A Lenda de Pand'Or
1 Prólogo
Uma lenda se inicia.
Essa aventura se baseia em acontecimentos reais, basta você querer que seja. Nossa história possui terras, clãs, tribos, incluindo assim união e desavenças. Não existe um personagem principal, tudo gira ao redor da Lenda, onde cada detalhe é essencial.
Tudo começa nas terras de Al' Talan. Uma terra onde a maior parte de seus domínios é composta por água. Os moradores dessa vasta região possuem simpatia e conexão com o mar e tudo que nele habita. A população tem a pele azulada, com “cabelos” longos, escamas e olhos dourados. Não é uma regra dizer que todos respiram de baixo ou fora d'água, isso é escolhido pelo destino aleatoriamente. Algumas pessoas, nascem com pele de cores diferentes, mas que possuem as mesmas características dos outros Al'Talanianos.
O mundo possui apenas 4 continentes conhecidos, sendo eles Al'Talan, ao norte, La'Hill, ao oeste, Ol'Brom, ao centro, e Erenöt, ao leste. Alguns acreditam que existem outras terras, se existem, por algum motivo nenhum ser até hoje conseguiu encontrar.
Se há algo em comum entre essas terras, deve-se às suas hierarquias. Toda terra tem e deve ter um rei, caso ao contrário é um convite a invasão.
Toda nossa aventura começa no dia em que um rei se comunica com outro rei, todos já imaginavam uma guerra. Mas naquele dia, foi um assunto um tanto quanto inusitado, escrito na carta do rei de La'Hill, o poderoso Damian, para o rei Lass de Al'Talan.
— Damian procura minha ajuda? Ajuda para hospedar um ser La'Hilliano? Isso é irônico, o que foi? Estão sem espaço para um casinha?! Hahahahaha! – Disse o rei.
— Majestade, – replicou o servo – Sei que não devo te contrariar, mas acho que seria válido repensar sobre isso. Se um rei pede ajuda, dever ser algo sério.
— Tudo bem, mande um jovem viajar até La'Hill, esses jovens adoram viver o que eles chamam de “aventura”. O mais estranho é o fato de que La'Hill é o lar do povo terreno, hospedar alguém não seria um problema já que eles podem facilmente cavar um buraco na montanha e pronto, está feito um lar do jeito que eles gostam!
— Sim, Majestade. Muito estranho. Com sua licença, irei me retirar para procurar o jovem ideal à essa missão.
— Vá.
Em continentes, todos os seres são obrigados a servir ao rei. Reis preferem utilizar jovens para tratar de assuntos mais simples para poupar seus soldados.
O servo do rei saiu do majestoso Castelo em direção à cidade. As cidades eram todas rodeadas por água, como pequenas ilhas. O Castelo do Rei fica submerso, afastado da cidade para maior proteção. É o castelo mais bem protegido de todo o mundo, levando em consideração que ele não pode ser visualizado além de que apenas os Al'Talanianos aguentariam a forte pressão debaixo d'água.
Al'Talan é bastante povoada tendo um comércio movimentado. Isso porque o povo Al'Talaniano é bastante amigável, costumam ser mansos e puros. Mas não se engane, eles usam a desconfiança para se defender. Às vezes, não confiam neles mesmo, sempre indagando para ter certeza se é verdade ou não.
O servo ao sair do castelo procurou e mergulhou em um rio e nadou em direção ao centro de treinamento. Como a maior parte de Al'Talan é composta por água, eles usam essa vantagem como meio de transporte. Existem sim campos, terras, casas e montanhas porém com a grande quantidade de rios que costura todo o continente como veias por um corpo, é mais abrangente e viável viajar pelos rios.
O servo então chegou ao centro de treinamento, era feito de madeiras e algas, simples porém enorme, espaço o suficiente para os jovens treinarem com tranquilidade.
Ao entrar, todos os olhares voltaram-se ao servo, até porque não é todo dia em que um servo do rei entra em um estabelecimento.
—Mestre! Como vão nossos jovens guerreiros? — disse o servo.
—Olá, estão bem. Ainda é o início para esta turma, eles têm um longo caminho pela frente.
—Que desagradável ouvir isso...
—Posso saber o porquê?
—Eu estava à procura de um guerreiro disposto a cumprir uma missão do rei, mas essa turma só tem novatos.
—Ah, sim! Você veio no horário errado, a turma veterana tem aulas em outros dias. Mas você está com sorte, um de meus alunos veteranos está me ajudando aqui... E ele é bom, um dos melhores na verdade.
—Chame-o. Diga que algo especial o aguarda.
—Já volto. — O mestre reparou que todos estavam parados admirando a presença de uma figura importante diante deles — E vocês, estão parados escutando nossa conversa por quê? Anda, voltem a praticar o que ensinei!
