Era algo tão misterioso quanto chocante. Já havia se passado três meses depois da luta contra o Clã Demônio. Os noticiários, jornais, blogs e redes sociais estão falando sobre apenas um assunto: o aumento da violência e criminalidade.

Os índices aumentaram aos poucos, mas agora estavam alarmantes. Em alguns lugares era crítico ao ponto das pessoas terem medo de saírem de suas casas não apenas durante a noite, mas durante o dia também. O que era inútil, afinal não era muito difícil arrombar uma porta.

Briga de gangues, estupros, chacinas, etc.

César estava caminhando pelas ruas de sua cidade, voltando para casa depois de passar o dia inteiro na casa de seu amigo. As ruas como era de se esperar estavam desertas e alguns postes, danificados.

— É brincadeira, não é? – murmurou para si mesmo ao ouvir uma garrafa de vidro rolar pelo chão.

Como as ruas estavam desertas, qualquer som se repetia como um eco que, dependendo do ponto de vista poderia lembrar algum tipo de filme de terror.

— Podem sair! – falou alto.

Um grupo de 6 garotos saiu de diversos cantos cercando César, todos com corpo malhado, portando facas e, pelo que se podia perceber, fedendo a álcool.

Havia se tornado uma tática comum seguir alguém até essa pessoa entrar em casa, nesse momento entravam e saqueavam tudo o que achavam no local.

Os garotos riram e um deles, provavelmente o líder, se aproximou postando-se a frente dos demais.

— Onde está indo a esta hora da noite? Já passou da hora das crianças irem para a cama – disse arrancando uma risada dos demais. César apenas ignorou.

— Onde eu estava indo, você quer dizer, pois se não percebeu agora estou parado. Se me der licença eu vou pra casa.

Um semblante irritado tomou conta do rosto do rapaz.

— Sabe com quem está falando, moleque? – perguntou irritado pegando o menor pela gola.

— Não e nem quero – respondeu de forma inexpressiva.

— Ora seu...

O gangster jogou-o no chão tirando uma arma da cintura, apontou para o corpo do outro ainda no chão e atirou três vezes até ouvir o ruído que indicava que sua arma não tinha mais balas.

— Vamos embora – disse o líder dando as costas acompanhado pelos comparsas.

Nem setes passos foram dados e sua atenção foi atraída para trás, por uma voz que, aos seus ouvidos, não poderia ser mais irritante.

— Balas? Sério?

Os 6 se viraram para trás e viram César se levantar, dando pequenos tapas nas costas tirando a poeira que se acumulou. Em sua camiseta havia três furos.

— Como é possí... – começou a falar, mas foi interrompido pelo menino que parara de estapear as roupas.

— Como é possível? Eu não te matei? O que você é? – disse César fingindo desespero. – Ouço muito essas coisas – falou com naturalidade.

Três balas caíram no chão e, onde elas estavam, havia uma luz fraca brilhando que logo se apagou. Um chicote brilhante apareceu em suas mãos, os gangsteres de antes tentaram correr, mas o chicote se esticou e os prendeu antes que conseguissem.

— O que você é? – perguntou o que aparentava ser mais jovem fazendo César rir.

— Eu disse que ouvia muito essa pergunta, não disse? Mas sério – disse olhando para os buracos feitos pelas balas –, eu gostava muito dessa camiseta, eu pegaria uma das suas, mas não vão servir em mim. Que pena!

— O que vai fazer conosco? – perguntou.

— Isso importa? – deu de ombros. – Não vou matar vocês e provavelmente não vão se lembrar de nada pela manhã, estão fedendo álcool, já me surpreende estarem conscientes – após dizer isso o garoto os jogou em uma parede, seu chicote sumiu ao mesmo tempo em que a gangue caiu, desacordada, no chão.

Estava prestes a seguir seu caminho, porém sentiu que alguém lhe seguia. Olhou para os lados, passando os olhos rapidamente pela rua, ao notar um vulto correr para um beco sem saída o garoto foi atrás e uma luz saiu da palma de sua mão ao chegar no local. Não havia ninguém. Olhou para cima e viu novamente o mesmo vulto, que pareceu sorrir para ele, mesmo sendo difícil dizer ao certo. César saiu do chão e voou saindo do beco por cima e o que viu foi... nada! Não havia ninguém ali, apesar de afirmar que tinha visto alguém.

Ao voltar para o chão, decidiu deixar para lá o que quer que tenha acontecido, provavelmente havia sido sua imaginação. Com esse pensamento, foi para casa.