Seu corpo começou a cair pelo penhasco abaixo, fazendo com que ela se lembra-se de todas as coisas boas que haviam lhe acontecido em tanto tempo. Antes de chegar ao mar, abriu seus olhos e notou uma imagem familiar, fazendo seu coração descansar em paz, enquanto suas lágrimas e seu novo sorriso, aceitavam seu novo destino...

Shara: ... Bland... Você... Está vivo...

Apenas um grito foi ouvido, fazendo a escuridão, se tornar luz...

Bland: Sharaaaah!

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Henry olhou para Bland, enquanto estava a pensar no motivo pelo qual o mago estava tão apreencivo.

Henry: Agora está tudo bem, aquela aberraçãos se foi. — colocando a mão no ombro de Bland — Vamos voltar a cidade e...
Bland: Baka! Não entende? Você a deixou morrer! Não acredito que isso pode ter acontecido... Ela era minha responsabilidade. Minha criança ingênua. Ela amava mais a humanidade do que qualquer outro ser existente. Nunca conheci alguém assim como ela. Em todos os nossos dias juntos, nunca imaginei não a ter em meus braços... Você a deixou partir, deixou que ela torna-se os meus dias como noites.

SHARA! — gritava loucamente seu coração — Viva, meu amor! Viva por nós.

Henry: O que? Quer que aquele monstro sobreviva? Nunca isso irá acontecer. Mas não se preocupe, se por um milagre ela sobreviver, cuidarei dela pessoalmente.

Bland fechou seus punhos, virando-se para Henry e deixando lágrimas cairem de seu rosto, fazendo com que a raiva que dominava seu corpo o fizesse lembrar daqueles olhos cheios de esperança ao vê-lo pela última vez.

Como que por um impulso, atacou Henry com socos e chutes, como um lutador humano conseguiria desferir. O jovem logo caiu ao chão, mas tentou se levantar para se defender, se deparando com as lágrimas no mago que o deixavam completamente vulnerável.

Henry: Não tenho o motivo de ser legal com você.

Blando voltou para aquele penhasco e sentou-se ali, pensando em seus dias com ela... Sonhando com aqueles dias em que não demonstrou seu amor, deixando-a longe de se magoar com sua descrença sobre a vida humana e o amor ao redor.

Bland: Henry... Se não for pedir muito... Poderia ficar aqui comigo?

Henry: O que?

Bland: Quero te contar o motivo de eu estar tão comprometido com ela assim... Começando pela história do medalhão.

Henry ficou apreencivo com aquele convite repentino do mago, mas o medalhão era intrigante demais para recusar algo assim. Pensando um pouco, deixou cair algumas máscaras de orgulho e se deixou levar pela curiosidade.

Henry: Me diga, mago. O que essa velharia esconde? — dizia enquanto sentava perto de Bland

Bland: Quer segurar? Ainda tem o cheiro dela... — dizia Bland olhando para o medalhão

Henry: Cheiro de Yokai? Desculpe, mas prefiro ficar longe.

Bland: Como queira. — guardando aquela jóia, perto a seu corpo, mostrava seus reais sentimentos — Antes de começar... O que te passou pela cabeça quando a viu sobre meu corpo?

Henry não entendia como o mago poderia saber de algo assim. Aparentemente estava morto... Confusos aqueles dias em que um simples monstro havia se tornado um pesar para corações humanos tão puros.

Bland: Ela sempre foi uma criança muito sozinha. Ensinei a ela como andar e como falar do jeito mais perfeito possível. Era minha filha, minha amada filha Yokai... Sempre que ela acaba fazendo algo humano, tinha de punir aquele coração que estava sendo corrompido. Eu não queria sentir aquela tristeza quando o sangue escorria por seu corpo, mas era preciso. Treinei-a com o gelo, pois era o elemento mais forte para uma criança tão pura e de olhos lindos de tão brancos... — o coração de Bland se entristeceu com sua revelação — Me desculpe, acho que sou um velho sentimental.

Henry: Você fala dela como se fosse alguém especial. Mas era apenas mais uma aberração da natureza.

Bland: Foi o que te contaram? Essa cidade tem superstições sobre demônios que chegariam para dizimar todos do mundo, mas não acredite em tudo o que escuta. Elees nunca deram uma chance a ela, nunca pensaram em conhecê-la. Ela amava a humanidade, sabe? Juro que tinha até certo ciúmes desse amor. Desde criança, vivia me enfrentando para defender vocês e ter a chance de sair para ficar mais perto. Corri muito atrás dela, prendi-a muito no quarto para não escapar. Muitas vezes, após crescida, me vi apaixonado pela visão que tinha a minha frente. Acredita que já tentei me aproximar dela? Sim... Eu quis que ela fosse minha... No início, nosso primeiro beijo foi algo especial e inexplicável... Foi como se meu coração se torna-se o dela e fossemos apenas um. Não devia ter deixado isso acontecer. — o sorriso e as lágrimas eram visíveis em seu rosto — Minha aparência não mostra o quanto eu sou velho. Você sabia que ela morreu por minha causa?