O nosso primeiro guerreiro a ser introduzido chama-se Zaryu. Ele é alto e possui uma longa alga azul vindo de sua cabeça além de barbatanas em suas pernas. Filho de uma família simples, sem irmãos. Seu pai foi um soldado de reinado antigo, hoje já não exerce mais a função. Zaryu procura traçar seu caminho no centro de treinamento se espelhando no caminho de seu pai.
—Zaryu, tem uma pessoa aqui procurando por você... Por que não vem comigo e escuta o que ele tem a dizer?
—Alguém? Mas... Tudo bem. — respondeu Zaryu, desconfiado.
Ao chegar no ginásio, Zaryu ficou ainda mais confuso ao ver que era um servo do rei. “É ele mesmo que quer falar comigo?” pensou Zaryu.
—Aí está, como se chama jovem Al'Talaniano?
—Zaryu. E você, como se chama? É um servo do rei, como estou pensando que é?
O servo não se segurou e deixou escapar uma risada.
—Isso pouco importa, mas tenho uma proposta a te fazer.
—E por que a mim? O que quer em troca?
—Mestre, faz parte de seu treinamento ensinar os alunos a interrogar pessoas? Santo seja O Criador! Acalme-se jovem, quer ouvir o que tenho a dizer ou não?
—Calma Zaryu, escute-o antes. — disse o mestre para acalmar os ânimos.
—Tudo bem, o que quer de mim? — quis saber o jovem.
—O Rei deseja que um jovem cumpra uma missão confusa... Digo, digo: uma missão confusa... para aqueles que não possuem sabedoria! Isso! Foi o que quis dizer. — o servo disfarçou (se é que posso chamar de disfarce) com uma risada – Seria suicídio enviar um guerreiro fraco, por isso vim até você, Zaryu.
—Uma missão?! Do Rei?! — Zaryu estava muito empolgado, mas resolveu mostrar que não era um amador e escutou atentamente as instruções, como um guerreiro de postura séria – Prossiga.
—O Rei procura alguém que vá às terras de La'Hill. Aparentemente o rei de La'Hill está tendo problema com um habitante de lá. Ele diz que o problema pode ser resolvido em outros continentes. O rei quer que você vá averiguar a gravidade do problema e, se necessário, trazer o habitante com você.
– Mas se o rei diz que é um problema, isso significa que É um problema, não?
Sendo encurralado com a pergunta e para não prolongar o assunto, o servo logo dispara:
– Você ousa questionar uma ordem do nosso Rei, Zaryu?
– Não! Perdoe-me...
– Hahaha! Foi o que pensei.
O servo olhava para Zaryu e via nele um futuro. Apesar de uma missão tão boba, os olhos dourados daquele jovem brilhavam como quem diz "vou dar o meu melhor". Reparando nessa vontade de Zaryu, o servo resolveu testá-lo.
—Mestre, poderia separar uma área para nós?
—O que pretende fazer com a área?
—Quero desafiar Zaryu, ver do que é capaz.
Zaryu espantou-se, o servo agora parecia sério, não estava mais autoritário ou sarcástico, parecia focado.
—Isso vai ser interessante – respondeu o Mestre – Zaryu, quero que dê o seu melhor. Vamos, sigam-me até os fundos, tem espaço o suficiente para vocês lá. E vocês – O mestre apontou aos alunos – continuem treinando!
A arena era aberta. Dava pra ver uma floresta e um rio que ia em direção a uma cachoeira. Na ponta da arena havia um busto de bronze com o rosto de um animal semelhante a uma raposa. Havia flores, velas e pedaços de papéis com pedidos. Abaixo do busto, havia uma placa que dizia “O Criador”.
O Mestre, Zaryu e o servo caminharam até o centro da arena. O servo ficou à esquerda, Zaryu à direita e o Mestre no meio para dizer as instruções.
O servo resolveu lutar com sua própria lança com lâmina nas duas pontas. Sua lança tinha tiras vermelhas no cabo das lâminas e uma frase cravada que dizia “Glória à Al'Talan”. Já Zaryu empunhava uma simples espada com nada em especial. Os olhos de Zaryu brilhavam com vontade de vencer. Ele sabia o quanto o servo estava levando o combate a sério, Zaryu não poderia vacilar.
— Muito bem, estão preparados? Vence aquele que imobilizar o adversário ou enfraquecê-lo até que não possa mais lutar. Aquele que for letalmente ferido deverá ser carregado para o rio e ser curado pela água. Entendidos?
Os dois não se esforçaram a responder, estavam se entreolhando fixamente.
— Lutem!
Nenhum dos dois se mexia. O servo deu um pisão no solo e Zaryu se assustou. O servo deu um sorriso malicioso como se sentisse o medo de Zaryu. Ele então correu na direção de Zaryu apontando sua lança na direção do peito do jovem. Zaryu se esquivou e cambaleou um pouco, o servo estava mais sério do que ele pensava.
Então o servo atacou novamente, dessa vez ele girava a lança no ar e atacou verticalmente. Zaryu, mais uma vez, esquivou-se rolando para o lado.
— O que foi, Zaryu?! Isso é tudo?! Anda! Me enfrente!
