A Lenda Continua
5 Capítulo 5
Notas iniciais
– O que você sentiu lá no fundo do lago? – perguntou Zukko.
– Ela falou comigo novamente, quando fechei os olhos.
– O que ela disse? – perguntou Navi.
– Tenho fé em sua jornada... Minha descendente – sorri.
– Descendente? Como assim? – pergunta Zukko.
– Talvez eu seja ligada a ela de algum modo no passado.
– Huh, talvez – diz Navi.
– Bem, pela manhã continuaremos nosso... Sheik que papel é esse nas suas costas? – disse Zukko pegando o papel.
– Huh? Deixa-me ver – pega o papel – Ah! É uma partitura! Tem uma música nela...
– Uma música? Porque ela te daria uma música? – pergunta Navi.
– Heh?! Aqui atrás diz: “Música de Saria”!
– Que?! – exclama Navi.
– Mas Sheik, essa partitura é de milhares de eras atrás! Como pode ser para você?
– Eu... Não faço ideia. Ah! Talvez fosse isso o que ela queria dizer com “antepassada”. Eu sou a descendente dela. Ela devia ter o mesmo nome que tenho.
– Mas Sheik, com que instrumento pode ser tocado isso? – pergunta Navi.
Sheik pensa por uns instantes.
– A ocarina! – exclama.
– Ah! Eu me lembro dela! – exclama Navi – O tesouro da família real não é?
– Sim. Talvez se eu tocar aconteça algo – dá de ombros.
– Tente – disse Zukko.
Sheik se para em frente ao lago, tira a ocarina de seu bolso e pede para que Zukko segure a partitura.
Ela começa a tocar. Um brilho meio verde reflete na água e como um trovão, o raio de luz corta caminho entre a floresta. Revelando uma passagem.
Todos ficam paralisados diante da cena. A música tinha poderes misteriosos. O que era confuso para a época em que estavam não é.
Sheik guardou a ocarina em seu bolso novamente e guardou a partitura em sua mochila.
Zukko, que até então estava paralisado, resolve falar.
– Devemos seguir o caminho?
– Sim. Acredito que seja para nos guiar em nosso propósito – diz Sheik.
– Bem, então vamos – diz Navi.
E assim eles seguem. Sheik e Zukko iam mais a frente e Navi ia logo atrás guiando os dois cavalos, Epona e Luke.
Estava muito escuro. Já devia ser quase de madrugada. Estavam com sono ainda. Mas provavelmente o caminho sumiria pela manhã. Pois brilhava só à noite.
Mesmo assim, era confuso caminhar por ele. Porque apenas o chão brilhava, o resto era escuridão.
Após alguns minutos seguindo o caminho, Sheik avista de longe uma pedra. Com escrituras. Provavelmente em hylian. Eles se aproximam da pedra.
– Sheik consegue entender o que diz aí? – pergunta Navi.
– Bem, um pouco. Minha mãe não me ensinou tudo sobre hylian – ela analisava a grande pedra – Mas tenho certeza que aqui diz: “Tumba dos irmãos compositores”.
– Irmãos compositores? – pergunta Zukko.
– É. Jamais ouvi falar de algo sobre isso.
– Hey! Não é o símbolo da Triforce aí em baixo Sheik? – Navi aponta para seus pés.
Sheik olha para baixo e nota que estava pisando no símbolo da Triforce. Esculpido no chão.
– Isso é estranho.
– Sheik, deve ter algo mais escrito aí não é? – pergunta Navi.
– Hum, deixa ver... Sim. Também está escrito para tocar a “Música do sol”.
– Tudo se baseia em música agora – diz Zukko sarcástico.
– Talvez fossem assim as armadilhas na era medieval. Ativadas por certas músicas – diz Sheik.
– Talvez – diz Zukko.
– Bem, mas você sabe essa tal “Música do sol”?
– Ah... Não. Eu me lembro de que, na caixa dourada onde ganhei minha ocarina, havia muitas partituras e...
– Ah! Isso! Havia me esquecido! – exclama Navi indo até sua mochila – Impa me pediu para te trazer isto — entrega a caixinha dourada.
– O que seria de nós sem Impa pessoal? – risos.
– Tem razão – risos.
Sheik se senta no chão e começa a vasculhar a caixinha, olhando partitura por partitura.
– Achei! – exclama – Essa é a música do sol!
Se levante rapidamente. Zukko segura a partitura em sua frente. E ela toca a música do sol.
Uma tempestade começa a se formar no céu. Nuvens pretas e carregadas fazem um barulho estrondoso e assustador. Eles se escondem nos arbustos, e Navi puxa os cavalos também.
De repente um raio atinge o símbolo da Triforce no chão. Abrindo um buraco.
Todos ficam de bocas abertas. Como aquilo era realmente possível?
Sheik dá um passo à frente. E olha para o buraco. Estava escuro.
