A Lenda Sem o Avatar. (Livro 1 Agua)
9 IX- Desventuras
Notas iniciais
A carroça prossegue.
Sempre a chacoalhar.
Sempre a raspar.
Incansável.
A viajem já durava dias; e ate mesmo o soldado já havia se cansado das surras. Ele não desistia.
Uma abrupta parada e todos se alarmam. Aviriam em fim chego? Seu pesar se converteria em dor física?
A porta se abre. Uma luz ofuscante invade a carroça escura. ---- Todos para fora! ---- Ordena o guarda petulante.
Sua armadura não estava completa. Ate por que ele não precisava ou julgava não precisar. Compunha-se apenas de ombreiras, braceletes, cotoveleiras, tornozeleiras e joelheiras. Detestava o elmo e o capacete apertado.
Aos poucos todos saem e se vêem em uma imensa pousada.
Em madeira e ornamentada em ouro e tecidos vermelhos. Todos estremecem ao contempla-la e aos poucos homens pomposos se aproximam os examinando com os olhos e as mãos. Sorriem de forma maldosa, chegando a lamber os lábios.
O jovem espera um deles se aproximar.
Um pouco mais.
Ainda algemado ele só pode sentir o senhor de olhos de cobra o tocar. Seu estomago se embrulha quando este o vem com palavras ardilosas ao ouvido; narrando o que faria com ele. E logo o senhor entrega um punhado de moedas ao guarda com poucas armadura e parte, o levando ate sua própria carroça.
Dentro da carroça o senhor fecha as janelas e o encara por uns segundos antes de começar a usar suas mãos de forma minuciosa. Seus dentes rangem de desprezo e repulsa que sentia de si mesmo naquele momento.
Um grito mudo.
Silencia toda a cena.
O pedaço de madeira que ele havia soltado da carroça havia ido parar no pescoço do senhor que cai ao chão espirando sangue sobre ele. Um sangue quente e vermelho como as roupas que usava.
O cocheiro não ouve nada. Julgava que a movimentação e o barulho seria de seu senhorio ao se divertir com seu novo brinquedo. E continua seu trajeto.
Quando esta distante o suficiente o jovem salta pela porta e se põe a correr. Nada o cocheiro poderia fazer a não ser descer e encontrar seu mestre desfalecido e nu. O jovem havia roubado suas roupas.
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Não haviam tantas almas a serem resgatadas.
E logo a jovem consegue reunir todos e partir em uma grande balsa. Mas como?
A desculpa foi notoriamente simples. Ratos, vermes e outros tipos de infestações nas acomodações espantaram os hospedes e distraíram os carcereiros; a danado a chance que precisava para escapar.
Porem não durou muito e agora ela estava sozinha contra uma frota bem armada.
Pobre infeliz.
Não pudera ir contra um único individuo ferido. Imagina uma frota sedenta por sangue?
Os resgatados se põe a ajudar. Arremessam ao mar tudo o que podiam para tentar impedir a aproximação do inimigo. Porem eles eram velozes.
Uma ilha próxima parecia à salvação. E todos mergulham para escapar das chamas famintas que alcançavam sua lenta e frágil embarcação.
A ilha a sua frente era famosa e temida por causa do “Peixe Koi gigante”, porem eles temiam muito mais os demônios que estavam ao seu encalço.
Muitas braçadas depois e estavam livres.
Na areia da praia todos festejaram e gritaram de alegria agradecendo a jovem que os salvara. Mas logo rostos pintados os cercam. Armadas com leques laminados e bem treinadas.
Moças saudosas os guiam ate uma pequena e tenra cidade. Elas não demoram a notar que aqueles ali presentes nada mais eram do que vitimas.
Jovens guerreiras carregavam armaduras esverdeadas por cima de longos vestidos de varias camadas e uma maquiagem que misturava o glamour com a guerra. Diziam ser seguidoras da avatar Kyoshi, e saldavam a jovem por sua bravura e coragem.
Na vila elas a levam ate sua líder, que de bom grado se oferece a treinar a jovem como uma de suas irmãs. Katara sabia que resgatar seu irmão não seria uma tarefa fácil e aceita o convide se unindo as guerreiras.
As almas resgatadas temiam deixar a pequena vila. Temiam descobrir que seus lares estavam destruídos ou nas mãos da nação do fogo. Queriam se juntar a seus familiares. Mas por medo, permaneceram junto de sua heroína, que a cada dia evoluía mais e mais em matéria de poder de dobra e combate.
–--- Você evolui rápido Katara. ---- diz a líder ao elogiar sua mais nova aprendiz.
Jovem quase da mesma idade que a própria Katara, esta possuía cabelos castanhos cortados acima do ombro para não a incomodar. Estava sempre com a maquiagem vermelha e branca e a pomposa coroa que mostrava seu cargo.
