— Quem está aí? – perguntou Victor enquanto vasculhava cada canto da própria casa.

Um silêncio se fez presente durante poucos segundo, mas sumiu com uma voz cansada e com dor.

— Sou eu.

Victor notou que a voz vinha de seu quarto e podia reconhece-la, correu para lá e ligou a luz, vendo que acertara sobre quem era o dono da voz.

Matheus estava caído no chão com alguns machucados no corpo, evidentemente cansado. Sem pensar duas vezes, o garoto de óculos ajudou o amigo a se levantar e o deitou em sua cama.

— Está com fome? – perguntou.

Ele não disse nada, apenas deu um leve aceno afirmativo com a cabeça.

— Espere um pouco, eu volto logo – saiu do quarto.

Depois de alguns minutos, o garoto voltou com um prato de lasanha e Fanta uva. Matheus se pôs sentado na cama e comeu como há tempos não comia. Quando terminou, entregou o prato e o copo para o amigo e o encarou, esperando pelo interrogatório que sabia que viria.

— Onde você esteve nos últimos cinco dias? – seu olhar era sério.

— No submundo, meu presságio estava certo. Estamos com problemas, e dos grandes – respondeu com seriedade igual.

— O que houve? Quem poderia te deixar nesse estado – sua voz deixara transparecer um pouco da curiosidade que sentia.

Matheus se calou diante da pergunta, sua resposta foi simples, porém satisfatória.

— Victor, eles voltaram.

O garoto de óculos arregalou os olhos, ele sabia de quem o outro estava falando, e não gostara nem um pouco da resposta.

— Vou chamar os outros, mas vou precisar de ajuda para trazer a Manu, César, Arthur e Cecilia aqui.

O amigo concordou com um aceno.

Victor pegou seu celular e ligou para Rafaela, Gabriela, Amanda e Larissa, pedindo para que viessem até sua casa o mais rápido que pudessem, não dera muito detalhes sobre o motivo, que esperaria todos se reunirem para poder passar os detalhes.

Olhou para o amigo que o observava e finalmente disse.

— Vamos?

Matheus levantou da cama e se colocou de pé com um pouco de dificuldade. Com um gesto de mãos um portal negro de bordas roxas se abriu. Ambos os garotos passaram através dele.

—

Emanuele, que estava jogada um cima de sua cama, escrevia algo em um caderno.

Um som que lembrava o vento soprando chamou a atenção da garota que se virou para trás a tempo de ver um portal se abrir e Matheus e Victor saírem dele logo após.

— Precisamos de você, estamos com problemas.

Manu queria fazer uma série de perguntas no momento, mas a voz do garoto de óculos era urgente.

— César não está aqui? – indagou Matheus.

— Não, ele voltou para casa anteontem – respondeu entrando no portal com os amigos pouco antes dele se fechar.

—

César estava deitado ouvindo música quando viu um portal se abrir em sua frente e a surpresa tomou conta de sua face ao ver quem saíra dele.

— Olá, pessoal – disse de forma alegre abraçando os amigos.

— Desculpe, César! Não temos tempo para isso agora, você tem que vir com a gente, estamos com pressa – disse Matheus.

— Por que? O que é tão importante?

— Eu falo depois, isso não envolve apenas nós quatro, quanto todos estiverem juntos eu explico tudo melhor.

César não parecia satisfeito com essas respostas, ele nunca vira os amigos preocupados daquela forma, então decidiu obedecê-los por enquanto, ao menos até descobrir do que se tratava tudo aquilo.

Mesmo hesitantes, entraram no portal novamente.

—

O portal se abriu na casa de Arthur, ele e Cecilia se encontravam assistindo algum filme de ação na TV.

— Que surpresa, o que estão fazendo aqui? – perguntou Arthur.

— Precisamos que venham com a gente, estamos com problemas e isso envolve vocês.

Ambos se encararam por um segundo e assentiram, desligando a TV e adentrando no portal logo após.

—

Os seis estava novamente na casa de Victor, assim que chegaram a campainha tocou e Rafaela, Amanda, Larissa e Gabriela entraram. Foram para a sala onde três sofás se encontravam nas paredes em frente a uma televisão de tela plana, quando se ajeitaram as perguntas vieram uma atrás da outra.

— Onde você se meteu esses dias? – perguntou Amanda.

Victor a encarou e ela entendeu o recado.

— Há cinco dias... – iniciou Matheus. – ... fui ao submundo porque tive um presságio, achei que não era nada, mas me enganei. Dois humanos conseguiram chegar vivos lá o que é, no mínimo, estranho. O verdadeiro problema foi que eu me descuidei, achei que tivesse a situação sob controle, porém me enganei e permiti que eles desfizessem o selo da pedra e... – suas próximas palavras continham uma mistura de vergonha e arrependimento. – ... me derrotassem facilmente.

— O que? – perguntou Larissa espantada, levantando-se de onde estava sentada sem perceber.

Sua reação era compreensível. Fora Matheus e Victor, nenhum deles chegou a ver a pedra, mas ouviram falar dela e sabiam o que a perda do selo representava.

— Então isso quer dizer que...? – perguntou voltando a se sentar, sentiu uma pequena tontura de repente.

— Infelizmente, sim. Isso significa que eles estão de volta. Satanás e seus guardas demoníacos retornaram.