Apenas sentia-se o cheiro de fogo. Talvez tochas estivessem acesas lá dentro.
– Acho que alguém já entrou antes aqui – diz Sheik.
– Mas é uma tumba! – exclama Navi.
– Sei disso, mas... Acho que temos que entrar.
– Bem, estaremos logo atrás de você – diz Zukko.
– Exato – diz Navi.
Sheik e Navi amarraram os cavalos um pouco mais atrás dos arbustos. E entraram no buraco.
Era um pouco fundo, então os três caíram.
Quando se levantam, percebem que havia dois túmulos.
– Veja Sheik! – Zukko aponta para a parede logo atrás dos túmulos – Não é a música que você tocou pra entrar?
– Ah! É sim!... Então quer dizer que esses “irmãos compositores” eram da família real.
– É o que parece – diz Navi.
– Mas porque aquela fada do Lago Hylia nos traria até aqui? – pergunta Zukko.
– Eu estava pensando isso também – diz Sheik.
De repente uma garota surge de um dos cantos da tumba.
– O que fazem aqui?! – exclama.
Todos gritam de susto. Era uma garota, aparentemente da mesma idade de Sheik e Zukko. Ela tinha longos cabelos vermelhos e olhos verdes. Tinha a pele morena e estava com uma larga camiseta e um short. Como se recém tivesse acordado.
– O que você faz aqui? – pergunta Zukko.
– Minha mãe me mandou vir. E vocês?
– Bem. Fomos guiados para cá por uma música feita para mim, e um caminho brilhante nos trouxe aqui. Deixei faltar algo? – disse Sheik.
– Ah então são vocês! – exclama a garota.
– Vocês quem?
– Os viajantes! A fada do lago me disse que viriam.
– Você viu a fada do lago?! – exclama Sheik.
– Não a vi exatamente. Apenas a ouvi. Ela me disse que deveria ajudar vocês, e minha mãe também. Ah! Me chamo Naori – sorri.
– Bem, me chamo Sheik, ele se chama Zukko e ela se chama Navi.
– De que ajuda, você estava falando?
– Bem, eu soube, pela fada, que vocês queriam entrar no Vale Gerudo do Norte não é?
– Sim.
– Bem, eu sei uma passagem secreta e levará apenas três dias de viajem.
– Ah que ótimo! – exclamou Sheik.
– Só temo que Navi não poderá entrar – diz Naori.
– Ah sim. A cidade é apenas de homens não é? – diz Navi.
– Sim. Mas pode esperar do lado de fora comigo. Faço companhia á você até eles retornarem – sorri.
– Ah obrigada – sorri.
– Bem, primeiro vamos sair desta tumba não é? – risos.
Todos saem da tumba. E já havia amanhecido.
– Como amanheceu?! Estava de noite quando entramos! Não passou nem uma hora! – diz Zukko nervoso.
– Foi a canção do sol Zukko – diz Naori – Ela faz tanto amanhecer quanto anoitecer.
– Isso não é possível.
– Bem. Mas foi – risos – Estão prontos para partir?
– Estamos.
E assim retomam seu caminho para o vale. Mas por uma rota diferente, e que levaria menos tempo.
Zukko e Sheik foram em Epona e Navi e Naori foram em Luke.
E o caminho, mesmo que não demorasse tanto, seria longo.
Enquanto viajavam, curtiam as belas terras que jamais haviam visto antes. Mal sabiam o nome de onde estavam, mas agora não importava.
A rotina era a mesma: Algumas horas de cavalgada. Anoitece. Descanso. Comida. Dormir. Amanhece. Mais algumas horas de cavalgada. Descanso. Briga de gravetos. Explorar lugares. Anoitece. Comida. Dormir. Comida. Histórias de terror. Piadas. Tentar dormir depois das histórias de Naori. Amanhece. Comida. Escalar árvores. Mais muitas horas de cavalgada. Descanso. Comida. Guerra de pedrinhas. Pega-pega. Anoitece. Comida. Dormir. Acordar no meio da noite e beliscar marshmellows. Dormir. Amanhece. Mas horas de cavalgada.
E assim se passaram três dias.
Finalmente chegam á passagem secreta. Era tudo deserto e havia muitas muralhas de pedra. O vento soprava forte. E o sol era de fritar um ovo em sua cabeça.
– Bem Naori. Onde fica a passagem secreta pra entrar no vale? – pergunta Sheik.
– Logo á uns metros adiante. Se vocês virem um símbolo de uma estrela na ponta de uma meia lua, esculpida em alguma parede me avisem.
E assim, eles caminham mais um pouco. Estava difícil prosseguir com aquele sol infernal. Mas não iriam desistir agora.
Zukko sai correndo na frente. Havia visto alguma coisa.
Quando todos o alcançam, o admiram. Ele estava completamente paralisado.
– Zukko, está tudo bem?! O que houve? – pergunta Sheik.
