A Lenda Sem o Avatar. (Livro 1 Agua)
18 XVIII- Agni- Kai
Notas iniciais
Sokka desperta em uma cama, assustado.
Ele olha em volta e não reconhece a onde estava, sua mente diverge entre lembranças dolorosas e a realidade ali presente.
Olhava o quarto feito de gelo e o convertia em aço frio, revivendo o ontem agora. Uma moça entra no quarto ele não a reconhece, os braços finos e fracos forrados de escoriações e hematomas vem a seu auxilio ele a empurra longe.
Quando se vira e abre os olhos a figura pálida e cadavérica se converte em uma pele morena, sua irmã. ---- Katara? O que...?
–--- Você deve ter exagerado. Comeu de mais e passou mal. ---- a irmã volta a se aproximar e o põe sobre a cama. No ímpeto de fugir ele havia caído, e ainda não tinha se dado conta. ---- Caiu dentro do lago do peixe Koi...
–--- Peixe? Peixe Koi... ---- ele para e volta a se lembrar, se lembrar do peixe sem graça e da visão que teve. ---- Zhao! ---- ele grita e salta como se tive-se de ir imediatamente a algum lugar, e depois para. Foi um devaneio... ele vivia tendo devaneios. Mas aquele tinha sido diferente, não era uma lembrança tortuosa.
–--- Zhao? Quem é Zhao? ---- ela pergunta como uma mãe preocupada, no automático; mas ao vê-lo parado se toca de quem poderia ser e se cala. Não queria ouvir a resposta. ---- Deite-se um pouco mais. Descanse; deve ter sido má digestão...
–--- Não foi má digestão. ---- a voz suave atravessa o quarto como uma rajada, um sussurro assustador. ---- Você viu algo. O que viu no lago? ---- a princesa adentra o quarto como uma invasora, os olhos azuis agora estavam vidrados no rapaz a sua frente. ---- Por favor não esconda. O que viu no lago?
–--- Yue...? O que deu em você do que esta falando? ---- a jovem morena corresponde se pondo entre o irmão e a princesa, porem é ignorada como se nenhum dos dois pudesse a ver parada ali.
–--- O lago é especial. ---- a dona dos cabelos alvos pontua se prostrando a frente. ---- É o que eu estava dizendo e tentando explicar antes... Você não me deu atenção alguma. ---- ela se fecha, o semblante do rapaz a assustava. Queria saber o que vira no lago, apesar de temer, ela queria. ---- Por favor... ---- suplica.
–--- Vi Zhao. Ele esta vindo.
–--- Quem é Zhao? ---- a morena volta a questionar e novamente é ignorada, ninguém a via ali, ninguém a ouvia.
–--- Quantos?
–--- Mais do que posso contar...
E ao ouvir estas palavras a jovem dos cabelos alvos estremece e logo suas pernas não podem mais sustenta-la. ---- Eles chegaram... conseguiram chegar... ---- murmura ao segurar seu pranto.
–--- Mas é suicídio não é? Vir ate aqui no meio do gelo. ---- a morena não desiste de tentar ser ouvida, fazer parte da conversa, argumentar. ---- Não a terra para se apoiarem... Qual seria o plano? ---- ela questiona ao ver o irmão partir, o seguindo. ---- Sokka! O que esta havendo?
–--- O que ela te contou sobre o lago? ---- ele questiona apressado, não mais que suas pernas que trotavam em uma direção fixa como se tivessem vida própria.
–--- É um dos portais para o mundo dos espíritos. Isso em um resumo básico. ---- ofegante a jovem tenta acompanhar o irmão que trotava a passos largos. ----- Ela contou que nasceu quase morta, e os pais a banharam no lago. Por conta disso ela tem estes cabelos brancos. Mas eu não entendo... também olhei no lago. Por que você...
–--- Eu não sei... ---- ele para tão bruscamente que ela simplesmente passa por ele; não tendo a mesma reação e tempo para parar. ---- Talvez... eu não sei... ---- ele divaga ao pensar. Tinha devaneios constantes. E se este não passou de mais um?
Este povo tinha suas crenças e idéias de espiritismo. E se ele apenas esta enlouquecendo e não tem ligação alguma com a realidade? O quarto... ele se viu ainda preso. ---- Esqueça tudo isso... ---- ele ordena a irmã indo ate o salão de festa. ---- Ainda tem carne? Estou faminto!
–--- Sokka...
