando a queda, cortesia de Gabriela que acabou levando um chute nas costas pela distração que teve ao salvar o amigo.
Gabriela estava consideravelmente cansada, como Matheus estava desacordado Victor estava lidando com dois dos sete pecados e nesse ritmo não aguentaria muito, tanto César quanto seu oponente pareciam estar de igual para igual sendo que era difícil dizer quem ganharia, Larissa e Pedro não se mexiam apenas encaravam um ao outro, Emanuele parecia estar usando força demais estando prestes a desmoronar, Amanda era a única que parecia estar liderando a luta. Ele odiava fazer isso, mas dada a situação não havia muita escolha.
— Fujam! – gritou Victor pegando o corpo desmaiado de Matheus no chão.
Gabriela e os outros não precisaram ouvir duas vezes e na primeira oportunidade recuaram. A fada pegou Larissa tirando-a de seu “transe”, Emanuele parecia não ter ouvido e não parava de atacar, César usou seu chicote de luz para amarrá-la e levá-la à força do local.
Os pecados tentaram segui-los, porém uma flecha os impediu de continuarem. O grupo olhou para baixo e avistou uma senhora idosa com arco e flecha, ela estava gesticulando para que a seguissem. Após uma rápida troca de olhares eles decidiram confiar na estranha.
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