E o servo deu uma estocada na direção de Zaryu. O servo, que antes segurava a lança com as duas mãos, dessa vez a lançou e a segurou na ponta permitindo que a lança voasse metros à frente. Dessa vez Zaryu não foi rápido o suficiente e a lâmina o perfurou seu abdômen.
Enquanto Zaryu ainda se assustava por ter sido atingido, o servo resolveu atacar mais uma vez. Ele veio correndo, fincou a lança no chão e se jogou em uma voadora na cara de Zaryu. Zaryu caiu e o servo segurou Zaryu pelo pescoço e o arremessou para longe. Zaryu bateu a cabeça na estrutura que segurava o busto do Criador, com a força com que foi arremessado, a cabeça de Zaryu começou a sangrar.
O Mestre via aquela cena e só rezava ao Criador para que Zaryu reagisse.
Novamente, o servo pegou impulso, saltou bem alto e quase fincou a lança no coração de Zaryu, se o mesmo não tivesse desviado. Mas dessa vez, Zaryu além de desviar, reagiu e após girar para o lado fez um corte horizontal na perna esquerda do servo. O servo gritou agonizando de dor, o grito foi tão alto que chamou a atenção dos jovens que estavam treinando no centro. Alguns até foram até a beira da arena para assistir o combate.
Zaryu se levantou e se distanciou do servo, ele olhou para o rio e pensou em se curar, mas o servo estava tão vulnerável... seria o momento perfeito para finalizar? O servo se feriu, mas não estava tão acabado quanto Zaryu, o servo então levantou-se mancando e canalizou seus poderes em direção ao rio. A água vinha na direção do servo e curava suas feridas. Zaryu resolveu fazer o mesmo, porém estava em desvantagem já que suas feridas eram bem mais complexas, ele resolveu priorizar as feridas da cabeça para que não desmaiasse.
E assim ficaram por alguns segundos, era como se houvesse uma pausa na luta. Ambas feridas se curaram praticamente juntas, e Zaryu se jogou em cima do servo. O servo desviou fazendo com que o Zaryu caísse direto no rio.
—Ah... entendo. Era tudo o que Zaryu queria – disse o mestre.
O servo ficou olhando para todas as direções, já que a arena era cercada por rios, Zaryu poderia surgir de qualquer direção. A espada de Zaryu estava do lado esquerdo, para onde Zaryu caminhou após ferir o servo, o servo resolveu ir para a esquerda e escoltar a espada para que Zaryu ficasse desarmado. Nesse momento, Zaryu surgiu pela direita e disparou esferas de água com a boca na direção do servo.
—Bombinhas de água?! Quantos anos você tem?! – resmungou o servo furioso.
—Garanto que por ser mais jovem tenho mais disposição que você, velhote!
—Agora você conseguiu me irritar, seu idiota!
Zaryu abriu os braços e não parecia querer atacar. Já o servo veio na direção de Zaryu com sua lança com toda a fúria possível e fincou a lâmina bem no coração de Zaryu. Crianças e jovens que assistiam a luta de longe ficaram espantadas, foi uma estocada letal, mas o servo sabia que algo não estava certo. Zaryu não sangrava, na verdade, o local onde foi perfurado não parecia ferido mas sim emitia ondas, como se o servo tivesse perfurado uma poça d'água.
De repente, Zaryu surgia do lado esquerdo com a espada em punhos e chicotes de água controladas pelo próprio. Os chicotes aquáticos prenderam com força os braços e pernas do servo. Sua lança caiu no chão e o corpo de Zaryu que estava à frente do servo começou a se desmanchar até desabar em uma poça d'água no chão.
— Clone de água, servo – disse Zaryu – desculpe tê-lo insultado anteriormente, era o único meio de torná-lo cego em ódio e ignorar minha espada.
O servo tinha um semblante indescritível, era como se ainda tivesse processando o que aconteceu.
—Mas deixando meus truques de lado, vamos ao que interessa. Nesse exato momento você está imobilizado e eu – Zaryu apontou sua lâmina para o pescoço do servo – poderia matá-lo se quisesse. E isso significa vitória, estou certo, Mestre?
Todos estavam espantados com a inteligência de Zaryu, mas no meio de tanto espanto, havia uma pessoa que estava mais orgulhosa do que espantada.
—Zaryu é o vencedor! – anunciou o Mestre.
Todos os alunos que assistiam a luta aplaudiam e comemoravam a vitória do jovem. Alguns brincavam entre si imitando os movimentos de Zaryu e comentavam sobre a luta. Zaryu soltou os chicotes que prendiam o servo, e estendeu a mão como sinal de paz. O servo olhou para sua mão e o encarou seus olhos. Aquele olhar que antes estava tenso e com medo, agora demonstrava uma tranquilidade e orgulho, mas seu semblante também demonstrava respeito. O servo apertou sua mão, abriu um sorriso muito alegre ao presenciar tanto talento para alguém tão jovem e disse:
—Zaryu, você está pronto.
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