A Lenda Sem o Avatar. (Livro 1 Agua)
2 II- Desespero
Notas iniciais
Um velho de cabelos grisalhos passa por ela tentando não olhar. Ele segue em direção as lojas voltando com um grande tabuleiro e alimentos. Ela agarra sua perna, e ele para de andar.
Os olhos amarelos como ouro encaram os olhos cor de céu da jovem; ele pena e sente dor por ela, mas não pode fazer nada para livra-la de sua sina. Passa a mão sobre sua calva cabeça de cabelos longos, e volta a apoiar sobre a vasta barriga. Respira fundo e se abaixa, entregando-lhe um pouco de pão, pondo em seu miolo umas plantas estranhas, e parte.
Ele deixa claro que havia posto algo no pão, e logo uma das outras jovens o toma dela. Esta ferida possuía os olhos fundos de chorar, seus pulsos cortados pelas correntes que a aprisionava e os cabelos amassados e fragilizadas, provavelmente por terem sido puxados inúmeras vezes.
Apesar de estar suja e vestida com trapos, a jovem possuía uma beleza que chamava a tenção. O corpo moldado de fartas curvas e uma doce voz. Caucasiana de cabelos escuros possuía os olhos castanhos e encarava o pão com tristeza. Ela soluça e chora, pergunta aos céus porque havia lhe dado esta sina e abocanha uma parte do pão, reclinando-se a um canto e o devolvendo a jovem de cabelos castanhos que a fitava amedrontada.
Não demora e a bela jovem para de se mover e respirar. Estava morta.
A moça repassa varias e varias vezes em sua mente o ocorrido. Sem conseguir entender. Ela ainda se sentia muito mal e lutava cada vez mais para se manter consciente. Porem logo é erguida por um voraz homem, que a encara da cabeça aos pés. Ele não demora a abrir suas vestes, deixando seu puro e intocado corpo a mostra apertando-lhe um dos seios. Ela grita e se debate. Inútil. Esta fraca e ele é forte.
Com apenas um braço ele a põe por cima dos ombros como uma frágil bagagem de mão, entrega uma punhado de moedas a um outro homem e parte em direção a seu navio. Lá olhos sedentos vasculham seu corpo ate ser deixada em um aposento trancado.
Apenas uma cama larga ao fundo compunha os moveis do local e vários troféus enfeitam as paredes do quarto sem janelas.
Ela treme e teme. Entende agora o que o senhor havia feito, o porque da outra jovem ter comido, e se revolta. Mas esta fraca. Seu corpo doía pelo sol que havia tomado. Sua pele morena estava avermelhada, ela sentia febre. Estava doente.
O homem se aproxima dela já retirando sua veste de fogo. A força contra a cama. Ela não pode lutar.
Porem algo bate a porta a salvando. Revoltado o homem abre a porta aos gritos, castigando com fúria aquele que ousou interrompe-lo. E em meio a o castigo o servo se explica e o homem cessa seu ataque; seus olhos rubros se iluminam e ele sorri, partindo. A jovem respira um pouco aliviada. Havia escapado de uma sina terrível… por hora.
Tenta se levantar, continua lutando ate o fim. Encontra algo com o que pudesse se cobrir e se apoiando nos moveis chega ate a porta. Ela tinha que sair dali.
Lá fora em alvoroço os homens parecem brindar uma comemoração. O nome de uma mulher é citado com louvor. Azula, eles cantarolam.
Em meio à bebida um dos servos a vê. Porem antes que este pudesse alcançá-la esta se lança ao mar. O abraço gelado da ondas a faz se lembrar de seu lar. Ela é jogada sem poder respirar, mas já não se importava mais. Ela se deixa levar novamente. Quem sabe desta vez aquelas correntezas a leva-se de volta a seu lar?
Uma ultima onda a arremessa a costa. A dor a faz acordar, e logo se põe a vomitar água. Ela tosse e olha em volta. Não estava em casa. Ela não teria esta sorte.
Deitada sobre as ásperas pedras ela vê uma sombra a cobrir. A noite havia chegado? Usando de todas as suas forças ela abre seus olhos avistando uma senhora que a fitava com um semblante assustado. Esta faz sinal para longe e logo um grupo de homens se aproxima. Ela tenta lutar, porem seus braços mal se mechem. Esta cada vez mais fraca.
