A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
2 Presságio
Era um dia quente de domingo, o sol nunca esteve tão forte e parecia que estavam prestes a derreter naquele calor infernal. Gabriela, Rafaela, Larissa, Matheus, Victor e Amanda estavam caminhando por aquelas ruas que, se não fossem pelos calçados em seus pés, estaria certamente queimando-os. Depois de quinze minutos caminhando, pararam na Cremog, após três minutos seus sorvetes estavam derretendo, o que não os surpreendia levando em conta o calor que estava fazendo.
O maior mistério, tirando o estranho calor que estava fazendo, era como Matheus conseguia sobreviver nele sendo que estava, novamente, usando aquelas roupas escuras. Isso aguçava a curiosidade dos demais, apesar de não perguntarem nada, pois sabiam exatamente qual seria a resposta. Mesmo assim, a curiosidade venceu Rafaela, que perguntou.
— Matheus, pelo amor de Deus! Como você consegue aguentar o calor com essas roupas escuras?
Matheus levantou os olhos de seu sorvete e a encarou. Por fim respondeu:
— Porque eu gosto de preto, só isso. Combina com a minha alma hahahahaha.
Gabriela entrosou na conversa dos amigos:
— Ele é louco hahaha.
— Não se faça de santa, Gabi. Você é tão doida quanto qualquer um de nós aqui.
— Eu não, eu sou normal, diferente de você.
— Oh sim, muito. Olha a Amanda – apontou à amiga. – Ela também é doida, mas admite.
— Que tem eu? – perguntou a garota que estava observando a conversa enquanto devorava seu sorvete.
—Nada não – responderam os dois em uníssono.
Quando terminaram de tomar seus sorvete e completarem com sucesso a missão quase impossível de se lambuzarem, Larissa perguntou:
— Gente, quem é que vai pagar? Eu não trouxe dinheiro hahaha.
Um silêncio tomou conta dos seis.
— Espera, achei que você fosse pagar – falou Rafaela.
— Eu também – concordou Victor.
— Não era você que ia pagar, Victor? – indagou Matheus.
— Também não tenho nada – declarou Gabriela.
Todos os rostos se viraram para Amanda ao mesmo tempo, esperando que ela tivesse dinheiro pra pagar os seis sorvetes. Ao ver a intenção dos amigos, Amanda adquiriu uma leve palidez.
— Não tenho nada haha.
— Ninguém aqui trouxe dinheiro? – sussurrou Matheus para o resto do grupo. – Acho que só tem uma coisa que podemos fazer então.
Os outros apenas lhe dirigiram um leve aceno afirmativo com a cabeça e, um segundo depois, dispararam em direções opostas e as pessoas que estavam ao seu redor juravam que eles poderiam ter quebrado um recorde mundial com tal velocidade.
—
César estava na casa de Manu desde cedo, havia levado consigo alguns doces, pois a mesma o convidara para assistir alguns filmes que havia ganhado de presente de sua amiga. Assim que chegou foi bem recebido pela amiga e haviam acabado de assistir mais um filme. César levantou do sofá em que estava e se espreguiçou, Manu também se levantou e foi para a cozinha fazer mais pipoca para ambos comerem, comentaram sobre o filme e sobre as diversas cenas que chamaram sua atenção. Assim que Manu voltou com uma nova bacia cheia de pipocas, os dois puseram-se a assistir um novo filme.
A mãe de Manu apareceu subitamente na porta, os dois estavam tão concentrados no filme que nem notaram a aproximação da mulher.
— Ainda não se cansaram de assistir filmes? – perguntou assustando-os.
— Claro que não, mãe – respondeu sorrindo.
— Mas ficaram a tarde inteira aí.
— Como assim a tarde inteira? – indagou Manu, a surpresa estava evidente em sua voz, se antes ela estava um pouco assustada, agora estava totalmente espantada.
— Pensaram que eram que horas?
— Sei lá kakakaka.
— Quantos filmes nós assistimos? – perguntou César.
— Acho que uns 8 ou 9.
— Meu Deus! Que horas são?
— São 22:30. Você vai dormir aqui?
O garoto pensou por um momento, depois olhou para a amiga que sorria em pensar na ideia do menor dormir em sua casa, provavelmente estava pensando nos vários filmes que ainda poderiam assistir.
— Acho que sim, se não tiver problema.
— Mas claro que não, espere um pouco que já vou arrumar uma cama para você dormir – ela se virou e começou a andar, mas parou na porta novamente. – O que vão fazer agora?
— Assistir filmes.
A mãe encarou espantada a filha.
— De novo?
— Aham.
E com isso a garota deu play no filme e voltou a assisti-lo com César que dormiria em sua casa, isso se dormiriam.
—
Arthur estava andando com seus amigos na rua, eram 20:00 quando avista Cecilia subindo a rua com uma cara não muito amigável. Ela parou na sua frente e ele fez o mesmo, já prevendo o que viria.
— Arthur! – gritou ela. – Admita, foi você que roubou as minhas balas, não foi?
O garoto ficou paralisado por alguns segundos tentando entender o que tinha acabado de acontecer, assim como seus amigos.
— Que balas?
— Aquelas que você pegou de mim.
— Quando? – ele a encarava como se fosse louca.
— Hoje! – sua paciência já estava se esgotando. – E para de enrolar, porque eu sei que foi você! Ninguém mais em sã consciência roubaria balas.
— Não fui eu! – contestou Arthur.
Nesse momento Cecilia franze o cenho e coloca as mãos nos bolsos da calça jeans que usava, e as retira fechadas segurando algo que os rapazes não conseguiam discernir.
— Eu sei que foi você, e se não quer admitir pode pegar mais balas – ela começa a atirar os objetos que estavam em suas mãos em Arthur que, para a surpresa de todos, eram balas.
Arthur sai correndo rua acima e Cecilia vai em seu encalço ainda atirando balas nele.
— Quer parar de atirar essas balas
— Só quando você admitir que pegou minhas balas.
— Além do mais, de onde você tirou tanta bala?
— Isso não importa, quero que você diga que pegou minhas balas – gritou ela ainda atirando balas em sua cabeça.
—
— Matheus?
Matheus estava deitado em um banco da praça descansando depois da fuga da sorveteria, ele ergueu os olhos e avistou Victor de pé ao seu lado.
— Está aí desde que fugiu da sorveteria?
— Aham. Mas logo vou embora, tenho que ir num lugar e assuntos pra resolver.
Essas palavras despertaram uma curiosidade no garoto de óculos que não resistiu em perguntar, estava um pouco inseguro em relação à resposta do amigo, mesmo sabendo o que ele diria.
— Você não está falando de ir para o... – não conseguiu terminar a frase, mas o amigo compreendeu o que ele queria dizer.
— Para lá mesmo – o tom em sua voz era casual, como se ele fosse para “aquele lugar” o tempo todo, o que realmente fazia de vez em quando, mas isso não queria dizer que ele gostava de ver seu amigo naqueles lugares.
Percebendo a inquietação de Victor diante da revelação, Matheus sorriu como sempre fazia e disse:
— Não tem problema, eu vou ficar bem, você sabe. Eu apenas tive uma sensação estranha e vou lá conferir se aconteceu algo, mas provavelmente não e nada.
Victor não disse nada, pois sabia que não convenceria o amigo a voltar atrás de sua decisão, então apenas se contentou em dizer:
— Boa sorte!
Logo após isso, Matheus caminhou em direção a uma arvore e desapareceu atrás dela.
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