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O vento ártico vem lhe acolher como uma mãe. Assim como havia feito no inicio de sua jornada.
Ela olhava o horizonte com um olhar perdido e atônito, buscava neste céu tão conhecido uma resposta; ou qualquer coisa que pudesse acalmar sua mente que corria por todos os piores becos e valas do pessimismo. -- Ele esta bem. Esta vivo... -- repetias estas palavras vagas e mentirosas ate se convencer de que eram verdade.
Sentia que era a hora de ter aquela conversa com ele.
Não podia mais fugir.
–--- Eu morri... ---- a voz firme a assusta. Voltara ao quarto para finalmente falar com seu irmão e o ouvia a confessar-se com alguém que não era ela. ----- Foram apenas alguns segundos, e um “deles” me trouxe de volta com os relâmpagos... O odiei por isso. ----- ela se esconde para ter a chance de ouvir o que ele nunca a revelaria por livre e espontânea vontade. ---- Por muito tempo desejei ter morrido junto dos outros. Achava ter sido um destino melhor, e algumas vezes o mundo provava que eu estava certo...
–--- Eu não posso imaginar o que você passou. ---- a voz feminina soava fraca e chorosa e Karata não consegue decifrar se tratava-se de Yue ou de Suki. ---- Mas não acho que você esteja enlouquecendo ou que já tenha enlouquecido. ---- curiosa ela tenta espiar, mas teme por ser vista. Não era tão importante descobrir com quem seu irmão conversava. ---- Eu já vi pessoas loucas por causa desta guerra. E você definitivamente “não” é um deles.
–--- Obrigado... você é gentil mas... ---- ele para e vai ate a janela quase descobrindo sua pequena espia. ---- Não é o que eu sinto... Não consigo relaxar. Tenho... distúrbios. As vezes ainda acho que estou preso! Que estou lá...
–--- O que você esta fazendo ai abaixadinha Katara? ---- a voz de Jet ecoa e se repete nos ouvidos dos envolvidos. Katara trava no local, não havia o visto se aproximar, estava distraída. E Sokka por sua vez se anestesia de tudo a sua volta e encara a todos.
Tinha sido flagrado.
–--- Sokka. ---- ela se ergue olhando o irmão que parecia distante. ---- Eu... ---- trava parando para pensar no que dizer naquele momento, leva apenas dois segundos e pula a janela. ---- Vem! Temos que conversar.
"A moça que se vestia de azul como todos é ignorada e sai junto de Jet afim de deixar os dois irmãos se resolverem."
Katara é quem inicia o assunto.
Revela tudo o que podia, o que se lembrava em mínimos detalhes.
Conta o estado de sua terra natal e o que a fez partir.
O desespero.
Revela tudo o que passou nas mãos dos “demônios”, o ataque a terra de Suki, e que tinha sido sua culpa. Ate mesmo seu encontro com o velho que a entregou pão e o jovem marcado que sem querer a salvara dos piradas depois de ter sido atacado e ferido pela própria.
E ele... Ele já é fraco em detalhes.
Revela por auto o horror que passou. Seu cárcere e os abusos; deixa apenas ficar subentendido; mas seus olhos revelam mais do que desejava, as mãos tremiam ao falar um nome e outro, a boca apertava e hora ou outra perdia o ar. Ela o abraça para que parasse de relatar. ---- Já esta bom.
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Semanas antes...
Recuperado de seus ferimentos graças a moça da tribo da agua, o jovem segue com o plano de se reencontrar com seu estimado tio. Porem ainda refletia sobre o que havia acontecido a pouco tempo sem estranhar nenhum ocorrido.
Ele havia pedido para uma velha amiga escrever uma carta usando um código que apenas os dois envolvidos poderiam compreender. Coisa muito arriscada, pôs esta amiga era também muito ligada a sua tempestuosa e ardilosa irmã, porem esta era a única forma que ele imaginava poder manter um contato, já que ele tinha sido banido e esta tinha se unido a um circo itinerante.
Marcado o local do encontro ele apenas espera o navio chegar.
LEMBRANÇAS^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^
Era apenas mais um dia de aula como qualquer outro, e ele esperava sentado no corredor iluminado por tochas fúnebres, sua mãe vir buscá-lo.
Tinha discutido com a professora novamente e ganhado mais uma advertência.
–--- Me de isso!
–--- Naãaaooo!
–--- Me da agora!
–--- Mas é meu!