Logo a jovem desperta com musica. Uma melodia feliz. Seus olhos se abrem preguiçosamente, porem ainda não consegue se movem. Há um tecido sobre sua cabeça e seu corpo esta cheirando estranho… ervas e folhas a cobriam e a sua frente à mesma senhora sorria alegremente.
–--- Essa foi por pouco... Você finalmente acordou. Que bom… ---- a senhora se vira chamando um jovem que pega uma jarra despejando água dentro de um vasilhame de barro, a entregando para beber.
Cuidadoso ele ergue um pouco seu corpo e põe o vasilhame em sua boca. Apesar de a sede lhe tomar, não consegue beber muito, voltando a tossir. ---- Esta segura agora. Você teve uma insolação grave. Mas ficara bem.
Dizendo isso a senhora faz sinal para que o jovem saia e volta a passar uma pasta grossa e esverdeada sobre seu corpo. Aquilo ardia, mas era bom. A jovem então fecha seus olhos aliviada, ouvindo a musica que tocava alegre.
Respira fundo sentindo-se bem melhor, seu corpo ainda ardia porem já conseguia se levantar e se mover livremente. Ela sai da cabana improvisada encontrando sua salvadora e um grupo que fazia algo para comer, um assado girando ao fogo, uma panela transbordante de sopa vasta.Os pássaros cantavam como se nada lhe tivesse ocorrido e ela quase acredita.
A senhora se aproxima e logo a entrega uma cerâmica recheada de sopa rica, feita com vários alimentos. A moça sorri e come apressada. Era a melhor comida do mundo.
–--- Como se chama? ---- Diz uma mulher de cabelos escuros ao se aproximar trazendo roupas e pondo ao lado da jovem que comia apressada.
–--- Katara. ---- responde ela ao pegar as roupas e pedir ainda mais comida, fazendo com que a senhora sorrisse.
A mulher se senta a seu lado a ajudando a se vestir; já que a jovem Katara estava fragilizada e ferida. Brigando com curiosos jovens que olhavam por entre a relva.
Mas logo Katara se assusta e se silencia ao notar que esta havia perdido parte de seu corpo para as chamas. Cabelo, braços pernas e ate parte de seu tórax e rosto tinham sidos levados pelos demônios de fogo. Os cabelos falhos e grudados em sua nuca, um dos braços carbonizados ao ponto de se tornar inutilizado e marcas profundas nas pernas o que a trazia dificuldade de locomoção. Katara que vomitar; não por nojo da mulher a sua frente, mas por ânsia da queles que a infligiram a esta situação.
Com um olho cego ela chama um dos jovens curiosos e o ordena a trazer um pente e algo pra prender-lhe os cabelos.
Katara termina de comer e logo vai se pentear, prende seus longos e ondulados cabelos e sorri. Apesar de ter perdido tudo o que trouxera seu colar ainda estava com sigo. Um entalhe em madeira preso por uma fita azul, como ondas e a lua. Perfeito.
–--- Jovem Katara. O que faz tão longe de sua casa? ---- estas palavras a surpreendem. Um homem grisalho porem jovem, marcado com tristezas a olhava com ar piedoso.
–--- Vim procurar meu pai e meu irmão. Eles estão por ai em algum luar. Sei que estão vivos. Os demônios não podem ir contra eles.
O homem se impressiona e sorri, mas logo volta a se entristecer. ---- Demônios… bom nome para aquele povo. ---- com isso ele se levanta e sai.
Katara permanece a fita-lo, todos ali parecia ter perdido algo para os demônios. Membros do corpo, da família e suas esperanças. Eram boas pessoas, porem desoladas.
Mas logo esta paz é rompida por um grito. Uma criança vem correndo e tropeça apavorada. Ela alerta sobre a captura dos guerreiros da água, e que uma tropa se encaminhava a esta região. O horror e medo em seu semblante era maior do que sua tenra idade poderia explicar.
E rapidamente todos mudam de atitude; nervosos e apressados eles levantam suas cabanas e partem, porem Katara não quer fugir. Eles incitem, mas não a obrigam. Seu sangue ferve em imaginar que alguém teria machucado sua família e velozmente ela chega à cidade.
Lá nenhuma informação útil. Apenas leves boatos sobre quem estaria nas embarcações, ou o que tais guerreiros estariam fazendo nesta costa em especial. E mais uma vez ela se encontra perdida sem nada.
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