–--- Muito obrigada... Suki. Eu só... tenho um objetivo... marcado. ---- ofegante pelos treinos a jovem a responde. Usava apenas o vestido verde e largo de varias camadas, nada de maquiagem ou armadura.
–--- Venha... ---- a líder a chama a um canto do doujo, vendo que esta estava exausta. Ela a faz se sentar a sua frente e traz três recipientes. ---- Vou te ensinar a arte da nossa maquiagem. O uniforme de guerreira tem uma insígnia de ouro que representa a honra do coração da guerreira, e os fios de seda simbolizam o sangue valente que flui em suas veias. O branco da maquiagem é nossa alma limpa em fazer o que é correto e o vermelho... o sangue... ---- ela explica suavemente enquanto usa do pote branco para cobrir todo o rosto de Katara, que ouvia atentamente seus ensinamentos. ---- Uma guerreira tem que ter em primeiro lugar a honra e nunca a vingança.
A jovem ouvia sua mestra, mas não a escutava. Seu coração já era uma boa moradia para o ódio. Não conseguia mais crer em uma vida sem ele.
Olhava para sua mestra como se visse a si própria no passado. Inocente. Achando que sua terra era segura, apenas imaginando como seriam os demônios, o que eles eram capazes de fazer. Sente um pouco de inveja desta inocência que lhe foi roubada tão abruptamente, e um pouco de pena. Pôs imaginava que logo ela também a perderia.
E poucos dias depois sua profecia se torna real.
O aço vem cavalgando em forma de aparição. Queimavam todo o caminho da costa ate a pequena vila. Vinha buscar almas. Vinha trazer a morte.
Sem dizer nada os guerreiros atiam fogo a casas e pessoas. Debocham da grandiosa estatua de madeira que ficava no centro da vila. Uma mulher com leques e a mesma vestimenta das guerreiras. Era a famosa avatar Kyoshi, que deu nome à ilha e foi inspiração para as próprias guerreiras, e como se não fosse nada; se convertem em cinzas.
As jovens se unem lutando bravamente contra os invasores. Mas vestidos contra armaduras; não os fazem recuar.
Bravas as guerreiras conseguem abrir caminho para que os moradores conseguissem partir para um local mais seguro. E mantém uma boa distancia de seus opressores.
Karata também se junta à dança. E usa tudo o que aprendeu com o pergaminho de dobra d’água e as aulas de combate para auxiliar suas novas irmãs.
As chamas ardiam por todo o local, escurecendo o céu límpido com sua nuvem negra. Os gritos de horror de inocentes e o odor de carnes queimadas preenchiam toda a batalha. Não se podia mais ver quem era aliado ou inimigo em meio ao caos.
As pessoas corriam sem rumo como insetos fugindo do fogo. E eram exatamente isso.
Elas não tinham para onde correr. Estavam cercadas por quilômetros de oceano, a onde um ser marinho chamava de lar. Enquanto seu próprio lar era convertido em um inferno.
As guerreiras lutam com o que tinham. Mas o que elas possuíam não era o suficiente.
A jovem líder congela ao ver uma de suas irmãs ser abatida.
Esta havia acabado de salva-la e as duas estavam sorrindo uma para a outra, orgulhosas e saudosas. Quando o inimigo cavalgando por entre os escombros a acerta com uma foice a arrastando com sigo, arremessando seu corpo frágil contra o solo, paredes e o que encontrasse.
Suki ainda corre atrás tentando livrar sua companheira que estava sendo arrastada. Apenas para encontrar seu corpo destroçado sem vida.
Mas esta não era a única.
Sem ela perceber suar irmãs perdiam a cabeça, eram carbonizadas ou dilaceradas pelos cavaleiros da morte. O treino de uma vida inteira não se comparava a seu poder.
Isso porque quando uma delas tombava as demais sofriam. Enquanto eles... Eles não sentiam nada. Apenas continuavam.
Eles não tinham que levar ninguém com vida. Apenas matar e destruir a tudo, enquanto elas tentavam proteger os inocentes.
Suki vê seu pequeno paraíso desmoronar quando uma se suas irmãs se rende em meio ao terror. Ela apenas se rende e clama por misericórdia. O cavaleiro desce e a olha nos olhos. Apenas para negar seu pedido e atravessar uma lamina em seu abdômen.
De dor, Suki perde a razão.
Consegue derrubar um ou dois.
Mas eles não paravam de chegar à costa. Tudo estava mesmo perdido. Não tinha nada que ela pudesse fazer. Ela não podia “se” proteger, imagina salvar outras vidas?
Sente seu braço ser puxado, e depois seu corpo segue. Só conseguia ver tudo sendo destruído ao seu redor.
–--- Eu... Eu sinto muito Suki! Eu sinto muito mesmo! ---- Karata diz aos prantos enquanto corria puxando o braço de Suki para que ela a seguisse. ---- Eu só queria salva-los! Eu... só queria fazer o que era certo. Mas eles me seguiram. Eles chegaram aqui por minha culpa.
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