–--- Idai? Eu quero! Meu pai é ministro e o seu apenas um regente idiota de uma vila inferior; você é inferior a mim; então me obedece e me da!
Uma discussão entre duas garotas chama sua atenção pelos argumentos. Ele já estava encrencado, que mal faria piorar um pouco mais?
–--- Deixa ela em paz. Você não vai pegar nada. ---- ele ordena, firme e ainda sim educado, ao se aproximar do grupo de meninas que se formava por conta da bagunça.
–--- Mas ela tem que aprender que... ---- a jovem de vestes mais requintadas se afasta ao reconhecer o príncipe, mas não larga a caixinha pela qual batalhava.
Ele estende a mão, e o restante das jovens se afasta. –--- Me de. ---- ordena sem se importar com o que a jovem o dizia; ela reluta em entregar, abraça o objeto que não era seu, e depois entrega saindo do corredor as pressas. –--- Toma. ---- ele devolve o objeto e se vira para voltar a seu canto. ---- Não traga coisas que os outros possam querer.
–--- O-obrigada... ---- a voz suave e tímida chega a seus ouvidos como um murmúrio. E ele se vira para olhar o motivo de tanto alarde.
Era um objeto azulado, estranho pos nunca havia visto tal cor e a jovem ,por sua vez, o abraçava com força se reclinando como uma forma de mesura. Seus cabelos negros caem sobre a caixa tampando-a.
–--- Que cor é esta? ---- ele aponta para a caixa, curioso. O tom claro combinava com apele alva da jovem.
–--- Azul. ---- ela responde assustada. Não imaginava que o príncipe iria se interessar a ponto de lhe virar mais que duas palavras. ---- É a cor dos dobradores de água senhor. Moram ao norte e ao sul. É muito raro e eu... queria mostrar a sua irmã. Ela não acreditava que eu possuía tal objeto, e me pediu para trazer hoje. ---- ela prossegue o relato vendo que este mantinha o interesse na conversa. ---- Ela disse que achou a cor feia e nojenta...
–--- É mesmo a cara dela... Você quem outras coisas destas tribos? Parece ser algo raro. Esta cor... Azul, a cor do mar.
–--- A cor da despedida... Conheço o poema senhor. ---- a jovem sorri, mas logo se intimida e volta a fazer outra mesura. ---- Desculpe. Não tenho senhor... esta é a única coisa desta cor. ---- por alguns segundos ela receia em prossegue a falar. ---- O senhor a deseja? ---- ela então ergue os braços o entregando.
–--- Ela é sua. Se eu quiser algo, trarão para mim. E não será uma caixinha de jóias... ---- bruto ele responde e se vai.
Mas a jovem fica a observar esta atitude tão... gentil.
Normalmente os membros de castas superiores tomam o que acham que lhe é devido, mas ele parecia ter uma noção diferente do que era certo e errado.
Não demora e logo uma jovem de tranças vem ate ela e a leva de volta a sala de aula.
Ele fica a observá-las sair.
Já havia visto a segunda jovem antes, talvez em sua casa.
Não tinha plena certeza.
Fim^^^^^^^^^^^
O navio não tarda a chegar e ele sem demora desacorda um soldado tomando suas vestes.
Tarefa fácil.
Era apenas aborda-lo por traz e jogar o homem desacordado em um local que não atrapalha-se ate que o navio partisse, e ninguém notasse a troca.
Com a ajuda de seu estimado tio ele sobe a bordo esperando que este logo arrumasse qualquer desculpa para partir. Mas o senhor estava tomado por um fogo antigo, algo que seu sobrinho nunca vira.
Ele havia descoberto que a encomenda do ataque ao navio do sobrinho tinha sido obra de Zhao e estava furioso como nunca.
–--- Deixe isto de lado tio! ---- o jovem retira o capacete deixando seu rosto e sua marca a mostra. Não fazia mal, estavam sozinhos nos aposentos do comandante. ---- Eu estou bem. Já podemos ir, esqueça isso... Ele não pode me ferir com algo tão...
–--- E ir para onde Zuko? ---- era crueldade. Ele sabia que o rapaz não tinha a capacidade mental de responder a tal pergunta. ---- Desculpe garoto. Mas não posso deixar as coisas assim eu...
–--- Senhor? ---- a porta se abre bruscamente e o jovem se mantém de costas para ela. Se havia algo que pudesse ser reconhecido era seu rosto, sua cicatriz. ---- O General Zhao solicita sua presença imediata.