Henry: Não devia se culpar, ela procurou isso e...

Bland: Não. A culpa foi minha. Dei a ela uma poção para que fosse mais humana, fiz a cauda dela sumir e seus traços serem mais humanos. Era tudo o que ela queria, foi por isso que você a viu naquela floresta e se encantou por quem havia visto. Ela era tão linda, não era?

Henry: E... Eu nunca olhei para uma Yokai assim... -o sangue em seu corpo, condenava suas palavras ao fazê-lo corar- Não sei do que está falando.

Bland: (risos) Calma, não estou bravo com isso, meu trabalho foi perfeito. Ela se tornou forte e não se preocupou com a morte que estava a abraçá-la. Quando você foi atrás dela... Ela havia usado o medalhão em mim, para me salvar e isso custou sua vida... Quando ela se jogou do penhasco, estava muito fraca e havia perdido muito sangue. Ao me ver, conseguiu aceitar a morte, pois queria apenas me ver vivo. Não poderia viver comigo e nem mesmo sem minha presença. Éramos muito mais que mestre e...

Henry: Ok. Mas e a história do medalhão?
Bland: AH, sim... Havia me esquecido. Tudo começou quando eu era um garoto ainda. Acho que tinha uns dez anos, quando os feiticeiros foram para minha aldeia, Nhria, que hoje é apenas uma lembrança. Meu pai era da guarda do rei Knelus II, mas não ficava muito na aldeia, vivia em guerras e disputas dentro da corporação para permanecer em seu cargo. Os feiticeiros eram astutos, tinham tudo do melhor e nos faziam venerá-los em troca de algumas moedas. Faziam todo o tipo de magias traiçoeiras para colocar pessoa contra pessoa e se tornarem os mais respeitados e aparentemente honestos...

Henry: Então o medalhão era deles? Só isso?

Bland, rapidamente esticou seu braço e bateu na cabeça de Henry, para que entendesse o quanto estava sendo incomodo.

Henry: Tudo bem. Me desculpe. Pode continuar...
Bland: ... Queria ver de onde tudo isso estava indo.Ver o que era tão maravilhoso para a aldeia inteira parar apenas para ouví-los, então me escondi em uma mala que estava no carro deles. Porém, os guardas receberam ordens para tirá-los dela e com a movimentação, não tive como sair. Quando me encontrei, estava muito longe de casa e quase morrendo, pois havia ficando muito tempo preso la sem ar ou comida. Uma mulher me encontrou escondido e me deu água, depois colocou o medalhão em meu pescoço e me pediu para dormir.

Henry: Ela salvou você? Por que?

Bland: Até hoje eu não sei. Acho que era, porque ela havia perdido um filho com a minha idade a pouco tempo... Daquele dia em diante, ela me ensinou toda a magia que eles sabiam e pude ver o quão poderosos eram... Mas...

Henry: Mas o que?

Bland: Estou cansado, melhor contar amanhã... — os bocejos do mago eram contagiantes

Henry: Não. Me conte agora. Por favor.

Bland: Boa Noite Jovem humano...

Bland se levantou e começou a andar em direção a sua casa, enquanto Henry ficava olhando para o Penhasco, pensando naquela criatura que destruiu sua vida, lhe fez trocar seu pai doente e seu irmão, por uma ideia idiota de matá-la.

Henry: Meu irmão lhe viu pela primeira vez... Você salvou a vida dele e nunca pude agradecer... Shara... Arigatou gozaimasu!

Enquanto voltava para a cidade, passava pela floresta e via a imagem da Yokai sorrindo e correndo pela floresta, seus momentos de alegria e de discussão. Cada passo, era como se ela fosse a abraçá-lo. Ao chegar ao meio do caminho, pegou a espada de Shara e sentiu, passando suas mãos e fechando os olhos. O portão ainda estava com as impressões digitais dela, um pouco de gelo e gotas de sangue que espirraram. Ao entrar, todas as coisas foram jogadas ao chão, o quarto dela todo revirado o chão da sala foi seu pesar. Ficou deitado naquele chão, exatamente como quando ela caiu sobre ele.

Bland: ... Shara, sua maldita! Como pode me ouvir? Por que teve de me deixar agora? — O fôlego foi estabelecido, a ponto de fazer suas cordas vocais sangrarem — Sharaaa! Sharaaaa! Aishiteru! Sharaaa! Aishiteru!

Por toda a noite, o jovem mago ficou chorando naquele chão frio e tentando acreditar que toda a sua vida foi tirada de si mesmo, enquanto tentava pensar em como demonstrar menos os seus sentimentos aos outros. Sua fragilidade poderia causar uma vantagem aos inimigos.

