A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
27 Príncipe do Inferno
O salão do primeiro andar encontrava-se vazio, estando à vista apenas uma escada que levava a algum lugar abaixo de onde estavam. Ao descer, o grupo deparou-se com outro salão, não tão grande quanto o primeiro. Não houve tempo para uma análise melhor do lugar. Fortes rajadas de vento vieram ao seu encontro.
— Ventilabo! – gritou João, começando a flutuar e fazendo o ataque inimigo para. Do lado oposto do salão duas portas enormes de metal fechavam-se lentamente, tudo que era possível visualizar era outro lance de escadas descendo cada vez mais. O grupo diante de tal situação apressou-se.
Victor segurou uma das portas, seus pés afundando no chão duro, enquanto César produziu uma rede de luz, segurando assim a segunda porta, porém era óbvio que nenhum dos dois aguentaria por muito tempo.
— Vai! – gritou Victor para Amanda.
— Não posso deix... – começou a contrariar, porém foi impedida pelo feiticeiro.
— Eles precisam segurar os portões – falou de costas para os três –, e eu preciso segurar elas – olhou o exército de fadas em sua frente. – Sua tarefa é a mais importante, resgatar Gabriela. Faça isso o mais rápido eu puder, não vamos aguentar para sempre aqui.
Mal terminou de falar quando a menina com poderes elétricos saiu voando descendo ainda mais fundo pelo subterrâneo da ilha.
— Essa porcaria só tem salões? – perguntou a si mesma em voz alta ao se deparar em um salão maior que o anterior. Um grito chamou sua atenção logo antes de algo atingir suas costas e jogá-la de encontro a uma parece que se rachou por conta do impacto.
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— Obice! – os ventos pararam a centímetro de seu rosto, ao pronunciar sua próxima palavra, “ignis”, chamas ardentes foram lançadas de suas mãos atingindo as fadas que se aproximavam, algumas caíram no chão inconscientes ou contorcendo-se de dor, porém a maioria escapou ilesa ou com queimaduras leves.
— Não sei durante quanto tempo ainda poderei cobri-los – comentou João.
— Apenas aguente firme até Amanda voltar com Gabriela – ordenou César, porém sua expressão e o suor que lhe corria pelo rosto revelava que o mesmo não estava em melhor estado.
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— Amanda! – gritou Grabriela de sua gaiola.
— Gabi! – Amanda encarou a amiga e após observá-la encarou a mulher de vestido prateado e asas nos tons do arco-íris. – O que fez com ela? – perguntou com raiva.
— Deveria estar mais preocupada consigo mesma – falou lançando outra rajada poderosa de vento, porém Amanda conseguiu desviar lançando-se para cima.
De suas mãos enormes correntes elétricas foram lançadas e Titânia apressou-se em bater as asas para escapar. Amanda transformou seu corpo em nuvem iniciando assim uma perseguição aérea.
A rainha das fadas lançou uma foice de vento em direção a inimiga que, por sua vez, esperando que o vento passasse por seu corpo sem causar danos, não desviou e ao ser atingida voltou imediatamente para sua forma original, caiu de onde estava atingindo o chão, sua coxa esquerda sangrava e a dor causada pela queda também não ajudava.
— Não seja pretenciosa, garota! Fadas não são bruxas ou magas, porém detemos magia no controle dos ventos. O vento sobre o domínio de uma fada é capaz de coisas que você nem ousaria imaginar.
O som de brisa foi ouvindo por ambas, que direcionaram sua atenção até a gaiola onde se encontrava Gabriela.
— Deixe-a em paz! – gritou a fada aprisionada.
Amanda aproveitou o momento de distração e acertou um raio na fada parada à sua frente, em seguida rastejando até a amiga que se encontrava distante. Quando estava próxima, a menina sentiu um peso em suas costas, Titânia a chutou, pegou seus cabelos e a ergueu, lançando-a para frente.
— Querida, isso está longe de acabar.
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“Lorem”, várias estacas de terra voaram em direção às fadas. O chão estava, assim como o ar, repleto de garotas com asas e lanças. João estava esgotado assim como os amigos, uma de suas mangas estava rasgada e um corte sangrava em sua bochecha.
— Acho melhor elas se apressarem, não vou aguentar mais muito tempo – disse com a respiração ofegante logo antes de ser atirado para trás, nesse momento as fadas aproveitaram sua fragilidade para atacar, porém Victor que estava próximo cuspiu chamas azuis nas mesmas.
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Seu corpo atingiu a parede com força enquanto seu pescoço era sufocado lentamente. Titânia a segurava quando uma faísca a fez largar o corpo da outra, dando-lhe a oportunidade de acertar um soco no rosto da fada e logo em seguida outro na barriga. Estendendo suas mãos para frente, lançou a mais poderosa corrente elétrica que conseguiu, atingindo-a em cheio. Isso a manteria desacordada por um tempo.
Do mesmo modo como fez antes, arrastou-se até Gabriela deixando um rastro de sangue por onde passou. Uma corrente elétrica contínua saiu de sua mão e, após alguns minutos, a tranca estava derretida e Gabriela saiu, ajudando a amiga a apoiar-se, apesar de não estar em um estado muito melhor.
Subiram juntas as escadas e chegando ao topo, Gabriela lançou uma onda de vento que afastou as outras fadas por tempo suficiente, Victor e César largaram o portão, deixando-o se fechar. Victor avançou e atacou com suas chamas azuis, derrubando as fadas que ainda restavam.
César construiu uma área circular com sua luz solidificando-a e, quando pronta, pôs sobre ela João, Gabriela e Amanda.
— Consegue transportá-los? – indagou Victor preocupado.
— Será um pouco cansativo, porém eu posso tentar – respondeu César, o cansaço obviamente tomava conta de seu corpo, mas sabia que devi priorizar o auxílio dos feridos.
Do lado de fora o sol já estava se pondo, o tempo que passaram dentro do palácio fora mais longo do que imaginaram. Quando estavam a uma distância que consideravam segura, planejando descansar por algum tempo, a pior visão foi refletida em seus olhos.
Sete tornados enormes sacudiam o chão, arrancavam árvores do chão enquanto outras eram chacoalhadas. Titânia estava em frente ao tornado do meio, não havia dúvidas de que era ela quem estava controlando-o, enquanto os outros seis tornados de mesma magnitude necessitavam de cinco fadas cada um para ser sustentado.
Estavam lá, parados no ar, totalmente esgotados ou feridos, sem chance de lutar e muito menos de vencer, encarando sete tornados.
Um ser de vestes negras apareceu, pairando no céu pouco acima deles mostrando somente as costas.
— Não se cansam de se meter em confusão? – perguntou ele e, com um estalar de dedos, todos os tornados se dispersaram e as fadas que os controlavam foram lançadas para longe.
Os cinco olhavam atordoados para o garoto que agora lhes encarava, revelando ter cabelos pretos e olhos de um lilás vivo e fendas no lugar de pupilas. Mal podiam acreditar no que viam e no modo como o menino derrotou tantas fadas em um piscar de olhos.
— Príncipe do Submundo? – perguntou Victor incerto, chamando-o pelo título.
— Príncipe do Submundo? – falou ele no mesmo tom de interrogação, pouco antes de soltar uma risada. – Já faz um tempo que abandonei esse título. Por favor, me chamem de Príncipe do Inferno.
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