–--- Certo. ---- ele apenas deixa o jovem na cabine, não poderia marcar sua presença como algo relevante.
Iroh estava determinado e ao mesmo tempo desnorteado, se isso fosse de alguma maneira possível. Almejava apenas o bem de seu sobrinho. Porem o banimento era algo perpetuo, não haveria chance alguma de eles encontrarem o avatar. Este estava desaparecido há séculos, na verdade há exatamente um século inteiro, 100 anos.
O tempo que durava esta guerra.
Zhao estava a admirar o mar com um semblante de vitória, posando como um pavão; e assim que Iroh se mostra presente este o revela sobre o plano de escurecer a lua.
Ele revela ter descoberto tudo o que precisava sobre o mundo espiritual em uma grande biblioteca há anos atrás; uma biblioteca que ficava escondida no deserto. Iroh por sua vez fica horrorizado com tal idéia, escurecer a lua era mexer com o equilíbrio do mundo.
–--- Acho que você já deve ter entendido meus objetivos de telo abordo. ---- o almirante pontua afim de por um fim na discussão que parecia tomar um rumo inesgotável. ---- Todos sabem que você é um grande entendido sobre o mundo espiritual. Sei bem de sua viagem ate o lado deles... Entre outras coisas. ---- o homem pomposo o olha por sobre ombros como se soubesse de algo que não deveria. E Iroh logo volta a pensar em seu sobrinho, não imaginando o que poderia ser alem disso.
–--- Então meu caro... Você esta se contradizendo. Me trouxe a bordo por causa de meu conhecimento sobre o outro lado.... e não quer me dar ouvidos? ---- indaga o velho ao peita-lo de volta, com um meigo sorriso ameaçador nos lábios. ---- Você não faz idéia de onde esta se metendo. Esta claramente entrando em um terreno desconhecido e mexendo com...
–--- Forças que desconheço? Não seja tão ingênuo. ---- o almirante pontua antes de deixar o senhor sozinho, descendo as escadas do convés. ---- Estudei muito sobre as dobras e suas origens. Sei tudo sobre as tartarugas leão ate mesmo o envolvimento do primeiro avatar com tudo isto. ---- ele para sobre os degraus antes que saísse do campo de visão do senhor que o fitava com horror nos olhos. ---- Os dobradores de água são mais fortes de noite, pos sua dobra vem da lua, igual a nossa vem do sol...
O senhor serra os punhos vendo que o conhecimento de Zhao não era assim tão restrito. Ele sabia o que estava fazendo e realmente almejava este resultado. ---- Não se deve mexer com os espíritos.
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Mas eles não tinham vindo ate este local tão distante apenas para se esconder ou descansar. Estavam em busca de uma chance de melhorar e assim poder fazer algo para revidar.
Porem os costumes do local impediam que mulheres apreendessem combate, coisa que deixa os irmãos extremamente decepcionados e furiosos.
–--- Eu não atravessei o mundo para ser tratada assim! ---- ela grita e esbraveja, e logo todos sentem a extensão de seu poder ao ver o gelo romper de baixo de seus pés.
–--- Você tem de entender... as coisas aqui tem uma certa regra e... ---- a pobre princesa é completamente ignorada enquanto a jovem vai peitar mais uma vez o mestre de dobras.
Ela o ataca, e ele aceita o desafio.
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O vento se tornava cada vez mais cortante, chegando a ferir a pele acostumada com o calor.
A água debaixo do casco no navio se convertia a sólida e a cada légua ia se tornando mais e mais resistente.
Os homens sérios em obediência não possuíam conhecimento do plano de seu general e logo se amedrontam ao avistar de longe a muralha branca.
Mas ele já estava pronto.
Respira fundo e se despede de seu tio.
Ele era o único a poder impedir o grande erro que se aproximava; Iroh não podia ir sem ser notado e dedurar suas idéias já que tinha ficado mais do que claro que ele se opunha.
Então o jovem se lança ao mar.
Trajado apenas com vestes de tecido ele mergulha no que pareciam mil laminas a perfurar o corpo, em uma temperatura que poderia corroer, tecido o matar e apodrecer o corpo ainda vivo. Ele mergulha e nada metros, ate uma fenda invadindo a barragem.
Consegue um pouco de ar ao seguir um dos animais marinhos e seu corpo implora para que ele não mergulhasse outra vez. Mas ele mergulha segue o caminho dito e narrado por seu tio e vai. Tudo para salvar os espíritos de um trágico destino que ninguém esperava.
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