Bland: ... Não me deixe...

A noite foi trêmula. Bland se debatia enquanto dormia, tornaando cada minuto, um segundo a mais para se recompor e aceitar as verdades agora impostas. Cada imagem em sua mente, era como um pavilhão de sensações cada vez mais intensas e insolubres. Cada hora que se passava, o suor frio era eminente e incontrolável. Queria ter mais tempo com ela, tentava não ver sua imagem, mas as cenas que se frixaram em sua mente eram mais do que pontos felizes. As cenas de humilhação, choros, sacrifícios, castigos... Impossível não se sentir culpado pela imagem que havia se fixado a ele. Não queria mais acordar. Porém seu coração o enganou, mais uma vez.

Menely: Bland! O que faz no chão? — o olhar de espanto também demonstrava a repulsa aparente — E esse cabelo? Sei que gosta dela... Mas não é motivo para virar um maníaco por yokais .

Bland: ... Do que está falando? — o questionamento era levado pelo impulso de ir ao banheiro, afim de checar aquela situação — Deixe-me acordar primeiro.

O espelho deixou-se quebrar, ao deleitar-se em contato com o solo, quando a porta fechou em um súbito bater.

Bland: O que... Meu cabelo... — olhos arregalados ao olhar os cacos pelo chão, demonstravam o espanto de ver a mudança em seu ser. — O medalhão! Isso não devia acontecer.

Menely: O que aconteceu? Sabe que é feio quebrar as coisas. Já faz tempo que você não faz isso... Desde de que ela...

Bland: Não. Saia daqui. Agora!

Menely: Bland, não entendo o motivo de você estar tão intretido com esse novo cabelo. Aquela garota está morta. Morta! Nunca te dará o amor que você merece.

Menely saiu correndo pela porta da frente, enquanto Bland deixava-se derramar lágrimas por todos os lados em que andava.

Paredes tremendo com o excesso de ódio e medo do que poderia acontecer, faziam o mundo se tornando.

O medalhão estava saindo do controle. Não era comum estar tão perto de ser yokai e humano. Salvar uma vida era o único bem que o medalhão poderia fazer ou era a maldição de fazer com que um novo ser se tornasse apenas uma lembrança?

Enquanto pensava, andava em direção ao penhasco, para novamente tentar avistar algo que lhe trouxesse paz. Passos novos eram ouvidos, já que a dor não estava tão presente desde sua nova descoberta, traziam o novo conceito de mago. Um mago meio animal? Talvez fosse um mestiço agora. Não era certeza. Andava sozinho pelos cantos, em busca de algo que fosse totalmente ele mesmo e não apenas uma lembrança. Novas roupas eram vistas em seu corpo, novos desejos e sonhos. Nunca sentiu tanta vontade em amar a vida e correr livremente pela floresta. Aquela linda liberdade pelo qual tanto procurou,estava logo ali na frente. Bland colocou seus pés próximos ao final do penhasco e fechou seus olhos, aproveitando a brisa que tocava seus cabelos e o cheiro de grama molhada.

Bland: Você me deu um novo sentido de viver. Como posso retribuir, meu amor? – sua voz era suave enquanto deixava dançar sua paixão ao vento – Quer que eu pule também? – um sorriso apenas, mais nada – Acho que meu coração se tornou seu e me fez querer demonstrar ao mundo que somos apenas um agora...

Ao abrir seus olhos, sentou-se na beirada e olhou para o mar, sorridentemente, pensando em tudo o que estaria por vir.

Bland: queria que estivesse viva. Teríamos uma casa mais aconchegante. Sem instrumentos de tortura, prometo. Também, sem todo aquele frio... – lágrimas tomavam conta de seu rosto pálido – Hoje vejo que fomos feitos um para o outro, sabe? Teríamos filhos também. Não muitos,talvez um ou dois. Iríamos ensiná-los a correr por esses lugares como a mamãe e ter poderes incríveis, como o papai.

Novos passos eram ouvidos da mata e eram bem mais fortes do que de costume. Alguém se aproximava rapidamente, era o que parecia. Talvez estivesse correndo ou apenas pisando nas folhas erradas.

Henry: Então é verdade! O mago se tornou um yokai... Pelo jeito aquele monstro deixou seu legado. – sentando-se próximo ao mago, não entendia o motivo daquela mudança genética repentina – O que fazia aqui sozinho?

Bland: EU...

Henry: Ela não vai voltar. Não devia mais esperar por ela.

Bland: Não estou esperando por ela.- um sorriso novo brotou das águas salgadas a morar em seu rosto – Ela está esperando por mim... Em algum lugar. E vou encontrá-la. Eu sei.

Henry: Ninguém pode ressuscitar os mortos. Nem mesmo você.

Bland: Espero que ela esteja viva em algum lugar.