Ele não respondia. Foi aí que todos notaram o que ele estava olhando.
Era uma espada. Preta. Com uma pedra vermelha em seu meio. Cravada no chão. E amarrada á ela, uma capa vermelha. Já corroída com o tempo.
– O que tem essa capa Zukko? É de alguém? Você conhece? – pergunta Naori.
Então ele sai do transe agoniante e resolve falar.
– Era... Era...
– Era? – diz Sheik.
– De Ganondorf...
– QUEE?! — exclama Sheik – Como pode ter certeza Zukko?!
– Eu sinto essa capa remoer dentro de mim – ele estava com a voz trêmula.
– Você sente... Meu Deus. Zukko tem certeza? – Sheik tentava entender.
– T-Tenho... Eu sinto meu interior queimar. Como se fosse a vingança correndo em minhas veias – ele cai de joelhos e começa a chorar.
Sheik tira a faixa de seu pescoço, e pela sua voz, revela que era uma garota.
Saria se ajoelha ao lado de Zukko e o abraça.
– Zukko, você está se sentindo mal? Quer alguma coisa? Quer que eu faça algo? – ela estava quase chorando também.
– Eu... Eu... Quero que crave essa espada em meu coração. E me mate de uma vez – ele falava sério.
– O QUE?! COMO ME PEDE ALGO ASSIM?! NÃO VOU MATAR VOCÊ ZUKKO!
– FAÇA! ASSIM EU PARO DE SENTIR ESSE INFERNO DENTRO DE MIM! ME AJUDE! ME MATE! – ele gritava desesperadamente.
– Não Zukko! Eu vou te ajudar a sumir com esse demônio que nasceu em você! Não será preciso te matar! Por favor! O calor está fazendo sua cabeça! Vamos sair daqui! – ela o levanta.
Ele chorava alto. Como se fosse uma criança completamente traumatizada. Seu choro era de medo, de agonia.
Naori ajuda Saria a segurar Zukko. E Navi corre até seu cavalo e pega um pouco de água de sua garrafa.
Eles vão até uma caverna que havia perto de uma das muralhas de pedra.
Epona se deita. Como se dissesse: Deitem-no perto de mim.
Elas o deitam. Saria lhe dá água e acaricia seu cabelo. Ela também pede desculpas á Naori por ter mentido sobre quem era.
Naori compreendeu. Afinal, ela precisaria entrar no vale a qualquer custo.
Saria se senta perto de Zukko e ainda acaricia seu cabelo. Ele estava pegando no sono, quando segurou a mão de Saria de disse: — Obrigado... Por não desistir de mim... – E desmaia.
Os olhos de Saria se enchem de lágrimas. Sabia que havia feito certo em teimar com Zukko. Ela não é fraca. Nunca irá desistir.
– Saria você está bem? – pergunta Naori.
– Sim. Estou. E agora percebo que não podemos desistir. Ele precisa muito de nossa ajuda.
Elas concordam com a cabeça.
– Como isso foi possível? Como esse tal rei do mal “Ganondorf” conseguiu renascer nele? Pobre Zukko – diz Navi.
– Ele, talvez, encontrou uma brecha no mundo espiritual – diz Naori.
– Só não sei o que teremos que fazer para acabar de vez com tudo isso – diz Saria.
Elas se põem pensativas. Mesmo que quisessem muito ajudar Zukko, era complicado “adivinhar” o que teria de ser feito. Afinal, Zukko não deixou isso bem claro quando conheceu Saria.
– Bem, acho melhor esperarmos ele acordar. Ele deve saber – diz Navi.
– Sim – concordaram as duas.
– Então Naori. Como se chama sua mãe? Pergunta Saria.
– Nabooru.
– Nabooru? – exclama Navi.
– Sim. Porque ficou surpresa?
– Bem porque a tia de Zukko se chama assim.
– A tia de Zukko?!
– É. E o pai dele se chama Ganon. Meio dejavú sabe – risos.
– Espera! Meu tio se chama assim!
– Então, o que vocês duas estão tentando solucionar é que Naori e Zukko são primos! – exclama Saria já sem paciência.
– Se somos primos, então porque nunca fomos apresentados?
– Talvez não se dessem bem. Pois pelo que sei, sua mãe e seu tio nunca se deram muito bem – diz Navi rindo.
– Hum, verdade. Acho que Zukko conhece minha mãe. Mas não me conhece.
– Que legal vocês serem primos Naori – diz Saria.
– Bem, espero que possamos nos entender – Naori sorri.
Zukko ainda dormia. Pobre garoto. Havia uma guerra dentro de si. E ele teria que aguentar até encontrar a única pessoa que pode remover essa sua maldição. Mas a parte ruim, é que nem mesmo ele sabe quem deve encontrar.
Continua...
Notas finais
Desculpem a demora :P
Espero que gostem X3
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